INTRODUÇÃO: A acromegalia é uma patologia de evolução insidiosa, que pode acarretar em grande morbimortalidade e que geralmente é diagnosticada com grande atraso desde as suas primeiras manifestações. O reconhecimento de alterações sutis é de suma importância para o diagnóstico e tratamento precoces. A finalidade deste relato é apresentar o caso de uma paciente cuja hipótese diagnóstica de acromegalia foi levantada primariamente pelos seus achados radiográficos, objetivando assim salientar o valor da radiografia simples como método de imagem.
DESCRIÇÃO: Paciente feminina de 42 anos, portadora de artrite reumatoide, diabetes mellitus insulino-dependente e transtorno de humor depressivo, relatava artralgia de caráter inflamatório em mãos, xerostomia e irregularidade menstrual há 4 anos. As radiografias simples das mãos e dos pés revelaram achados que favoreciam a hipótese de acromegalia. Quando questionada, a paciente relatou ter percebido ao longo dos anos aumento do tamanho do nariz, das mãos e dos pés. Uma radiografia complementar do crânio em perfil foi solicitada e evidenciou achados que corroboraram a hipótese de acromegalia. Dosagens de IGF-1 e hormônio de crescimento (GH) após supressão com dextrosol foram encontrados acima dos valores normais. Uma ressonância magnética da sela turca com contraste evidenciou uma lesão compatível com macroadenoma hipofisário à esquerda. O diagnóstico de acromegalia por macroadenoma hipofisário secretor de GH foi considerada. A paciente foi encaminhada para programação cirúrgica e mantém em acompanhamento neuroendocrinológico.
DISCUSSÃO: A Acromegalia é um distúrbio metabólico consequente de uma hipersecreção de hormônio do crescimento (GH), cuja causa mais comum é o macroadenoma hipofisário. Todos os tecidos do corpo são afetados pelo excesso de GH, respondendo com hiperplasia e hipertrofia. Dentre os achados radiográficos mais importantes desta patologia, destacam-se a proeminência dos tufos terminais das falanges distais das mãos e dos pés, o espessamento do coxim adiposo do calcâneo, o espessamento dos ossos do crânio, o alargamento da sela turca, dentre outros. Uma vez levantada a hipótese, a confirmação diagnóstica deve ser feita através de dosagem hormonal, seguida de realização de ressonância magnética da sela turca para elucidação etiológica.

Objetivo: O objetivo do trabalho é descrever um caso de paraglanglioma funcionante de bexiga, sítio raro de aparecimento de feocromocitoma, que corresponde a cerca de 6% de todos os paragnagliomas, sendo os sintomas relacionados a micção uma pista para a suspeita diagnóstica.
História clínica: Paciente masculino, 55 anos, com relato de sintomas de cefaleia e palpitações que se iniciavam cerca de 1 minuto após a micção. Feitas medidas seriadas da pressão arterial antes e após a micção sendo evidenciado elevação pressórica no período pós-miccional. A tomografia computadorizada com contraste do abdome evidenciou nódulo exofítico na parede anterossuperior da bexiga, com intenso realce pelo meio de contraste na fase arterial e lavagem na fase tardia. Observou-se ainda dois nódulos no parênquima hepático com características semelhantes a lesão vesical, suspeitas para comprometimento secundário. Foi levantada a hipótese de paraganglioma vesical, sendo colhidos exames laboratoriais como a dosagem de catecolaminas e seus metabólitos, que evidenciou aumento da noradrenalina sérica e da normetanefrina no exame de urina de 24 horas, corroborando o diagnóstico.
Discussão e diagnóstico: Feocromocitomas são tumores do sistema nervoso simpático, mais comum entre a 4ª e 6ª década de vida, podendo ser funcionantes ou não. Ocorrem em qualquer local com sítio mais comum na glândula adrenal correspondendo a 90% dos casos; as lesões vesicais são raras e compreendem cerca de 6% de todos os paragangliomas. Os sintomas são resultado da liberação de catecolaminas como alteração pressórica, taquicardia e palpitações que surgem no período pós-miccional. Cerca de 10% dos paragangliomas são malignos e podem metastatizar, sendo os locais mais frequentes são linfonodos, ossos e pulmões. O diagnóstico é realizado diante do quadro clínico e laboratorial associado aos achados de exames de imagem como TC e RNM. A cintilografia através da metaiodobenzilguanidina é o mais específico para a identificação de paragnagliomas funcionantes além da identificação de lesões metastáticas.
Conclusões: O paraganglioma de bexiga é um sítio raro de aparecimento do feocromocitoma que apresenta sintomas no período pós-miccional. Seu diagnóstico é realizado em conjunto através dos dados clínicos, exames laboratoriais e exame de imagem como TC, RNM e cintilografia, sendo o uso do radiofármaco MIBG, o mais específico para a captação das lesões funcionantes.

INTRODUÇÃO
A ossificação pulmonar dendriforme é uma entidade relativamente rara que representa uma resposta incomum a injúria crônica do parênquima pulmonar, sendo diagnóstico diferencial de outras formas de deposição de cálcio e processos granulomatosos pulmonares. Apresenta desenvolvimento insidioso e muitas vezes assintomático, podendo ser mascarada ou confundida com doenças crônicas associadas.
O objetivo desse trabalho é relatar um caso de ossificação pulmonar dendriforme, patologia rara, muitas vezes diagnosticada post mortem.
DESCRIÇÃO
Paciente do sexo masculino, de 65 anos, em uso de cânula de traqueostomia devido a complicações após trauma pregresso, ex-tabagista, comparece para consulta ambulatorial para acompanhamento, sem queixas clínicas no momento.
Devido a história clínica, foi solicitada radiografia de tórax, que evidenciou padrão reticulonodular difuso, espessamento de paredes brônquicas e bronquiectasias, sendo levantada a hipótese de doença intersticial pulmonar.
Foi realizada uma tomografia computadorizada do tórax que evidenciou micronódulos calcificados esparsos por ambos os pulmões, tocando as fissuras pulmonares e superfícies pleurais, mais proeminentes nos lobos inferiores.
DISCUSSÃO
Os achados tomográficos são compatíveis com ossificação pulmonar dendriforme, que usualmente se apresenta como infiltrados reticulares de densidade calcificada, de distribuição broncovascular e calcificações subpleurais. As lesões são indolentes, com progressão lenta ao longo dos anos, podendo permanecer sem modificações por vários anos, não tendo sido descrito casos de regressão do quadro.
O diagnóstico histopatológico é realizado através de biópsia a céu aberto, e, por se tratar de procedimento invasivo em indivíduo assintomático, acabar por não ser realizada de rotina, muitas vezes feita apenas nas autópsias.

Neuro Behçet é descrita como o acometimento do sistema nervoso central que ocorre em alguns pacientes portadores da doença de Behçet, esta afecção pode apresentar-se de maneiras diversas. A ressonância magnética do crânio aliada ao estudo do líquor tornam-se importantes métodos diagnósticos, dentre os achados podemos citar lesões focais ou multifocais na neuroimagem, pleocitose e aumento de proteínas na análise liquórica.
Relato de Caso: DO, 37 anos, apresenta-se com alteração comportamental, agitação e perda de controle esfincteriano, refere um episódio de febre associada a cefaleia e dois acidentes automobilísticos recentes. Tabagista, etilista, hipertenso não controlado, afirma uso recreativo de Cannabis e relata úlceras orais e genitais recorrentes. Realizado rastreio infeccioso amplo e exames de neuroimagem, nos quais evidenciou-se pleocitose e aumento de proteínas no líquor, alteração na intensidade de sinal na topografia do trato corticoespinhal à direita, estendendo-se desde a região nucleocapsular, pedúnculo cerebral e ponte à direita, além de pequeno foco de realce no pedúnculo cerebral. Os exames associados ao quadro clínico de alteração comportamental, úlceras orais e genitais, resultaram no diagnóstico de neuro Behçet. A doença de Behçet é uma afecção inflamatória crônica multissistêmica sem marcador específico e de etiopatogenia desconhecida, caracterizada pela tríade clássica de úlceras orais e úlceras genitais associadas a uveíte . O acometimento do sistema nervoso central (Neuro Behçet) ocorre em 5 a 10% dos casos e pode apresentar manifestações diversas, tais como meningoencefalite, síndrome piramidal, hipertensão intracraniana e distúrbios psiquiátricos. A ressonância magnética do crânio é o método mais sensível quando há envolvimento parenquimatoso, apresentando-se com lesões focais ou multifocais hipointensas em T1 e hiperintensas e T2 e Flair, com realce variável, podendo estar associadas a edema vasogênico, assim como trombose da veia central. As lesões são encontradas preferencialmente nos pedúnculos cerebrais, ponte e núcleos lenticulares. Não há diferença no padrão das lesões nas fases aguda e crônica da doença.
Outro importante exame diagnóstico é a avaliação do líquor, que geralmente apresenta-se com pleocitose e aumento de proteínas.
É importante enumerar como diagnósticos diferenciais outras vasculites, doenças inflamatórias e esclerose múltipla.

HISTÓRIA CLÍNICA: Paciente feminina, 13 anos, com dor abdominal há 4 anos e aumento progressivo do volume abdominal. Ao exame físico havia massa endurecida e dor à palpação, sem irritação peritoneal. Exames laboratoriais normais. A TC, USG e RM revelaram volumosa lesão expansiva encapsulada, de comportamento cístico heterogêneo, sem fluxo ao Doppler ou realce pós-contraste e sem invasão de estruturas. O sinal da garra com o lobo hepático esquerdo sugeriu origem hepática.
DISCUSSÃO E DIAGNÓSTICO: Diante de uma lesão hepática predominantemente cística com conteúdo heterogêneo em pacientes infanto-juvenis, incluem-se nos diagnósticos diferenciais lesões císticas, predominantemente císticas e lesões sólidas com degeneração cística. Neste caso cisto do ducto biliar solitário complicado com sangramento foi a principal hipótese. O cisto biliar é a causa mais comum de lesão hepática, e pode ser solitário ou múltiplo, acometendo preferencialmente o sexo feminino. Geralmente é assintomático e pode estar relacionado a febre e dor abdominal quando complicado.
Por imagem os cistos biliares se apresentam como lesão preenchida por líquido com paredes definidas, de tamanhos variados e que pode se localizar na superfície ou interior do parênquima hepático. Se complicado pode demonstrar conteúdo heterogêneo e por vezes septos internos. A não caracterização de fluxo ao Doppler e de realce pós contraste é de grande valia para exclusão de patologias sólidas.
A histologia demonstra uma coleção serosa fluida delimitada por paredes com epitélio cuboide, semelhante ao dos ductos biliares, e fino halo externo de estroma fibroso. Cistos de maiores dimensões podem complicar revelando conteúdo hemático ou necrótico. Geralmente não necessita de tratamento, apenas quando sintomático. A excisão cirúrgica é eficaz na grande maioria dos casos.
CONCLUSÕES: A partir de um aumento do volume abdominal progressivo em uma paciente infanto-juvenil, temos vários diagnósticos possíveis, incluindo má formações vasculares e linfáticas, tumores benignos e malignos, neoplasias hematológicas, doenças infecciosas que cursam com hepatoesplenomegalia, dentre outros. Os exames de imagem tiveram papel fundamental no diagnóstico deste caso, pois sugeriram a benignidade da lesão além de sua possível etiologia, confirmada posteriormente pelo estudo anatomopatológico. Dessa forma, o papel do médico radiologista na interpretação das imagens tem suma importância nos casos em que sua apresentação foge do habitual.

Introdução:
A policondrite recidivante é um distúrbio autoimune raro e de difícil diagnóstico devido a uma variedade de manifestações e a baixa incidência na prática clínica, promovendo episódios progressivos de inflamação de elementos cartilaginosos e de tecidos ricos em proteoglicanos. A artropatia dos joelhos relacionada à policondrite é um achado raro, se mostrando como um desafio diagnóstico.
O objetivo desse trabalho é relatar um caso de artropatia dos joelhos relacionada à policondrite recidivante, achado bastante infrequente dentro da doença.
Descrição:
Paciente masculino, 18 anos, admitido com sintomas respiratórios recorrentes. Ao exame físico, foram observadas deformidades auriculares, colapso da ponte nasal, glaucoma e conjuntivite.
A tomografia computadorizada do tórax inicial demonstrou calcificações parietais da traqueia e dos brônquios, poupando sua parede posterior.
No seguimento, o paciente desenvolveu artralgia recorrente nos joelhos, piorando pela manhã e com melhora após ciclos de pulsoterapia com glicocorticoides.
A radiografia simples dos joelhos evidenciou alteração morfoestrutural dos côndilos e platôs tibiais. O estudo complementar por ressonância magnética caracterizou a presença de alterações inflamatórias nas topografias do anel pericondral e condroepífise do fêmur distal e tíbia proximal.
Não foi evidenciado derrame articular ou sinovite significativa.
Os exames laboratoriais revelaram sorologias infecciosas negativas, bem como fator reumatoide e fator antinuclear não reagentes.
Discussão:
O diagnóstico de policondrite recidivante é feito na presença de ao menos três dos seis critérios de McAdam: condrite auricular bilateral, artropatia soronoegativa não erosiva, condrite nasal, inflamação ocular, condrite do trato respiratório e dano audiovestibular. O paciente apresentava cinco dos seis critérios.
A artropatia na policondrite tem sido descrita como soronegativa, não erosiva, não deformante e assimétrica. O envolvimento dos joelhos é infrequente.
Artrite idiopática juvenil e artrite infecciosa se apresentam como principais diferenciais. Tais diagnósticos foram descartados por provas laboratoriais e na imagem devido à ausência de derrame articular e sinovite significativa.
A ressonância magnética tem importante papel no diagnóstico deste caso, pois é capaz de identificar inflamação pericondral e condroepifisária, característicos da policondrite recidivante, devendo o radiologista estar ciente de tais padrões de imagem.

Neoplasias de apêndice cecal são raras, encontradas em cerca de 1% das apendicectomias, sendo mais raramente linfomas. Os linfomas apendiculares são não-Hodgkin, como Burkitt, que é uma neoplasia de células B altamente agressiva, incomum em adultos, manifestando-se geralmente como abdome agudo secundário ao crescimento rápido com efeito de massa ou envolvimento intestinal direto. A maioria apresenta-se como apendicite aguda, levando a exames de imagem ou intervenção cirúrgica.
Paciente masculino, 23 anos, com dor epigástrica há 15 dias, irradiada para fossa ilíaca direita (FID) e associada a náuseas e vômitos. Ao exame físico, apresentava dor à palpação de FID, com Blumberg positivo. Tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve mostrou acentuado aumento do calibre do apêndice cecal associado à massa mal delimitada, infiltrando a parede posterolateral apendicular e planos adiposos adjacentes, além de pequeno líquido livre na pelve e linfonodomegalia no mesocólon próximo ao ceco. Paciente foi encaminhado à apendicectomia e anatomopatológico resultou em proliferação linfoide atípica, associada à apendicite aguda supurativa. Imunohistoquímica positivou para CD10 e BCL-6, com índice proliferativo de 90%, sugerindo Linfoma de Burkitt. PET-CT em controle pós-operatório de 20 dias indicou rápida progressão da doença, com conglomerado linfonodal infiltrativo e aumento de metabolismo em FID e cadeias abdominais e axilar à direita.
No linfoma apendicular primário, o apêndice pode estar muito aumentado, produzindo espessamento mural difuso, mas preservando aparência vermiforme. A dilatação aneurismática do lúmen é característica, mas nem sempre presente. Linfadenopatia regional e envolvimento intestinal podem ser vistos.
A TC fornece avaliação do estágio da doença. Embora não existam características clássicas de imagem, o aumento do apêndice além de 15 mm de diâmetro e dos linfonodos deve ser visto como suspeita de malignidade primária. A imagem também desempenha um papel importante na detecção de complicações. O borramento da gordura periapendicular pode representar inflamação sobreposta, como apendicite aguda propriamente, ou mesmo extensão linfomatosa direta.
O PET-CT fornece informações importantes para o estadiamento da doença, demonstrando captação intensa anormal na região apendicular e em cadeias linfonodais locorregionais ou à distância.
Se tumor localizado, o tratamento é cirúrgico, com radioterapia e quimioterapia opcionais baseadas no estadiamento.

INTRODUÇÃO:
A otospongiose é uma osteodistrofia primária da cápsula ótica e das janelas oval e redonda, caracterizada por substituição do osso compacto por esponjoso. Possui curso clínico lento, podendo apresentar zumbido e perda auditiva, representando uma das principais etiologias de surdez em adultos. Classicamente, os sintomas surgem entre a terceira e quarta décadas de vida, sendo rara sua manifestação clínica em crianças e jovens. O diagnóstico é feito através da história clínica, exame físico e exames complementares, sendo a tomografia computadorizada o método de imagem de escolha devido ao bom detalhamento das estruturas do labirinto ósseo.
DESCRIÇÃO SUCINTA:
Relato de caso de uma paciente de 14 anos de idade, com queixa de zumbido pulsátil à esquerda e dor nos ouvidos há aproximadamente 01 mês. Realizou tomografia computadorizada de ossos temporais, que evidenciou otospongiose fenestral à esquerda.
DISCUSSÃO RESUMIDA:
A otospongiose é uma enfermidade restrita ao osso temporal, que promove desordem metabólica da camada endocondral da cápsula ótica. Possui etiologia autossômica dominante, atingindo principalmente indivíduos geneticamente predispostos. Clinicamente, apresenta zumbido e perda auditiva unilateral ou bilateral, condutiva, neurossensorial ou mista. Afeta mais comumente pacientes do sexo feminino entre 30 e 40 anos, sendo raros relatos em crianças ou adolescentes, com prevalência estimada de 4% em indivíduos de 5 a 18 anos de idade.
Esta entidade é classificada em dois tipos, de acordo com a localização do acometimento ósseo: fenestral, quando atinge apenas a região da janela oval, eventualmente também a redonda, e retrofenestral, quando também compromete a cápsula ótica em situação pericoclear. Por sua vez, a lesão característica da otospongiose fenestral envolve a fissula antefenestra e geralmente a região anterior da platina do estribo adjacente.
O diagnóstico da otospongiose é realizado após anamnese, exame físico, exames complementares, como audiometria e impendanciometria, além de exames de imagem. A tomografia computadorizada é o exame de imagem de escolha para otospongiose, pois caracteriza bem o labirinto ósseo e pode excluir possíveis diagnósticos diferenciais. Além disso, é fundamental para determinar tratamento e prognóstico.

INTRODUÇÃO:
Lesões do plexo braquial são lesões do nervo periférico que afetam extremidades superiores de forma grave, levando ao prejuízo funcional e à incapacidade física. Em pacientes adultos, as lesões têm como principal causa o trauma, principalmente acidentes automobilísticos. São classificadas quanto à localização em lesões pré-ganglionares, pós-ganglionares ou a combinação de ambas. A avulsão da raiz nervosa é uma lesão pré-ganglionar que consiste na desconexão do nervo periférico ao sistema nervoso central. O diagnóstico por imagem, tendo destaque a ressonância magnética, é parte fundamental do seu manejo, já que ajuda a localizar o nível da lesão e, assim, determinar a conduta adequada.
DESCRIÇÃO SUCINTA:
Paciente masculino, 34 anos e antecedente pessoal de acidente automobilístico há 05 anos. A ressonância magnética do plexo braquial mostrava uma imagem cística nodular no nível de T1-T2 com alto sinal nas sequências ponderadas em T2 e em STIR (Short Time Inversion Recovery) e baixo sinal na sequência ponderada em T1, compatível com pseudomeningocele. A sequência FIESTA (Fast Imaging Employing Steady-state Acquisition) evidenciava lesão por avulsão da raiz nervosa de T1 à direita.
DISCUSSÃO RESUMIDA:
A lesão do plexo braquial afeta a qualidade de vida e pode causar dor e incapacidade permanentes. Possui maior incidência em pacientes do sexo masculino com idades entre 15 e 25 anos e tem como etiologia principal o trauma, incluindo acidentes automobilísticos, lesões esportivas, ferimentos por arma de fogo ou lesões obstétricas. Por outro lado, causas não traumáticas compreendem tumores, anomalias congênitas e irradiação.
A avulsão da raiz nervosa do plexo braquial é uma lesão pré-ganglionar que representa a separação do nervo periférico com o sistema nervoso central e possui prognóstico ruim, já que a raiz lesionada dificulta o tratamento de reconstrução.
A ressonância magnética, sobretudo na sequência FIESTA, é o método não invasivo mais utilizado para avaliar lesões avulsivas de raízes nervosas, já que possui alta sensibilidade, especificidade e valor preditivo positivo. O diagnóstico precoce do nível da lesão avulsiva é imprescindível para traçar o tratamento precoce e trazer melhores resultados.

O termo infarto ósseo é usado para se referir a uma necrose avascular decorrente da perda do suprimento sanguíneo a uma determinada região do osso. Várias são as causas que podem predispor ao distúrbio, entre elas trauma, hemoglobinopatias, radioterapia, quimioterapia, uso excessivo de medicações como corticoesteroide e até mesmo álcool, sendo o trauma o principal fator predisponente.
No caso do osso calcâneo, os infartos costumam ocorrer predominantemente no aspecto posterior, segundo à algumas teorias, devido ao seu padrão de suprimento sanguíneo, que é feito através de uma rede de vasos penetrantes das superfícies não articulares que convergem para o centro e emitem vasos recorrentes para o aspecto posterior, onde se anastomosam com artérias epifisárias.
O comprometimento da vascularização leva a morte de células ósseas, onde se desenvolve um centro necrótico que é circundado por uma zona de hiperemia isquêmica, que pode ocasionar destruição da arquitetura óssea, perda da função do osso acometido e dor.
Levando em consideração o contexto de trauma e dor de início agudo/subagudo, a hipótese de infarto ósseo deve ser considerada. A ressonância magnética é o método de imagem mais sensível para este tipo de diagnóstico, sendo possível identificar essas alterações ósseas mais precocemente. O principal achado é de uma lesão com borda irregular, serpinginosa, com baixo sinal em T1, principalmente devido ao tecido de granulação e ao edema; e sinal do duplo contorno em T2, delimitando o osso saudável do patológico. Dependendo do tempo de evolução, o sinal no interior dessas lesões é variável, podendo ser encontrado desde gordura, líquido, sangue ou até mesmo tecido fibrótico, em estudos realizados tardiamente.
Neste contexto, a avaliação por imagem permite elucidação diagnóstica, localização e identificação de complicações associadas, assumindo papel fundamental na decisão terapêutica.
O presente caso exibe os achados de ressonância magnética de uma mulher, 42 anos que apresentava dor no pé esquerdo há 15 dias sem recordar-se de trauma, com histórico de tratamento quimioterápico para câncer de mama há 2 anos.

Paciente do sexo feminino, 51 anos, referindo dor abdominal em andar superior, esporádica, de moderada intensidade, com cerca de 6 meses de evolução, negando outras queixas. Apresentava de antecedentes pessoais, hipertensão arterial, HIV positivo em uso regular de TARV com carga viral indetectável, sem alterações laboratoriais pertinentes durante a admissão ou internação hospitalar. Foram realizados exames de tomografia computadorizada e, em sequência, estudo de ressonância magnética do abdome e da pelve que evidenciaram uma massa sólida no espaço perirrenal direito, em íntimo contato com a VCI deste lado, inclusive apresentando componente sólido endoluminal.
A paciente foi submetida à ressecção cirúrgica da massa no espaço perirrenal direito em maio de 2021 com cavectomia e nefrectomia total direita, com implantação de enxerto da veia cava. A avaliação histopatológica da peça ressecada evidenciou uma lesão unifocal compatível com leiomiossarcoma da veia cava inferior, de alto grau histológico e padrão de crescimento expansivo. Atualmente, a paciente encontra-se com boa evolução em seguimento ambulatorial, sem evidência de metástases e com enxerto da veia cava inferior apresentando boa perviedade no exame ultrassonográfico de controle.
O leiomiossarcoma da veia cava inferior é uma neoplasia mesenquimal fusocelular originária das células musculares lisas. É o tumor primário da VCI mais comum e o segundo mais comum do retroperitônio em adultos, cujos sintomas clínicos geralmente são inespecíficos e dependem do segmento no qual o tumor se encontra, assim como do seu aspecto endoluminal ou extraluminal. Consiste em uma neoplasia rara com menos de 300 casos documentados na literatura até o ano de 2015.
Assim como no caso aqui descrito, o leiomiossarcoma da VCI tem predileção pelo sexo feminino, com idade entre 50-60 anos e apresenta-se normalmente no segmento médio da VCI, entre as veias hepáticas e as veias renais, em cerca de 42% dos casos. Cerca de 40% dos pacientes que sobrevivem evoluem com lesões metastáticas ao longo da vida, sendo padrão de disseminação hemática para fígado, pulmão, cérebro e retroperitônio, o mais comum. O prognóstico para estes pacientes está diretamente relacionado à qualidade da abordagem cirúrgica, sendo estimada uma sobrevida de 17% em 10 anos.

A importância de checar exames anteriores é eventualmente subestimada na prática radiológica. Avaliação do histórico de imagem do paciente pode evitar a realização de exames adicionais, reduzindo despesas do sistema de saúde e evitando novas exposições à radiação e sedação, especialmente no contexto da radiologia pediátrica. Este relato de caso tem como objetivo reforçar o hábito de avaliar exames anteriores para solução de problemas.
Masculino, 2 anos de idade, com histórico de correção cirúrgica de atresia esofágica vem para realizar estudo contrastado eletivo do TGI alto por queixa de baixo ganho de peso. A radiografia simples do tórax realizada antes da ingestão do contraste oral evidenciou redução volumétrica do lobo superior do pulmão direito e corpo estranho metálico projetado na região para-mediastinal superior direita. A incidência em perfil, entretanto, mostrava uma localização posterior à traqueia e não justificava a redução volumétrica do lobo superior direito, criando dificuldades de interpretação. A análise de uma tomografia computadorizada realizada onze meses antes já revelava sinais de hipoplasia pulmonar congênita com ausência do brônquio lobar superior direito. Concluiu-se que a moeda se localizava no esôfago. O objeto foi retirado posteriormente por via endoscópica.
Atresia esofágica possui várias formas de apresentação, associada a fístula traqueo-esofágica ou não. O diagnóstico por imagem pode ser feito no pré-natal ou no pós-natal. A associação com hipoplasia ou agenesia pulmonar unilateral é conhecida e rara. No caso apresentado, há sinais de hipoplasia do lobo superior direito, com ausência do brônquio correspondente, o que torna inviável a hipótese de impactação neste brônquio. A localização da moeda e a redução volumétrica do pulmão direito poderia simular os achados de obstrução brônquica por corpo estranho, mas mesmo para um olho menos treinado, o diagnóstico correto poderia ser feito com a ajuda do exame anterior.
Em conclusão, averiguar os exames anteriores deve ser uma prática consistente do radiologista e pode evitar armadilhas de imagem, reduzindo a necessidade de investigação adicional.

Os lipossarcomas são tumores malignos do tecido adiposo e o tipo mais frequente de sarcoma de partes moles, sendo incomum a apresentação intraperitoneal. Desta forma, o objetivo do presente relato é expor uma forma rara desta neoplasia e seus achados pelos métodos de imagem.
Sexo masculino, 52 anos, procurou atendimento de urgência para dor e crescimento de massa abdominal, há 5 meses. Foi solicitado TC com contraste do tórax e abdome, que mostrou
formação expansiva intraperitoneal, com componentes de densidade de partes moles e adiposa, volume de 5200ml, se estendendo do hipocôndrio esquerdo até a pelve ipsilateral. A lesão não apresentava plano de clivagem com o pâncreas, desviando-o posteriormente, além de rechaçar alças intestinais e envolver artéria mesogastrica inferior, poupando tronco celíaco e artéria mesogástrica superior. Tais achados foram condizentes com lipossarcoma, confirmado posteriormente com histopatológico de biópsia como sarcoma mesenquimal inespecífico
Os sarcomas primários do peritônio e mesentério são raros e menos frequentes do que aquele que se originam do retroperitônio. Com certa frequência, essas lesões são volumosas e infiltrativas, estendendo-se de um compartimento abdominal para o outro.
Os lipossarcomas são normalmente encontrados em adultos entre 40 e 60 anos e sua apresentação clínica varia de acordo com a localização, geralmente relacionados a vago desconforto quando intra-abdominal ou intratorácico. O seu diagnóstico pode ser suspeitado na presença de volumosa massa heterogênea com densidade de gordura.
Os achados da TC variam dependendo do grau e da quantidade de tecido adiposo. Aqueles que favorecem o diagnóstico de lipossarcoma em vez de lipoma incluem: atenuação não homogênea, com evidências de quantidades significativas de tecido mole dentro da massa gordurosa, má definição de estruturas adjacentes, evidência de infiltração ou invasão de estruturas mediastinais, e calcificação.
A aparência na RM, assim como a TC, varia dependendo do tipo de tumor. Lesões de baixo grau (lipomas atípicos) são quase inteiramente caracterizados por sinais de gordura com septos espessos, realce ou evidência de invasão local. As lesões de alto grau geralmente são desprovidas de gordura macroscópica e têm aparência semelhante a outros sarcomas.

Introdução
O côndilo mandibular tem, como anatomia habitual, uma superfície articular convexa e lisa, que se articula na cavidade mandibular. A morfologia bífida do côndilo mandibular é um achado raro, normalmente fortuito e unilateral. A escassez de casos reportados desta variação anatômica limita também o conhecimento dos radiologistas acerca de sua existência e de suas implicações anatômicas e funcionais. Assim sendo, por meio deste trabalho, tencionamos ampliar o conhecimento desta variação.
Descrição sucinta
Apresentamos relatos de dois casos em que a morfologia bífida do côndilo mandibular foi identificada de maneira unilateral e fortuita em pacientes que se submeteram a TC e/ou RM para pesquisa de disfunção temporomandibular.
Discussão resumida
Segundo revisão da literatura publicada por Shriki et al. em 2005, envolvendo publicações a partir de 1941 e em que foram encontrados apenas 56 casos de bifidez do côndilo mandibular na literatura médica. A maioria dos casos é documentada a partir de autópsias e não em situações clínicas habituais. Szentpetery et al. encontraram uma incidência de 0,48% desta variação num estudo de 1882 crânios de cadáveres. Assim sendo, é importante que cada vez mais radiologistas conheçam e relatem esta variação na avaliação dos distúrbios morfofuncionais temporomandibulares.

Os cistos gangliônicos são lesões císticas não malignas que ocorrem em associação com estruturas musculoesqueléticas. A etiologia desses cistos não é bem estabelecida na literatura, mas geralmente são resultados de uma degeneração mixóide do tecido conjuntivo associado a cápsulas articulares e bainhas tendinosas.
Os cistos gangliônicos são classificados em relação a estrutura óssea que acometem, podendo ser intraósseos, quando estão localizados no interior do osso, periósteo quando são encontrados adjacente ao osso ou de tecidos moles quando estão localizados distante dos ossos.
Cistos de gânglios periosteais são um tipo raro de cistos gangliônicos, que se localizam com maior frequência na diáfise proximal da tíbia, podendo também acometer outros ossos longos como por exemplo, a região intercondilar femoral e os ossos metatarsais.
Relatamos um caso de cisto gangliônico extraósseo em uma paciente do nosso serviço apresentando os achados de imagem, a sua apresentação clínica e os principais diagnósticos diferenciais.

Introdução
O câncer de tireoide na população pediátrica é uma condição não usual, sendo os nódulos tireoideanos raros em crianças, mas com risco maior de malignidade em relação aos adultos.
Uma série de problemas frequentemente surge no tratamento destes pacientes: a utilização de protocolos formulados para adultos; o diagnóstico tardio, com pacientes se apresentando com maior carga tumoral; além do maior tempo de sobrevida pós-tratamento, em que mais efeitos colaterais da terapêutica empregada podem se desenvolver.
Neste trabalho enfatizamos a importância do conhecimento do câncer de tireoide na faixa etária pediátrica, contribuindo para um manejo mais precoce e adaptado às características desta população.
Descrição sucinta
Apresentamos um caso de carcinoma papilífero de tireoide em paciente do sexo feminino de 10 anos. A ultrassonografia identificou tireoide difusamente aumentada com textura heterogênea e calcificações; a tomografia computadorizada (TC) demonstrou bócio tireoideano difuso se insinuando no mediastino; linfonodomegalia nos níveis II, III e supraclaviculares bilaterais; VA à direita, alguns com necrose; além de compressão traqueal.
Submetida à tireoidectomia total e tratamento com radioiodoterapia, evoluiu com boa resposta clínica sem recidiva após 05 anos.
Discussão Resumida
O câncer papilífero e folicular de tireoide são os subtipos mais comuns na criança e no adulto, com bom prognóstico longa sobrevida na faixa pediátrica. Apesar do comportamento menos agressivo nas crianças, o câncer de tireoide neste grupo apresenta maior taxa de metástase local e à distância, cursa com maior agressividade na apresentação inicial e tem alto risco de recorrência.
Assim como nos adultos, a ultrassonografia é o método de escolha para caracterização de nódulos tireoideanos, além de orientar punção aspirativa. TC ou ressonância magnética (RM) do pescoço estão indicadas na avaliação pré-cirúrgica na presença de massas tireoideanas fixas, paralisia de prega vocal ou metástase linfonodal expressiva. A TC com contraste é preferida em relação à RM, apesar do uso do contraste iodado postergar a radioiodoterapia.
Ressaltamos a importância do conhecimento e avaliação pelos métodos de imagem para planejamento do tratamento do câncer de tireoide na criança, esperando que futuras publicações considerem a idade dos pacientes no estabelecimento de protocolos de investigação e conduta.

O angiossarcoma mamário é um tipo raro de malignidade, originado das células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos, representando cerca de 1% de todos os tumores de mama. O objetivo deste trabalho é relatar um caso infrequente de lesão mamária, ressaltando suas particularidades e a importância da correlação radiológico-patológica.
Feminina, 56 anos, casada, tabagista há 40 anos, etilista social, menarca aos 15 anos e menopausa aos 53 anos, G2P2A0, com antecedente familiar de câncer de mama e sem história pessoal de câncer.
Apresenta volumosa lesão palpável em quadrante supero medial (QSM) da mama direita (MD). Ultrassonografia observou extensa área de alteração textural, heterogênea, irregular, mal definida, medindo 7,0 x 6,4 x 3,5cm, às 2h da MD; e mamografia, assimetria focal, mal definida, com área central de distorção arquitetural, não caracterizada em exame prévio.
Paciente realizou core biópsia com resultado histopatológico de papiloma solitário (lesão papilar sugestiva de papiloma intraductal associado a hiperplasia), que devido à fragmentação da amostra, prosseguiu para exérese.
Submetida a ressecção segmentar da MD, com anatomopatológico de angiossarcoma convencional com margens comprometidas, medindo 6,0 x 5,0cm, exibindo áreas de aspecto micropapilar, mimetizando lesões papilares.
Exame de controle detectou lesão residual em MD, assim como linfonodomegalia axilar. Submetida a nova intervenção cirúrgica e, posteriormente, a radioterapia.
O angiossarcoma mamário apresenta prognóstico ruim, com altas taxas de recorrência, metástase à distância e mortalidade.
A mamografia mostra aparência inespecífica, apresentando-se como massa mal definida, circunscrita ou lobulada, com ou sem calcificações; espessamento de pele isolado; ou assimetria focal, como neste caso.
Na ultrassonografia, apresenta-se como tumoração de margens circunscritas ou mal definidas ou como alteração textural hiperecoica ou hipoecoica, com hipervascularizaçãoao Doppler.
A paciente do caso foge do padrão médio de idade, porém apresenta características encontradas em outros relatos de tumor volumoso e de evolução desfavorável.
A detecção precoce, o tamanho do tumor e as margens cirúrgicas são determinantes para o prognóstico, devendo-se realizar controle em intervalos curtos de tempo por longo prazo. Ressalta-se, ainda, a importância da correlação radiológico-patológica, a fim de prosseguir com excisão cirúrgica, caso haja discordância, como no caso relatado.

A nefrectomia parcial tem sido opção crescente no tratamento de tumores renais, tendo em vista as taxas semelhantes de sobrevida às da nefrectomia total. Estima-se que até 10% das nefrectomias parciais cursem com intercorrências, sendo mais comuns as infecciosas, recorrência tumoral e complicações vasculares. Dentre as vasculares, observam-se a formação de hematomas, trombose venosa, infarto renal, e menos frequentemente a formação de pseudoaneurismas.
Pseudoaneurismas, apesar de raros, necessitam de acompanhamento, tendo em vista a maior frequência de sangramentos quando comparado à aneurismas verdadeiros. Em geral são assintomáticos, resultando de lesão da artéria renal principal ou de uma artéria intrarrenal durante o procedimento cirúrgico. O diagnóstico pode ser feito por ultrassonografia com Doppler, arteriografia, angiotomografia, ressonância magnética e, eventualmente, por cintilografia. Portanto, exames de imagem têm papel fundamental no diagnóstico, seguimento, planejamento terapêutico e avaliação de potenciais complicações. Descreve-se o caso de um paciente de 53 anos, assintomático, com nefrectomia parcial há mais de 1 ano para tratamento de tumor renal, cujo seguimento por imagem demonstrou o surgimento de pseudoaneurisma de ramo segmentar da artéria renal esquerda, Objetiva-se revisar a literatura sobre esta complicação pós cirúrgica infrequente, ampliando a miríade de diagnósticos diferenciais pós cirúrgicos renais dos radiologistas.

Objetivo: descrever dois casos de complicações neurológicas graves após a vacina AstraZeneca contra a Covid-19.
Introdução: Casos de trombose e trombocitopenia foram relatados em pessoas que receberam recentemente a vacina AstraZeneca COVID-19, ocorrendo principalmente em 14 dias após a vacinação, podendo ocorrer trombose das veias mesentéricas ou trombose venosa cerebral / trombose de seio venoso cerebral. A maioria das notificações envolveu mulheres com menos de 55 anos. Outra complicação que tem sido relatada é a trombocitopenia trombótica imune pós-vacina (VITT).
Embora a mielite transversa aguda (ATM) seja uma condição neurológica rara (1,34-4,6 casos por milhão / ano), ocorreram alguns casos de ATM associados a vacina da AstraZeneca COVID-19.
Caso 1: — Paciente do sexo feminin0, 22 anos, com quadro de cefaleia, nauseas e vomitos há dois dias, com piora dos sintomas. Procura a emergência e evolui com desorientacão, disartria e hemiparesia a esquerda. Vacina para COVID - Astrazeneca há +-10 dias. Paciente vem trazida pela SAMU, vaga zero, por suspeita de AVC hemorrágico. História de cefaleia há 3 dias dias, refratária a analgesia domiciliar.
Evoluiu com piora rápida do quadro clínico e das alterções na TC e angioTC que demonstraram em novo exame reaizado após quatro horas da chegada com TEP, tromboses venosas cerebrais, aumento das dimensões dos hematomas intraparenquimatosos por infartos venosos, síndrome de hipertensão intracraniana e desvio da linha média.
Caso 2: — Paciente do sexo masculino, 42 anos vem à emergência acompanhado da esposa e recebeu a vacina Astrazeneca há 3 semanas - primeira dose - apresentando sintomas gripais por aproximadamente dois dias, associado à dor na região dos olhos. Relata que após esses dois dias iniciou com perda visual bilateral progressiva, pior no olho esquerdo, evoluindo para perda visual total n dia 24/07. Há uma semana iniciou com parestesias em hemicorpo esquerdo, associado à prurido e dor em região dorsal e abdominal do mesmo lado, sem alterações de mobilidade. Polineuropatia inflamatória secundária à vacina - Neurite óptica bilateral + mielite longitudinalmente extensa. Vacina como provável desencadeante.
Conclusão: apesar de raras, as complicações graves após a vacina AstraZeneca contra a Covid-19 tem sido descritas na literatura e tem ocorrido com maior frequência com o aumento o número de vacinados e devem ser reconhecidas pelo médico clínico e pelo médico radiologista.

Paciente masculino, de 70 anos, queixando-se de dor ao deglutir. À oroscopia não foram observadas alterações significativas. Após atendimento inicial, foi realizada uma tomografia computadorizada (TC) do pescoço com contraste. A TC demonstrou que as artérias carótidas, comum esquerda e as internas, apresentavam trajeto medializado, ocupando o espaço retrofaríngeo, notadamente à esquerda, determinando leve abaulamento da parede posterolateral da faringe deste lado. As artérias carótidas retrofaríngeas são variantes anatômicas relativamente comuns. Descritas pelo menos desde 1925. Na maioria dos casos, não manifesta sinais clínicos e é descoberto acidentalmente em exames de imagens. Porém, em alguns casos, a artéria carótida pode projetar-se na parede lateral ou posterolateral da faringe como pseudomassa pulsátil retrofaríngea, determinando sintomas como desconforto na garganta, sensação de corpo estranho, tosse crônica, disfagia e disfonia. O trajeto retrofaríngeo da artéria carótida pode se tornar mais pronunciado durante a vida adulta devido às alterações nas paredes dos vasos causadas pelas doenças ateroscleróticas e hipertensivas. O reconhecimento, pelo radiologista, da possibilidade desse curso incomum das artérias carótidas é clinicamente importante devido ao alto risco de complicações catastróficas nos procedimentos cirúrgicos nesta topografia. As complicações potencialmente letais incluem hemorragia por lesão desta artéria durante procedimentos como por exemplo amigdalectomia, drenagem de abscesso periamigdaliano, ressecção transoral de tumor, entre outros. Em alguns casos, essa anomalia pode ser descoberta durante o exame orofaríngeo, portanto, um exame adequado da faringe é essencial para o adequado diagnóstico. Porém, como muitas vezes é difícil diferenciar pacientes com artéria carótida retrofaríngea de outras doenças que determinam sintomas semelhantes, muitas vezes são solicitados exames de imagens para avaliação complementar. Embora a angiografia ainda seja o padrão ouro para investigação do estado das artérias carótidas, a TC e a ressonância magnética (RM) do pescoço fornecem informações essenciais para o diagnóstico do curso da artéria carótida. A artéria carótida retrofaríngea não representa umas das causas mais frequentes de disfagia, é importante o reconhecimento pelo radiologista desta variante para descrever e assim evitar as complicações catastróficas durante possíveis procedimentos cirúrgicos faríngeos nestes pacientes.

Caso:
Paciente A.F.V., sexo feminino, 21 anos, imunocompetente, vem por meios próprios ao nosso pronto socorro com queixa de lombalgia há duas semanas, com melhora ao uso de sintomáticos. Apresenta evolução aguda e com piora do quadro álgico. Nos exames laboratoriais apresentou leucocitúria maior que 1.000.000/ml e nitrito positivo, além de leucocitose de 11.440/uL com desvio para a esquerda (22% de bastões). Foi realizada avaliação por ultrassonografia que evidenciou áreas de distúrbio perfusional, especialmente do rim esquerdo, com pequenos focos liquefeitos de permeio, confirmados posteriormente por tomografia computadorizada. Não havia fatores obstrutivos.
Objetivo:
Elucidar por meio do caso em questão e através de revisão da literatura os principais achados ultrassonográficos de pielonefrite aguda infecciosa, além de fazer comparação com tomografia computadorizada.
Os principais achados seriam a pesquisa por complicações como abscessos intrarrenais e coleções perirrenais ou fatores obstrutivos que predispõe a quadros infecciosos, porém não podemos esquecer de alterações infrequentes como aspecto do distúrbio perfusional no US.
Discussão:
Pielonefrite aguda infecciosa é uma infecção bacteriana do parênquima renal e da pelve renal, com maior prevalência entre as mulheres jovens e discreto aumento após a menacme. A principal causa é por consequência de uma infecção do trato urinário inferior, que ascendeu para o parênquima e pelve renal. Em pacientes que são diagnosticados e recebem tratamento prontamente há resposta satisfatória em quase todos os casos. Porém, em pacientes que recebem tratamento mais tardiamente, há uma pequena imunossupressão e, como complicação, formação de microabscessos renais, que podem coalescer e formar grandes abscessos intrarrenais.
Após revisão na literatura, os principais achados ultrassonográficos descritos são presença de debris no sistema coletor, áreas de vascularização reduzida ao estudo Doppler, bolhas gasosas e ecogenicidade alterada do parênquima renal.

Paciente do sexo feminino, 56 anos, na menopausa sem uso de terapia de reposição hormonal (TRH), realizou ressonância magnética da pelve de forma eletiva devido à queixa de "volumoso hematoma uretral". Não há relato de comorbidades e cirurgias prévias, bem como não há alterações relevantes de exames laboratoriais. O estudo por imagem de ressonância magnética da pelve feminina revelou lesão vegetante de aspecto polipoide, centrada inferiormente ao óstio uretral, em contato com o vestíbulo vaginal, sem sinais de infiltração / agressividade, apresentando pedículo que se estende longitudinalmente ao terço médio da uretra. Realizada exérese cirúrgica desta lesão, com diagnóstico anatomopatológico de carúncula uretral hemangiomatosa trombosada. Carúnculas uretrais são pequenas lesões benignas da margem posterior do meato uretral externo, causadas por prolapso uretral distal em mulheres na menopausa com hipoestrogenia e que possuem como diagnóstico diferencial divertículo uretral, leiomioma uretral, pólipo fibroepitelial, carcinoma uretral (primário ou secundário), lesões císticas periuretrais e endometriose. O tratamento é geralmente conservador e nos casos que não melhoram ou de grandes dimensões, a excisão cirúrgica é recomendada para excluir neoplasia. Embora existam relatos na literatura de carúnculas uretrais, são incomuns os relatos ilustrados por imagem de ressonância magnética, sendo assim, um grande número de radiologistas podem não estar habituados com essas lesões.

Introdução:
A presença de tecido heterotópico histologicamente normal nos linfonodos é um fenômeno conhecido e bem documentado na literatura, a exemplo do tecido de glândula salivar em linfonodos submandibulares, cistos de inclusão mulleriana em linfonodos pélvicos e células de nevus em linfonodos axilares. Em contrapartida, a presença de inclusões epiteliais em linfonodos axilares é um evento raro, com apenas alguns relatos na literatura.
Nos últimos anos, o exame histopatológico de rotina de linfonodos sentinela em pacientes com câncer de mama aumentou substancialmente a frequência desse achado. Portanto, o reconhecimento da natureza benigna dessas estruturas epiteliais heterotópicas é essencial para evitar a possibilidade de overtreatment.
O presente estudo propõe uma breve revisão sobre as principais lesões epiteliais em linfonodos, bem como as principais características de imagem dos linfonodos axilares e recomendações de conduta na avaliação da axila, segundo o léxico do BIRADS.
Descrição do caso:
Paciente do sexo feminino, 59 anos, antecedente de papiloma intraductal na região retroareolar da mama direita, apresentando-se com alteração palpável na axila direita.
Realizou mamografia, que evidenciou um linfonodo atípico na axila direita, sem anormalidades no parênquima mamário, sendo categorizado como BIRADS 4.
A RM demonstrou um linfonodo com dimensões aumentadas, exibindo espessamento cortical difuso com perda do hilo gorduroso e realce heterogêneo pelo meio de contraste no prolongamento axilar direito.
Realizada biópsia percutânea de fragmentos orientada por ultrassonografia do linfonodo na axila direita, cujo resultado foi de lesão epitelial cística associada a tecido linfóide, sugestivo de cisto de inclusão epitelial benigno em linfonodo.
Discussão:
A presença de metástases para linfonodos axilares no carcinoma mamário altera o estadiamento, sendo um indicador de mau prognóstico. A detecção de metástases no linfonodo sentinela é considerada um dos parâmetros mais importantes para o planejamento cirúrgico. Este fato ressalta a importância de uma busca cuidadosa por sua presença, bem como no intuído de evitar o overdiagnosis.
Inúmeros mecanismos ainda não bem compreendidos podem ser responsáveis ​​pela presença de tecido epitelial nos linfonodos axilares. Torna-se necessário, portanto, reconhecer os critérios morfológicos, imagenológicos e imunohistoquímicos que precisam ser usados ​​para caracterizar sua natureza benigna.

A endometriose é uma doença ginecológica crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial e estroma fora da cavidade uterina.
Afeta entre 6 a 10 % das mulheres em idade reprodutiva, com cerca de 20 a 50% dos casos evoluindo com infertilidade e aproximadamente 90 % mulheres exibindo dor pélvica crônica.
Possui patogênese complexa e indefinida, com várias teorias propondo a sua origem, no entanto, sem estudos confirmatórios sobre o tema.
Os principais sintomas reportados pelas pacientes incluem dispareunia, dismenorreia, dor pélvica crônica e infertilidade.
O relato de caso dispõe de uma mulher, 31 anos, procedente de região interiorana do Piauí, em investigação de dor pélvica, ciclos menstruais irregulares e menorragia. Informa início do sintomas há cerca de 03 anos, com dores mais intensas no lado esquerdo. Relata tratamento medicamentoso para alívio da dor, sem sucesso.
A doença inclui três manifestações diferentes: endometriomas ovarianos, implantes peritoneais superficiais e endometriose pélvica profunda. Endometriose profunda se caracteriza por lesões endometrióticas que penetram o espaço retroperitoneal ou a parede dos órgãos pélvicos a uma profundidade de pelo menos 5 mm. Embora o diagnóstico definitivo seja baseado em laparoscopia ou cirurgia com verificação histológica das glândulas endometriais e / ou estroma, a imagem é necessária para o planejamento do tratamento.
Nesse sentido a ressonância magnética (RM) se mostra como técnica de imagem eficaz para mapear a endometriose, uma vez que fornece subsídio mais confiável da endometriose infiltrante profunda do que o exame físico e a ultrassonografia transvaginal.
A endometriose e endometriomas são caracterizados pela ressonância magnética como: Endometriose: Tecido com baixa a intermediária intensidade de sinal em T1 e T2, focos de hipersinal T2 e/ou focos de hipersinal T1 fatsat – hemorragia; Endometriomas: Lesões ovoides ovarianas com hipersinal T1, Shading Sign, ausência de queda de sinal (fat-sat) ou chemical shift (out-phase).
O diagnóstico da endometriose deve levar em consideração os sintomas clínicos, o exame físico, os exames laboratoriais e as diferentes técnicas de imagem.
O objetivo ideal da cirurgia é uma intervenção terapêutica e eficaz baseada em uma avaliação pré-operatória cuidadosa; assim, a RM ajuda a diagnosticar e planejar a estratégia cirúrgica, sendo fundamental no manejo da doença.

A sarcoidose é uma doença caracterizada pela formação anormal de granulomas inflamatórios não caseosos e pode ocorrer em diversos órgãos. Sua etiologia é desconhecida.
O primeiro relato é datado de 1877, quando o médico londrino Jonathan Hutchinson descreveu uma doença responsável por erupções cutâneas nos membros superiores e na face.
A principal faixa etária acometida é a entre 20 e 40 anos e a prevalência na população geral é de cerca de 10 a 20 casos a cada 100.00 habitantes.
Os achados radiológicos mais comuns são os torácicos responsáveis por lesões presentes em 90% dos pacientes acometidos pela doença.
Neste relato de caso, o paciente abriu o quadro com clínica respiratória sendo submetido a tomografia computadorizada de tórax que exibiu alterações parenquimatosas e ganglionares.
Posteriormente apresentou manifestação cardíaca compatível clínica e radiologicamente com miocardite e, pouco tempo depois, uma nova crise, desta vez com sintomatologia referida no sistema nervoso central, que ao ser submetido a exames de imagem, foram observadas lesões com aspecto altamente sugestivo de sarcoidose.
O diagnóstico foi concluído a partir de biópsia de linfonodo torácico.
O objetivo deste relato de caso é descrever padrões observados ao longo da evolução da doença neste paciente que devem levantar a suspeita de sarcoidose quando estiverem presentes. Além disso, a revisão de tais padrões, especialmente no miocárdio é importante pois em boa parte das vezes o coração é um órgão negligenciado pelo radiologista.

A síndrome de 'Cloverleaf skull' é uma rara craniossinostose na qual há uma configuração craniofacial complexa trilobulada, devido o fechamento prematuro das suturas cranianas, gerando o abaulamento superior da fontanela anterior e lateral dos polos temporais em aspecto de folha de trevo. Desde o seu primeiro relato na literatura em 1973, há poucas ocorrências documentados na literatura. Este relato de caso descreve uma rara associação da síndrome de ‘Cloverleaf skull’ associada à síndrome de Apert.
Paciente do sexo feminino, nascida de parto cesariano com 37 semanas, por apresentação pélvica e alto risco por anomalia fetal, pesando 2425,0 g, com Apgar 6 e 8 nos primeiro e quinto minutos de vida, respectivamente. Necessitou de manobras de reanimação ao nascer, sendo encaminhada à UTI neonatal. Ao exame físico foram observados sinais dismórficos: craniossinostose, hipertelorismo ocular, baixa implantação de orelhas, ponte nasal deprimida, sindactilia em 2,3,4º dedos de ambas as mãos, crânio em aspecto de folha de trevo e fosseta sacral. Foram realizados exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética do crânio que revelaram a malformação craniofacial de aspecto trilobulado típico da síndrome de ‘Cloverleaf skull’, hipoplasia da face média e face em arlequim, com uma fossa cerebelar posterior reduzida, sem outras malformações do sistema nervoso central. A paciente recebeu alta hospitalar após 67 dias de internação, sendo realizadas correções da sindactilia e da craniossinostose em duas abordagens cirúrgicas eletivas entre os anos de 2019 e 2020. Em pesquisa ambulatorial, a paciente foi diagnosticada com síndrome de Apert e atualmente, segue em acompanhamento multiprofissional.
O caso ilustra a síndrome de ‘Cloverleaf skull’ cuja ocorrência dá-se de forma isolada ou associada às síndromes disostóticas como a acondroplasia, disostose craniofacial de Crouzon, síndromes de Apert ou de Pfeiffer. A etiopatogenia da síndrome ainda não foi esclarecida, mas sabe-se que algumas mutações genéticas estão envolvidas nestas síndromes de craniossinostose, destacando-se as dos genes FGFR1, FGFR2, FGFR3, TWIST e MSX2.
A síndrome de Apert ou Acrocefalossindactilia tipo I é uma malformação congênita rara caracterizada por craniossinostose, hipoplasia facial e sindactilia simétrica cutânea e óssea dos membros. A associação clara desta malformação com a síndrome de ‘Cloverleaf skull’, como descrito no caso, ocorre em apenas 4% dos pacientes com Apert.

INTRODUÇÃO
O acometimento das mamas e axilas por metástases de sítios primários extramamários são eventos raros, sendo responsáveis por cerca de 2% de todas as neoplasias malignas envolvendo a mama. Acredita-se que seja pela presença de grandes áreas de tecido fibroso com baixo suprimento sanguíneo.
Metástases de sítios extramamários geralmente se disseminam através da circulação sanguínea e/ou linfática e elas podem ser de difícil diferenciação de câncer mamários primários. Contudo, essa diferenciação é de extrema importância pois impactam tanto a terapêutica quanto o prognóstico do paciente.
O presente estudo tem o objetivo de relatar um caso de metástase para mamas de carcinoma pulmonar de pequenas células.
DESCRIÇÃO DO CASO
Paciente feminina, 61 anos, em tratamento de carcinoma pulmonar de pequenas células, foi encaminhada para realização de biópsia percutânea agulha grossa guiado por ultrassonografia de nódulo palpável na mama esquerda, de rápido crescimento, detectada na tomografia de tórax de controle.
Ela tinha uma carga tabágica de cerca de 50 anos-maço e apresentava uma lesão expansiva pulmonar no lobo inferior esquerdo, com aspecto predominantemente necrótico, medindo aproximadamente 9,5 cm no maior diâmetro.
Foi realizada a ultrassonografia dirigida para a realização da biópsia que demonstrava um nódulo heterogêneo sólido-cístico na junção dos quadrantes superiores da mama esquerda, medindo 2,8 x 2,2 x 2,3 cm. Na mamografia
O resultado do exame anatomopatológico foi consistente com metástase de carcinoma pulmonar metastático.
DISCUSSÃO
As metástases de disseminação hematogênica para as mamas geralmente são localizadas no quadrante superolateral, no subcutâneo ou adjacente ao parênquima mamário, onde o fornecimento sanguíneo é maior.
As lesões metastáticas para mama podem ter aspectos variados, tendem a ter crescimento rápido, podem se apresentar como lesão única ou múltiplas, de forma redonda ou oval, circunscrita ou microlobulada, geralmente sem espículas, calcificações, distorção arquitetural ou acometimento da pele ou papila.
As fontes mais comuns de metástases de cânceres extramamários para mama são os linfomas/leucemias e melanomas, outros menos comuns são dos carcinomas pulmonares, ovarianos e gástricos.
Apesar de serem eventos raros é um importante diagnóstico diferencial em lesões mamárias em pacientes oncológicos, pois impactam negativamente no prognóstico destes pacientes, com uma sobrevida de cerca de 10-15 meses.

A anomalia de junção biliopancreática é uma malformação congênita onde o ducto pancreático e o biliar se une fora da parede duodenal formando um canal comum medindo normalmente mais de 15 milímetros. Ocorre mais frequentemente na Ásia e em países orientais, predominando no sexo feminino na proporção de três mulheres para cada homem. Essa alteração pode ser dividida em dois grupos, um com e outro sem a presença de dilatação das vias biliares, sendo este último de diagnóstico mais tardio devido à sutileza dos achados de imagem. Além disso, pode ser classificada no tipo A onde há estenose do colédoco no segmento proximal a junção com dilatação das vias biliares a montante, tipo B onde não há estenose do colédoco e a união com o canal comum ocorre de forma tênue, tipo C onde o canal comum se encontra dilatado e por ultimo o tipo D onde há junção complexa associada a outras malformações como, por exemplo, o pâncreas anular.
O caso clínico em questão se refere a uma paciente do sexo feminino, 42 anos, com queixa de dor em região epigástrica e hipocôndrio direito de longa data com piora nos últimos dias associado a náuseas, vômitos, colúria e acolia fecal, sem perda de peso. Realizado colangiorressonância onde foi evidenciada junção biliopancreática fora da parede duodenal formando um canal comum medindo cerca de 20 milímetros associada à estenose do colédoco no segmento proximal a junção com consequentes dilatações das vias biliares intra-hepáticas alternadas com áreas de estreitamento focal.
A identificação dessa malformação se faz necessária uma vez que pode evoluir para pancreatite, formação de cálculos biliares, colangite, carcinoma da via biliar, dentre outras coisas. Esse trabalho tem como objetivo o reconhecimento da junção biliopancreática anômala, no nosso caso do tipo A, evidenciando os achados de imagem na colangiorressonância buscando minimizar eventuais complicações.

Paciente do sexo feminino, 15 anos, com histórico de rabdomiossarcoma embrionário com anaplasia de órbita esquerda, submetida a tratamento quimiorradioterápico até 2009. Permaneceu por mais de 10 anos em controle, procurando assistência médica, acompanhada de sua mãe, por queixa de anosmia de início há um mês associado a cefaleia, aumento da protrusão de olho esquerdo e ptose.
A tomografia computadorizada revelou o surgimento de volumosa formação expansiva extra-axial, de contorno lobulado e limites parcialmente definidos, centrada na base craniana anterior, em situação mediana, que determinava osteodestruição do etmoide, do plano esfenoidal e das fóveas etmoidais, com projeção nas fossas nasais e, através das lâminas papiráceas, em ambas as cavidades orbitárias, sobretudo na esquerda, onde rechaçava o músculo reto medial e mantinha contato com o globo ocular. A massa apresentava densidade de partes moles e impregnação difusa pelo contraste, exceto por cistos situados na periferia do componente de extensão intracraniano.
A ressonância magnética mostrou volumosa lesão expansiva com sinal intermediário em T1 e T2, realce pelo meio de contraste e restrição a difusão, acometendo as fossas nasais, células etmoidais, insinuando-se ao interior das órbitas, notadamente à esquerda, determinando proptose bilateral. Apresentava também componentes císticos em seu polo mais superior, junto a interface com o parênquima frontal, o qual encontrava-se comprimido e com edema/infiltração perilesional.
Sendo considerado o surgimento tardio da massa descrita ao longo do controle evolutivo da lesão primária orbitária, bem como a localização e as características intrínsecas, foi sugerida a possibilidade de neuroblastoma olfatório radioinduzido.
O estudo histopatológico evidenciou neuroblastoma olfatório (estesioneuroblastoma). Foi realizada a ressecção total do tumor e quimioterapia adjuvante, estando programado o início de radioterapia.
O neuroblastoma olfatório é um tumor neuroepitelial raro, que cresce do epitélio olfatório na placa cribriforme ou na porção superior da cavidade nasal. Apresenta dois picos de incidência, entre 11 e 20 anos e entre 51 e 60 anos.
O comprometimento da mucosa olfatória na porção superior das fossas nasais pode sinalizar a possibilidade de neuroblastoma olfatório, principalmente quando associado à lesão intracraniana com cistos adjacentes.
Possui alta incidência de recidiva, e há a necessidade de acompanhamento prolongado.

Paciente sexo masculino, 60 anos, trabalhador da construção civil, tabagista e etilista, apresentou há 1 ano e 6 meses, evoluindo com hiporexia e ascite. Na tomografia computadorizada, notou-se espessamento irregular do peritônio. Ao prosseguir investigação, obteve-se o diagnóstico de mesotelioma peritoneal.
O Mesotelioma peritoneal maligno é uma neoplasia maligna primária que se origina das células do mesotélio, camada que reveste o peritônio. É um tumor raro, com incidência de cerca de 1-2 casos em cada milhão de habitantes por ano, sendo que o atingimento peritoneal isolado se limita a 10-20% dos casos. Sua incidência é mais comum em homens (2: 1), com idades entre os 40 e 70 anos.
O quadro clínico é variado, podendo manifestar-se por dor abdominal, ascite, massa abdominal ou alterações do trânsito intestinal. A inespecificidade de achados clínicos, radiológicos e histológicos leva, frequentemente, ao diagnóstico tardio.
Na tomografia computadorizada, observamos massas peritoneais ou omentais, com invasão direta de vísceras abdominais, especialmente o fígado e cólon, além disso, há espessamento nodular irregular peritoneal e omental, progredindo para aglomeração omental e ascite.
O diagnóstico é confirmado através da biópsia de peritônio, sendo a imuno-histoquímica importante no diagnóstico diferencial definitivo (positivos para calretinina e negativos para o antígeno carcinoembrionário (CEA))
 O tratamento com intenção curativa atualmente envolve uma combinação de cirurgia citostática (ressecção visceral e peritonectomia) com quimioterapia intraperitoneal hipertérmica em doentes específicos (jovens, bom estado geral, baixo volume tumoral), proporcionando sobrevida de 5 anos em mais de 50% dos doentes. Já o tratamento paliativo com quimioterapia, a sobrevida média não atinge 1 a 2 anos
Uma vez que os achados radiológicos muitas vezes são inespecíficos, este trabalho tem o objetivo de atentar o médico radiologista à inclusão deste diagnóstico diferencial frente ao achado de massa abdominal. Possibilitando um diagnóstico precoce e um melhor prognóstico.

A síndrome de Goldenhar se caracterizada pelo envolvimento dos primeiros arcos branquiais e cujos sintomas acometem o espectro óculo-aurículo-vertebral, que se manifesta desde acometimento auricular (microtia/anotia e apêndices pré-auriculares), face (microssomia hemifacial), olhos (dermoide epibulbar e microftalmia) até a coluna (alterações vertebrais). Tem prevalência estimada de 1: 26000 nascidos vivos com maior prevalência no sexo masculino (3: 2). Além das principais características descritas acima, pode haver características associadas, como volumes anormais de fluido amniótico  (oligoidrâmnio, polidrâmnio), anomalias gênito-urinárias congênitas e anomalias cardíacas congênitas.
A genitora do paciente J.V.R.S., sexo masculino, 10 anos, procurou o serviço de pediatria do IMIP com queixa de anomalia craniofacial associada a microtia. Foi solicitada tomografia de face para melhor avaliação, sendo evidenciadas hipoplasias da asa maior do esfenoide, mandíbula e musculatura facial, apêndice pré- auricular  e displasia de orelha externa à direita, características que estão associadas a Síndrome de Goldenhar.
Dentre os critérios diagnósticos adotados por Strämland et al. que é dado quando há duas ou mais características nas áreas orocraniofacial, ocular, auricular e vertebral e os de Digilio et al. devendo estar presentes pelo menos dois dos seguintes achados: microtia unilateral, hipoplasia mandibular unilateral, cistos dermoides epibulbares (unilaterais ou bilaterais) ou malformações vertebrais, o paciente se encaixaria em quaisquer deles, após avaliação tomográfica complementar.
O controle preventivo na Síndrome de Goldenhar deve englobar avaliações da visão, da audição, da mobilidade cervical, da função renal, cardíaca e da dentição. 
O tratamento dessa síndrome é um processo complexo e depende das
manifestações clínicas e da idade do paciente.

Introdução: O tumor fibroso solitário (TFS) é uma neoplasia rara, derivada de células mesenquimais. O comprometimento cervical é incomum e existem poucos casos relatados na literatura. Este trabalho tem como objetivo apresentar e discutir um raro caso de recidiva tardia de TFS parafaríngeo.
Descrição: Paciente do sexo feminino, 67 anos, com lesão expansiva parafaríngea à esquerda, identificada incidentalmente durante ressonância magnética encefálica. Possuía história pregressa de TFS de glândula parótida, ressecado há nove anos, desse mesmo lado. Durante a propedêutica diagnóstica, foi solicitada 18-F FDG-PET/CT que identificou lesões expansivas de limites bem definidos e contornos regulares, amorfas, algo ovaladas, apresentando intenso realce homogêneo pelo meio de contraste iodado, com hipermetabolismo glicolítico em grau leve, ocupando os seguintes espaços cervicais à esquerda: mastigatório/ parafaríngeo, parotídeo profundo e submandibular. A biópsia e o padrão imuno-histoquímico demonstraram perfil compatível com TFS.
Discussão: Embora possa se originar de qualquer órgão, o sítio mais frequentemente acometido pelos TFSs é a pleura. Não apresenta predileção por gênero e incide, mais frequentemente, durante a quinta e sexta décadas de vida. A maioria dos casos é benigna e é tratada com a ressecção cirúrgica completa da lesão. Por vezes, apresentam características malignas, como no caso relatado, exibindo caráter invasivo e recidiva. O seu aspecto de imagem é muitas vezes inespecífico, com o diagnóstico definitivo sendo realizado através de estudo imuno-histoquímico associado à histopatologia compatível. Entre os seus principais diagnósticos diferenciais encontram-se adenoma pleomórfico, mioepitelioma, schwannoma, neurofibroma, histiocitoma fibroso benigno, fibromatose, miofibroblastoma, meningioma, fibrosarcoma, carcinoma espinocelular, melanoma fusiforme e sarcoma de Kaposi. Diante de lesão hipervascular com hipermetabolismo discreto ao 18F-FDG PET/CT deve-se considerar como possibilidades etiológicas iniciais os tumores de comportamento indolente e os de natureza fibrosa.

Introdução: O Linfoma Anaplásico de Grandes Células Associado ao Implante (BIA-ALCL) é uma entidade descrita pela primeira vez em 1997 e reconhecida em 2016 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como neoplasia linfoide. É caracterizada por aparecimento súbito de coleção líquida não infectada após 1 ano e em média 10 anos após a colocação dos implantes. Além de grandes coleções de fluidos, 8% a 24% dos pacientes apresentarão uma massa palpável associada, e 4% a 12% terão linfadenopatia. O BIA-ALCL é associado a implantes texturizados e, em casos mais raros, a nódulos peri-implante, que apresentam pior prognóstico. Relato de caso: Paciente do sexo feminino, 59 anos. Em 2007 realizou colocação de implantes mamários retroglandulares bilaterais para fins estéticos. Em 2008 foi submetida a tratamento conservador à esquerda com troca do implante mamário deste lado, que mais tarde veio a encapsular. Em 21/06/2021, referindo nódulo palpável à esquerda, realizou mamografia: calcificações em cápsula do implante à esquerda e ecografia: nódulo sólido, irregular, heterogêneo na mama direita - BIRADS 4B. Biópsia deste nódulo em 22/06/21: linfoma de grandes células anaplásicas associado ao implante mamário. Em 25/06/2021 ressonância magnética evidenciou dois nódulos irregulares à direita, com realce periférico/anelar pelo meio de contraste, ambos adjacentes à cápsula do implante. Pequena quantidade de coleção com septos periprótese à direita, com leve edema ao redor de ambos os nódulos. Linfonodo na região axilar direita com sinal de silicone. PET oncológico em 01/07/2021 evidenciou dois nódulos hipermetabólicos junto ao implante à direita e área focal de espessamento tecidual hipermetabólico adjacente ao implante. Em 17/07/2021 foi submetida à mastectomia com preservação da aréola e troca de implantes mamários (retromusculares e textura lisa). Discussão: Em setembro de 2019, 779 casos foram relatados em todo o mundo. O exame inicial é a ecografia. A ressonância magnética é solicitada em casos de dúvidas. A aspiração por agulha fina é o método diagnóstico e deve ser coletado pelo menos 50ml de líquido peri-prótese. A mediana da idade das pacientes foi de 61 anos e a mediana do tempo transcorrido entre a colocação do implante mamário e o BIA-ALCL foi de 9 anos. O objetivo da cirurgia é remover o implante com a cápsula fibrosa e qualquer nódulo associado. A ressecção completa da doença está associada a excelente sobrevida livre de doença em longo prazo.

Os divertículos são conhecidos por ocorrerem em praticamente todas as partes do trato digestivo. São mais comuns no cólon e frequentemente encontrados também no esôfago e duodeno. A diverticulose do segmento jejunal, entretanto, é extremamente rara, o que costuma retardar o diagnóstico, resultando em alta morbimortalidade.A ressecção profilática do divertículo jejunal sintomático é controversa: a idade e o estado do paciente afetarão a indicação deste tratamento. A diverticulose jejunal pode gerar sintomas graves, como: obstrução intestinal, complicações inflamatórias, hemorragia e perfuração dos divertículos. O objetivo deste relato de caso é chamar a atenção para uma patologia rara e suas complicações por meio de lindas imagens radiográficas contrastadas.

Os divertículos são conhecidos por ocorrerem em praticamente todas as partes do trato digestivo. São mais comuns no cólon e frequentemente encontrados também no esôfago e duodeno. A diverticulose do segmento jejunal, entretanto, é extremamente rara, o que costuma retardar o diagnóstico, resultando em alta morbimortalidade.A ressecção profilática do divertículo jejunal sintomático é controversa: a idade e o estado do paciente afetarão a indicação deste tratamento. A diverticulose jejunal pode gerar sintomas graves, como: obstrução intestinal, complicações inflamatórias, hemorragia e perfuração dos divertículos. O objetivo deste relato de caso é chamar a atenção para uma patologia rara e suas complicações por meio de lindas imagens radiográficas contrastadas.

Os divertículos são conhecidos por ocorrerem em praticamente todas as partes do trato digestivo. São mais comuns no cólon e frequentemente encontrados também no esôfago e duodeno. A diverticulose do segmento jejunal, entretanto, é extremamente rara, o que costuma retardar o diagnóstico, resultando em alta morbimortalidade.A ressecção profilática do divertículo jejunal sintomático é controversa: a idade e o estado do paciente afetarão a indicação deste tratamento. A diverticulose jejunal pode gerar sintomas graves, como: obstrução intestinal, complicações inflamatórias, hemorragia e perfuração dos divertículos. O objetivo deste relato de caso é chamar a atenção para uma patologia rara e suas complicações por meio de lindas imagens radiográficas contrastadas.

INTRODUÇÃO: A encefalomielite aguda disseminada (ADEM) é caracterizada por uma inflamação aguda monofásica e desmielinização da substância branca, tipicamente após uma infecção viral recente , por volta de 2 semanas, ou vacinação. Desde o final do ano de 2019 observamos o desenvolvimento da pandemia do covid 19 no mundo e notamos um aumento de síndromes relacionadas a essa infecção viral e o ADEM é uma delas.
DESCRIÇÃO SUCINTA : Homem , 75 anos, relata início de quadro de Covid 19 em 19/08/2021 e após 2 semanas iniciou quadro crônico de cefaleia em pressão, de intensidade 4/10 e após 3 semanas do quadro do covid 19 teve episódio de alteração de consciência, acompanhado por movimentos tônico clonicos, mordedura de língua e desvio supra ocular, com pós ictal sonolento e confuso. Paciente nega pródromos. Nega eventos prévios semelhantes. nega déficits neurológicos, nega pródromos infecciosos. Nega cefaleia. Nega déficits neurológicos associados na ocasião ou sequelares. Realizou ressonância magnética do crânio que evidenciou lesões sugestivas de ADEM.
DISCUSSÃO RESUMIDA: Acredita-se que a encefalomielite aguda disseminada ocorra a partir de uma reatividade cruzada na imunidade aos antígenos virais, desencadeando um ataque autoimune subsequente no SNC. Em aproximadamente metade de todos os casos confirmados, os anticorpos da imunoglobulina G anti-MOG (mielina oligodendrócito glicoproteína) podem ser identificados. A marca patológica é a inflamação perivenular, que também é uma característica da esclerose múltipla . A recuperação completa em um mês é o desfecho mais comum, com sequelas (mais comumente convulsões) observadas em uma proporção significativa dos casos.

Disrafismos espinhais são malformações congênitas espinhais que envolvem a coluna e a medula espinhal. Podem ocorrer tanto com alterações leves assintomáticas quanto em conjunto com outras malformações complexas do sistema musculoesquelético, gastrintestinal, geniturinário ou respiratórias.
Os disrafismos espinhais podem ser tanto abertos quanto fechados.
Como há uma relação muito tênue entre a eminência caudal (que origina a coluna lombossacral) e a cloaca, as falhas de desenvolvimento locais acabam frequentemente resultando em malformações geniturinárias e gastrointestinais associadas.
Os defeitos do tubo neural são o segundo tipo mais comum de malformação congênita, perdendo apenas para as cardíacas.
Nosso caso se trata de um caso complexo de disrafismo aberto da região lombar, envolvendo malformações aparelho genitourinário e gastrointestinal.

Infecções do trato urinário (ITU) são afecções comuns que podem complicar com múltiplas apresentações clínico-radiológicas, especialmente em populações de alto risco. Neste contexto, apresenta-se caso de mulher, 45 anos, diabética insulinodependente com controle insatisfatório (hemoglobina glicosilada de 15,5%), com lombalgia esquerda associada a náuseas, vômitos, diarreia e febre há 6 dias, sem melhora com uso de ciprofloxacino prescrito em outro serviço de emergência. Ao exame físico apresentava-se febril, hipotensa (82 x 65 mmHg), com confusão mental e dor à palpação abdominal com sinal de Giordano positivo à esquerda.
Além do quadro hiperglicêmico, a paciente exibia sinais clínicos compatíveis com sepse e sinais de insuficiência renal aguda caracterizados laboratorialmente por azotemia, leucocitose com desvio à esquerda, trombocitopenia, hipocalemia, hiponatremia, anemia, hipoalbuminemia com inversão da relação albumina/globulina plasmática, aumento da velocidade de hemossedimentação, piúria, proteinúria com hematúria macroscópica e glicosúria.
A paciente foi admitida em protocolo de sepse na unidade de clínica médica, com antibioticoterapia endovenosa iniciada imediatamente com ertapenem, procedendo-se com coleta de urocultura, que não evidenciou crescimento bacteriano, e hemocultura positiva em duas amostras para Citrobacter freundii, resistente a fluorquinolonas e sensível a carbapenêmicos.
A tomografia do abdome da admissão evidenciava pielonefrite enfisematosa (EPN) caracterizada por aumento volumétrico renal esquerdo, distensão da cápsula de Gerota e heterogeneidade do parênquima renal com inclusões gasosas corticais.
A EPN é uma forma de infecção rara do parênquima renal, com formação de gases resultantes da fermentação da glicose por enterobactérias. Até 95% dos pacientes possuem diabetes mellitus com controle inadequado. Outros fatores associados são o abuso de drogas, alcoolismo, anomalias anatômicas e bexiga neurogênica.
Os organismos causadores mais comuns de ITU complicadas são a Escherichia coli e Klebsiella species, contudo, há poucos relatos na literatura relacionando a ocorrência de pielonefrite ou abcessos renais por Citrobacter species.
Após o sexto dia de antibioticoterapia a paciente evoluiu com melhora clínica e laboratorial, com tratamento mantido intra-hospitalar por 15 dias. Recebeu alta para acompanhamento ambulatorial com continuação da antibioticoterapia até o vigésimo primeiro dia e controle glicêmico.

INTRODUÇÃO: A Síndrome da artéria mesentérica superior (SAMS) é causa rara de obstrução intestinal, ocasionada pela compressão da terceira porção do duodeno pelo estreitamento do espaço entre artéria mesentérica superior e aorta. Em geral é uma patologia pouco aventada em casos de emergência, e por isso subdiagnosticada.
OBJETIVO: Alertar aos médicos radiologistas sobre essa patologia pouco lembrada e consequentemente subdiagnosticada, através de relato de caso sobre a síndrome da artéria mesentérica superior em adolescente, que procurou a emergência pediátrica, e que nesse contexto estava diretamente relacionada às mudanças sociais devido à pandemia de COVID-19.
RELATO DE CASO: Paciente M.K.C., 15 anos, feminino, chega à emergência com queixa de dor abdominal e náuseas por 5 dias. Previamente com história de vômitos e pirose, sem melhora ao uso de anti-eméticos. Solicitado exames laboratoriais e de imagem para investigação. Na ecografia abdominal havia presença de acentuada distensão líquida do estômago, da primeira e segunda porções duodenais e transição abrupta de calibre de alças intestinais ao nível da terceira porção duodenal, na linha média, junto ao pinçamento aorto-mesentérico, sendo sugerido o diagnóstico de SAMS. Após nova coleta da história, a mãe da paciente relata que durante a pandemia, a paciente estava com humor deprimido e apresentou baixa ingesta e perda de peso (cerca de 5kg). Solicitada angiotomografia computadorizada para aprofundar investigação. No exame, notado grau de obstáculo mecânico ao trânsito intestinal na terceira porção duodenal e redução do ângulo aorto-mesentérico. Optado por tratamento conservador. Realizada passagem de sonda nasogástrica e mantida por 48h até tolerância de dieta via oral. Recebeu alta hospitalar após 4 dias com boa tolerância à dieta, sem novos vômitos e sem dor abdominal.
DISCUSSÃO: Sabe-se que a SAMS tem relação direta com à redução crônica da gordura retroperitoneal. Muitas vezes a perda de peso é subvalorizada pelas famílias, principalmente no período que vivemos de pandemia. A SAMS tem sintomas inespecíficos: distensão abdominal, vômitos biliosos, saciedade precoce e anorexia. Embora incomum, a suspeita do caso em questão já iniciou na emergência após exame de ecografia abdominal. A tomografia computadorizada é o padrão-ouro, com maior sensibilidade e especificidade. O radiologista tem papel fundamental na sugestão desse diagnóstico, pouco lembrado por emergencistas, e muitas vezes subdiagnosticad

INTRODUÇÃO: O infarto omental é uma causa de abdome agudo inflamatório rara, benigna e autolimitada, que acaba sendo subdiagnosticada. Trata-se de um adensamento da gordura omental, que pode ser causada por torção primária ou secundária do omento. Pode simular quadro de apendicite aguda por afetar principalmente o lado direito, com dor intensa e contínua, e 50% tem febrícula associada. Percebe-se um crescimento do diagnóstico em pacientes pediátricos devido ao aumento da obesidade, importante fator de risco dessa patologia.
OBJETIVO: Destacar a importância de considerar o infarto omental, como um diagnóstico diferencial nos quadros de abdome agudo inflamatório, devido ao aumento de casos dessa patologia na faixa etária pediátrica, através de um relato de caso em paciente adolescente que procurou a emergência.
RELATO DE CASO: Paciente L.C.L.P, 16 anos, sexo feminino, IMC 25 kg/m², chega à emergência referindo dor em fossa ilíaca direita que piora à descompressão, associada à febrícula e fezes amolecidas, de início há cerca de 24 horas. Suspeitando-se inicialmente de apendicite, foi solicitado ultrassonografia abdominal, observando-se apêndice normal e pequena área hiperecogênica mal delimitada na gordura superficial do omento, sugerindo diagnóstico diferencial entre apendagite epiplóica e infarto omental. Exames laboratoriais demonstravam leucocitose e aumento da proteína C reativa. Apresentou alívio parcial da dor com Tramadol, Cetoprofeno e Dipirona. Optou-se por internação hospitalar. Devido à persistência do quadro álgico, foi solicitado tomografia de abdome, que demonstrou adensamento de área de gordura em situação infra-hepática mensurada de 3,6 x 2,9 cm, relacionado a infarto omental. Durante o período de internação hospitalar, foi mantida analgesia intravenosa e melhora do quadro após 48 horas.
DISCUSSÃO: O infarto omental, caracterizado por uma área de necrose do omento por irrigação vascular insuficiente, pode simular um quadro de apendicite aguda, apresentando dor em fossa ilíaca direita, náusea, vômito e febre. É considerado uma causa importante de apendicectomia branca. A ultrassonografia, método já realizado na emergência, pode demonstrar achados característicos, porém sua contribuição muitas vezes se limita a exclusão de apendicite . A tomografia computadorizada é o método de escolha para o diagnóstico. O tratamento é conservador e o quadro costuma ser autolimitado, raramente levando à formação de abscessos que podem necessitar drenagem.

Com a evolução dos métodos de imagenologia médica, as variações anatômicas da veia cava inferior tornaram-se mais frequentemente encontradas. Relatamos um caso de duplicação de veia cava inferior, com drenagem de veias renais supranumerárias à esquerda e junção das veias cavas duplicadas a nível das lojas renais. As anomalias congênitas da veia cava inferior são raras e muito variáveis, mas apresentam sua importância clínica e cirúrgica, motivo pelo qual segue aqui esse relato.

Introdução: O hemangiopericitoma epitelioide é um raro tumor angiogênico considerado pela Organização Mundial de Saúde como neoplasia maligna. O objetivo deste trabalho é retratar um caso desafiador e raro de hemangiopericitoma solitário hepático, bem como descrever a importância de sua suspeição através de métodos de imagem, a fim de permitir uma conduta selecionada e curativa para o paciente.
Descrição: Paciente do sexo feminino, 26 anos, assintomática, submetida à ressonância magnética do abdome para definição etiológica de lesão identificada à ultrassonografia. Observou-se a presença de formação nodular no segmento V do fígado, subcapsular, de contornos regulares e bem definidos, caracterizada por hipossinal nas sequências ponderadas em T1, discreto hipersinal algo heterogêneo em T2 e intensa impregnação periférica anelar pelo meio de contraste. Na fase hepatobiliar, não se observou captação pelo ácido gadoxético. O seu aspecto de imagem foi considerado indeterminado, havendo diagnóstico diferencial com colangiocarcinoma. A paciente foi submetida à segmentectomia hepática, com diagnóstico final anatomopatológico.
Discussão: Os hemangiopericitomas hepáticos podem ser solitários ou multifocais. Acometem igualmente homens e mulheres, notadamente na quinta ou sexta décadas de vida. Apresentam um curso clínico variável e prognóstico incerto, com relatos de evolução fatal em semanas e de sobrevida por décadas mesmo na ausência de tratamento direcionado. Suas características morfológicas são intermediárias entre lesões benignas como hemangiomas e malignas como angiosarcomas. Deve-se atentar à possibilidade diante de lesão hepática hipervascular que apresente sinal do “halo”, caracterizado por foco hemorrágico interno e área de edema circunjacente e/ou sinal do “lollipop” representado por ramo vascular penetrando a lesão. O seu padrão de imagem pode ser sugestivo, mas não diagnóstico, sendo necessárias confirmações histológicas e imuno-histoquímicas. O patologista precisa, entretanto, estar atento à possibilidade, tendo em vista que sua apresentação histológica também é variável e pode mimetizar outras lesões.

INTRODUÇÃO: O angiomiolipoma é uma neoplasia mesenquimal incomum, pertencente à família dos PEComas - tumores de células epitelioides perivasculares. Os aspectos imaginológicos são variados e inespecíficos, dificultando sua diferenciação com outros tumores do fígado. O objetivo deste trabalho é relatar um caso desafiador de angiomiolipoma hepático e descrever suas principais características por imagem através de ressonância magnética com uso de de contraste endovenoso hepatoespecífico ( Primovist).
DESCRIÇÃO: Relatamos o caso de uma paciente de 46 anos, sexo feminino, com lesão focal hepática identificada em ultrassonografia do abdome e com RM com meio de contraste paramagnético extracelular inconclusiva. Foi então submetida a ressonância magnética (RM) do abdome com uso de meio de contraste endovenoso hepatoespecífico (Primovist) para avaliação de lesão hepática indeterminada. Ao estudo de RM com administração de agente de contraste intracelular (Primovist), observou-se lesão sólida de contornos regulares e bem definidos, localizada no aspecto posterior do segmento II do fígado, predominantemente exofítica. Tal lesão caracteriza-se por leve hipersinal heterogêneo nas sequências ponderadas em T2 e hipossinal em relação ao parênquima circunjacente nas sequências ponderadas em T1. Exibe padrão de realce hipervascular na fase arterial e hipossinal na fase hepatobiliar. Apresenta, também, áreas internas de conteúdo lipídico, caracterizadas por marcada queda na intensidade de sinal nas sequências T1 “fora de fase” e T1 FS. Não foram identificadas evidências de cicatriz central. A principal hipótese aventada diante dos achados foi de adenoma hepático. Devido às suas grandes dimensões, a paciente foi submetida a ressecção cirúrgica da lesão. A avaliação anatomopatológica revelou tratar-se de um angiomiolipoma.
DISCUSSÃO: O angiomiolipoma é uma neoplasia mesenquimal incomum composta por vasos sanguíneos, músculo liso e tecido gorduroso. Ocorre com maior frequência nas mulheres em idade adulta e as lesões geralmente são identificadas incidentalmente, pois raramente cursam com sintomas. Os diagnósticos diferenciais incluem lesões hepáticas com componente de gordura, incluindo adenoma, carcinoma hepatocelular, lipoma, angiossarcoma e lipossarcoma. Apesar de raro, o angiomiolipoma deve ser aventado entre os diagnósticos diferenciais de nódulos hepáticos com conteúdo de gordura.

Introdução: COVID-19 é uma doença multissistêmica, podendo estar associada a diversas complicações, tais como acometimento hepático e biliar, com manifestações que variam desde esteatose hepática até colangiopatias, como a colangite esclerosante secundária. Esse relato tem como objetivo principal demonstrar os achados de imagem desta nova entidade, ressaltando a importância do radiologista na contribuição para seu diagnóstico precoce e manejo adequado do paciente.
Descrição: Homem de 45 anos, em investigação de colestase pós-COVID-19, após ser submetido a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica para toalete biliar, mantendo hiperbilirrubinemia. Encaminhado para realizar RM de abdome superior e colangio-RM, onde foi detectado padrão compatível com colangite esclerosante, associado a imagens hepáticas sugestivas de abscessos peribiliares, além de achados adicionais como lama biliar e edema periportal difuso.
Discussão: A colangite esclerosante secundária decorre de uma lesão hepática colestática progressiva em pacientes sem história prévia de doença hepatobiliar. Acredita-se que a fisiopatologia em pacientes com COVID-19 se deva à combinação de isquemia dos ductos biliares e alteração na composição da bile. A colangiopatia isquêmica está associada a diversos mecanismos, como a instabilidade da circulação hemodinâmica destes pacientes, que cursa com queda da pressão arterial, fazendo-se necessário o uso de vasopressores, os quais determinam vasoconstrição da circulação hepatoesplancnica e isquemia relativa. Outro fator predisponente à isquemia são distúrbios na microcirculação, causados pelo aumento da viscosidade sanguínea, hipercoagulabilidade, associada a fatores protrombóticos do vírus, e pelo uso prolongado de ventilação por pressão positiva. O principal fator para diferenciar colangite esclerosante secundária de outras doenças hepatobiliares é a persistência da colestase, apesar da melhora do quadro infeccioso, refletindo o dano celular irreversível. A colangite esclerosante tem alta mortalidade e está associada a diversas complicações, tais como falência renal e rápida progressão para cirrose. Os procedimentos endoscópicos para auxiliar a drenagem biliar, como dilatação por balão e endopróteses, podem trazer melhora no quadro clínico e laboratorial, porém o transplante hepático é o único tratamento definitivo.

Objetivo: Relatar um caso de tumor epidermóide da fossa craniana média com achados de imagem e localização incomuns, divergindo dos casos clássicos da literatura e ampliando a discussão das possibilidades de diagnósticos diferenciais. Além da associação com sintomas neurológicos neste caso, embora seja uma lesão benigna, de crescimento lento e geralmente em pacientes assintomáticos.
Detalhamento de caso: Paciente de 43 anos, sexo masculino, com queixa de cefaléia contínua, refratária ao uso de medicação, associada à turvação visual.
Realizada investigação com ressonância magnética (RM) do crânio, evidenciando lesão expansiva arredondada bem delimitada, centrada na fossa média à esquerda, hipointensa em T1 e homogeneamente hiperintensa em T2 e FLAIR, sem realce ao meio de contraste, com restrição à sequência de difusão e baixo sinal no ADC. A lesão apresentou-se ainda como um desafio ao determinar a sua origem intra ou extra-axial devido aos poucos sinais preditores.
Encaminhado para ressecção cirúrgica eletiva total da lesão, com posterior análise do tecido por anatomia patológica evidenciando lesão extra-axial compatível com cisto epidermóide.
Considerações finais:
Os cistos epidermóides do sistema nervoso central (SNC) são condições incomuns, localizados mais frequentemente no ângulo pontocerebelar e regiões parasselares. Eles são revestidos por epitélio escamoso e lamelas de queratina, tornando seu conteúdo branco-perolado e pastoso e frequentemente atribuindo caráter heterogêneo aos exames de imagem. 
Geralmente mostram hipointensidade em imagens de RM ponderadas em T1 e hiperintensidade em imagens de RM ponderadas em T2, já na sequencia FLAIR o sinal é heterogêneo e pode ser mais baixo que o T2. Além do realce fino e periférico ao meio de contraste e alto sinal na sequencia de difusão.
Relatamos um caso de tumor epidermóide da fossa craniana média com achados de imagem e localização incomuns.

Torção anexial é definida como a torção, por pelo menos uma volta completa, do ovário, da tuba uterina ou de ambos, em torno de uma linha central constituída pelo ligamento infundibulopélvico e pelo ligamento tubo-ovariano. Embora seja uma causa rara de dor pélvica no pós-parto e possua variadas características de imagem, seu reconhecimento e a restauração do fluxo sanguíneo são importantes para evitar danos irreversíveis no ovário. O presente relato apresenta um caso de torção anexial em puérpera evoluindo com volumosa formação cística abdominopélvica.
A torção anexial é uma emergência cirúrgica com frequente atraso diagnóstico decorrente do quadro clínico inespecífico e das variadas características de imagem. Consiste em uma etiologia rara de dor pélvica aguda que pode ser encontrada em qualquer idade, com prevalência estimada em 2,5% a 7,4% (3).
Diversos fatores podem predispor à torção anexial, inclusive malformações e comprimento excessivo o ligamento utero-ovariano. Qualquer aumento do peso anexial também pode ser uma causa. Dessa forma, os cistos ovarianos, principalmente os cistos dermoides, são os principais responsáveis pela torção anexial (2, 3).
Outras causas importantes incluem a estimulação ovariana, cirurgias pélvicas, gravidez e puerpério imediato, este sendo o único fator causal no presente caso. No pós-parto, o deslocamento dos anexos decorrente da involução fisiológica do útero e do relaxamento dos tecidos, aumenta a mobilidade de possíveis cistos ou massas anexiais, e, consequentemente, o risco de torção anexial. Os tumores ovarianos apresentam risco de 8% de torção no período pós-parto (2).
A ultrassonografia é a principal modalidade de imagem para avaliação da torção ovariana. Os achados ultrassonográficos incluem um ovário de dimensões aumentadas, folículos deslocados perifericamente com estroma central hiperecogênico, ovário posicionado na linha média, lesão ovariana coexistente, líquido livre na pelve, falta de fluxo venoso ou arterial e um pedículo vascular torcido. Frequentemente, em até 73% dos casos, existe uma lesão anexial complexa ou massa abdominopélvica, que pode ser predominantemente cística, sólida, ou ambos (4).
No nosso caso, o diagnóstico radiológico no pré-operatório possibilitou o estabelecimento de tratamento imediato. A laparotomia foi escolhida devido ao grande volume de massa e foi optada pela realização de salpingo-ooforectomia.

O Pseudoaneurisma é a ruptura de uma artéria com fluxo pérvio, onde o sangue fica contido apenas pela camada adventícia.
Relato de Caso
Sexo masculino, 23 anos, referiu dor lombar e massa no abdome à esquerda há 8 meses. Apresentava anemia com necessidade de transfusão sanguínea. Mencionou queda de árvore um ano antes dos sintomas.
Realizou tomografia (TC) de abdome total com contraste, que mostrou coleção retroperitoneal, com realce vascular homogêneo ao meio de contraste, deslocava rim esquerdo e aorta abdominal. A comunicação com a porção posterior da aorta media 0,5 cm. A lesão se estendia ao flanco e fossa ilíaca esquerda, sem realce, sugerindo trombo mural associado, com infiltração dos planos musculares e gordurosos. O conjunto mediu 22,4 x 15,5 cm (T x AP).
A ressonância magnética (RM) com contraste mostrou:
-Coleção retroperitoneal com sinal intermediário em T1 e realce vascular ao contraste. Hipersinal na porção lateral esquerda em T1 e realce periférico ao meio de contraste paramagnético, sugerindo trombo/hematoma.
- Esclerose do corpo vertebral de D11 e D12. Acunhamento anterior do corpo vertebral de D11.
-Alteração de sinal da medular óssea/cone medular em D11/D12.
A ultrassonografia (US) de abdome com doppler mostrou secção na parede posterior e fluxo intralesional ao doppler colorido em padrão “yin yang”, além de hematoma mural em hipocôndrio esquerdo.
Os achados sugeriram pseudoaneurisma de aorta abdominal causado por trauma por queda.
Discussão
A angiografia é o padrão ouro para diagnóstico. Porém, por ser invasiva, exames não invasivos se tornam opções: US com Doppler, TC e RM.
O modo B da US mostra estrutura cística hipoecoica adjacente à artéria. No doppler, o fluxo sanguíneo da estrutura cística é caracterizado por movimento giratório típico (sinal yin-yang), além de evidenciar canal de comunicação entre o saco e a artéria com a forma de onda "to-fro”.
A TC é o principal método diagnóstico não invasivo por seu tempo de aquisição curto e possibilidade de avaliar causa do pseudoaneurisma. Observa-se saco de baixa densidade na fase sem contraste, que realça na fase contrastada, de parede lisa, adjacente à artéria, geralmente com comunicação. Área de baixo realce pode permanecer, indicando trombose.
A RM mostra o fluxo na luz vascular e alterações na parede de forma não-invasiva e sem meio de contraste. A RM ponderada em T1 permite a visualização do trombo intraluminal e a avaliação do tamanho do pseudoaneurisma.

O Histoplasma capsulatum é um fungo dimórfico, endêmico, oportunista, pacientes com algum grau de deterioração da imunidade celular. A sua transmissão é pela inalação de esporos, os conídios, presentes em cavernas habitadas por morcegos e galinheiros, e epidemiologicamente, atividades associadas à manipulação do solo, como projetos de construção ou de demolição, são importantes. Seu quadro clínico pode assintomático até quadros disseminados, acometendo principalmente pacientes com HIV, transplantados ou com neoplasias hematológicas. O diagnóstico laboratorial baseia-se numa combinação de exames microscópicos, histopatológicos por meios de colorações especiais, métodos sorologia e PCR. De modo geral, a apresentação de infecção pulmonar aguda, evolui com regressão espontânea sem qualquer intervenção terapêutica específica, mas em casos de formas agudas graves, respiratório crônica ou localizadas podem ser realizadas com o itraconazol, e no caso das disseminadas, a Anfotericina B lipossomal. Assim sendo, a Histoplasmose representa uma das micoses sistêmicas mais importante nas Américas, com ampla distribuição em todas as regiões do Brasil. Em uma emergência, a paciente do sexo feminino, 65 anos, portadora de artrite reumática, em uso regular de metrotexate e de corticoide, deu entrada com quadro pulmonar com rápida progressão para insuficiência respiratória, sendo a infecção por COVID-19 descartada, por meio do RT-PCR. Seu diagnóstico presuntivo foi de Aspergilose pulmonar devido a galactomanana reagente no lavado bronco-alveolar. Iniciou-se o tratamento com Anfotericina B com boa resposta, e em seguida trocado por Voriconazol e encaminhada para a Enfermaria. Foi obtido a sorologia reagente para Histoplasmose, e um forte dado epidemiológico (entrada diária de morcegos na residência), e a avaliação da infectologia sugeriu alta hospitalar com terapêutica específica de escolha para Histoplasmose: itraconazol. Durante a revisão ambulatorial, identificou-se piora significativa do padrão tomográfico, de aspecto micronodular, sendo descoberto com a família, administração em subdose da prescrição do itraconazol. Foi necessário nova internação e no controle de imagem identificou-se evolução desfavorável, aonde foi realizado biopsia pulmonar e constatado reação positiva para Gomori e leveduras de gemulação. Conforme os achados epidemiológicos, tomográficos, sorológicos e histopatológicos iniciou-se Anfotericina B, tratamento especifico para Histoplasmose disseminada.

Introdução: O coriocarcinoma corresponde a uma apresentação maligna originária de uma proliferação anormal do epitélio trofoblástico placentário, ocorrendo em 1: 30.000 gestações, caracterizado histologicamente por invasão do miométrio. Na maioria dos casos são originadas de gestações molares. Representa uma entidade clínica extremamente rara e a mais agressiva dentre as neoplasias trofoblásticas gestacionais. No coriocarcinoma, as invasões vasculares são precoces, resultando em metástases à distância. Nesses casos, o estudo feito com a ultrassonografia transvaginal, a radiografia de tórax e a tomografia computadorizada é fundamental para manejo clínico e para a escolha do tratamento, pois em muitos casos, as pacientes se encontram assintomáticas. Descrição: Paciente A.C.S.P, 14 anos, sexo feminino, cor branca, solteira, procedente de Pouso Alegre, em acompanhamento no departamento de Ginecologia/Obstetrícia desde 16/05/2021 devido sangramento do primeiro trimestre, com hipótese diagnóstica de mola hidatiforme. Paciente sem sintomas de sangramento vaginal. Após a realização de três curetagens uterinas, apresentava beta-hcg de 108.090,00 (25/06/2021). No ultrassom transvaginal (24/05/2021) foi evidenciado uma imagem hiperecogênica de limites mal definidos, com áreas císticas de permeio, com intenso fluxo central e periférico ao estudo Doppler colorido e medindo cerca de 3,6 x 3,4 x 4,0 cm com volume aproximado em 26,4 cm³, localizado em cavidade endometrial. Na tomografia de tórax (16/06/2021), evidenciou-se múltiplos nódulos pulmonares sólidos randômicos pelo parênquima, sugestivos de implantes secundários. Na biópsia do pulmão (25/06/2021), constatou-se a presença de coriocarcinoma originado de mola completa. Dessa forma, a paciente deu entrada ao setor de oncologia para submeter-se ao tratamento quimioterápico.
Discussão: Diante desse caso clínico, observa-se o ultrassom como sendo a primeira linha de exame de imagem para a complementação diagnóstica do coriocarcinoma em pacientes assintomáticas e com beta-hcg em ascensão. Através desse recurso é possível sistematizar uma linha de diagnóstico e de tratamento, colaborando para um diagnóstico precoce e com maiores chances de cura.

Gota é uma artrite inflamatória que afeta as articulações quando a taxa de ácido úrico no sangue está acima do normal (hiperuricemia), havendo deposição de cristais de urato nos tecidos e nas articulações, provocando inflamação. A taxa normal e ideal do ácido úrico nas mulheres varia de 2,4 a 6,0 mg/dL, com um nível de excreção de 0,24g/dia; e nos homens, de 3,4 a 7,0 mg/dL, com um nível de excreção de 0,75g/dia. É uma doença que atinge cerca de 4% da população mundial, na maioria homens. Chamada de “Doença dos reis”, relacionada a homens de meia-idade de classes mais abastadas, vida menos regrada e associada a sedentarismo e excessos. As autoras descrevem o caso de um paciente do sexo masculino, de 56 anos de idade, com histórico de Artrite Gotosa Tofácea Crônica há mais 16 anos, iniciada no tornozelo direito, Oligoartrite Assimétrica em membros superiores, Neuropatia Periférica, além de outras comorbidades. É interessante destacar que durante a realização das radiografias dos membros superiores, o paciente relatou dificuldade em retirar sua aliança, tendo realizado as radiografias com a mesma; o que evidencia o grau de cronicidade da doença instalada. O caso se estrutura na análise de radiografias e ultrassonografias com doppler, assim como de seus respectivos laudos. As radiografias analisadas dos membros superiores e inferiores indicaram, desmineralização de óssea difusa, aumento de partes moles, redução dos espaços interfalangeanos proximais, desvio entre as falanges proximal e distal, erosão parcial de falanges nos quirodáctilos e cisto subcondral em metacarpo distal. A ultrassonografia articular com doppler das mãos acusou importantes irregularidades ósseas difusas, indicativo de erosões, predominantes nos ossos do carpo, cabeça de metacarpo e articulação metacarpofalangeana, além de irregularidade óssea difusa bilateral. Verificou-se também sinovite dos recessos dorsais e volares do carpo e tenossinovite do extensor ulnar do carpo associado a lesão parcial longitudinal. Nos membros inferiores, havia destruição parcial e irregularidades justa-articulares nas tíbias distais e tálus bilateralmente, além de esclerose e cistos subcondrais nos calcâneos pósterossuperiormente. Lesões líticas circunscritas em metatarso distal de falange proximal do hálux também estavam presentes, sugerindo Gota e Artrite Reumatoide, com a indicação de investigação laboratorial.

Relato de caso de um paciente masculino,18 anos, portador de distrofia muscular de Duchenne com história de tosse seca, rouquidão, coriza e queda da saturação de oxigênio, sendo necessária hospitalização. Foi realizado o diagnóstico de infecção por COVID-19 através da sorologia e Tomografia Computadorizada de Tórax, com tênues opacidades pulmonares e observou-se acentuada atelectasia dos lobos inferiores. Perante dispneia progressiva e taquipneia, necessitou de intubação orotraqueal e evoluiu para óbito. Destaca-se a possibilidade de evolução desfavorável na infecção pelo COVID-19 em pacientes portadores de algumas doenças de base, além da importância dos exames de imagem no diagnóstico precoce e identificação de possíveis complicações.

Este relato de caso tem como objetivos principais revisar a anatomia dos principais vasos abdominais; reforçar a importância do olhar atento do radiologista à opacificação dos vasos pelo contraste conforme cada fase – arterial x venosa; e ressaltar a importância da reconstrução em 3D para a melhor visualização de achados que podem passar despercebidos no modo bidimensional. A fístula arteriovenosa mesentérica superior é uma condição rara caracterizada pela conexão anormal entre a artéria mesentérica superior (AMS) e a veia mesentérica superior (VMS). Pode ser congênita ou adquirida (trauma abdominal penetrante ou por causas iatrogênicas, como em cirurgia abdominal) e pode apresentar como sintomas a insuficiência cardíaca congestiva, isquemia intestinal e hipertensão portal (sendo que esta pode cursar com varizes esofágicas e gástricas, com consequente sangramento gastrointestinal). A sua principal causa de morte é o sangramento gastrointestinal. Este caso também busca reforçar a necessidade de, nos estudos com contraste, estarmos atentos a cada tempo de opacificação dos vasos, dos órgãos parenquimatosos – considerando sempre a possibilidade das malformações arteriovenosas - e, se disponível, fazer uso das reconstruções para um olhar tridimensional da anatomia de cada paciente.

A trombose da veia mesentérica (TVM) está cada vez mais associada como causa de isquemia mesentérica, de baixa incidência e com quadro clínico inespecífico; para sua confirmação, a angiografia por tomografia computadorizada (TC) de abdome com contraste apresenta grande sensibilidade e especificidade, sendo considerado o método de escolha.Eventos trombóticos é uma anormalidade comum em pacientes com infecção pelo novo coronavírus (COVID-19).Descobertas recentes de uma análise combinada sugeriram que um aumento proeminente nos níveis de dímero D como um preditor de resultados adversos foi persistentemente observado na doença COVID-19, sugerindo a presença de coagulopatia subjacente. Apresentamos um caso de um paciente, do sexo masculino, de 37 anos, que, procurou emergência com quadro de dor abdominal e náuseas, realizou exames laboratoriais e TC de abdome e pelve de urgência, e que obteve contato com a esposa diagnosticada com covid-19 dias antes, a angiotomografia do abdome e pelve apresentou uma tromboflebite de veia mesentérica inferior, e a TC de tórax com focos de opacidades em vidro fosco com morfologia arredondada nos campos pulmonares, consistentes para processo infeccioso viral covid-19. A TVM é pouco comum, porém em vigência da infecção viral pandêmica por Covid-19 como uma causa de eventos trombóticos, pode ocorrer na forma de manifestação abdominal, devendo-se ter um diagnóstico rápido e preciso, a fim de se evitar complicações.

Materials and methods: 72-years-old female, complaining of diplopia, lateral deviation of the left eye, left ptosis for the last 3 days, and impaired consciousness for the last day. At the emergency department, she presented with bilateral paralysis of the third cranial nerve (oculomotor nerve). A brain magnetic resonance imaging (MRI) study revealed symmetrical bilateral paramedian thalamic hyperintense areas on the diffusion-weighted sequence (DWI), compatible with an acute ischemic event, suggestive of AoP occlusion.
Results and discussion: The thalamopeduncular syndrome is among the commonest presentations of AoP obstruction, and its clinical manifestations include cervical dystonia, abnormal eye movements, ataxia, cognitive impairment, and behavioral disorders.
An early brain nonenhanced computed tomography usually does show abnormalities. Hypoattenuating areas in both thalamus that extend into the central area of ​​the midbrain may appear in later stages.
The MRI with DWI sequence is the exam of choice and reveals restriction to diffusion in the affected areas. The T2/FLAIR-weighted sequences show a hyperintensity in the medial thalamus. In just over half of the cases, a region with a “V” shaped hyperintensity affects the medial surfaces of the cerebral peduncles and the rostral midbrain.
The main differential diagnosis of AoP occlusion is basilar artery thrombosis, however, it is more extensive and involves part or all of the rostral midbrain, occipital lobes, upper vermis, and thalamus. Deep cerebral venous thrombosis is also a differential diagnosis, however, it usually involves the basal ganglia, posterior limb of the internal capsule, and the entire thalamus, with T2*-weighted MRI sequences (GRE, SWI) showing “blooming” artifact in the deep cerebral veins.
Conclusions: Although rare, AoP occlusion should be part of the differential diagnosis when symmetrical bilateral paramedian thalamic and mesencephalic lesions occur.

Paciente sexo masculino ,24 anos, com queixa de dor periorbital e distopia à direita há 2 anos, com piora há 6 meses. Ao exame físico, apresentou acuidade visual bilateralmente preservada, distopia nasoinferior, ptose de pálpebra superior e massa palpável endurecido no rebordo lateral superior à direita. O quadro motivou a realização de tomografia computadorizada(TC) das órbitas, a qual evidenciou massa com atenuação de partes moles, limites imprecisos, aspecto infiltrativo e realce heterogêneo ao meio de contraste iodado, centrada na topografia da glândula lacrimal direita, associada a remodelamento e erosão óssea da parede lateral e superior da órbita, com pequena extensão lesional para o interior do seio frontal direito, além de determinar ptose e deslocamento inferomedial do globo ocular.Também foi realizado 5 meses depois, em caráter ambulatorial, um estudo por ressonância magnética(RM) das órbitas, que revelou aumento das dimensões da massa centrada na topografia da glândula lacrimal direita, heterogênea, predominantemente hipointensa em T1 e isointensa em T2, com realce difuso e heterogêneo ao meio de contraste paramagnético , deslocando inferomedialmente o globo ocular, deformando seu contorno superior, o complexo muscular superior, e os músculos reto lateral e oblíquo superior, com extensão superior para o seio frontal ipsilateral e determinando erosão do teto orbitário.Foi então realizado estudo anatomopatológico (AP), que revelou revelou carcinoma adenoide cístico.
Os tumores da glândula lacrimal representam 5% a 25% das lesões orbitárias e são classificados em lesões epiteliais e não epiteliais. Tumores epiteliais representam 40-50% das lesões das glândulas lacrimais, sendo cerca de metade lesões malignas. O tumor benigno mais comum é o tumor misto benigno (adenoma pleomórfico), enquanto o tumor maligno mais comum é o carcinoma adenoide cístico.
Aos métodos de imagem, o achado mais frequente do carcinoma adenoide cístico é uma lesão de contornos irregulares na topografia da glândula lacrimal, associada a erosão óssea com disseminação por contiguidade e invasão do teto da órbita. À TC, a lesão apresenta-se como uma massa infiltrativa isoatenuante com realce moderado pelo contraste associada a erosão óssea, podendo haver calcificações no interior da lesão. Já à RM, a lesão é hipointensa em T1 quando comparada à musculatura e isointensa/hiperintensa em T2 quando comparada ao córtex cerebral, com moderado realce ao meio de contraste.

Foi descrito o caso de um paciente de 52 anos, sexo masculino, com queixa de dor abdominal, emagrecimento, massa palpável no mesogástrio, associado a edema em membros inferiores. O leiomiossarcoma da veia cava inferior, que é o vaso mais afetado, constitui-se um tumor de musculo liso, retroperitoneal, originado de vasos ou remanescentes embrionários. Apresenta pico de incidência na sexta década de vida, predominando no sexo feminino. Verifica-se alta mortalidade em cinco anos com recorrência local de 40 a 60%, onde a ressecção completa com margens cirúrgicas negativas é a única chance de sobrevida em longo prazo. As neoplasias retroperitoniais apresentam sinais e sintomas, geralmente inespecíficos, como por exemplo, dor abdominal leve, massa palpável, sintomas no trato gastrointestinal e urinário, edema e varizes de membros inferiores. Sendo geralmente grandes ao diagnóstico. O estudo por tomografia computadorizada de alta resolução demonstrou volumosa massa solida retroperitoneal à direita, com achados e topografia característicos de leimiossarcoma de veia cava inferior.

INTRODUÇÃO: A duplicação da vesícula biliar é uma anomalia congênita rara que pode ser assintomática ou apresentar sintomas associados a colecistolitíase ou colecistite que podem estar presentes em uma ou em ambas as vesículas. Sendo o tratamento semelhante ao de outras doenças da vesícula biliar, requer atenção especial no pré-operatório para evitar lesões iatrogênicas do ducto biliar durante o procedimento cirúrgico.
DESCRIÇÃO DO CASO: Mulher de 58 anos, compareceu para realização de ultrassonografia do abdome total eletiva queixando-se de dor abdominal no hipocôndrio direito há duas semanas, com irradiação para o hipocôndrio esquerdo, acompanhada de vômitos e calafrios. A ultrassonografia revelou duas vesículas biliares separadas. Ambas apresentavam-se distendidas, com lama biliar e paredes espessadas. Curiosamente, observavam-se cálculos móveis confinados a apenas uma das vesículas. Com base nos achados de imagem e sintomas clínicos a suspeita foi de colecistite aguda em uma das vesículas, complicando com abscesso por contiguidade para a outra.
DISCUSSÃO: A duplicação da vesícula biliar é considerada uma variante biliar anatômica com incidência incerta e etiopatogenia pouco esclarecida. A classificação mais amplamente aceita é a de Boyden, que a divide em Vesica fellea divisa/bilobulação (um único ducto cístico) ou duplicação Vesica fellea duplex/verdadeira, subclassificada em "tipo Y" (dois ductos císticos que se unem antes de entrar no ducto biliar comum) e "em forma de H” (dois ductos císticos que entram separadamente no ducto biliar comum). Atualmente, a ultrassonografia é a modalidade de imagem de primeira escolha para suspeita de doença da vesícula biliar. Permite o diagnóstico de duplicação e avaliação de doenças da vesícula biliar, contribuindo para o reconhecimento de cálculos em uma ou nas duas vesículas, a presença do espessamento parietal e possíveis complicações como a presença de coleção por contiguidade, como no caso descrito. No entanto, a ultrassonografia não delineia com segurança os detalhes anatômicos dos ductos císticos nem suas relações com a árvore biliar. É necessário, portanto, que investigações adicionais sejam feitas para fornecer detalhes anatômicos suficientes e o tipo de anomalia antes da cirurgia. No nosso caso, a investigação não foi prosseguida na própria unidade pelo fato da ultrassonografia ser o único método de imagem disponível, sendo a paciente encaminhada a serviço terciário.

Introdução: A COVID-19 é uma doença respiratória aguda causada pelo SARS-CoV-2. Embora o envolvimento pulmonar seja uma das principais causas de morbidade e mortalidade, o envolvimento do trato gastrointestinal, fígado e pâncreas também foi demonstrado nesses pacientes. A colangite esclerosante secundária em pacientes críticos após a infecção pelo SARS-CoV-2 é uma nova causa de colangiopatia que está cada vez mais em evidência na prática clínica, visto o contexto de pandemia atual. Descrição: Relato de caso de paciente de 85 anos, masculino, hipertenso e coronariopata, com teste de RT-PCR SARS-CoV-2 positivo no dia 28/12/2020. Foi internado na enfermaria e posteriormente deu entrada a unidade de terapia intensiva, devido a piora da dispneia. Recebeu alta hospitalar 16 dias após a internação e, aproximadamente, após as 2 semanas subsequentes, os exames laboratoriais evidenciaram aumento importante das enzimas hepáticas e canaliculares, bem como elevação da bilirrubina direta. A ressonância magnética do abdome superior e a colangiorressonância evidenciaram moderada dilatação de vias biliares intra-hepáticas, havendo diversas irregularidades dos seus contornos parietais, com diversas áreas de estenose, bem como alteração de sinal periductal. O paciente recebeu o diagnóstico de colangite esclerosante secundária em pacientes críticos após a infecção pelo SARS-CoV-2, sendo realizado tratamento conservador e, atualmente, encontra-se em acompanhamento ambulatorial. Discussão: A colangite esclerosante secundária em pacientes críticos após a infecção pelo SARS-CoV-2 deve ser considerada como diagnóstico diferencial para aqueles pacientes que apresentam colestase persistente, apesar da recuperação clínica de outras falências de órgãos. A principal característica que a diferencia de outros diagnósticos potenciais é que o sistema biliar extra-hepático é normalmente poupado. A ultrassonografia não é o método mais sensível e, portanto, os pacientes precisam de imagens adicionais com Colangiorressonância (MRCP) e/ou Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) como padrão ouro.

O linfoma é a terceira doença maligna mais comum na faixa etária pediátrica, constituindo cerca de 10% a 15% de todos os cânceres infantis em países desenvolvidos. Surgem das células constituintes do sistema imunológico ou de seus precursores e são consequência de alterações genéticas de células linfáticas.
A análise histológica continua sendo o principal modo de diagnóstico definitivo para um paciente com suspeita linfoma, no entanto, avanços em diagnóstico por imagem, especialmente em métodos axiais e medicina nuclear, tiveram um grande impacto no manejo de pacientes pediátricos, especialmente na avaliação da extensão da doença, prognóstico e planejamento terapêutico.
O linfoma pode se apresentar como Hodgkin ou não Hodgkin, podendo ser unifocal, multifocal, ou difuso, podendo afetar linfonodos isolados ou qualquer órgão sistêmico, e demonstra uma variedade de achados de imagem em quase todos os sítios de acometimento.
Na população pediátrica, existem quatro principais subtipos de linfoma não Hodgkin. O mais comum é o linfoma de Burkitt; seguido pelo linfoma de grandes células B; linfoma linfoblástico e anaplásico de grandes células.
O linfoma não-Hodgkin na pediatria tem uma apresentação clínica mais extranodal do que no adulto, envolvendo principalmente sítios intrabdominais e intratorácicos, podendo inclusive mimetizar abdome agudo, com sintomas semelhantes a apendicite.
A proposta deste relato é demonstrar o caso de uma criança, que compareceu ao serviço de emergência com clínica de vômitos e dor abdominal, apresentando abdome doloroso à palpação em fossa ilíaca direita.
Realizada investigação com ultrassonografia e tomografia computadorizada de abdome, que evidenciou: espessamento parietal intestinal, do íleo terminal e válvula ileocecal, determinando obstrução intestinal à montante, além de linfonodos proeminentes regionais. A avaliação complementar com PET-CT com fluordesoxiglicose, demonstrou hipercaptação do radiofármaco nesses sítios e após colonoscopia com biópsia, foi obtido o diagnóstico de linfoma não Hodgkin de grandes células B.
O objetivo do relato é demonstrar os achados de imagem do linfoma não Hodgkin na infância, através de diferentes métodos diagnósticos, ilustrado através de um caso da nossa instituição, familiarizando o radiologista com esses achados e destacando a importância dos exames de imagem como ferramenta para definir o sítio de acometimento da doença, sua extensão, definição de prognóstico e planejamento terapêutico.

Caso raro de apresentação de angiossarcoma no pulmão.
Paciente masculino, 36 anos, hígido, de cor branca, deu entrada no pronto atendimento de nosso serviço com queixa de dor lombar há um mês, inicialmente atribuída a causas ortopédicas. Referiu que há duas semanas evoluiu com hemoptise, perda ponderal e irradiação da dor para a região pré-esternal. Negou comorbidades. O exame físico não apresentou alterações relevantes, bem como os exames laboratoriais.
Diante do quadro epidemiológico atual, a hipótese de Covid-19 esteve em pauta devido à presença de opacidades em vidro fosco no pulmão direito. Por serem nodulares e centrolobulares, algumas confluentes, formando consolidações, poderiam, no entanto, representar também tuberculose. O resultado do teste RT-PCR para pesquisa de Sars-Cov2 realizado na entrada viera negativo, bem como as provas tuberculínicas. Um aspecto relevante nos exames de imagem foi a presença de lesões ósseas líticas esparsas pelo esqueleto axial, que orientaram o raciocínio clínico para a hipótese de neoplasia.
O paciente foi internado devido às queixas de dor torácica, perda ponderal, hemoptise (com provas tuberculínicas negativas) e lesões ósseas líticas presentes nos exames de Tomografia Computadorizada e de imagem por Ressonância Magnética. As lesões ósseas possuíam aspecto semelhante entre si e eram bem delimitadas. Foram realizadas biópsias destas lesões, visando ainda identificar acometimento ósseo pelo bacilo de Koch ou lesões mieloproliferativas, como as provenientes de mieloma múltiplo. Esta investigação também cursou com resultados negativos. O paciente foi submetido à angiografia pulmonar que evidenciou focos de sangramento e neoangiogênese regional, elevando as suspeitas de etiologia neoplásica primária. Com isso, foi realizada segmentectomia da lesão com envio do produto à análise anatomopatológica, que evidenciou angiossarcoma. O paciente evoluiu com aumento das opacidades e das lesões ósseas líticas associados a queda das taxas de Hemoglobina, tendo por vezes recebido transfusão de concentrado de hemácias. Após elucidação diagnóstica e tendo em vista a presença de neoplasia pulmonar maligna, o paciente foi orientado a iniciar quimioterapia.
O angiossarcoma é um tumor maligno com origem nas células endoteliais e o acometimento pulmonar primário é extremamente raro, havendo poucos relatos. A sintomatologia pouco específica dificulta o diagnóstico, resultando em curso clínico agressivo e mau prognóstico.

Paciente de 87 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica e parkinson, apresentando ainda osteoartrose cervical importante. Sofreu queda da própria altura e evoluiu com instabilidade crânio cervical, realizou tomografia computadorizada que evidenciou fratura do tipo explosiva (burst) do atlas, com acometimento dos arcos posterior e anterior, bem como fratura bilateral dos côndilos occipitais, com dissociação craniocervical tipo III, índice de powers de aproximadamente 0,5 e classificação tipo III de Anderson-Montesano. A ressonância magnética posterior evidenciou lesão do ligamento alar direito por avulsão. O paciente evoluiu bem após artrodese cervical.
A fratura por explosão do atlas resulta pela sobrecarga de força decorrente do trauma sobre o crânio e pode resultar em diferentes tipos de lesão ligamentar. o mecanismo de trauma é de hiperextensão cervical severa seguida de deslocamento lateral. Considerando o diâmetro longitudinal do atlas em relação às demais vértebras, seu volume é menor e portanto deve se avaliar com atenção e em todos os planos e angulações.
Frente a este tipo de lesão o radiologista não deve se esquecer do índice powers que é de suma importância para inicialmente se desconfiar de dissociação atlanto-occipital.
Consiste em medir as relações do forame magno com o atlas. O índice é mensurado na linha média do plano sagital, conforme a razão da distância entre o Basion (A) e a linha anterior do arco posterior (B) e o Opisthion (C) e a linha posterior do arco anterior do atlas (D).
Os valores normais são < 1 na radiografia convencional e <0,9 na tomografia computadorizada. Se esta razão for < 1 deve se suspeitar de dissociação atlanto occipital. Apesar de ser um índice conhecido, muitas vezes é esquecido pela infrequência de sua aplicação, já que estas fraturas são incomuns.

OBJETIVOS: Elucidar o quadro clínico e os achados da ressonância magnética na Síndrome de encefalopatia posterior reversível (PRES) relacionada à Covid19 e discutir diagnósticos diferenciais que cursam com essa síndrome. História clínica: Paciente RT-PCR positivo para COVID 19 em 28/11, com início dos sintomas gripais em 26/11, mantendo febre, dispneia e mialgia. Com oximetria domiciliar de 90% em ar ambiente no décimo segundo dia de sintomas buscou atendimento médico, foi internado em enfermaria e submetido à corticoterapia e O2 por cateter nasal (CN) (3L/min). No décimo quinto dia de sintomas -quarto dia de internação- não apresentava sintomas respiratórios e mantinha oximetria em 95% com O2 via CN (2L/min). Nessa manhã teve redução súbita da acuidade visual bilateral e cefaleia leve com fotofobia, resolvida com dipirona. Realizada Ressonância Magnética (RM) do crânio com achados sugestivos de PRES. Evoluiu com recuperação visual progressiva até melhora completa no décimo dia após início da disfunção. Durante a internação não se observaram picos hipertensivos. A RM de controle, 32 dias após a primeira, mostrou resolução completa dos achados relacionados à PRES. Discussão e diagnóstico: A PRES é um estado neurotóxico relacionado à má autoregulação vascular cerebral em resposta a alterações agudas na pressão arterial, com predileção por acometimento ocipitoparietal. Devido à hiperperfusão, a quebra da barreira hematoencefálica resulta em edema vasogênico, sendo a hipertensão arterial sistêmica (HAS) e a disfunção endotelial as principais teorias relacionadas à gênese da PRES. Clinicamente pode cursar com cefalodinia, distúrbio visual, confusão mental e convulsões. Os principais quadros clínicos relacionados à PRES são HAS, eclâmpsia/pré-eclâmpsia, quimioterapia e transplantes de órgãos associados a imunossupressão, sepse, infecções graves (incluindo a COVID 19) e doenças autoimunes. Conclusões: O uso difundido da RM familiarizou a PRES no meio médico assistencial. Por ser um diagnóstico incomum, é importante que os radiologistas conheçam o padrão de imagem e a clínica, bem como as doenças geralmente precipitantes dessa síndrome, buscando seu efetivo diagnóstico e condução.

Introdução
A síndrome de Noonan é uma doença multissistêmica, de transmissão autossômica dominante, com uma variedade de apresentações clínicas e genéticas, sendo as malformações cardíacas as mais comuns. Embora exista associação com estenose da valva pulmonar e miocardiopatia hipertrófica, a apresentação com estenose pulmonar periférica é rara, com incidências de 3-12%, e, no caso relatado, contribuiu com repercussão hemodinâmica evidenciada por angiotomografia e ecocardiograma.
Descrição
Paciente do sexo feminino, de 14 anos, com diagnóstico de Síndrome de Noonan ao nascimento, apresentando dispneia aos esforços moderados, com saturação entre 88 e 91%, frequência respiratória de 32 irpm, sem sinais de esforço. Solicitada angiotomografia para avaliação do sistema arterial pulmonar, que evidenciou estenose focal com posterior dilatação de algumas artérias pulmonares segmentares e subsegmentares bilateralmente, desproporção entre o tronco da artéria pulmonar e aorta, com relação de 1,5, cardiomegalia, sobretudo às custas das câmaras direitas e relação artéria-brônquio maior que 1,0. Além dos achados de hipertensão arterial pulmonar, o ecocardiograma demonstrou displasia das valvas cardíacas e regurgitação significativa da valva pulmonar, com estenose leve.
Discussão
A síndrome de Noonan é uma síndrome genética relacionada aos genes que codificam proteínas da via de sinalização RAS/MAPK (rasopatia) com grande variabilidade fenotípica e morbimortalidade atribuída, sobretudo, às alterações cardiovasculares comumente associadas. A incidência estimada em nativivos é estimada em 0,04%, sendo 20-25% dos casos diagnosticados atribuíveis à herança familiar. Os achados mais frequentemente encontrados nesses pacientes, além das malformações cardíacas, descritas em até 80% dos casos, são: baixa estatura, fácies típica, retardo cognitivo, displasia linfática e criptorquidia. As alterações cardiovasculares encontradas geralmente resultam em elevação da pressão arterial pulmonar com desigualdade de ventilação-perfusão, desencadeando sintomas como dispneia aos esforços, cianose e, em alguns casos, insuficiência cardíaca. A presença e gravidade dessas repercussões são utilizadas para guiar a terapia, com maiores taxas de reabordagem cirúrgica para os pacientes com valvulopatia e risco aumentado de morte súbita em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica.

INTRODUÇÃO: Este trabalho tem por objetivo destacar o papel da ressonância magnética encefálica no diagnóstico diferencial e seguimento do tumor neuronal multinodular vacuolizante (MVNT), através de um relato de caso de paciente admitido em nossa instituição. RELATO: Paciente masculino, 37 anos, com queixa de episódios de afasia e déficit de memória de longa data, admitido para investigação clínica. RM evidenciou conglomerado de pequenas lesões focais arredondadas com hipersinal em T2/ FLAIR na substância branca subcortical, situadas na transição têmporo-parietal direita, sem efeito de massa, restrição à difusão ou realce pelo gadolínio, aspecto sugestivo de MVNT. Realizado eletroencefalograma no qual foi detectada atividade epileptiforme e RM com espectroscopia, que não evidenciou picos de colina em níveis neoplásicos, além de demonstrar valores habituais do N-Acetil aspartato, achados que corroboraram o diagnóstico inicial. As lesões permaneceram radiologicamente estáveis ao longo de dois anos de acompanhamento regular, sendo optada por conduta conservadora, diante do curso benigno. DISCUSSÃO: O MVNT é uma lesão glial/neuronal rara e benigna, recentemente incluída na classificação de tumores do sistema nervoso central pela Organização Mundial de Saúde em 2016, embora se comporte mais como uma malformação cortical ou lesão hamartomatosa. Sua maioria é assintomática, podendo cursar com epilepsia associada, sendo a RM o padrão-ouro no diagnóstico desta entidade, que apresenta padrão de imagem específico, representado por lesões nodulares subcorticais agrupadas e hiperintensas no T2/FLAIR, sem restrição à difusão, edema vasogênico, efeito de massa, realce ao gadolíneo ou calcificações associadas, podendo ser isointensas ou hipointensas no T1. Por serem lesões de caráter benigno e permanecerem estáveis, o seguimento radiológico é a conduta usualmente mais empregada, embora possa ser realizada abordagem cirúrgica como tratamento definitivo para pacientes sintomáticos. Nesse sentido, o padrão de imagem típico do MVNT demonstrados nas sequências de RM cranioencefálica permite predizer, com acurácia elevada, o diagnóstico, no diferencial com outras patologias, a exemplo do tumor neuroepitelial disembrioplástico (DNT), da displasia cortical focal ou mesmo de espaços perivasculares. CONCLUSÃO: A RM se destaca no diagnóstico e seguimento clínico-radradiológico do MVNT e contribui para evitar procedimentos invasivos intracranianos de confirmação patológica.

INTRODUÇÃO: Diverticulite colônica é um processo inflamatório que pode envolver tecidos adjacentes e estruturas vasculares e, em raros casos, estar associada a tromboflebite séptica da veia mesentérica e porta (pileflebite). O diagnóstico permanece um desafio e frequentemente é tardio, uma vez que a clínica é inespecífica. A precocidade do diagnóstico é fator fundamental no prognóstico dos pacientes pela possibilidade da instituição de antibioticoterapia específica, já que a taxa de mortalidade é elevada.
DESCRIÇÃO DO CASO: Paciente sexo masculino, 39 anos, relatou dor abdominal e febre iniciadas há uma semana. Os exames laboratoriais demonstravam leucocitose com desvio para a esquerda. Suspeitou-se de diverticulite e foi solicitado tomografia computadorizada abdominal que revelou doença diverticular do cólon com espessamento parietal colônico, sobretudo cólon esquerdo e sigmóide, densificação da gordura adjacente, associado a trombo hipodenso envolvendo a veia mesentérica inferior com trajeto ascendente, acometendo também a veia esplênica e veia porta, apresentando focos de gás em parte do seu trajeto e importante portograma aéreo. Notaram-se ainda áreas hipodensas sem realce ao meio de contraste, inferindo abscessos hepáticos. Com o diagnóstico de pileflebite secundária à diverticulite, foi iniciado terapia empírica por 21 dias. A evolução foi favorável e o paciente recebeu alta com acompanhamento ambulatorial.
DISCUSSÃO: A tromboflebite séptica da veia porta ou de uma das suas tributárias é uma patologia rara e associada a alta mortalidade, mesmo com tratamento adequado. Geralmente é secundária a uma infecção na região drenada pelo sistema porta ou em estruturas contíguas à veia porta. O diagnóstico permanece difícil pela clínica inespecífica, sendo necessário um elevado grau de suspeição. Dor abdominal, icterícia e febre são os sintomas mais comuns e estão presentes na maioria dos casos. A TC com administração intravenosa de meio de contraste é método diagnóstico de escolha, podendo demonstrar gás no sistema porta (portograma aéreo) e/ou tributárias e o trombo vascular hipodenso, à exemplo do caso apresentado. O tratamento baseia-se na instituição de antibioticoterapia de largo espectro por tempo prolongado, no mínimo duas semanas, sendo um dos grandes desafios o diagnóstico em tempo hábil para evitar desfechos letais.

Paciente feminino, 46 anos, diabética, hipertensa e tabagista, com febre há 8 dias e vírus SARS-CoV-2 detectável através de reação em cadeia de polimerase de transcrição reversa (RT-PCR), apresentou perda súbita de sensibilidade, força motora em membros inferiores e reflexos profundos, a nível medular T7. Tomografia computadorizada (TC) e Ressonância magnética (RM) da coluna torácica mostraram coleção paravertebral aos corpos vertebrais de T7 e T8 associada a trombos/êmbolos sépticos na veia ázigos. O estudo de RM identificou ainda sinais de edema medular ósseo do corpo vertebral de T7 e de mielopatia entre T5 e T7. Todas as amostras de hemoculturas identificaram Staphylococcus aureus sensível à meticilina (MSSA). Líquor demonstrou proteinorraquia. A biópsia do corpo vertebral trouxe citopatológico compatível com inflamação aguda moderada. Drenado abscesso paravertebral e instituída antibioticoterapia. Paciente manteve febre e iniciou com piora respiratória e perda de força em membros superiores. Na RM da coluna cervical, observou-se coleção alongada pré-vertebral ao nível de C5 e extensão do hipersinal medular até C3. Completados 24 dias sem resposta à oxacilina e com quadro neurológico reservado, evoluiu com hipotensão, má perfusão e óbito.
A coinfecção entre SARS-CoV-2 e outros patógenos tem sido estudada. Alguns estudos com pacientes hospitalizados por COVID-19 mostraram que, ao invés dos efeitos diretos do vírus, as infecções bacterianas resultaram em fatalidades, devido maior disseminação, proporcionada por resposta imunológica prejudicada. Dentre as coinfecções registradas, S. aureus foi prevalente, sendo o microrganismo comumente envolvido na tromboflebite séptica.
A tromboflebite séptica é a trombose venosa no contexto de inflamação e infecção. O exame de imagem indicado é a TC com contraste, que permite a visualização de falhas de enchimento nos vasos e do processo inflamatório circundante. O diagnóstico é feito baseado nesta evidência juntamente aos resultados de hemoculturas e culturas dos sítios infecciosos. A RM também pode ser recomendada.
No caso em questão, o estudo por RM foi importante, porque mostrou edema medular ósseo em contiguidade ao foco infeccioso e mielopatia possivelmente secundária a infartos medulares, contribuindo na avaliação do prognóstico.
A identificação e o tratamento imediato destes casos são necessários para prevenir maior envolvimento da circulação sistêmica com implicação no aumento da morbimortalidade.

Paciente masculino, 26 anos, com sintomas gripais no início de novembro/2020 e teste RT-PCR positivo para COVID-19, evolui com quadro de cefaleia persistente, sendo encaminhado para realização de Ressonância Magnética para investigação. Tal exame evidenciou área nodular na linha média do corpo caloso, exibindo sinais de restrição à difusão, discretamente hiperintensa em T2 e isointensa em T1. Um mês após o paciente realizou exame de controle, não sendo, então, visualizados os achados previamente descritos. Tais achados de imagem e o seu desaparecimento, associados com sintomas gripais prévios e RT-PCR positivo, sugerem lesão transitória do esplênio do corpo caloso por COVID-19, sendo esta uma patologia rara, comumente associada a quadros infecciosos, traumas, uso de medicações e neoplasias. Os pacientes geralmente apresentam sinais e sintomas neurológicos inespecíficos, com alterações radiológicas à Ressonância Magnética (RM), caracterizado por aumento da intensidade de sinal no T2 e diminuição da intensidade de sinal nas imagens ponderadas em T1. Sabe-se que a lesão transitória do esplênio do corpo caloso é causa por outros vírus, mas existe relação desta lesão em associação ao COVID-19.

Paciente masculino, 15 anos, com queixa de fraqueza nos membros superiores há cerca de 1 ano. Ao exame físico com sinais de atrofia distal e fraqueza nos membros superiores. Após o atendimento inicial, foi solicitado ressonância magnética (RM) do crânio e das colunas cervical e dorsal. As imagens iniciais das colunas demonstraram ligeiro afilamento da medula cervical ao nível de C4-C5 e C5-C6, bem como sinais de mielopatia compressiva/alteração isquêmica por compressão nas porções medulares posteriores e laterais, desde C5 a C6-C7. Após esses achados, foram realizadas aquisições com o pescoço em flexão, que tornaram mais evidente o ingurgitamento do plexo venoso cervical posterior extradural, o qual determinava deslocamento anterior, compressão medular na sua porção posterior, notadamente de C4 a C6, bem como redução da amplitude do canal vertebral.
A doença de Hirayama também conhecida como atrofia muscular espinhal juvenil não progressiva, originalmente descrita em 1959, trata-se de uma rara mielopatia cervical benigna que afeta principalmente indivíduos do sexo masculino, clinicamente caracterizada por início insidioso de atrofia e fraqueza distal, unilateral e/ou bilateral assimétrica, com envolvimento principalmente dos músculos da mão e antebraço, inervados pelos miótomos de C7, C8 e T1, sem sinais piramidais ou sensoriais.
A compressão da medula cervical inferior pelo saco dural posterior durante a flexão repetida e/ou sustentada resulta em alterações da microcirculação no território da artéria espinhal anterior ao nível mais cifótico. A suscetibilidade dos cornos anteriores da medula cervical inferior à isquemia é a responsável pela necrose e atrofia em correspondência.
A ressonância magnética é o melhor método de imagem para realizar o diagnóstico da doença de Hirayama. Foram descritos os seguintes achados para esta doença: atrofia localizada da medula cervical inferior, afilamento medular assimétrico, alteração de sinal na medula cervical inferior, curvatura cervical anormal, perda de inserção dural. Com a manobra de flexão na ressonância magnética, há a migração anterior da parede dural e é observado o aumento do plexo venoso cervical posterior.
O objetivo da apresentação deste relato de caso é tornar a Doença de Hirayama amplamente compreendida pelos médicos radiologistas, auxiliando assim no diagnóstico e manejo precoce, o que pode ser decisivo no prognóstico clínico desses pacientes e na interrupção da deterioração muscular progressiva.

INTRODUÇÃO.A enterocolite necrotizante constitui importante causa de morbimortalidade neonatal e tem como principal fator de risco a prematuridade. Trata-se de um processo inflamatório gastrointestinal grave, no qual as infecções desempenham papel contributivo na patogênese. Os exames de imagem são fundamentais para a investigação e o controle evolutivo da doença, pois o seu diagnóstico precoce e a detecção de complicações têm impacto na redução de potenciais danos.
OBJETIVO.O presente relato tem por objetivo apresentar um caso de enterocolite necrotizante com estenose de segmento cólico, por meio de uma revisão dos principais achados de imagem e da correlação entre os diferentes métodos utilizados.
CASO/DISCUSSÃO. Recém-nascido (RN) do sexo masculino, 27 dias de vida, a termo, com quadro de enterorragia há 1 dia, sem outros sintomas associados. Esteve internado por sintomatologia semelhante, com alta hospitalar há 10 dias. Outros antecedentes pessoais: taquipneia transitória do RN, aleitamento misto desde o nascimento. A radiografia de abdome inicial evidenciou meteorismo intenso e imagem sugestiva de pneumatose intestinal. Já a ultrassonografia do abdome demonstrou também segmento do cólon descendente de paredes espessadas e com pequena quantidade de gás luminal, além de sinais inflamatórios. Observou-se ainda distensão gasosa do segmento cólico a montante e presença de gás nas porções distais. Apesar de não ser habitualmente realizada e de ter indicação controversa, prosseguiu-se a investigação com tomografia computadorizada para avaliar a extensão do acometimento e auxiliar na definição da conduta. Nesse método, as alterações supracitadas foram melhor caracterizadas e houve a exclusão definitiva de pneumoperitônio. Assim, as hipóteses de enterocolite necrotizante não curada ou decorrente de novo processo infeccioso e, menos provavelmente, alergia à proteina do leite foram aventadas. Houve confirmação, durante o internamento, de infecção por rotavírus. Após a conclusão da terapêutica, persistiu o achado de segmento do cólon descendente espessado e de calibre reduzido, sendo confirmada estenose segmentar no enema opaco e, posteriormente, no intra-operatório.
CONCLUSÃO.Diante da gravidade da enterocolite necrotizante, esse relato de caso revisa alguns dos principais achados da doença nos diferentes métodos de de imagem. Desse modo, contribui para uma maior familiarização dos radiologistas com a patologia e, consequentemente, para sua detecção precoce.

Plasmocitomas são proliferações clonais localizadas dos plasmócitos advindos do osso ou de tecidos moles. São classificados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como plasmocitomas solitários ósseos e plasmocitomas extramedulares. Plasmocitomas cranianos solitários são raros e a maior parte deles envolvem a convexidade, sendo plasmocitomas da base do crânio ainda mais raros, com menos de 10 relatos na literatura. Todos os plasmocitomas solitários ósseos devem ser avaliados para descartar mieloma múltiplo subjacente, já que esta associação é a mais comum. O coeficiente de difusão aparente (apparent diffusion coeficiente – ADC) é uma sequência de ressonância magnética baseada no movimento Browniano das moléculas de água para calcular a difusão dos prótons de água através do tecido. A mensuração do ADC tem se mostrado uma ferramenta valiosa para detecção e caracterização de tumores de órgãos parenquimatosos e de linfadenopatias nos últimos anos. Tecidos hipercelulares restringem a difusão das moléculas de água e apresentam valores baixos ao ADC. De forma análoga, os valores são altos em tecidos de baixa celularidade, nos quais há pouca ou nenhuma restrição à difusão das moléculas de água. O presente estudo reporta um caso da avaliação de uma lesão tumoral do clívus por ressonância magnética de um paciente de 55 anos do sexo masculino, destacando a utilidade da mensuração do coeficiente de difusão aparente. Como observado nos plasmocitomas de outros sítios, a lesão do clívus demonstrou baixos valores aferidos de ADC, inferindo alta celularidade e corroborando para a suspeita diagnóstica de plasmocitoma. Após biópsia estereotáxica, o diagnóstico foi confirmado, bem como foi investigado mieloma múltiplo subjacente. Após confirmar também o diagnóstico de mieloma múltiplo, iniciou tratamento específico.

Introdução: A síndrome de Sturge-Weber (SSW) é uma desordem neurocutânea congênita esporádica rara. Pode ser caracterizada através de seus achados mais típicos como as manchas na cor vinho-do-porto, a angiomatose leptomeníngea, o glaucoma e as crises convulsivas, sendo estas últimas o achado clínico mais frequente (75 - 90%). Os quadros convulsivos geralmente são focais complexos ou parciais com generalização, tendo seu início durante o primeiro ano de vida em 75% dos casos e antes do segundo ano de vida em 90% dos casos.
A associação da esclerose hipocampal (EH) com as crises convulsivas está bem estabelecida na literatura, sendo o achado patológico mais comum após cirurgias para tratamento de epilepsias refratárias em adultos. Apresentação do caso: paciente do sexo feminino, 43 anos, deu entrada no serviço de pronto atendimento médico 30 minutos após episódio de crise convulsiva tônico-clônico generalizada com liberação esfincteriana. Como antecedentes referia quadro único de convulsão durante a infância no segundo ano de vida, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor e tratamento atual para Otite Média Aguda (OMA).
Ao exame físico apresentava temperatura de 37,5 graus, hemianopsia direita, desvio de rima à esquerda, hipoestesia e paresia de membros superior e inferior direitos.Não apresentava lesões cutâneas faciais.
Os exames laboratoriais apresentaram-se sem alterações, incluindo a avaliação de amostra do líquido cefalorraquidiano com exame de cultura negativo e bioquímica sem alterações. O Eletroencefalograma (EEG) evidenciou presença de ondas lentas, sem atividade epileptiforme.
Tomografia de crânio sem contraste demonstrou calcificações giriformes em região parieto-occipital associadas a sinais de redução volumétrica do parênquima cerebral esquerdo, alargamento do espaço liquórico peri-encefálico marginal e ectasia do plexo coróide ipsilateral.
A ressonância magnética evidenciou alterações do sinal córtico-subcortical acometendo os lobos parietal, occipital e temporal e, em menor extensão o lobo frontal esquerdo, associado à redução volumétrica com alargamento dos espaços liquóricos adjacentes. Notavam-se ainda áreas de hipossinal de padrão giriforme nas sequências SWI, realce leptomeníngeo pelo meio de contraste endovenoso e proeminência do plexo coróide do átrio do ventrículo lateral esquerdo. Atrofia e hipersinal, na ponderação T2, da formação hipocampal esquerda também foi evidenciado.
Os achados foram atribuídos ao diagnóstico da SSW acometendo o hemisfério cerebral esquerdo em associação à esclerose hipocampal ipsilateral.
O tratamento instituído foi a fenitoína e a troca da antibiótica terapia para tratamento da OMA. A paciente permaneceu internada por 1 semana com múltiplos quadros convulsivos, evoluindo com estabilização e melhora do quadro clínico.
Objetivo: mostrar um relato de caso com associação da SSW e a EH, com a finalidade de caracterizar os principais achados de imagem dessa associação duplamente epileptogênica.

INTRODUÇÃO
A Distrofia Simpático Reflexa (DSR) é uma condição dolorosa que pode apresentar um amplo espectro clínico associado. Apesar da fisiopatologia controversa, acredita-se que uma atividade anormal do sistema nervoso simpático esteja relacionada a sua etiologia. A dor é o sintoma dominante e afeta, sobretudo, as extremidades. O diagnóstico é clínico, porém a avaliação radiológica pode corroborar para a sua detecção precoce. O não reconhecimento desta entidade e consequente atraso no início do tratamento pode acarretar graves prejuízos funcionais ao paciente.
DESCRICÃO
Caso 1: Feminino, 48 anos, com história de queda da própria altura e trauma do tornozelo direito, evoluindo com intensa dor e edema persistentes.
Caso 2: Feminino, 33 anos, com relato de trauma no joelho esquerdo há longa data, apresentando hiperalgesia e alodínia.
Caso 3: Feminino, 61 anos, vítima de ruptura traumática do tendão de Aquiles à esquerda, submetida a tratamento cirúrgico. Queixa-se de dor persistente no antepé, com alterações atróficas cutâneas.
DISCUSSÃO
Esta entidade tem maior incidência mulheres de meia idade, acometendo predominantemente os membros superiores e inferiores. Em mais de 60% dos casos, é possível identificar uma história de traumatismo prévio. A dor é a queixa principal dos pacientes, e é descrita como severa e com características neuropáticas. Essa condição apresenta-se conjuntamente com alterações da sensibilidade e vasomotores, como alterações locais de temperatura e cutâneas. O quadro inespecífico pode necessitar do uso de métodos de imagem para elucidação diagnóstica. Na Tomografia Computadorizada, os principais achados são uma osteopenia irregular, particularmente na região periarticular, além de áreas ovaladas de reabsorção óssea. A RM revela áreas regulares de edema ósseo, derrame articular, edema de tecidos moles, atrofia muscular e espessamento cutâneo. Os casos descritos apresentam-se com epidemiologia e quadro clínico típicos, além do histórico de lesão traumática prévia dos membros inferiores, sendo possível detectar características radiológicas da DSR no estudo tomográfico e por RM disponíveis. Não há modalidade de tratamento curativa, porém é preconizado seu inicio precoce para promover a funcionalidade do membro, por meio de fisioterapia, bloqueios simpáticos, neuromodulação e outros. Dessa forma, a suspeição imaginológica pelo radiologista, diante de um quadro clínico característico, pode trazer benefícios para a funcionalidad

INTRODUÇÃO: Os schwannomas e neurofibromas são tumores de bainha neural que podem ocorrer esporadicamente ou associados a síndromes como a neurofibromatose tipos 1 e 2 e a schwannomatose. Embora benignos, a distinção entre esses tumores é necessária, pois a terapia, o potencial maligno e a correlação com síndromes tumorais são diferentes. Por vezes não é possível realizar tal distinção do ponto de vista patológico, nesse contexto, vale ressaltar que existem casos híbridos schwannoma/neurofibroma descritos na literatura, caracterizados pela proliferação de células de Schwann nodulares sólidas dentro de um fundo de neurofibroma frouxo com alterações mixóides. OBJETIVO: Apresentar os aspectos tomográficos de um tumor de bainha neural difuso com características de schwannoma com degeneração mixóide. RELATO DO CASO: Tratava-se de um homem de 52 anos com quadro álgico iniciado no membro inferior esquerdo há nove anos, refratária à analgesia, realizou investigação tomográfica que demonstrou múltiplas formações predominantemente hipodensas, com aparente degeneração cística e lipomatosa, com realce heterogêneo ao meio de contraste, por vezes de padrão anelar, algumas com calcificações, de margens definidas que deslocavam estruturas adjacentes sem provocar invasão direta e que seguiam o trajeto dos feixes nervosos. O paciente foi submetido a biópsia e o estudo anatomopatológico e imunohistoquímico demonstrou proliferação fusocelular com discreta atipia nuclear, diferenciação lipomatosa e mixóide altamente sugestivo de schwannoma com degeneração mixóide.
DISCUSSÃO: O schwannoma acomete mais comumente a cabeça e o pescoço, seguido do tronco, e, depois, os membros superiores e inferiores.Apenas 3 a 4% dos pacientes com schwanoma possuem lesões múltiplas. Apresentam-se como massas hipodensas bem circinscritas com padrão heterogêneo e degenerações císticas, com realce usualmente intenso homogêneo ou heterogêneo, com zonas persistentemente hipodensas causadas por necrose ou degeneração cística, fibrose da matriz e calcificação focal na tomografia computadorizada.
O paciente está realizando tratamento conservador e as lesões estão estáveis do ponto de vista radiológico corroborando a progressão tumoral habitualmente insidiosa.

INTRODUÇÃO:
A displasia epifisária hemimélica é uma desordem benigna muito rara 1: 1.000.000), caracterizada por crescimento osteocondral de uma ou mais epífises. É uma proliferação anormal e assimétrica de cartilagem com ossificação endocondral, que cessa quando as epífises se fundem ao final do crescimento. Sua etiologia é desconhecida, mas sabe-se que se encontra ligada ao grupo das osteocondromatoses. Sua importância, além de sua raridade, advém do grande número de complicações que pode ocasionar, entre elas destacam-se a deformidade do mecanismo articular com desenvolvimento de osteoartrite secundária acelerada, além de tendinite e tenossinovite por atrito com as porções ósseas.
DESCRIÇÃO DO CASO: Paciente do sexo masculino, com 11 anos, relata queixa de aumento de volume articular no punho direito progressivamente, nega dor associado. Nega traumas ou cirurgias locais.
DISCUSSÃO:
A displasia hepifisária hemimélica, também conhecida como doença de Trevor, acomete predominantemente crianças entre 2 e 14 anos, sendo mais comum em meninos e nos membros inferiores. O quadro clínico costuma se iniciar com um aumento de volume indolor da articulação, devido ao supercrescimento cartilaginoso, que pode evoluir com limitação da amplitude de movimento e deformidade progressiva com dor, além de diferença de comprimento entre os membros afetados.
O diagnóstico é eminentemente clínico-radiológico, não sendo necessária biópsia. A tomografia mostra uma ou mais massas irregulares com ossificação focal junto à borda de uma das metades da epífise, com alargamento irregular dos centros epifisários. Já a RM é útil para avaliar o crescimento osteocondral e seus efeitos sobre as estruturas adjacentes, nas imagens ponderadas em T1 a intensidade de sinal é semelhante à da cartilagem epifisária normal, já em T2, a intensidade maior é vista no envoltório cartilaginoso comparado à união osteocartilaginosa.
O tratamento é realizado de acordo com a presença de sintomas e baseia-se na excisão cirúrgica. O acompanhamento radiológico após a ressecção é necessário pois pode haver recidiva.

Os apêndices intraescrotais são estruturas remanescentes dos ductos mesonéfricos e paramesonéfricos, são cinco, das quais apenas três são passíveis de avaliação ultrassonográfica: o apêndice testicular, o apêndice do epidídimo e o apêndice da cauda do epidídimo. A torção destes apêndices são a causa mais freqüente de escroto agudo na criança. O apêndice testicular é o mais comumente afetado nas torções apendiculares (83,3 %). O objetivo deste trabalho é relatar um caso de torção de apêndice epididimário, que apesar de menos freqüente (20%), deve constar como diagnóstico diferencial ultrassonográfico na faixa pediátrica.
Relatamos o caso de um menino de 10 anos, com queixa de dor escrotal esquerda, subaguda, submetido à ultrassonografia com Doppler da bolsa testicular, caracterizando-se apêndice epididimário aumentado de volume, difusamente heterogêneo e sem fluxo ao estudo Doppler. Outros achados como hidrocele reacional, espessamento cutâneo da bolsa testicular, além de hipervascularização epididimária foram evidenciados. Com o diagnóstico ultrassonográfico de torção do apêndice epididimário o caso foi conduzido de forma conservadora com recomendação de repouso e anti-inflamatórios para controle do quadro álgico.
Cerca de dois meses após o primeiro estudo, o paciente foi submetido à nova ultrassonografia, que evidenciou redução volumétrica significativa do apêndice epididimário torcido, que se encontrava hiperecogênico e sem sinais inflamatórios locais.
A clínica da torção dos apêndices testiculares é relativamente diferente da torção testicular, pois se apresenta de forma mais arrastada, com apresentação subaguda. Essa avaliação é uma tarefa difícil na faixa pediátrica, tendo a ultrassonografia um papel importante no contexto de urgência na diferenciação das patologias escrotais cirúrgicas e não cirúrgicas.
Os achados ultrassonográficos de torção do apêndice epididimário são: presença de nódulo/massa heterogênea sem fluxo ao estudo Doppler, separada do testículo e com um pedículo vascular epididimário torcido. O epidídimo, por sua vez, na maioria dos casos encontra-se de dimensões aumentadas, hipervascularizado e hiperecogênico. Quando presente, a hidrocele é útil na caracterização do apêndice avascular.
O apêndice torcido, epididimário ou mesmo o testicular, podem vir a calcificar, separar-se do epidídimo ou do testículo e serem encontrados como uma calcificação escrotal livre, conhecida como escrotolito.

Resumo: O pseudotumor inflamatório acomete principalmente pacientes com prótese, e é caracterizado por massas sólidas que surgem meses ou anos após artroplastia do quadril ou do joelho. Elas mimetizam tumores ou infecções locais, sendo importante o reconhecimento correto desta patologia. A etiologia é desconhecida e varia entre 14 a 36%. Podem ser sintomáticas ou assintomáticas.
Paciente JSR, sexo masculino, 69 anos, com queixa de dor crônica difusa na região coxofemoral esquerda há 02 anos, com piora progressiva e com dificuldade de deambulação. Histórico de artroplastia coxofemoral total a esquerda há 9 anos, foi reavaliado pela ortopedia e optado pela remoção da prótese, ato realizado há 06 meses. Realizada tomografia computadorizada da articulação coxofemoral esquerda, que observou: deformidade com importante irregularidade dos contornos ósseos da extremidade proximal do fêmur, que encontra-se deslocado superiormente adjacente a borda superior do acetábulo, havendo áreas hipertransparentes de osteólise e destruição óssea, além de pequenos fragmentos ósseos adjacentes, tanto à porção femoral quanto acetabular. Lesão de aspecto expansivo, com densidade de partes moles, ocupando algumas dessas cavidades osteolíticas supracitadas, formando massa de partes moles, com densidade heterogênea, predominante hipodensa em relação a musculatura adjacente. Alterações relacionadas a granulomatosa agressiva (doença de micropartículas) com formação de pseudotumor inflamatório e áreas de reabsorção óssea, com osteólise.
É de suma importância que o radiologista saiba reconhecer o pseudotumor inflamatório, visto que é uma complicação possível de artroplastia, que faz diagnóstico diferencial com neoplasias e lesões inflamatórias.

INTRODUÇÃO
As lesões císticas na síndrome de Down foram relatadas pela primeira vez em 1986 na autópsia de dois bebês e consistem em pequenas dilatações císticas ao longo da superfície subpleural dos pulmões. Apresentam associação conhecida com cardiopatias congênitas e predominam na região anteromedial dos pulmões.
O objetivo do presente relato é descrever o caso de uma paciente com síndrome de Down em que foram vistos cistos subpleurais durante a investigação de um quadro pneumônico, demonstrando a necessidade de não se confundir este achado relativamente comum com outras patologias e evitando, dessa forma, uma investigação desnecessária.
DESCRIÇÃO DO CASO
Paciente feminino, 5 anos, com síndrome de Down, em acompanhamento cardiológico por CIV, iniciou quadro de febre, tosse e coriza há 2 semanas, sendo iniciado antibioticoterapia. A paciente não apresentou melhora do quadro, mantendo os sintomas iniciais, além de baixa aceitação alimentar e hipoatividade.
Ao exame físico, apresentava taquidispneia leve e estertores crepitantes finos difusos à ausculta pulmonar. A hipótese de pneumonia bacteriana foi levantada e a paciente foi submetida ao exame tomografia computadorizada (TC) do tórax, onde foram visualizadas consolidações nos campos pulmonares posteriores associadas a componente atelectásico e múltiplos cistos com distribuição subpleural, principalmente nos campos pulmonares médios e superiores.
DISCUSSÃO
Os cistos pulmonares subpleurais são observados em crianças com síndrome de Down, mas sua incidência e curso a longo prazo não são bem conhecidos. Alguns estudos demonstraram que essas lesões são frequentemente encontradas em associação com cardiopatia congênita, particularmente o defeito do septo atrioventricular.
Existem algumas teorias relacionadas a sua etiologia, a principal delas envolvendo a isquemia do parênquima pulmonar, resultante de oclusão arterial pulmonar por trombo ou êmbolo, seguido pela absorção dos tecidos necróticos, o que resultaria na formação dos cistos.
Alguns diagnósticos diferenciais, principalmente no grupo etário pediátrico, seriam a displasia broncopulmonar, a síndrome de Wilson Mikity e a malformação adenomatoide cística.
Por fim, destaca-se a importância de que os médicos pediatras e radiologistas conheçam esta associação da síndrome de Down com os cistos subpleurais, evitando assim a investigação etiológica desnecessária.

Introdução: A síndrome de Sturge-Weber (SSW) é uma doença congênita rara caracterizada por angiomatose venosa leptomeníngea e um hemangioma facial ipsilateral que coincide com o território do nervo trigêmeo. A lesão primária parece decorrer de uma anormalidade na circulação para o encéfalo e a face. O comprometimento é visto na pele da face, olho, encéfalo e leptomeninges. As lesões cutâneas consistem em veias dilatadas ou telangiectasias, criando a cor de “vinho do Porto” do nevo facial. A condição essencial para o diagnóstico é a presença da lesão intracraniana, com ou sem o nevo facial, usualmente os pacientes apresentam o nevo do mesmo lado da lesão leptomeníngea. As manifestações intracranianas consistem primariamente em regiões de drenagem venosa anormal dos hemisférios cerebrais e secundariamente do recrutamento de outras veias para drenagem venosa colateral. A consequência da circulação anormal consiste no desenvolvimento de atrofia progressiva do parênquima adjacente. A isquemia cerebral crônica leva à atrofia cortical lentamente progressiva, com calcificações distróficas girais. Descrição: Paciente do sexo feminino, 4 anos, apresenta nevo cutâneo congênito à direita e história de convulsões e atraso do desenvolvimento psicomotor há 3 anos. A tomografia computadorizada (TC) do crânio mostra sinais de redução volumétrica encefálica do hemisfério cerebral direito, associado à extensas calcificações corticais giriformes esparsas pelo parênquima cerebral direito e nas regiões parieto-occipital e temporal à esquerda, achados detectados no primeiro ano de vida da paciente. Discussão: Em consonância com quadro clássico da Síndrome de Sturge-Weber, as manifestações clínico-radiológicas da paciente mostram sinais fundamentais para o diagnóstico da doença. O padrão giriforme de calcificação foi demonstrado na TC e é característico nos lobos parietal posterior, temporal e occipital, o que é essencialmente patognomônico da SSW. Assim como, a lesão de pele clássica ipsilateral a lesão do parênquima cerebral, que acontece em cerca de 70% dos casos. No entanto, contrariando sua epidemiologia, o presente caso demonstrou-se fora do padrão, uma vez que a paciente apresentava achados na tomografia antes mesmo dos dois anos de idade, como habitualmente acontece.

INTRODUÇÃO: A síndrome da medula ancorada não tratada tem um curso progressivo. A liberação cirúrgica, em pacientes selecionados, pode estabilizar ou melhorar a função e por isso a importância do diagnóstico precoce. Para o radiologista é importante conhecer seus achados de imagem para um adequado diagnóstico e tratamento.
DESCRIÇÃO SUCINTA : Mulher, 57 anos, relata que nasceu com espinha bífida e bexiga neurogênica com resíduo alto. Nega mielomeningocele. Apresenta infecções urinarias de repetição. Desde os 41 anos faz uso de sonda vesical duas vezes ao dia. Apresenta dores cronicas lombares, no corpo e nas pernas, associado a hipoestesia nos pés. No momento, em uso contínuo de pregabalina e macrodantina.
DISCUSSÃO RESUMIDA: Como a coluna vertebral cresce mais rápido que a medula, as lesões de amarração causam o alongamento progressivo da medula espinhal. A tração anormal leva a alterações isquêmicas crônicas e disfunção neuronal.
Principais achados clínicos: fraqueza progressiva nos membros inferiores ou perda de sensibilidade ; alteração do hábito intestinao e/ou urinário; dor lombar; deformidades da coluna vertebral, como escoliose; deformidades nos pés, como por exemplo pés cavos; estigmas cutâneos de disrafismo espinhal.
A síndrome da medula ancorada está associada à maioria dos principais tipos de disrafismo espinhal , exceto vértebras bífidas isoladas ( espinha bífida oculta ) e cistos neurentéricos. Assim, as causas mais comuns da síndrome da medula amarrada são os disrafismos espinhais fechados no espectro dos lipomas e o filum terminale tenso . Outras causas incluem aderências de aracnóide, malformação de cordão dividido, trato dos seios dérmicos e tumores dermóide / epidermóide . No caso da paciente descrita a medula estava presa em lipoma em L5-S1, sem siringomielia e estudo urodinamico evidenciava hipocontratilidade do detrusor associado a dissinergia.

A Doença de Niemann-Pick (NPD) corresponde à herança autossômica recessiva, com incidência de 1: 100.000, baseada nas deficiências metabólicas de esfingomielinase ácida (ASM) – tipos A e B – e de proteínas para transporte de colesterol – tipos C e D. O déficit de ASM leva ao acúmulo de esfingomielina. Foi classificado em uma forma neuropática grave, ou NPD-A, e não neuropática, ou NPD-B. Por possuir um espectro fenotípico variável, com risco de evolução fatal, imagem correlacionada a dados clínicos-laboratoriais contribuem para melhor manejo.
Paciente masculino, 1 ano, com regressão no desenvolvimento neuropsicomotor e hepatoesplenomegalia, manifestou desconforto respiratório agudo, devido ascite importante, sendo internado para compensação e investigação do quadro. Ressonância magnética (RM) do encéfalo apontou redução volumétrica dos hemisférios cerebrais e do cerebelo, com hipersinal da substância branca em T2. Fundo de olho com mácula “em cereja”. Alteração da função hepática, plaquetopenia e mielograma hipocelular. Aspirado de medula óssea (MO) com histiócitos de citoplasma amplo e vacuolado. Esfingomielinase nos leucócitos de 0,05 nmol/h/mg e quitotriosidase de 933 nmol/h/mL. Dessa forma, foi firmado diagnóstico de NPD-A. Evoluiu a quadro de sepse, com desidratação, taquipneia, febre e piora do hemograma e da função hepática, culminando em óbito após 2 meses de internamento.
A NPD-A apresenta hepatoesplenomegalia que costuma ser aparente nos primeiros 3 meses de vida. Exame neurológico é normal até 10 meses, após ocorre deterioração progressiva. Envolvimento respiratório é comum. Mácula “vermelho-cereja” é vista nos estágios avançados. Na maioria dos casos, a morte ocorre entre 1 e 3 anos de idade.
As células ganglionares da NPD-A geralmente possuem citoplasma pálido e vacuolado. Há gliose e desmielinização. Assim, a RM pode revelar atrofia cerebral e cerebelar, com hiperintensidade da substância branca em T2. O aspirado de MO revela histiócitos espumosos.
O diagnóstico diferencial deve incluir a doença de Gaucher e a NPD-C. Para diagnóstico definitivo, demonstra-se a atividade residual da ASM nos leucócitos do sangue periférico <10% e o aumento da atividade da quitotriosidase. Até o momento, a conduta na deficiência de ASM é sintomática. Transplante de MO não mostrou melhora das alterações neurológicas. Nas últimas décadas, devido o melhor entendimento da NPD, vem-se aprimorando os métodos para diagnosticar e potencialmente tratar esta doença.

Paciente masculino, 69 anos, com diagnóstico de adenocarcinoma de cólon tratado com colectomia, colostomia definitiva e amputação retal confeccionada em 13/02/2009 seguido de quimioterapia e radioterapia com término neste mesmo ano. Em 2021 evoluiu com aumento do PSA (4,37 ng/ml) e foi estadiado com PET-PSMA que identificou uma área focal de hiperexpressão na projeção da zona periférica no terço médio do lobo direito da próstata, em correspondência a lesão em ressonância magnética prévia, seguido de biópsia com resultado inconclusivo realizado em 18/03/2021. Devido a história de amputação do reto e impossibilidade de biópsia guiada por ultrassom transretal foi necessário a definição de outro método para realização do procedimento. O caso foi levado para discussão multidisciplinar e foi decidido a realização de nova biópsia percutânea guiada por PET-CT PSMA, realizada com sucesso no dia 06/05/2021, com 5/5 fragmentos positivos revelando adenocarcinoma prostático acinar usual - Gleason 7 (3+4) - Percentual padrão 4 (25%).

Introdução: Os tumores teratoides/rabdoides (TTR) são raros e em 80% dos casos acometem crianças abaixo dos dois anos. O sítio mais comum é o renal, seguido pelo sistema nervoso central, chamados de TTR atípicos. Outros sítios extrarrenais são mais raros e foram descritos em locais como o tórax, mediastino, fígado e extremidades. O relato de caso apresentado tem como objetivo reforçar a importância do diagnóstico diferencial precoce das massas mediastinais na infância, que no contexto de tumores agressivos, permite a instituição de terapia direcionada, aumentando o prognóstico dos pacientes.
Descrição: Lactente, feminino, 18 meses, com quadro de dispneia progressiva há 20 dias. Ao exame físico, apresentava sons respiratórios reduzidos no hemitórax direito. Os exames laboratoriais revelaram anemia, leucocitose, plaquetose, alfa-fetoproteína normal e sorologias infecciosas negativas.
A radiografia de tórax evidenciou opacificação completa do hemitórax direito e desvio contralateral das estruturas mediastinais. À imagem por ressonância magnética, foi caracterizada volumosa massa expansiva, centrada no mediastino pré-vascular/visceral, que ocupava todo o hemitórax direito e cruzava a linha média. Apresentava hipossinal na ponderação T1, hipersinal heterogêneo na ponderação T2 e hiporrealce irregular, notadamente periférico, além de restrição à difusão.
O resultado da biópsia confirmou, através da microscopia e imuno-histoquímica, o diagnóstico de tumor teratoide/rabdoide. A paciente não apresentou resposta à quimioterapia e durante a tentativa de ressecção cirúrgica evoluiu para óbito.
Discussão: Embora raros, os TTR devem ser incluídos nos diagnósticos diferenciais das massas mediastinais na infância. Os sintomas geralmente estão relacionados à compressão das estruturas adjacentes.
Os achados de imagem contribuem para o diagnóstico, porém, a confirmação histológica é frequentemente necessária devido à sobreposição das características de imagem. São caracterizados como volumosas massas mediastinais heterogêneas, que dentre os diagnósticos diferenciais, destacam-se os linfomas, em particular o não-Hodgkin de células T linfoblástico, rabdomiossarcoma e o tumor de Askin.
Não foram estabelecidos tratamentos consistentemente eficazes. Esquemas de quimioterapia, radioterapia e a ressecção cirúrgica podem ser empregados. O curso clínico é bastante agressivo e o prognóstico extremamente reservado.

Introdução: A síndrome de Gorlin-Goltz, também conhecida como síndrome do nevo basocelular, é definida como uma doença autossômica dominante, que se manifesta como uma facomatose rara caracterizada por múltiplos ceratocistos odontogênicos, múltiplos carcinomas basocelulares, depressões palmoplantares puntiformes, focos de calcificações durais e, em alguns casos, associa-se com meduloblastoma. Descrição: O presente estudo tem o objetivo de demonstrar um caso específico da síndrome de Gorlin-Goltz em paciente do sexo feminino, 13 anos, apresentando quadro clínico evolutivo de múltiplos nevos pigmentares, alterações dentárias e depressões puntiformes nas regiões palmar e plantar desde seu nascimento. Discussão: A síndrome abrange várias alterações sugestivas, as quais podem ser bem avaliadas por exames de imagem, onde podem ser identificados múltiplos cistos na região mandibular ou maxilar, calcificações durais proeminentes e macrocefalia, além de seios paranasais aumentados, arcos costais bífidos, fundidos ou achatados, cifoescoliose, platibasia e deformidade de Sprengel, que consiste na ausência da migração caudal da escápula durante a formação embrionária, culminando em escápula alta congênita. O diagnóstico da síndrome abrange vários critérios que consideram os achados de imagem, apresentações clínicas e história familiar da doença. Os diagnósticos diferenciais mais relevantes consideram patologias que cursam com calcificações durais, sejam elas fisiológicas ou metabólicas, o ameloblastoma e o cisto dentígero, que podem se apresentar de maneira similar aos ceratocistos odontogênicos.

INTRODUÇÃO:
A hiperplasia endotelial papilar intravascular (HEPI) consiste em um raro grupo de lesões benignas que acometem as regiões cutâneas e mucosas. Origina-se tipicamente de uma proliferação papilar de células endoteliais no interior dos vasos sanguíneos. Sua etiopatogenia não é totalmente compreendida e sua importância reside no fato de ter como principal diagnóstico diferencial o angiossarcoma (tumor maligno de origem vascular), além de ser um diagnóstico diferencial importante para outras lesões de origem não vascular, a depender de sua região de origem.
DESCRIÇÃO DO CASO:
Paciente EOF, masculino, 63 anos, com história de nodulação em superfície volar da falange proximal do 3° dedo da mão esquerda, de aparecimento há 1 mês e levemente dolorosa à palpação. Vem ao serviço de radiologia para realização de RM, suspeita do solicitante de TGC da bainha tendínea. Estudo por RM demonstrou “Lesão ovalada de limites definidos, adjacente ao aspecto medial do tendão flexor do terceiro quirodáctilo, no corpo da falange proximal, com hipersinal em DP, sinal intermediário em T1 e realce ao agente de contraste, medindo 5,5 x 3,3 X 3,5 mm (L x T x AP), sugestivo de tumor de origem vascular”. Após biósia excisional foi confirmado o diagnóstico de HEPI.
DISCUSSÃO:
Os principais sinais e sintomas descritos para o Tumor de Masson são a presença de nodulação subcutânea de crescimento lento e dor local, que pode ou não, estar presente. O diagnóstico é desafiador devido à sua semelhança clínica e radiológica com outros tumores vasculares, especialmente o angiossarcoma. No estudo por RM a HEPI costuma apresentar isossinal em T1 e sinal iso/hiperintenso em T2, com realce ao gadolíneo. Já no caso do angiossarcoma (principal diagnóstico diferencial) é comum sinal intermediário em T1, com possíveis áreas de hiperissinal indicando hemorragia, e alta intensidade de sinal em T2, além de dimensões maiores. No caso descrito outro diagnóstico diferencial importante seria o TGC de bainha tendínea, mas este apresenta hipossinal em T1 e T2.
O tratamento consiste na excisão cirúrgica, que costuma ser curativa, o indíce de recorrência é baixo. Devido as características de imagem muitas vezes superponíveis entre HEPI e angiossarcoma é importante o radiologista sugerir essas possibilidades, o diagnóstico final em muitos casos é fechado após o estudo patológico.

Introdução: A esquistossomose destaca-se entre as principais causas de hipertensão pulmonar no mundo e particularmente no Brasil pela sua elevada endemicidade. A real prevalência da doença é desconhecida, mas, pela sua elevada frequência, especula-se que ela possa ser a maior causa de hipertensão arterial pulmonar no mundo. O objetivo deste estudo é relatar um caso de dilatação aneurismática do tronco da artéria pulmonar e das artérias pulmonares principais por esquistossomose hepatoesplênica.
Descrição: Paciente do sexo feminino, 59 anos, portadora de esquistossomose hepatoesplênica diagnosticada há 17 anos, com hipertensão arterial pulmonar e dispneia classe funcional IV, além de anasarca. Ecocardiograma transtorácico evidenciou pressão sistólica da artéria pulmonar de 47 mmHg, dilatação importante do tronco da artéria pulmonar, e hipertrofia miocárdica do ventrículo direito. Na radiografia e na angiotomografia de tórax notavam-se dilatação aneurismática do tronco da artéria pulmonar, com calibre de 8,5 cm, e das artérias pulmonares principais e aumento de calibre dos ramos arteriais intrapulmonares. Não havia evidência de tromboembolismo pulmonar crônico. Corroborando com a etiologia esquistossomótica da hipertensão pulmonar, foram observados na tomografia de abdome fígado de dimensões reduzidas, com alterações morfológicas de hepatopatia crônica, e sinais de hipertensão portal.
Discussão: A hipertensão pulmonar por esquistossomose, está classificada dentro do Grupo 1 da classificação de NICE 2013, e é a etiologia deste grupo mais relacionada a dilatação pronunciada desses vasos. O principal diagnóstico diferencial é com a hipertensão arterial primária, tornando a sorologia, a epidemiologia positiva para esquistossomose e o cateterismo do coração direito importantes para confirmação etiológica. Outro diagnóstico alternativo é a doença de Behçet, que é a causa mais importante de aneurisma de artérias pulmonares centrais. Neste caso, além das alterações radiológicas, a presença de úlceras orais e genitais recorrentes é necessária para o diagnóstico. Portanto, dilatações significativas das artérias pulmonares são características da hipertensão pulmonar por esquistossomose, e esta deve ser sempre considerada em pacientes provenientes de regiões endêmicas.

Introdução: A malformação de Dandy-Walker consiste em uma malformação embrionária do desenvolvimento encefálico relacionada com o atraso do desenvolvimento do rombencéfalo, sendo caracterizada por uma tríade clássica composta por hipoplasia/agenesia do verme cerebelar, dilatação do quarto ventrículo e alargamento da fossa posterior, geralmente associada a deslocamento do tentório e de seios venosos. Descrição: O presente estudo tem o objetivo de discutir e apresentar um caso específico de malformação de Dandy-Walker, diagnosticada nos primeiros meses de vida em paciente do sexo masculino devido a quadro de irritabilidade, vômitos e movimentos anormais dos olhos. Atualmente, aos três anos de idade, o paciente apresenta atraso no desenvolvimento cognitivo e motor, além de ataxia e incoordenação. Discussão: A malformação de Dandy-Walker está relacionada a defeitos da fossa posterior e, na maioria dos casos, o diagnóstico é feito até o primeiro ano de vida, havendo prevalência no sexo feminino e alta taxa de mortalidade precoce. Anomalias extracranianas podem se associar à síndrome e contribuir para as manifestações clínicas que abrangem alterações cognitivas, crises epilépticas, ataxia, nistagmo, paralisia de nervos cranianos e espasticidade. Os achados de imagem caracterizam as alterações clássicas da síndrome, sendo a ressonância nuclear magnética o exame de escolha para a avaliação, possibilitando a avaliação apurada da agenesia ou hipoplasia do vermis cerebelar, dilatação do quarto ventrículo, aumento da fossa posterior e hidrocefalia; em alguns casos não identifica-se a decussação dos pedúnculos cerebelares superiores e a foice cerebelar, além disso, o mesencéfalo pode assumir forma de borboleta no plano axial. Os principais diagnósticos diferenciais abrangem a megacisterna magna, cisto epidermoide, cisto aracnoide, cisto da bolsa de Blake e anomalia de Joubert.

Introdução: A doença do Covid19 pode apresentar complicações respiratórias, cardiovasculares, tromboembólicas, neurológicas, inflamatórias e infecção secundária. Em casos severos da infecção pode ocorrer injúria hepática. Destaca-se a colangite esclerosante secundária, que é uma doença biliar colestática que cursa com inflamação e fibrose condicionando estenoses e destruição da árvore biliar.
Objetivo: Relatar o caso de uma paciente que desenvolveu um quadro de colangite esclerosante após contrair forma crítica da infecção viral pero Covid-19, com ênfase nos achados radiológicos.
Relato do Caso: Paciente do sexo feminino, 75 anos, portadora de hipertensão, diabetes mellitus do tipo II, dislipidemia e hipotireoidismo, com queixa de icterícia, colúria, acolia fecal intermitente, náuseas e vômitos esporádicos há um mês. Tem história de infecção pelo Covid-19 há três meses em que ficou internada por 24 dias com ventilação mecânica por 5 dias e acometimento de 70% do parênquima pulmonar. Apresentava elevação da fosfatase alcalina, bilirrubina direta, GGT, TGP e TGO, e redução da albumina sérica. A colangiorressonância magnética do abdome evidenciou irregularidade difusa das vias biliares intra-hepáticas por segmentos de estenose e dilatação além de bile com sinal heterogêneo, com padrão sugestivo de colangite esclerosante. No exame ultrassonográfico de abdome da paciente realizado há quatro anos não foi identificado alteração de vias biliares. Realizada investigação laboratorial de anticorpos para descartar outras hepatopatias e colangiopatias, com resultados negativos. Dado o contexto clínico, radiológico e laboratorial compatível, associado à história positiva para internação recente por quadro crítico de infecção pelo Covid-19 e pela ausência de outro fator causal, foi considerado como diagnóstico a colangite esclerosante secundária à infecção pelo sars-cov-2.
Discussão: A colangite esclerosante secundária ao covid19 é uma forma de acometimento hepático pouco descrita. O método de imagem de escolha para a investigação é a colangiorressonância magnética, em que é possível identificar irregularidades parietais e múltiplas estenoses difusas na árvore biliar intra ou extra-hepática alternadas por segmentos dilatados, além de falhas de enchimento no interior das vias biliares, relacionadas a barro e cálculos. O diagnóstico também pode ser feito pela colangiopancreatografia retrógrada endoscópica e transhepática percutânea, que são métodos mais invasivos.

INTRODUÇÃO
Demonstrar a proteinose alveolar como diagnóstico a ser considerado em caso de imagem com padrão de pavimentação em mosaico.
DESCRIÇÃO
Paciente masculino de 57 anos, apresentou-se com dispneia progressiva de longa evolução no pronto-atendimento de serviço de referência, sendo considerada a hipótese de COVID-19. Radiografia evidenciava opacidades intersticioalveolares difusas. Tomografia computadorizada de admissão demonstrou padrão de pavimentação em moisaico. Recebeu tratamento de suporte, sendo evidenciado posteriormente resultado sorológico negativo para a doença viral. Com a persistência dos sintomas, retorna para propedêutica, verificando-se persistência do padrão tomográfico. Aventada nova hipótese diagnóstica, foi realizado lavado broncoalveolar e coleta de biópsia por broncoscopia, com marcada melhora das opacidades e do padrão em vidro fosco, sendo confirmada a hipótese diangóstica pelo estudo histológico.
DISCUSSÃO
A proteinose alveolar é uma condição rara que acomete homens jovens e de meia idade, consistindo no acúmulo intra-alveolar anômalo de material lipoproteíco. Pode ser auto-imune (primária ou idiopática), secundária ou congênita. O paciente apresenta dispneia e tosse crônica, com múltiplos infiltrados intersticioalveolares na radiografia de tórax. O aspecto tomográfico consiste no espessamento liso dos septos intra e interlobulares, associado a opacidades em vidro fosco, configurando o clássico aspecto de pavimentação em moisaico, inicialmente descrito para essa condição. A distribuição dos infiltrados é difusa ou geográfica, com leve predileção pelas bases pulmonares. O tratamento de base consiste no lavado broncoalveolar, com prognóstico variável.
A proteinose alveolar é um dos diagnósticos diferenciais da pavimentação em mosaico, devendo ser considerada entre pacientes do sexo masculino, jovens ou de meia idade.

Lesões vasculares torácicas geralmente são atribuídas à eventos traumáticos, sendo que ferimentos por arma de fogo e armas brancas são as principais etiologias referentes à trauma penetrante nessa região, enquanto o acidentes automobilísticos contabilizam a maioria dos eventos referentes à etiologia de trauma contuso (fechado). Outra causa de lesão vascular torácica são as lesões iatrogênicas mediante à procedimentos invasivos. Lesões traumáticas isoladas da veia subclávia são potencialmente graves devido ao grande volume sanguíneo circulante e falta de vasoconstricção efetiva desse vaso, e particularmente incomuns devido à proximidade com o sistema arterial nesta topografia, o que faz com que esse tipo de lesão esteja associado à formação de fistulas arteriovenosas ou lesões com altas taxas de mortalidade.
O relato de caso a ser demonstrado é de um paciente de 43 anos, sexo masculino, que deu entrada no serviço de emergência devido à ferimento perfurante por chave de fenda em região cervical anterior à direita há 30 minutos, sem sangramento ativo e estável hemodinamicamente. Foi realizada angiotomografia arterial e venosa de pescoço, onde foi observado orifício de entrada em região cervical anterior à direita, com focos de enfisema subcutâneo com extensão para o lado contralateral da lesão. Nas fases contrastadas, foi evidenciada dilatação na origem da veia subclávia esquerda, sem extravasamento ativo do meio de contraste tanto na fase arterial (uma vez que o acesso periférico usado foi obtido no membro superior esquerdo) e na fase venosa, causando a impressão de formação de fístula arteriovenosa. A angiografia arterial das artérias subclávia esquerda e vertebral esquerda não apresentaram alterações, sendo por fim realizado o estudo angiográfico venoso da veia subclávia esquerda por via femoral, confirmando a dilatação pseudoaneurismática de etiologia traumática da mesma.
O paciente foi submetido a tratamento com embolização seletiva com mola de liberação controlada, com resultado satisfatório posteriormente confirmado com angiotomografia de controle.

Resumo: INTRODUÇÃO: O objetivo deste relato é descrever a importância do estudo por ressonância magnética no diagnóstico de hemicoréia/hemibalismo na hiperglicemia não-cetótica RELATO: Apresentamos um caso de um paciente masculino, hipertenso, diabético não controlado, com relato de queda da própria altura há 6 dias da admissão, evoluindo com olhar fixo e movimentação involuntária no membro superior esquerdo, sem perda da consciência. Perfil laboratorial mostrava hiperglicemia. RM de crânio evidenciou alteração de sinal no putâmen direito, caracterizada por hipersinal em T1 e hipossinal em T2, sem restrição a difusão ou alterações de sinal no SWI. DSICUSSÃO: Hiperglicemia não cetótica, também chamada de estriatopatia diabética, é uma causa rara de movimentos involuntários como manifestação primária de diabetes mellitus e acomete principalmente pacientes idosos, com a tríade hemicoreia/hemibalismo, hiperglicemia e lesão hiperintensa nos núcleos da base nas imagens ponderadas em T1. A RM é o exame de escolha para avaliação de doenças do sistema nervoso central, com achados típicos caracterizados por hiperintensidade nas sequências ponderadas em T1 e discreta hiperintensidade em T2, na região do núcleo caudado e núcleo lentiforme, sem realce pelo meio de contraste e sem restrição à difusão, geralmente unilateral. Normalmente, os achados clínicos, bem como os de imagens são unilaterais, mas podem ser bilaterais. O quadro clínico é potencialmente reversível e normalmente apresenta resolução em 2 a 12 meses após a normalização glicêmica. CONCLUSÃO: A apresentação clínica de hemicoreia/hemibalismo como complicação de diabetes descontrolada é incomum, porém juntamente com o quadro clínico, perfil laboratorial e achados de imagens típicos, sobretudo na RM, fecham o diagnóstico e auxiliam na decisão segura de terapeutica apenas controle glicêmico como tratamento específico.

INTRODUÇÃO:
A imperfuração da membrana de Liliequist (ML) pode apresentar complicações em cirurgias neuroendoscópicas, além de ter íntima relação com cistos aracnóides suprasselares, compondo um desafio diagnóstico para o radiologista. Atualmente, com o avanço dos métodos diagnósticos, a ressonância magnética do encéfalo proporciona avaliação minuciosa da região suprasselar.
DESCRIÇÃO:
Sexo feminino, 1 ano e 2 meses, compareceu para realização de ressonância magnética do encéfalo com pedido médico referindo queda seguida de irritabilidade e vômitos.
A análise das imagens obtidas evidenciou formação cística na altura da região suprasselar/ III ventrículo anteriormente deslocando a haste hipofisária; superiormente deslocando as vias ópticas e alcançando a altura dos forames de Monro sem promover dilatação dos ventrículos laterais; posteriormente comprimindo o III ventrículo e região hipotalâmica, imprimindo a cisterna interpeduncular e deslocando o mesencéfalo com leve redução da porção inferior do aqueduto cerebral; inferiormente insinuando-se à cisterna pré-pontina comprimindo a face anterior da ponte e o topo / terço superior da artéria basilar. Dentre os diagnósticos diferenciais do achado incidental não podemos excluir cisto aracnóide / imperfuração da membrana de Liliequist.
DISCUSSÃO:
A ML é uma fina estrutura sob o assoalho do terceiro ventrículo, considerada um remanescente do tentório primário, formada por uma camada simples ou dupla da membrana aracnoide. O cisto de aracnoide suprasselar está intimamente relacionado à ML, sendo considerada uma invaginação ou divertículo da ML não perfurada, que acumula liquor progressivamente, podendo causar hidrocefalia obstrutiva. No caso em questão, nota-se a imperfuração da ML associada a cisto aracnóide suprasselar, sem promover hidrocefalia obstrutiva.

SÍNDROME DE RASMUSSEN COM INÍCIO NA VIDA ADULTA: RELATO DE CASO E REVISÃO DA LITERATURA
INTRODUÇÃO:
A síndrome de Rasmussen é uma entidade neurológica rara que ocorre tipicamente em crianças e é caracterizada por epilepsia focal intratável, hemiparesia progressiva e deterioração intelectual. Sua etiologia ainda é desconhecida e seu prognóstico bastante reservado. Apesar da grande maioria dos casos ocorrer em crianças com menos de 10 anos de idade, vem aumentando o número de pacientes com o diagnóstico na idade adulta, principalmente com o maior uso da ressonância magnética e tomografia na investigação de casos de epilepsia de difícil controle, é esta, inclusive a importância do caso, alertar para a possibilidade desse diagnóstico na presença de quadro clínico compatível e achados de imagem sugestivos no paciente adulto.
DESCRIÇÃO DO CASO:
Paciente do sexo masculino, 75 anos, acompanhado pela equipe de neurologia há 2 anos devido a quadro de crises de parada comportamental súbita e recorrente, além de disfagia progressiva, sem melhora com o uso de anticonvulsivantes. Internado para investigação, paciente evoluiu com crises tônico-clônica generalizadas de difícil controle. Ao exame neurológico apresentava perda de força muscular em membro inferior esquerdo. Previamente sadio. Encaminhado ao setor de imagem para investigação do quadro, realizou RM do encéfalo que evidenciou “Importante redução volumétrica encefálica, caracterizada por alargamento de sulcos e cisternas, bem como dilatação ventricular, mais importante na região frontotemporoparietal, ínsula e núcleos da base, à direita, com extensas áreas de gliose no parênquima, sugestivo de encefalite de Rasmussen”.
DISCUSSÃO:
A síndrome de Rasmussen é uma rara desordem neurológica caracterizada por declínio cognitivo progressivo além de crises epilépticas de difícil controle. Na imagem se manifesta como uma atrofia hemisférica, sem áreas com realce anômalo pelo contraste, porém podendo apresentar restrição à difusão.
O mecanismo patológico ainda não é compreendido, com provável origem autoimune. O tratamento medicamentoso tem resultados, no geral, bastante limitados.
A abordagem cirúrgica, através de hemisferectomia anatômica ou funcional, permanece como única opção curativa e resulta invariavelmente em sequelas secundárias ao procedimento.
Como principais diagnósticos diferenciais destacam-se a megalencefalia unilateral, a síndrome de Struge-Weber e a síndrome de Dyke-Davidoff-Masson.

Introdução:
Esta exposição objetiva demonstrar os achados radiológicos de uma gravidez ectópica abdominal. O caso em questão foi avaliado com ultrassom (US) e ressonância magnética nuclear (RNM).
Descrição:
Mulher de 18 anos internada em 15/06/2021 com atraso menstrual associado a dor abdominal difusa e sinais de peritonite ao exame físico. A investigação começou com uma ultrassonografia transvaginal que demonstrou útero aumentado com endométrio ecogênico normal e sem sinais de gravidez intrauterina. Além disso, o saco gestacional foi identificado na topografia superior do peritônio abdominal, contendo um feto com atividade cardíaca identificável e idade gestacional estimada em 13 semanas e 6 dias com base na medida do comprimento cabeça-nádega (CCN). A investigação diagnóstica foi complementada com RNM que confirmou os achados da US e demonstrou comprometimento de estruturas adjacentes. Após estabelecido o diagnóstico, a paciente foi submetida a laparotomia exploradora com retirada do feto morto, ooforectomia direita, salpingectomia bilateral, apendicectomia, omentectomia, correção do comprometimento vesical e toalete da cavidade.
Discussão:
A gravidez ectópica abdominal é um diagnóstico raro que deve ser feito pelos achados ultrassonográficos. No entanto, a ressonância nuclear magnética pode ser um método de imagem útil nesses casos, pois pode demonstrar o comprometimento das estruturas adjacentes, auxiliando no planejamento cirúrgico.

Objetivo: relatar um caso de fratura por estresse do colo do fêmur e mostrar a necessidade do emprego dos métodos de imagem para um diagnóstico preciso e precoce, e assim ter um tratamento adequado.
História clínica: paciente de 43 anos, sexo masculino, militar, deu entrada no pronto atendimento médico devido à queixa de dores na região do quadril esquerdo com cinco dias de evolução, sem história de trauma. A investigação mostrou se tratar de fratura por estresse no colo do fêmur.
Discussão e diagnóstico: a fratura por estresse ocorre em pacientes sem história de trauma, geralmente como resultado de uma carga mecânica anormal sobre o tecido ósseo. Tal sobrecarga causa um desequilíbrio na reconstrução osteoblástica e reabsorção osteoclástica levando a microfraturas no osso. Elas podem ser do tipo fadiga, em que o osso normal sofre um esforço repetitivo, ou insuficiência, no qual o osso anormal recebe uma carga mecânica de baixa energia. As fraturas por estresses no colo do fêmur não são frequentes, sobretudo se bilateral, e muitos têm sintomas vagos, como dor na coxa ou virilha, o que pode dificultar o diagnóstico correto. O exame de radiografia simples pode estar normal no início, podendo mostrar alguma alteração após algumas semanas do início dos sintomas e a tomografia computadorizada também auxilia no diagnóstico. Nos casos precoces, é mais indicado a cintilografia óssea e a ressonância magnética, sendo essa última a mais sensível e precisa não só para diagnosticar, como também para diferenciar de outras doenças.
Conclusão: conclui-se que a fratura por estresse no colo do fêmur é pouco comum e de diagnóstico difícil, sendo um desafio para os cirurgiões. Para que haja um tratamento mais eficiente, é preciso um diagnóstico precoce e os métodos de imagem, sobretudo a ressonância magnética, tem um papel fundamental para a identificação inicial e correta dessa doença.

A dor abdominal aguda é responsável por uma parcela significativa de todas as visitas ao pronto-socorro. Existem muitas causas para esse sintoma, suscitando a possibilidade de diagnósticos errados. O infarto omental é reconhecido como uma causa incomum de abdome agudo, podendo ser idiopática, ou mesmo secundária e inclui como causas hérnias, foco de inflamação, abordagem cirúrgica ou tumor. Os locais mais comuns de acometimento incluem torção de um apêndice epiplóico, infarto do omento maior e necrose gordurosa relacionada a trauma ou pancreatite.
O infarto omental é reconhecido como uma causa incomum de abdome agudo e no passado era diagnosticado no intraoperatório, no entanto com o maior acesso aos métodos de imagem, ele está se tornando mais facilmente reconhecida e relatada, orientando o manejo, que na maioria dos casos, é conservador.
Dentre as modalidades de imagem utilizadas para o estudo da dor abdominal, a tomografia computadorizada com multidetectores é a modalidade de imagem mais precisa para o diagnóstico de infarto omental. Além da tomografia computadorizada a ultrassonografia e até mesmo a tomografia por emissão de pósitrons, podem auxiliar na tomada de decisão clínica.
Locais incomuns de infarto são mais comumente vistos no cenário de trauma cirúrgico ou alterações pós-operatórias que resultam em suprimento vascular omental alterado e subsequente infarto. Neste trabalho apresentamos os casos de dois pacientes que compareceram no nosso serviço pelo quadro de dor aguda e foram diagnosticados com infarto omental idiopático em locais atípicos, um na topografia do ligamento falciforme e outro junto a margem supero anterior do antro gástrico. Fazemos ainda uma revisão da literatura sobre o infarto omental, enfatizando nos achados de imagem, o diagnóstico diferencial mais comum e o tratamento da patologia

Introdução:
A síndrome heterotáxica é uma patologia rara, inicialmente descrita por Helwig em 1929, que que consiste em uma desordem no desenvolvimento embrionário, podendo levar a múltiplas alterações quanto a presença, localização e função dos órgãos tóraco-abdominais. Tal patologia pode ser subclassificada em heterotaxia com poliesplenia (isomerismo esquerdo) e asplenia (isomerismo direito), determinando diferentes manifestações clínicas e prognósticos. Essa síndrome frequentemente está relacionada a malformações cardíacas e intestinais, o que torna a sua identificação precoce de extrema importância.
Relato do caso:
J.B.I.L., 21 anos, nuligesta, em uma consulta ginecológica de rotina, referia perda de peso e dor epigástrica esporádica, sem demais sintomas. Em propedêutica de rastreamento com base na queixa principal, foi submetida a exames de imagens e avaliação. A Tomografia Computadorizada de Tórax, Abdome e Pelve, evidenciou achados compatíveis com Síndrome de Poliesplenia, associada à variação anatômica da veia ázigos.
Discussão:
A síndrome heterotáxica, também denominada situs ambiguus, consiste em uma anormalidade de posicionamento e morfologia de órgãos toracoabdominais, que não se enquadram no posicionamento ordenado habitual dos órgãos (situs solitus) ou de sua imagem em espelho (situs inversus). A taxa de incidência da síndrome heterotáxica é de aproximadamente 1: 10.000 nascimentos e é mais prevalente no sexo masculino, na proporção de 2: 1.
Variações cardiovasculares, como interrupção da veia cava inferior com continuação para o sistema ázigo e defeitos do septo atrioventricular, estão presentes em 50-100% dos pacientes e, geralmente, são responsáveis pela gravidade e mortalidade em seus portadores. Anormalidades das vias urinárias, biliares e hepáticas, além de atresia duodenal e má rotação gastrointestinal, também podem estar presentes.
A maioria dos pacientes são assintomáticos e muitas das vezes essa síndrome é encontrada de maneira acidental durante exames de imagem ou procedimentos cirúrgicos, tornando o diagnóstico radiológico e individualização dos casos de extrema importância para a abordagem precoce da patologia e suas complicações. Logo, objetiva-se alertar a comunidade médica e acadêmica sobre a relevância do tema e suas implicações.

Paciente do sexo feminino, com 12 anos de idade, portadora de anemia falciforme, em uso de hidroxiuréia e acido fólico, relata episódios de crise de ausência, sem alterações no exame físico.
Prosseguiu investigação com tomografia computadorizada e ressonância magnética do crânio que mostraram lesão expansiva intra-axial no giro occipitotemporal medial e fasciolar direitos, com espessamento cortical, de limites mal definidos, apresentando extensas e grosseiras calcificações de permeio, com discreto realce pelo contraste venoso.
Foi considerada a possibilidade de acometimento neoplásico de baixo grau, sendo a principal hipótese o tumor neuroepitelial polimorfo de baixo grau (PLNTY). O PLNTY é um tumor grau I WHO e foi descrito recentemente (2017). Apresenta componentes semelhantes a oligodendroglioma, algumas vezes não podendo ser diferenciado do mesmo pelos estudos de imagem. Entretanto algumas características são usualmente visualizadas no PLNTY, como a marcada calcificação difusa e a localização tipicamente cortico-subcortical, frequentemente no lobo temporal, como visualizado no nosso caso.
Clinicamente os PLNTYs são tumores indolentes, epilepitogênicos, encontrados com mais frequência na população pediátrica ou adulta jovem.
Com o avanço do estudo imuno-histoquímico e genético dos tumores do sistema nervoso central foi possível a melhor caracterização do PLNTY, reconhecido pela ausência de mutação do IDH e codeleção 1p19q, bem como com expressão acentuada de cd34, BRAF V600E e Olig2, o que diferencia o mesmo do oligodendroglioma.
A paciente do nosso caso foi submetida à biópsia intra-operatória e a lesão foi caracterizada como PLNTY, estando a mesma em acompanhamento clínico e controle por imagem, com melhora das crises convulsivas com uso de Topiramato.
Concluindo, o radiologista deve conhecer as principais características de imagem do PLNTY, visto que o mesmo foi descrito recentemente, para melhor orientação quanto à conduta e acompanhamento.
1 - Huse JT, Snuderl M, Jones DT, et al (2017). Polymorphous low-grade neuroepithelial tumor of the young (PLNTY): an epileptogenic neoplasm with oligodendroglioma-like components, aberrant CD34 expression, and genetic alterations involving the MAP kinase pathway. Acta Neuropathol 133(3): 417–429. https: //doi.org/10.1007/s00401-016- 1639-9.
2 - Johnson, D. R., Giannini, C., Jenkins, R. B., Kim, D. K., & Kaufmann, T. J. (2019). Plenty of calcification: imaging characterization of polymorphous low-grad

Relato de caso de paciente jovem com quadro de dor epigástrica de forte intensidade associada a vômitos, diarreia e perda ponderal leve. Foi submetida à endoscopia digestiva alta, que evidenciou úlcera H. pylori positiva. Diante de melhora parcial do quadro clínico com o tratamento instituído, prosseguiu investigação diagnóstica com tomografia de abdome, que evidenciou imagem nodular isodensa com realce homogêneo ao meio de contraste, localizada na confluência dos vasos mesogástricos, de difícil delimitação de plano de clivagem com alça de delgado adjacente. Foi também realizada ressonância magnética de abdome, que demonstrou acentuado hipossinal em T2 da lesão e restrição à difusão hídrica, reação desmoplásica associada, com espessamento parietal de algumas alças intestinais adjacentes, sendo o diagnóstico principal sugerido foi de tumor neuroendócrino. Foi proposta uma laparotomia exploradora para exérese da lesão e no intraoperatório foi identificado tumor ovalar, de cor nacarada, localizado na raiz do mesentério, com retração importante de mesentério e acometimento de alças desde o ângulo de Treitz até a região próxima a válvula íleo-cecal, com as alças de delgado próximas aderidas ao tumor e com vasos ingurgitados e de coloração violácea. Devido a impossibilidade de ressecção, foi realizada biopsia intra-operatória exclusiva, evidenciando infiltrado inflamatório predominante mononuclear, ausência de figuras de mitose e ausência de atipias citológicas no material de biópsia. A imuno-histoquímica mostrou infiltrado inflamatório crônico linfomononuclear em estroma fibroesclerótico com ausência de plasmócitos IgG4-positivos, caracterizando o diagnóstico de mesenterite esclerosante. A escolha desse caso se deu pela dificuldade de seu diagnóstico diferencial por imagem, pela correlação com a macroscopia, demonstrando a característica ovalada e cor nacarada da lesão, incomum nessa doença, e pela discussão da análise histológica/imunohistoquímica, essencial para o diagnóstico.

Introdução: Os achados radiológicos da hiperplasia linfoide reacional com alteração focal do tipo Doença de Rosai-Dorfman apresentam grande diversidade, devendo-se atentar às alterações nas cadeias linfonodais e às manifestações clínicas associadas.
Descrição: Apresentar as alterações radiológicas em um paciente portador de hiperplasia linfoide reacional com alteração focal do tipo Doença de Rosai-Dorfman diagnosticada por biópsia de linfonodo cervical através de imunohistoquimica.
Discussão: Paciente do sexo masculino, hipertenso, com história de adenocarcinoma de próstata há seis anos, sendo submetido a prostatectomia radical e radioterapia, além de passado de tuberculose pulmonar com tratamento finalizado em há quatro anos. Há nove meses, relata início de quadro de perda de peso não quantificada, não associado a febre, hiporexia, tosse seca alternada a tosse com secreção clara esporádica, associado a aumento de adenomegalias cervicais e em parede torácica. Nega dispneia ou sintomas de dor. Nega tabagismo prévio e etilismo. Realizado Tomografia Computadorizada (TC) da região cervical com contraste observando múltiplas linfonodomegalias nas cadeias cervicais anteriores, heterogêneas, mais evidentes à direita, medindo até 2,2 cm no eixo curto. Prosseguiu investigação com TC de tórax e abdome com contraste, observando linfonodomegalias mediastinais, nos hilos pulmonares, para-aórticos, em cadeia ilíaca externa e em região inguinal. Em nova TC cervical com intervalo de três meses foi evidenciado aumento das dimensões das múltiplas linfonodomegalias, com maior medindo 2,7 cm.

Relato de caso de um paciente de 55 anos, masculino, com queixa de mialgia, febre, dor abdominal, perda ponderal aguda de 10 Kg e evacuações com coloração enegrecida de odor fétido. O exame físico dirigido não demonstrou alterações, mas foi sugerida investigação por endoscopia digestiva alta e tomografia computadorizada do abdome com contraste, que mostrou uma massa ulcerada que comprometia difusamente o estômago, sobretudo o antro, com componente endofítico, além de distensão gástrica com configuração de nível líquido. Notavam-se ainda massas polipoides e endofíticas na região do fundo gástrico, e comprometimento do antro e piloro com ulcerações profundas.
Foi realizada a programação cirúrgica, mas o paciente evoluiu com COVID-19 e teve uma piora respiratória importante. Após melhora do quadro, foi solicitada nova tomografia de abdome com contraste, três meses depois do exame inicial, que evidenciou uma massa muito mais volumosa que a observada no exame prévio, com comprometimento crânio-caudal mais extenso, que se insinuava para a cavidade torácica, comprimindo o mediastino e promovendo espessamento e derrame pleural, provavelmente paraneoplásico, à esquerda. Notava-se ainda que a massa era mais sólida, com menos ulcerações. Provável invasão do baço, sem plano de clivagem com o pâncreas, lobo hepático esquerdo e artérias e veias mesentérica superiores, além de envolvimento da gordura perigástrica e pequena ascite.
O estudo histopatológico e imuno-histoquímico evidenciou uma doença maligna de alto grau e positividade dos marcadores c-KIT, CD34 e DOG-1, que são altamente específicos para o diagnóstico de GIST, que nesse caso se apresentou com padrão morfológico epitelioide, e extensa atividade mitótica. O tamanho do tumor, o subtipo e a intensa quantidade de mitoses foram os principais fatores que desfavoreceram o prognóstico.
A escolha desse relato de caso se deu devido à evolução dramática e não usual de um GIST, tumor estromal mais comum do trato gastrointestinal, e por se tratar de um subtipo, o epitelioide, não sendo comumente observado na maioria dos casos. Além disso, relata a dificuldade dos pacientes, sobretudo os oncológicos, em iniciarem e aderirem ao tratamento devido ao cenário atual da pandemia de COVID-19.
O trabalho tem como objetivo revisitar os achados tomográficos do GIST, sobretudo do subtipo epitelioide, e analisar suas correlações histopatológicas e imuno-histoquímicas.

Introdução: A Síndrome de Lemierre (SL) refere-se à tromboflebite das veias jugulares internas com abcessos pulmonares metastáticos, tendo por agente etiológico o Fusobacterium necrophorum. Costuma ocorrer com maior prevalência em adolescentes e adultos jovens. O presente texto tem por objetivo relatar um caso da SL secundária a espinho de peixe. Descrição do Caso: Paciente do sexo masculino, 59 anos de idade, comparece ao pronto socorro queixando-se de odinofagia e “caroço no pescoço” que apareceu há quinze dias após ter engolido um espinho de peixe. Ao exame físico observou-se edema e tumoração cervical a esquerda; aderida à planos profundos e dolorosa à palpação. Realizado tomografia computadorizada (TC) cervical e de tórax, a TC cervical evidenciou coleção com focos de gás de epicentro em região cervical esquerda, adjacente observou-se imagem linear radiodensa com cerca de 3,3 cm suspeita para corpo estranho, e falha de enchimento da veia jugular interna, externa e tributárias suspeita para trombose. A TC tórax mostrou duas cavidades pulmonares com paredes espessas, uma com nível liquido, podendo corresponder a abcessos pulmonares secundários à SL. Foi submetido à cervicotomia exploratória para remoção de corpo entranho onde se confirmou espinho de peixe, feito anticoagulação e antibioticoterapia. Discussão: Em geral, a suspeita clínica de SL deve ser despertada quando um paciente com qualquer infecção em cabeça e pescoço desenvolve sinais de tromboflebite de veia jugular interna, sepse, ou propagação de êmbolos sépticos para órgãos à distância.Embora uma entidade rara, a SL continua a ser uma doença de morbidade e mortalidade consideráveis devido à sua progressão e atrasos de diagnóstico. A tromboflebite da veia jugular interna ocorre pela disseminação da infecção pelo compartimento cervical. O pulmão é o local primário para a propagação de êmbolos sépticos. No presente caso, o paciente não possuía história clínica de faringite, portanto, sendo o espinho de peixe (corpo estranho) suspeito como porta de entrada à infecção. O tratamento baseia-se em antibioticoterapia e, se não tratada, a infecção pode levar à morte em até 18% dos casos. A exploração cirúrgica com drenagem cirúrgica de abscessos periamigdalianos pode ser indicada.

Descrição: A Síndrome da Banda Amniótica ou Sequência da Banda Amniótica (ABS) é uma condição heterogênea, com amplo espectro de anomalias, dentre as quais as mais comuns são amputações de membros, digitais e aneis de constrição, que ocorrem em associação com filamentos mesodérmicos que emanam do âmnio. A incidência não é alta, ocorrendo em cerca de 1: 1200-1300 nascidos vivos. O prognóstico é variável, a depender da região aprisionada.
Material e métodos: Abordaremos o caso clínico de uma gestante de 20 anos de idade, primípara, sem comorbidades e sem histórico de traumas durante a gestação. A paciente realizou ultrassonografia obstétrica morfológica com 25 semanas e 6 dias, onde se constataram múltiplas malformações fetais associadas a imagens de bridas amnióticas, compatíveis com Síndrome da Banda Amniótica.
Resultados e discussão: Os achados morfológicos encontrados foram: ausência da calota craniana com desorganização do encéfalo, sem definição das estruturas da linha média e dos núcleos da base. O tórax apresentava distribuição atípica, o coração do feto estava localizado no hemitórax direito e notava-se herniação supradiafragmática com fígado fetal intratorácico. Observava-se, ainda, focomelia em membro inferior, não sendo caracterizada tíbia, fíbula ou pé unilateralmente. Outro membro apresentava pé torto. Por fim, presença de bandas amnióticas distribuídas em vários trechos da cavidade amniótica em íntimo contato com diversas partes fetais.
Várias teorias foram elaboradas para explicar esta patologia. Em 1930, Streeter propôs a teoria do modelo extrínseco e intrínseco, que levavam em conta a perturbação do disco germinativo no desenvolvimento inicial do embrião e as rupturas da sequência do âmnio. Estudos recentes mostram associação das bandas amnióticas com alterações vasculares. Casos mais severos, como o descrito no presente relato, constituem-se de extrema importância para um melhor entendimento da patologia.
Conclusão: O relato acima mostra-se compatível com a Síndrome da Banda Amniótica. Os achados ultrassonográficos, somados aos conhecimentos da literatura médica atual, corroboram a hipótese destacada e fornecem achados importantes para o melhor entendimento da doença.

A leptospirose é uma zoonose aguda causada por bactérias do gênero Leptospira, acometendo principalmente jovens, expostos à urina de roedores, em países tropicais/ subtropicais. Manifesta-se frequentemente com sintomas constitucionais, aumento de CPK, transaminases e escórias nitrogenadas. Nos pulmões pode cursar com HAD e hemoptoicos, variando de acometimento leve até potencialmente fatal. A confirmação requer cultura ou sorologia reagente para Leptospirose. Na TC de tórax, a forma típica de apresentação é inespecífica e são comuns áreas extensas, simétricas e mal definidas em vidro fosco. Foram descritos ainda pavimentação em mosaico, consolidações e nódulos ocupando o espaço aéreo. Relatamos quatro casos de pacientes do sexo masculino, entre 15-25 anos, admitidos com quadro típico (febre, cefaleia, mialgia, icterícia e hemoptise), comprometimento da função renal e início dos sintomas 4-6 dias antes da internação. Se diferenciavam pela TC inicial - HWAS: nódulos centrolobulares em vidro fosco predominando nos lobos inferiores; KJOS: micronódulos em vidro fosco mal definidos predominantemente centrolobulares, consolidações e vidro fosco bilaterais; GMCA: aspecto micronodular perilinfático difuso, além de opacidades em vidro fosco bilaterais; e JPV: áreas de atenuação em vidro fosco, com predomínio perihilar bilateral, poupando o espaço subpleural. Todos receberam antibioticoterapia precoce e receberam alta com média de 8 dias, menos GMCA (necessitou diálise e terapia intensiva, alta em 27 dias). Apenas JPV não era previamente hígido (cardiopatia alcoólica). Somente KJOS não necessitou intubação. Descrevemos, dentre os nossos casos, um que apresentou características tomográficas atípicas, com padrão micronodular perilinfático, simulando patologias linfáticas como sarcoidose, usualmente não encontrado nos casos de leptospirose, o que ressalta a importância do radiologista estar familiarizado com o padrão tomográfico da HAD, mesmo quando ela se apresenta de forma incomum, para o garantir diagnóstico e medidas de suporte precoces.

Antigamente descrito como lesão fibro-óssea polimórfica do osso, o tumor lipoesclerosante
mixofibroso é uma mistura de elementos histológicos incluindo lipoma, fibroxantoma,
mixoma, mixofibroma, necrose gordurosa, áreas de displasia fibrosa e por vezes raras
cartilagens ou alterações císticas. Essas lesões são raras sendo que a maioria tem aspecto
benigno, ligeiramente mais comuns em homens de meia idade e com predileção na região
intertrocantérica do fêmur. A displasia fibrosa, infarto ósseo, encondroma, lipoma intraósseo,
fibroma não ossificante, defeito fibroso, histiocitoma fibroso benigno, cisto ósseo e
condrossarcoma representam os principais diagnósticos diferenciais.
Relato de caso: Paciente do sexo feminino, 40 anos, com queixa de dor em região proximal do
fêmur direito de longa data com piora nos últimos dias. Realizado radiografia do quadril onde
evidenciou na região intertrocantérica do fêmur direito lesão medular lítica, bem delimitada,
com bordas escleróticas e contornos lobulados. Prosseguiu então a investigação com
tomografia computadorizada que obteve praticamente as mesmas características de imagem
acrescentando algumas calcificações centrais de permeio. E na ressonância magnética
observou-se lesão com sinal isointenso ao músculo em T1, e alto sinal bem como discreta
heterogeneidade em T2.
Embora a grande maioria das lesões corresponda a achados incidentais, uma vez que são
descobertas se faz necessário o acompanhamento radiológico devido à pequena porcentagem
de malignização, cerca de 10%. Em decorrência disso, o objetivo desse trabalho é explorar os
aspectos de imagem do tumor lipoesclerosante mixofibroso nas modalidades de exame de
imagem possibilitando ao médico radiologista o reconhecimento da lesão e ao paciente um
adequado seguimento.

INTRODUÇÃO: A Doença de Ollier ou encondromatose múltipla é uma doença rara caracterizada pela distribuição assimétrica de numerosos encondromas, geralmente causando deformidades ósseas severas. Pode ser assintomática ou provocar dor articular dependendo do grau de acometimento e evolução. Pode estar relacionada com síndromes, tanto autossômicas dominantes quanto recessivas. As lesões podem sofrer degeneração maligna para condrossarcomas. Há ainda relatos de associação com lesões malignas extra-esqueléticas, especialmente tumores intracranianos de origem glial. OBJETIVO: Apresentar os aspectos radiográficos de um caso de Doença de Ollier com acometimento do membro inferior esquerdo, promovendo anisomelia em um paciente pediátrico. RELATO DO CASO: Paciente de 4 anos, masculino, admitido com quadro de dor no membro inferior esquerdo há cerca de um ano. Ao exame físico apresentava encurtamento do membro inferior e joelho valgo à esquerda. A análise radiográfica evidenciou múltiplas lesões radioluscentes corticais de aspecto insuflativo, localizadas em osso ilíaco, ísquio, nas regiões meta-epifisárias do fêmur distal, fíbula proximal e distal, bem como em alguns dos ossos metatarso e falanges, promovendo deformidade e anisomelia. O paciente realizou escanometria que demonstrou assimetria de 40,3 mm e está aguardando tratamento ortopédico. DISCUSSÃO: Nas radiografias a Doença de Ollier se apresenta como lesões líticas e insuflativas de origem cortical localizadas nas metáfises de ossos curtos tubulares, por vezes se estendendo para as epífises, podendo também ser encontradas em ossos chatos, distribuição assimétrica e com predomínio nas extremidades. Os diagnósticos diferenciais incluem a síndrome de Mafucci, uma encondromatose múltipla associada a hemangiomas de partes moles adjacentes, a exostose hereditária múltipla e a osteíte fibrosa cística. Ainda não existe tratamento curativo ou preventivo para a Doença de Ollier, as abordagens cirúrgicas são realizadas nos pacientes com assimetria significativa entre os membros, como no caso relatado, deformidade incapacitantes ou complicações associadas, a exemplo da degeneração sarcomatosa.

Introdução:
Hemangioendoteliomas, juntamente com hemangiopericitomas e angiossarcomas, são tumores raros que surgem de estruturas vasculares. No caso dos hemangioendoteliomas, a célula de origem é uma célula endotelial, e variam de lesões benignas a francamente malignas. Os hemangioendoteliomas ósseo é raro, todavia afeta mais frequentemente a calvária, a coluna ou as extremidades inferiores e é ligeiramente mais comum em homens nas 2ª a 3ª décadas de vida.
Os achados ultrassonográficos são lesões nodulares que podem ser hipoecóicas ou hiperecogênicas, com aspecto complexo e com áreas císticas decorrentes de hemorragia. Ao estudo Doppler é comum a visualização de shunts arteriovenosos.
A tomografia mostra muitas vezes achados inespecíficos, onde é possível observar uma lesão tumoral com densidade de partes moles com ávido realce pelo meio de contraste, de contornos bem definidos e regulares. Caso seja realizado uma fase arterial é possível individualizar o vaso nutridor do tumor.
Já a ressonância magnética mostra muitas vezes uma lesão com sinal intermediário em T1 e alto sinal em T2, onde é possível observar áreas de sangramento e nível líquido-líquido. É possível ainda visualizar vasos serpiginosos que corroboram com o diagnóstico.
Descrição sucinta do material apresentando:
Trata-se de um relato de caso de uma paciente do sexo masculino de 22 anos, com queixa de dor e nodulação palpável no terço distal da perna esquerda, onde foi realizado investigação com ultrassonografia que evidenciou um nódulo hipoecóico, bem definido, hipervascular, medindo cerca de 5,0 cm, na face lateral da perna. Optou-se então por realizar uma tomografia computadorizada de membro inferior e de tórax, que mostrou uma lesão ovalada, circunscrita, com ávido realce pelo meio de contraste iodado, que não invadia estruturas ósseas adjacentes. O paciente foi submetido a ressecção cirúrgica com margem e o material foi enviado para análise anatomopatológica que mostrou se tratar de um hemangioendotelioma maligno da perna. No seguimento o paciente evoluiu com dispneia, onde foi realizado uma tomografia de tórax que mostrou sinais de carcinomatose pleural à esquerda. Foi então solicitado uma ressonância magnética cujo o resultado foi remanescente tumoral no leito cirúrgico, medindo 1,3 cm. O paciente segue estável e em utilização de quimioterapia adjuvante.

Paciente do sexo masculino, 31 anos, procedente do Ceará, compareceu ao serviço hospitalar para investigação de cefaleia refratária, disfagia leve para alimentos sólidos e disfonia de início há dois anos. Apresentava também voz de qualidade rouco-soprosa e atrofia do trapézio. Ao exame de laringoscopia, era observada paralisia de prega vocal esquerda. Sem antecedentes pessoais dignos de nota.
A tomografia revelou formação expansiva extra-axial, com calcificações e sem realce significativo pelo contraste, localizada no forame jugular esquerdo, que se encontrava alargado. A ressonância magnética mostrou formação expansiva extra-axial, de contorno lobulado e limites bem definidos, que comprometia e alargava o forame jugular esquerdo com padrão de remodelamento da limitante óssea lateral (mastoide) aparentemente "moteado", impregnando-se de forma bastante irregular pelo contraste. As características sugeriram o diagnóstico de tumor do glômus jugular (paraganglioma).
Foi efetuada a ressecção subtotal do tumor e a peça cirúrgica foi enviada para análise histopatológica, com diagnóstico final de cordoma. Posteriormente, foi realizada radioterapia adjuvante O paciente permanece realizando controle por imagem a cada 6 meses, com doença estável até o momento.
Os cordomas são neoplasias raras, de crescimento lento e representam cerca de 5% dos tumores ósseos malignos. Tem origem no tecido notocordal embrionário residual, acometendo a base do crânio e o esqueleto axial. Sua ocorrência no forame jugular é extremamente incomum e sua apresentação típica é na quinta década de vida. O quadro clínico é variável, a depender da localização e extensão do tumor. Os sintomas mais comuns incluem cefaleia e diplopia.
Em geral, apresentam-se como lesões da linha mediana com proemiências além da cortical óssea de aspecto digitiforme. À TC são hipodensas e apresentam realce pelo contraste e à RM apresentam intenso hipersinal em T2, além da contrastação intensa.
Apresentam alta taxa de recorrência e a ressecção cirúrgica seguida de radioterapia pós-operatória é o tratamento de escolha. Apesar do aprimoramento das técnicas cirúrgicas, a ressecção do cordoma da base do crânio ainda constitui um desafio.

O rabdomiosarcoma corresponde de 3 a 5% de todas as doenças malignas na infância, de forma que dentre as suas apresentações o subtipo embrionário é responsavel por 50-70% dos casos, sendo este dividido em células fusiforme, botrióide e anaplásico. Tendo como o trato genitourinário o terceiro local mais acometido atrás de cabeça e pescoço . O caso relatado busca trazer uma apresentação atípica dessa neoplasia associado a uma revisão bibliográfica do rabdomiossarcoma botrióide.
Paciente sexo feminino, 23 anos, com extrusão de massa tumoral via vaginal associado a anemia grave. Exames anteriores demonstram volume uterino normal, com controle 2 meses após com volume uterino de 591,2 cc. Prosseguindo investigação diagnóstica com Ressonância magnética (RM), apresentando extrusão uterina e vaginal total, com volumosa lesão solido-cistica heterogênea uterina (volume estimado de 500cc), com hipersinal em T2, áreas hemorrágicas de permeio e padrão hipervascular, sem extensão as estruturas adjacentes. Após realização de histerectomia associado a salpingectomia bilateral e retirada de terço proximal da vagina, o diagnóstico de rabdomiossarcoma embrionário ( botrióide) é confirmado.
O subtipo Botrioide é o mais comumente achado nos acometimentos genitourinarios, com intima relação com a idade do paciente, sendo localizado na vagina durante a primeira infância, no colo do útero durante a fase reprodutiva ativa e no corpo do útero em pacientes na pós-menopausa. A apresentação tomográfica e pela RM pode ser inespecifica devido a presença de hemorragia, necrose ou alteração mixóide. Sarcomas de partes moles geralmente se apresentam isointensos em T1, com grau variável em T2, e padrão hipervascularizado. Ressalta-se que o subtipo botrióide possue uma caracteristica polipóide que pode auxiliar na sua diferenciação, porém o papel radiológico nestas patologias é afastar a disseminação e extensão para estruturas adjacentes, visto que é o principal fator prognóstico nestes casos.
Devido à epidemiologia da faixa etária mais acometida, esta patologia representa um desafio de manejo, visando preservar a função hormonal, sexual e reprodutiva. Deste modo, os metódos de imagem são importantes no diagnóstico, estadiamento e pós tratamento.

Introdução: A doença trofoblástica gestacional é um espectro de desordens caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. Podem ser benignas como a mola hidatiforme (MH) ou malignas sendo definidas como neoplasia gestacional trofoblástica (NTG). O coriocarcinoma é uma forma rara de NTG. O diagnóstico de NTG é baseado na combinação de história clínica, exame físico, títulos quantitativos de B-hCG e ultrassonografia pélvica (USP). Relatamos o caso de uma paciente com diagnóstico de coriocarcinoma metastático. Descrição: Paciente, feminina, 25 anos, com história prévia de MH sem acompanhamento há 2 anos. Chega à emergência com queixa de sangramento volumoso via vaginal. Exame laboratoriais demonstraram B-hcg de 307343 mIU/mL e hemoglobina de 8,7 g/dL. Solicitado ecografia transvaginal que demonstrou volume uterino aumentado, contendo formação expansiva na cavidade uterina, heterogênea, de limites mal definidos, sem limite claro com o miométrio e intensa vascularização ao estudo color doppler. Ressonância magnética complementar corroborou os achados da ultrassonografia com formação expansiva heterogênea na região central do útero apresentando sinal do “flow-void”representando vasos calibrosos, com invasão da zona juncional e do miométrio em toda extensão do útero, sem sinais de extensão para a serosa, com realce ao meio de contraste e restrição à difusão da água. Estudo com tomografía computadorizada de tórax demonstrou diversos nódulos pulmonares esparsos bilateralmente sugestivos de implantes secundários. Paciente foi encaminhada para tratamento quimioterápico. Discussão: O coriocarcinoma é o espectro mais agressivo da NTG com propensão a metastizar. Pode ter origem após uma gestação molar, uma gestação normal ou aborto. O precursor mais comum do coriocarcinoma é a MH representando 50% dos casos. Os locais mais comuns de metástases à distância são o parênquima pulmonar, vagina, fígado e cérebro. O exame de imagem inicial para avaliação é a USP associada ou não ao estudo com “doppler”. A RM é útil na avaliação de doença extrauterina e complicações associadas a NTG, com padrão de imagem variado, podendo demonstrar algum grau de necrose e/ou hemorragia. A TC de tórax é recomendada para avaliação de metástases pulmonares que tipicamente aparecem como pequenos nódulos difusos pelo parênquima. O tratamento é realizado com quimioterapia e seguimento adequado, cursando com altas chances de cura.

O Tumor Maligno da Bainha de Nervo Periférico (TMBNP) é um sarcoma extremamente raro e muito agressivo com origem em nervos periféricos ou cranianos, que afeta tipicamente o retroperitônio, o mediastino e as vísceras. Manifesta-se como massa dolorosa de crescimento rápido, com ou sem sintomas neurológicos associados.
Paciente do sexo masculino, 24 anos, com lombalgia irradiada para flanco à esquerda. Ao exame físico, apresentava lesão de cor parda em flanco esquerdo com crescimento progressivo durante três meses. Antecedente pessoal de ressecção cirúrgica de Neurofibroma em região cervical, devido compressão medular.
A Tomografia Computadorizada do abdome evidenciou lesão expansiva medindo 29,6 x 19,2 x 16,4 cm, localizada profundamente na parede abdominal, infiltrando retroperitônio, rechaçando estruturas viscerais adjacentes e determinando lise do 11º e 12º arcos costais à esquerda, com discreto realce ao meio de contraste endovenoso. Notava-se ainda múltiplas formações nodulares amorfas, intra e retroperitoneais.
Foi submetido à ressecção cirúrgica parcial, com o material enviado para análise histopatológica e imuno-histoquímica. Demonstrou neoplasia maligna fusocelular de alto grau, com áreas de necrose e mitoses atípicas. A imuno-histoquímica favoreceu o diagnóstico de TMBNP. Também, foi descrito segmentos teciduais paravertebrais compatíveis com Neurofibromas.
Na Imagem por Ressonância Magnética do tórax, realizada após o procedimento cirúrgico, a lesão remanescente exibiu hipossinal nas sequências ponderadas em T1, intermediário a alto em T2 e restrição a difusão.
O paciente possuía histórico de lesão cervical do tipo neurofibroma, localização habitual dos tumores plexiformes, característica única da Neurofibromatose Tipo 1 (NF1). Apesar do diagnóstico de NF1 não constar nos registros hospitalares, a sua hipótese é aceita visto que o risco de desenvolver um TMBNP em um paciente com esta condição é de 8 a 13%, surgindo de neurofibromas plexiformes preexistentes, ao passo em que o TMBNP é extremamente raro na ausência desta condição.
A rápida progressão do Tumor Maligno da Bainha de Nervo Periférico e seu impacto no sucesso do tratamento, além da sua rara incidência, demonstram a importância do diagnóstico precoce e o conhecimento desta entidade por parte dos médicos radiologistas.

Introdução: Diante de um quadro de ataxia cerebelar, o diagnóstico de FXTAS deve ser incluído entre os diagnósticos diferenciais, sendo mandatória a investigação diagnóstica complementar com ressonância magnética, visando identificar alterações na substância branca que confirmem o diagnóstico desta síndrome.
Descrição: Paciente do sexo masculino, 73 anos, realizou ressonância magnética para investigação ambulatorial de quadro de ataxia há 1 ano, associada a urgeincontinência urinária e constipação intestinal.
Discussão: O exame de imagem evidenciou sinais de atrofia cerebelar com importante alteração de sinal nas sequências T2/FLAIR nos pedúnculos cerebelares médios (MCP sign), o que, junto com o quadro clínico de ataxia, confirmou o diagnóstico de FXTAS. A Síndrome de Tremor e Ataxia Associada ao X Frágil é uma desordem degenerativa e progressiva do movimento, sendo resultado de uma pré-mutação relacionada ao cromossomo X frágil, que ocorre em 1 a cada 800 homens e em 1 a cada 250 mulheres. Apesar da mutação ser mais frequente no sexo feminino, a síndrome clínica ocorre mais frequentemente no sexo masculino, acometendo 40-50% dos portadores da pré-mutação. A apresentação clássica da síndrome consiste em tremores cinéticos e ataxia cerebelar com início após os 50 anos, mas os pacientes também podem cursar com declínio cognitivo, demência, transtornos psiquiátricos, neuropatia periférica e disfunção autonômica. O diagnóstico definitivo de FXTAS é possível através da presença de um critério clínico maior (tremor de intenção e marcha atáxica) somado a um critério radiológico maior (ressonância magnética demonstrando lesão de substância branca no pedúnculo cerebelar médio ou no esplênio do corpo caloso). Até o momento, não há tratamento específico com droga modificadora de doença, e a expectativa de vida varia de 5 a 25 anos após o diagnóstico.

Introdução: A malformação de Dandy-Walker consiste em uma malformação embrionária do desenvolvimento encefálico relacionada com o atraso do desenvolvimento do rombencéfalo, sendo caracterizada por uma tríade clássica composta por hipoplasia/agenesia do verme cerebelar, dilatação do quarto ventrículo e alargamento da fossa posterior, geralmente associada a deslocamento do tentório e de seios venosos. Descrição: O presente estudo tem o objetivo de discutir e apresentar um caso específico de malformação de Dandy-Walker, diagnosticada nos primeiros meses de vida em paciente do sexo masculino devido a quadro de irritabilidade, vômitos e movimentos anormais dos olhos. Atualmente, aos três anos de idade, o paciente apresenta atraso no desenvolvimento cognitivo e motor, além de ataxia e incoordenação. Discussão: A malformação de Dandy-Walker está relacionada a defeitos da fossa posterior e, na maioria dos casos, o diagnóstico é feito até o primeiro ano de vida, havendo prevalência no sexo feminino e alta taxa de mortalidade precoce. Anomalias extracranianas podem se associar à síndrome e contribuir para as manifestações clínicas que abrangem alterações cognitivas, crises epilépticas, ataxia, nistagmo, paralisia de nervos cranianos e espasticidade. Os achados de imagem caracterizam as alterações clássicas da síndrome, sendo a ressonância nuclear magnética o exame de escolha para a avaliação, possibilitando a avaliação apurada da agenesia ou hipoplasia do vermis cerebelar, dilatação do quarto ventrículo, aumento da fossa posterior e hidrocefalia; em alguns casos não identifica-se a decussação dos pedúnculos cerebelares superiores e a foice cerebelar, além disso, o mesencéfalo pode assumir forma de borboleta no plano axial. Os principais diagnósticos diferenciais abrangem a megacisterna magna, cisto epidermoide, cisto aracnoide, cisto da bolsa de Blake e anomalia de Joubert.

Introdução
A sinovite de silicone é uma complicação rara causada por partículas de desgaste ou detritos de implantes do elastômero de próteses de silicone. Todavia, é de suma importância o seu conhecimento pelo radiologista, tendo em vista a prevalência do uso desse material em artroplastias nas décadas de 1970/80, uma vez que os achados de imagem mimetizam patologias mais comuns, como osteonecrose, artropatia amiloide e outros cistos degenerativos.
Descrição
Paciente masculino, 77 anos, hipertenso, portador de câncer de próstata, apresentou massa de crescimento progressivo em região volar radial do punho esquerdo. Relato de história prévia de trauma, com fratura em punho esquerdo, há cerca de 30 anos, sendo realizado tratamento cirúrgico. Foi realizada ressonância magnética (RM), que apresentou sinais sugestivos de fissuras em prótese de silicone na topografia do escafóide com diminutos fragmentos da prótese no carpo, associados a sinovite hipertrófica e erosões subcondrais, caracterizando "sinovite do silicone".
Discussão
O uso de implantes de silicone foi iniciado na década de 1960 para tratamento cirúrgico na doença articular degenerativa, artrite reumatóide, osteonecrose do osso escafoide e semilunar. Estudos a longo prazo demonstraram que as próteses ficam encapsuladas por um fino revestimento mesotelial e que pequenas partículas do elastômero do silicone são responsáveis pelo surgimento de hipertrofia sinovial. A microscopia eletrônica de varredura mostra que a superfície das próteses ficam revestidas com partículas de resíduos de desgaste e fagocitose, sendo estes os principais eventos na etiologia da sinovite de silicone. O exame patológico revela partículas de silicone intra e extracelulares, encontradas até em locais da medula óssea distantes do implante. O intervalo entre o implante cirúrgico e a complicação varia de 1 a 9 anos, e o quadro clínico envolve dor, edema e perda de amplitude de movimento. Os achados de imagem incluem edema nodular de tecido mole, cistos subcondrais com margens escleróticas com preservação da cartilagem articular, prótese fraturada, deformada ou subluxada, e foram relatadas em 75% dos casos de implantes escafoides e 55% de implantes semilunar. O estudo por ressonância magnética ajuda também a excluir outros diagnósticos, como cistos degenerativos, osteonecrose e artropatia amiloide.

O condrossarcoma mesenquimal é um subtipo raro e agressivo de condrossarcoma, que ocorre em tecidos ósseos e extraósseos. Pela raridade da doença, a evolução natural ainda é pouco conhecida. É comumente encontrado na segunda e terceira décadas de vida.
Ele representa cerca de 2 a 20% de todos os condrossarcomas e possui um mal prognóstico, com taxa de sobrevida em 10 anos abaixo dos 50%. A doença metastática tem maior impacto na sobrevida, e os principais sítios são pulmão e ossos.
A lesão normalmente se apresenta como uma massa causando destruição óssea local e extensão aos tecidos moles, com matriz condróide presente. Na tomografia computadorizada a matriz condróide se apresenta como áreas calcificadas de permeio à lesão e na ressonância magnética as mesmas áreas são vistas hiperintensas nas imagens ponderadas em T2. O condrossarcoma apresenta captação heterogênea pelo meio de contraste.
Esse relato de caso aborda a história de uma paciente do sexo feminino com 13 anos, com queixa de aumento de volume na face. Foi realizada biópsia, quimioterapia neoadjuvante, cirurgia com exenteração de órbita alargada à base do crânio + maxilarectomia e reconstrução com retalho das regiões pericraniogaleal e da coxa.
Neste caso relatado, a avaliação por imagem tornou-se imprescindível não somente para o diagnóstico, mas principalmente para auxiliar o cirurgião de cabeça e pescoço no planejamento cirúrgico e para o posterior acompanhamento pós-operatório da paciente, já que se trata de doença com possibilidade de recidiva local e metastase à distância.
Palavras-chave:
1) Condrossarcoma mesenquimal
2) Neoplasias de cabeça e pescoço
3) Diagnóstico por imagem
4) Condrossarcoma
5) Saúde da criança

As neoplasias ovarianas são comuns em mulheres em idade fértil, sendo o teratoma cístico maduro o tumor ovariano mais comumente encontrado, com uma prevalência de 20% de todos os tumores ovarianos em adultos e 50% em crianças. Embora comum, teratoma cístico maduro, tem poucos casos relatados como bilaterais ou múltiplos.
A transformação maligna pode ocorrer com uma incidência de 1,5-2% dos teratomas císticos maduros (MCT), sendo geralmente carcinoma de células escamosas. Outras transformações malignas são menos comuns. Por seu quadro clínico ser geralmente assintomático, sua detecção geralmente é incidental, contudo, pode predispor a casos de torção ovariana, que é um diagnóstico de dor pélvica aguda.
Nos exames de imagem é visto como nódulo ou massa nas regiões anexiais, podendo ou não conter calcificação, com componente lipídico central característico. Embora esses achados sejam típicos de teratoma cístico maduro e bem conhecidos pelos radiologistas, podem existir vários aspectos atípicos na imagem da lesão que podem ser um desafio diagnóstico, sendo confirmado através do estudo histopatológico pós-operatório. Dessa forma é necessário o uso de mais ferramentas diagnósticas para uma melhor elucidação dos casos, como a sequência da difusão.
Este artigo ilustra um relato de caso com imagens de teratoma cístico ovariano maduro, bilateral, visualizado através da Ressonância Magnética com emprego da difusão para seu diagnóstico.

O infarto do ligamento falciforme é uma entidade rara, tendo a fisiopatologia
similar ao infarto focal de gordura intraperitoneal e a apendagite epiploica, com
rotação e comprometimento vascular, consequentemente levando a necrose.
É um importante diagnóstico diferencial dos quadros de dor abdominal epigástrica
e no hipocôndrio direito, sendo a dor muitas vezes de moderada à acentuada
intensidade, sem associação com febre.
O diagnóstico radiológico se faz de suma importância, principalmente para excluir
doença abdominais agudas de outras etiologias, sendo o tratamento conservador
escolhido na maioria dos casos desta entidade.
Este trabalho tem como objetivo apresentar um relato de caso de infarto do
ligamento falciforme, enfatizando a necessidade de conhecer esse diagnóstico
diferencial não usual.

Introdução: Por ser uma desordem rara, porém com padrão de imagem clássico, o conhecimento dos achados de ressonância magnética da síndrome MELAS é fundamental para estreitar o diagnóstico de pacientes com episódios recorrentes de isquemia.
Descrição: Paciente do sexo masculino, 14 anos, com quadro de atraso global do desenvolvimento neuropsicomotor, associado a discinesia e polineuropatia axonal.
Discussão: Em associação com os dados clínicos, os achados de imagem de alteração de sinal no córtex e na substância branca em T2/FLAIR com restrição na sequência difusão, além do pico de lactato demonstrado na espectroscopia, corroboram o diagnóstico de MELAS. Como o nome sugere, a síndrome MELAS é uma desordem hereditária de origem materna causada por mutações pontuais no DNA mitocondrial. Ela acomete, principalmente, crianças e adultos jovens, sendo caracterizada por episódios isquêmicos transitórios, convulsões, acidose lática, encefalopatia, demência, fraqueza muscular e surdez. Os achados da ressonância magnética são típicos, e envolvem edema cerebral com apagamento de sulcos na fase aguda do episódio isquêmico, que evolui para atrofia dos gânglios da base e dos córtex temporal, parietal e occipital na fase crônica, com relativa preservação do córtex entorrinal e do hipocampo. Outros achados clássicos de imagem são o hipersinal na substância branca nas sequências T2/FLAIR, sem focos de hemorragia e com restrição na sequência difusão, além de elevação do lactato na espectroscopia. Na fase aguda do episódio isquêmico, ainda é possível haver realce dos giros na sequência pós-contraste. Tipicamente, a doença desenvolve um curso progressivo, com episódios periódicos de exacerbação, os quais podem acarretar sequelas transitórias ou irreversíveis.

História Clínica
Homem, 67 anos, encaminhado ao ambulatório de urologia oncológica por suspeita de neoplasia testicular. Referia aumento de volume progressivo do escroto à esquerda há 2 anos, endurecido e pouco doloroso. Já havia realizado 8 herniorrafias inguinais bilaterais, a última há 3 anos, de volumosa hérnia inguinoescrotal esquerda. Ao exame físico, notava-se volumosa massa bem delimitada, endurecida, indolor à palpação.
 A investigação se iniciou com exames de imagem e laboratoriais. Os marcadores tumorais foram negativos.
Diagnóstico final
Granuloma de colesterol paratesticular.
Discussão
O granuloma de colesterol é uma lesão fibrogranulomatosa inflamatória crônica inespecífica e benigna, secundária a reação de corpo estranho aos cristais de colesterol. Geralmente afeta a orelha média ou seios paranasais. A apresentação paratesticular é extremamente rara.
A patogênese exata ainda é desconhecida, porém acredita-se na possibilidade de reação local não infecciosa induzindo necrose isquêmica, reação granulomatosa e cicatrização. O paciente do caso havia sido abordado cirurgicamente diversas vezes para correção de hérnias inguinais, o que justifica a localização da lesão.
Macroscopicamente, a lesão é fibrosa, às vezes cística, multilocular com cavidades preenchidas por material hemático ou mucoide. O exame histológico é idêntico independentemente da localização, associando tecido fibroso, infiltrado inflamatório crônico com numerosos siderófagos e cristais de colesterol circundados por reação granulomatosa histiocítica e gigantocelular.
Na imagem, apresenta-se como cavidade cística multilocular ou, mais raramente, como massa sólida heterogênea. Na Ressonância Magnética há predomínio de hipersinal T1 e T2 devido ao componente de colesterol e meta-hemoglobina, hipossinal periférico secundário à cápsula fibrosa/halo de hemossiderina, sem realce central pós-contraste ou restrição à difusão.
Embora o diagnóstico histológico do granuloma de colesterol seja fácil, essa lesão, quando intraescrotal, pode simular tumor ao exame clínico, radiológico ou intraoperatório. Apesar de ser uma condição clínica benigna muito rara, é importante ao radiologista conhecer sua apresentação imaginológica para que esse diagnóstico seja considerado.

Introdução: Ao longo da pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 (Covid-19) têm sido descritos casos esporádicos de alterações tireoidianas. Este trabalho apresenta a evolução de um caso de tireoidite subaguda granulomatosa após Covid-19.
Descrição: Mulher, 60 anos, foi diagnosticada com Covid-19 em março de 2021. Apresentou mialgia e odinofagia e fez uso de ivermectina, rivaroxabana, levofloxacina e prednisona, evoluindo sem intercorrências. Três meses após, apresentou febre, cefaleia, odinofagia e cervicalgia, sendo inicialmente diagnosticada faringite e realizado tratamento com antiinflamatório não esteroidal. Persistindo com sintomas, fez uso de corticoterapia sistêmica, e realizou exames laboratoriais de função tireoidiana (valores dentro da normalidade), além de ultrassonografias cervicais (em junho, julho e agosto/2021) que evidenciaram, dentre outros achados, heterogeneidade parenquimatosa difusa e áreas focais de hipoecogenicidade dolorosas à compressão dirigida, com localizações e extensões diferentes nos três exames realizados, sugerindo tireoidite subaguda granulomatosa.
Discussão: A tireoidite subaguda granulomatosa é uma entidade relativamente frequente e com mecanismo fisiopatológico pouco compreendido, sendo observada após infecções virais. Clinicamente é uma das causas mais comuns de dor cervical anterior. Caracteriza-se por áreas hipoecoicas dolorosas à compressão dirigida à ultrassonografia, inicialmente hipervasculares ao Doppler (fase aguda) e posteriormente hipovasculares (fase subaguda). Ao longo da evolução da doença podem ser observadas mudanças nas localizações e extensões das áreas de hipoecogenicidade, que podem persistir por vários meses. Há alguns relatos de casos associando a Covid-19 a tireoidites em formas subaguda, autoimune e atípica, e também a tireotoxicose e hipotireoidismo. Atualmente duas hipóteses fisiopatológicas são mais consideradas para as alterações tireoidianas observadas: o efeito indireto da resposta imune-inflamatória no eixo hipotálamo-hipófise-tireoidiano (HHT), e outra da ação direta do vírus sobre a glândula.
Conclusão: A observação clínica e as pesquisas continuamente realizadas mostram forte indício do potencial acometimento de qualquer órgão, inclusive da tireoide e do eixo HHT, pelo SARS-CoV-2. Em pacientes com dor cervical após Covid-19 a possibilidade de tireoidites, especialmente a subaguda granulomatosa, deve ser considerada, sendo a ultrassonografia útil para diagnóstico e monitoramento.

Introdução: Carcinoma mamário associado à gestação é definido como aquele que ocorre durante a gestação ou até um ano após. O diagnóstico é comumente atrasado, devido às inúmeras alterações fisiológicas e patologias benignas que ocorrem na mama nesse período, que podem mascarar a malignidade. O subtipo inflamatório é raro e extremamente agressivo, representando 1 a 5% de todas as malignidades da mama. A maior parte desses tumores é pouco diferenciada, com receptores hormonais negativos e 20 a 30% são HER 2 positivo.
Descrição: V.T.A.A., 35 anos, 3 meses após parto, evoluindo com área palpável na mama direita há 2 meses. Ao exame clínico, apresentava mama direita edemaciada, com hiperemia e espessamento cutâneo, com fossas supra e infraclaviculares livres. Mamografia mostrou espessamento cutâneo difuso e assimetria global à direita. Ultrassonografia evidenciou espessamento cutâneo difuso, edema do tecido mamário à direita e linfadenopatia axilar ipsilateral. Submetida a core-biopsy da área palpável, com resultado benigno (fibrose do estroma, com hialinização parcial - AFBM). Diante da suspeita de mastite infecciosa, foi realizado tratamento com amoxilina + clavulanato por 10 dias, sem melhora clínica. Solicitada ressonância magnética, que mostrou espessamento cutâneo difuso e edema, áreas de distorção arquitetural e dois nódulos irregulares na mama direita, coexistindo linfonodos axilares atípicos ipsilaterais. Ao exame clínico após tratamento, apresentava mama direita com mesmo aspecto e linfonodos móveis na axila e região supraclavicular à direita. Iniciada corticoterapia oral para descartar hipótese de mastite granulomatosa, sem melhora. Finalmente, foi realizada biópsia incisional incluindo pele, cujo anatomopatológico foi compatível com carcinoma pouco diferenciado infiltrando a pele, com o seguinte painel imuno-histoquímico: RE negativo, RP negativo, HER-2 marcação completa, Ki-67 70%. Iniciada QT neoadjuvante, com proposta de cirurgia após término.
Discussão: O atraso no diagnóstico do carcinoma associado à gestação e lactação tem sido postulado como um dos maiores responsáveis por doença em estágio avançado, piorando o prognóstico. Um dos fatores que dificultam o reconhecimento do subtipo inflamatório é a semelhança clínica e radiológica com a mastite puerperal, condição benigna comum durante a lactação. Portanto, é crucial que radiologistas estejam atentos à possibilidade desse subtipo, visando diagnosticá-lo o mais precocemente possível.

A lipomatose pélvica é caracterizada pelo acúmulo de tecido adiposo na cavidade pélvica, não delimitada por cápsula. Embora seja uma patologia benigna, pode resultar em graves consequências fisiopatológicas, pois devido a sua localização, esse tecido causa compressão extrínseca dos órgãos adjacentes, gerando uma ampla variedade de sintomas. Conhecer e identificar os achados radiológicos da lipomatose pélvica é de grande importância no intuito de realizar seu adequado diagnóstico e evitar intervenções desnecessárias, contribuindo para o melhor manejo clínico desses pacientes. Este trabalho relata o caso de um paciente com queixa de disúria e polaciúria há oito meses, apresentando dor abdominal inferior aos esforços, lombalgia leve e infecção urinária de repetição, com diagnóstico de lipomatose pélvica através dos exames de urografia excretora, ultrassom e ressonância magnética. A lipomatose pélvica foi descrita pela primeira vez em 1959 e sua baixa incidência é atribuída ao subdiagnóstico e à pequena quantidade de publicações. É mais comum no sexo masculino, entre a terceira e quarta décadas de vida e sua etiologia é desconhecida, mas especula-se que a proliferação de gordura possa estar associada a processos inflamatórios pélvicos crônicos, como infecções urinárias recorrentes ou doenças endócrinas. O diagnóstico por imagem pode ser realizado através dos exames de urografia excretora, ultrassom, ressonância magnética e tomografia computadorizada, dispensando cirurgia ou exame histopatológico. Os achados de imagem incluem o aspecto típico da bexiga em formato de “lágrima” e o aumento excessivo de gordura nas regiões perivesical e perirretal, com compressão extrínseca destes órgãos. Atualmente não há tratamento definitivo, sendo descritos na literatura tentativas de redução do peso, radioterapia externa, corticoides e o uso de dispositivo de lipectomia, com resultados ainda pouco estudados.

Paciente do sexo masculino, de 46 anos, com antecedente de acidente automobilístico há cerca de dois meses (moto versus carro), com ferimento corto-contuso no membro inferior esquerdo na ocasião, tendo sido submetido a sutura da lesão no serviço de origem.
Evoluiu com persistência da dor e do edema no membro inferior, com repetidas entradas no serviço de urgência para controle dos sintomas nos primeiros vinte dias subsequentes ao trauma, entretanto sem melhora significativa com o tratamento clínico. No prosseguimento da investigação, estudo ultrassonográfico com Doppler evidenciou artérias femorais comum e superficial esquerdas ectasiadas e com fluxo turbilhonado de baixa resistência, veias do sistema venoso profundo com fluxo arterializado e ectasiadas, além de aneurisma venoso gigante da veia ilíaca externa esquerda, achados suspeitos para fístula arteriovenosa distal, embora não adequadamente identificada ao método.
No intuito de complementar investigação e para melhor caracterização do aneurisma venoso, foi realizada angiotomografia computadorizada de abdome total e membros inferiores, que demonstrou fístula arteriovenosa entre a veia e artéria femorais superficiais esquerdas, ectasia difusa do sistema venoso do membro inferior do mesmo lado (profundo e superficial) e confirmou volumoso aneurisma fusiforme da veia ilíaca externa ipsilateral (com calibre de até 10,5 cm).
Paciente segue em planejamento terapêutico com a equipe da cirurgia vascular.
O aneurisma gigante da veia ilíaca é extremamente raro, sendo a causa mais comum a dilatação vascular secundária ao aumento de fluxo e de pressão do sistema venoso geralmente resultante de uma fístula arteriovenosa, como no caso em questão. A clínica normalmente consiste em aumento da circunferência abdominal ou do membro acometido e sinais de insuficiência venosa crônica. Seu diagnóstico é feito por ultrassonografia com Doppler, angiotomografia e venografia. O tratamento precoce evita complicações potencialmente fatais como ruptura e tromboembolismo, de modo que é essencial tanto ao radiologista quanto ao ultrassonografista o reconhecimento da entidade a fim de permitir um manejo adequado do paciente.

Introdução: Holoprosencefalia (HPE) consiste em um raro defeito no desenvolvimento do prosencéfalo, resultado de sua clivagem embrionária incompleta e que possui incidência aproximada de 1: 250 durante a embriogênese e 1: 16.000 entre nascidos vivos. Sua etiopatogenia é heterogênea e multifatorial, podendo ter influência de fatores ambientais, metabólicos ou teratogênicos. Este relato evidencia a importância do cuidado pré-natal ao relatar um caso raro de holoprosencefalia alobar diagnosticada por ultrassonografia obstétrica de rotina. Descrição: Mulher de 40 anos com gravidez espontânea apresenta-se para ultrassonografia obstétrica, que demonstrou um único embrião vivo com 14 semanas. Nesta paciente, ultrassonografia bidimensional detectou, no polo cefálico, aparente fusão dos tálamos na linha média e aparente monoventrículo (VM), não visualizando-se a fissura inter-hemisférica na região anterior. Ultrassom morfológico feito 68 dias depois confirmou esses achados, além de detectar diâmetro cerebelar abaixo do percentil 10, distância interorbitária externa abaixo do percentil 5, presença de hipotelorismo ocular, questionável microftalmia bilateral e índices quantitativos alterados na artéria umbilical representando alteração na perfusão feto-placentária, podendo evoluir para restrição de crescimento intrauterino. O nascimento ocorreu por via vaginal na 35ª semana gestacional, neonato apresentou baixo peso ao nascer e anomalias congênitas múltiplas, com destaque para grave deformidade facial com cebocefalia (hipotelorismo ocular com uma narina única). Discussão: Anomalias estruturais fetais são encontradas em até 3% de todas as gestações e a triagem por ultrassom tem sido parte integrante do cuidado pré-natal de rotina por décadas. Nesse caso, a ultrassonografia pré-natal foi decisiva no diagnóstico precoce, às 14 semanas de gestação, e na gestão otimizada de um feto malformado com um tipo extremamente grave de HPE alobar. Destaca-se que essa avaliação precisa é importante porque gravidade dos achados de imagem se correlaciona com a morbimortalidade pós-natal na holoprosencefalia. Embora poucas crianças com a forma alobar sobrevivem além do período neonatal imediato, o encaminhamento a um geneticista clínico para avaliação genética abrangente é recomendado para discutir a natureza da condição e a possibilidade de recorrência, que pode variar de muito baixo (<1 por cento) para alto (até 50 por cento se um pai tiver uma doença genética autossômica dominante).

INTRODUÇÃO
A sequência de bandas amnióticas (SBA), também conhecida por síndrome da banda amniótica, compreende um amplo espectro de anomalias congênitas associadas a bandas amnióticas. Apresentamos aqui a forma rara de banda circunferencial total do abdome.
DESCRIÇÃO
Paciente do sexo feminino, 12 anos, teve parto cesáreo prematuro devido centralização fetal e oligoâmnio severo. Apresentava lesão circunferencial total do abdome em região infraumbilical e agenesia das falanges distais dos pododáctilos (1º e 2º direitos, 2º e 3º esquerdos), sugerindo o diagnóstico de SBA. Uma tomografia computadorizada (TC) de abdome total recente, realizada para investigar anomalias da parede abdominal, mostrou uma constrição circunferencial dos tecidos moles da parede abdominal infraumbilical com perda predominante de tecido subcutâneo e aparente preservação dos tecidos musculares. Adicionalmente, notou-se importante dilatação da pelve renal e dolicomegaureter à direita, secundárias à estenose da junção ureterovesical, evoluindo com exclusão funcional do rim ipsilateral.
DISCUSSÃO
A prevalência da SBA varia de 1: 1200 a 1: 15.000 nascidos vivos e 1: 70 natimortos, sem preferência de sexo. Sua etiologia não está bem definida, mas a teoria mais aceita envolve a ruptura precoce do âmnio durante a gestação, permitindo que partes fetais atravessem para o espaço coriônico. O espectro clínico da SBA é bem variável, sendo os anéis de constrição e amputação de membro os achados mais comuns. Defeitos na parede toracoabdominal podem variar de anel de constrição circunferencial ao redor do tronco à deformidades com herniações de conteúdo abdominal ou torácico. Neste caso, a TC de abdome documentou uma constrição circunferencial total da parede abdominal, manifestação rara da SBA, com cerca de 10 casos descritos na literatura. Raramente as bandas amnióticas são vistas na ultrassonografia pré-natal, com o diagnóstico sendo sugerido pela identificação de achados associados. No pós-natal, há suspeita se houver amputações de membros, defeitos da parede toracoabdominal não medianos ou defeitos craniofaciais em locais incomuns. O prognóstico é bastante variável. A eficácia da lise intraútero das bandas não foi comprovada e não há consenso quanto aos critérios de seleção de candidatos. O tratamento pós-natal inclui intervenções cirúrgicas para melhora de função, reabilitação ou estética.

Introdução:
Os tumores estromais de cordão sexual, que incluem tumores de células da granulosa, são responsáveis por 6% de todas as neoplasias ovarianas. Este relado de caso é referente ao tumor de células da granulosa, que representam 2% das neoplasias ovarianas, sendo responsável pelo maior grupo de tumor ovariano produtor de hormônio e demonstram diferentes formas de apresentação nos aspectos de imagem, sendo a forma sólida, então relatada, a menos comum.
Relato de caso:
Paciente do sexo feminino, 63 anos, assintomática, apresentou como achado incidental em tomografia de abdome nódulo sólido heterogêneo no ovário direito, com áreas hiperdensas de permeio por provável conteúdo hemorrágico e sem realce significativo, além de útero aumentado de volume com distensão líquida no seu interior. Marcadores tumorais sem alterações. A ressonância de pelve, apresentou-se com sinal predominantemente baixo em T1 e T2, sem restrição a difusão, sem realce significativo, associado a espessamento endometrial.
A anatomia patológica foi evidenciada neoplasia de padrão sólido do ovário direito composta por ninhos de células grandes e vesiculares com citoplasma ora claro, ora eosinofílico com o estudo imuno-histoquímico exibindo positividade para os marcadores compatíveis com tumor de células da granulosa do tipo adulto. O endométrio não foi evidenciado presença de malignidade.
Discussão:
O tumor de células da granulosa acomete mulheres na peri ou pós menopausa, apresentando-se assintomáticos ou mais comumente com sangramento uterino anormal.
Os TCG do tipo adulto, formam massas multicísticas, que contém liquido aquoso ou mais frequentemente fluido com hemorragia intracística e até sangue coagulado, traduzindo-se aos achados de imagem que na ressonância magnética apresenta cistos internos tipo ‘queijo suíço’ e/ou cisto multilocular, podendo ter aumento de sinal devido ao componente hemorrágico ou mesmo nível fluido-fluido. As septações espessas podem ter baixa intensidade de sinal. A apresentação de massa cística unilocular ou massa totalmente solida são incomuns, como semelhante ao caso. O útero pode se apresentar dilatado com endométrio hiperintenso e espessado.
O diagnóstico diferencial se faz com tumores epiteliais do ovário, que geralmente se apresentam em estágios mais avançados com disseminação peritoneal, cisto ovariano hemorrágico ou mesmo fibrotecoma/fibroma que também podem estar associado a espessamento endometrial.

No contexto da hipotensão grave há um conjunto de alterações tomográficas chamado de complexo de hipoperfusão, que apesar de ser indício de instabilidade hemodinâmica com prognóstico desfavorável, ainda é subdiagnosticado, sendo assim de fundamental reconhecimento pelos radiologistas. Este trabalho relata o caso de um paciente do sexo masculino, 50 anos, com quadro de pancreatite aguda e histórico de etilismo crônico, cuja TC de abdome com contraste endovenoso demonstrou processo inflamatório/infeccioso do pâncreas, com área necrose parenquimatosa, destacando-se realce hipervascular difuso das glândulas adrenais, inferindo complexo de hipoperfusão adrenal secundário à pancreatite. Após adequado manejo clínico, nova TC de abdome com contraste endovenoso evidenciou normalização do padrão de realce das adrenais. Houve deterioração clínica, seguida de complicações, instabilidade hemodinâmica, choque séptico e óbito, desfecho que reforça complexo de hipoperfusão adrenal como indício de prognóstico desfavorável. O complexo de hipoperfusão é definido como o conjunto de alterações, predominantemente abdominais, vistas na TC que ocorrem em um quadro de hipotensão grave, devido a alteração do fluxo sanguíneo para os órgãos vitais. Esse quadro é visto em contextos traumáticos e não traumáticos, incluindo processos inflamatórios/infecciosos graves, sendo mais comum em crianças do que em adultos. Dentre os aspectos tomográficos que podem ser encontrados estão: realce hipervascular intenso e persistente das glândulas adrenais, dos ureteres e dos rins, hiporealce do baço e do pâncreas, diminuição do diâmetro da aorta e veia cava inferior, espessamento parietal e dilatação difusa das alças intestinais, sendo o intestino delgado o mais comumente afetado. As glândulas adrenais têm um papel de estimulação do sistema nervoso simpático em quadros de hipotensão, sendo seu córtex estimulado pela angiotensina II para produzir aldosterona e sua medula estimulada para produzir adrenalina e noradrenalina. Nesse complexo ocorre uma aumento do realce na fase arterial, de forma bilateral e simétrica das adrenais, com manutenção dos seus contornos, sem lesões focais e sem alterações do tecido adiposo adjacente, sendo importante sua diferenciação com o quadro de hemorragia. Em relação ao tratamento, as alterações podem ser reversíveis com a adequada reposição de fluidos, porém são indícios de instabilidade hemodinâmica iminente, prognóstico desfavorável e alta taxa de mortalidade.

INTRODUÇÃO: O sarcoma sinovial primário de pulmão é uma neoplasia maligna do tecido mesenquimal. Os exames de imagem fornecem características tumorais inespecíficas, que dificultam a identificação precoce. Logo, o diagnóstico só pode ser firmado após biópsia compatível e escaneamento corporal negativo para tumores sinoviais de extremidades. Esse relato visa descrever um caso raro de sarcoma sinovial primário de pulmão e as alterações encontradas, com vistas a contribuir com dados da literatura sobre o detalhamento tumoral. DESCRIÇÃO: Mulher, 40 anos, procurou atendimento médico por dor torácica associada a perda ponderal importante. Realizou uma tomografia computadorizada (TC), a qual demonstrou uma formação expansiva, com contornos lobulados, estrias atelectásicas adjacentes e densidade de partes moles. Esta massa estava localizada no segmento basilar posterior do lobo inferior direito, medindo aproximadamente 3,1 x 3,1 x 3,7 cm, causando abaulamento da fissura oblíqua e mantendo íntimo contato com a transição das artérias lobar e interlobar do mesmo segmento. As TCs contrastadas abdominal e pélvica não evidenciaram focos de doença. DISCUSSÃO: O sarcoma sinovial é uma neoplasia de partes moles. Foi denominado inicialmente devido a predileção pelo acometimento justa-articular de extremidades. No entanto, a ocorrência em locais atípicos, como o pulmão, estabeleceu o tecido mesenquimal como sua origem histológica. O sarcoma sinovial primário de pulmão é uma patologia rara, de caráter agressivo, sendo responsável por menos de 0,5% dos tumores malignos pulmonares. É mais prevalente em adolescentes e adultos jovens, e não tem associação com exposição ao tabagismo. A característica tumoral mais vista na TC é uma massa intraparenquimatosa de contornos lobulados, podendo ser subpleural, e estar associada a calcificações e derrame pleural. A ressonância magnética é usada de forma complementar para melhorar a caracterização dessas lesões, identificando-se um tumor com margens nítidas, com sinal heterogêneo nas imagens ponderadas em T1 e T2 devido a presença de hemorragia, necrose e áreas císticas. Diante do exame de imagem, deve-se prosseguir com anatomopatológico e imunohistoquímica, além do rastreamento de tumores extrapulmonares. Tal investigação visa excluir a possibilidade da lesão pulmonar ser uma metástase de um sarcoma sinovial de extremidade, condição mais comumente encontrada.

Introdução:
A arterite temporal ou de células gigantes é a principal vasculite sistêmica em adultos. Apresenta alta morbimortalidade, devendo ser diagnosticada e tratada precocemente. O diagnóstico pode ser feito por critérios clínicos e laboratoriais e pela biópsia (padrão ouro). Contudo, o papel da ultrassonografia no diagnóstico, seguimento e prognóstico está cada vez mais embasado por evidências sólidas.
Descrição sucinta:
Homem de 63 anos referia cefaleia bitemporal, otalgia e dor de dente após implante dentário há 3 anos. Após 2 anos, apenas a cefaleia persistiu e passou a apresentar hipersensibilidade de escalpo e artérias temporais ingurgitadas. Na ultrassonografia, as artérias temporais apresentaram espessamento parietal hipoecoico e persistência da visualização da parede do vaso após compressão (sinal do halo), achados altamente sugestivos de arterite temporal. Ao Doppler colorido, observou-se redução da luz vascular e ao Doppler espectral, o padrão de fluxo era habitual. O exame anatomopatológico confirmou arterite de células gigantes.
Discussão resumida:
A arterite temporal é a vasculite sistêmica mais frequente em adultos. Acomete vasos de médio e de grande calibre, tipicamente a artéria temporal. Os principais sintomas são cefaleia bitemporal, tumefação temporal, claudicação mandibular e déficit visual.
Apresenta alta morbimortalidade devido às complicações isquêmicas. Pode resultar em cegueira, acidente vascular encefálico, aneurisma e dissecção aórtica. Portanto, o diagnóstico deve ser realizado de forma precoce. O Colégio Americano de Reumatologia propõe a presença de 3 dos seguintes critérios para o diagnóstico de arterite temporal: pelo menos 50 anos; cefaleia nova e localizada; dor à palpação ou diminuição de pulso da artéria temporal; VHS maior ou igual a 50 mm/h; biópsia de artéria temporal compatível. Entretanto, a ultrassonografia apresenta alta sensibilidade e especificidade e pode firmar o diagnóstico na presença de critérios clínicos, dispensando a biópsia. Além disso, pode guiar a biópsia, aumentando sua sensibilidade.
Os critérios ultrassonográficos utilizados para diagnóstico são: espessamento parietal hipoecogênico e persistência da visualização da parede do vaso durante a compressão, ambos devido ao espessamento da sua parede por inflamação. O estudo com Doppler colorido e espectral podem trazer informações complementares em relação à possibilidade de estenoses ou oclusões arteriais associadas.

A embolização arterial é uma das opções terapêuticas para o tratamento de alguns tumores hepáticos como o carcinoma hepatocelular e metástases, bem como, algumas lesões benignas, sobretudo sintomáticas, como grandes hemangiomas. Através de arteriografia e cateterização da artéria hepática é injetado material embolizante, objetivando-se a interrupção do fluxo sanguíneo e redução nas dimensões da lesão.
O radiologista tem papel fundamental, desde o diagnóstico das lesões hepáticas potencialmente embolizáveis, ao seguimento pós tratamento, auxiliando inclusive no planejamento pré-terapêutico, sobretudo na identificação de variações anatômicas vasculares relevantes. No pós-tratamento, é fundamental conhecerem-se as principais complicações do procedimento, sobretudo as agudas.
A complicação mais frequente da embolização arterial transcateter é a síndrome pós-embolização, caracterizada por dor abdominal, náuseas, vômitos e febre, possivelmente decorrentes da hipóxia hepática, habitualmente autolimitada. Outras complicações menos frequentes incluem insuficiência hepática aguda, infartos e abscessos hepáticos, necrose biliar e formação de aneurismas.
A embolização inadvertida de estruturas extra-hepáticas podem ocasionar infarto esplênico e da vesícula biliar, colecistite aguda, lesão da mucosa intestinal e embolismo ou infarto pulmonar. Quanto à manipulação do cateter ou fio-guia, pode ocorrer dissecção iatrogênica da artéria celíaca e seus ramos, perfuração inadvertida de artérias esplâncnicas, ruptura do tumor, ou sangramento por varizes.
O reconhecimento destas complicações é essencial para o correto diagnóstico e manejo adequado do paciente.
Descrevemos o caso de uma paciente feminina de 42 anos que foi submetida a embolização arterial para tratamento de hemangioma hepático sintomático do lobo direito e, posteriormente, desenvolveu quadro de colecistite aguda.
Palavras-chave: hemangioma, fígado, embolização, tratamento, complicações, colecistite.

Introdução:
O hamartoma fibrolipomatoso (também conhecido como fibrolipoma neural ou lipomatose do nervo) é uma neoplasia benigna rara dos nervos, resultante do crescimento anômalo de tecido fibroadiposo da bainha do nervo. 2). É uma neoplasia que acomete mais freqüentemente o nervo mediano (80% dos casos), com relatos de envolvimento, também, dos nervos ulnar, radial, digitais, plantares, cranianos e isquiático. Possui associação com a macrodistrofia lipomatosa em cerca de 27-66%.
A ressonância magnética (RM) vai mostrar um aumento difuso e homogêneo dos fascículos nervosos, com alto sinal em imagens ponderadas em T1 e baixo sinal em imagens ponderadas em T2 com supressão de gordura, assumindo um aspecto considerado como patognomônico de "cabo coaxial".
Os principais diagnósticos diferenciais são o lipoma intraneural, que possui um aspecto focal, bem definido em relação ao nervo, em oposição à infiltração difusa característica do hamartoma fibrolipomatoso. Outras lesões a serem consideradas são o neuroma traumático, o neurofibroma plexiforme e o hemangioma, todos eles apresentando alto sinal nas imagens ponderadas em T2 com supressão de gordura, o que não ocorre no hamartoma fibrolipomatoso.
Descrição sucinta do material apresentando:
Trata-se de um relato de caso de uma paciente do sexo feminino de 27 anos, com queixa de nodulação e abaulamento da região volar do punho direito. Foi solicitado uma ressonância magnética desta região que evidenciou uma formação expansiva com extenso componente adiposo e delgadas estrias de fibrose, que envolve e permeia os fascículos de todo o trajeto avaliado do nervo ulnar, desde o punho, proximal ao canal de Guyon, até as ramificações distais para o quarto e quinto dedos. Observou-se ainda deslocamento com atrofia e parcial lipossubstituição da musculatura hipotenar (abdutor, flexor curto e oponente do dedo mínimo). A paciente foi submetida a ressecção da lesão cujo o resultado histopatológico foi de hamartoma fibrolipomatoso.

A fibromatose desmóide (DF) é um tumor miofibroblástico não metastático, raro, localmente agressivo, com tendência a recorrência e curso clínico imprevisível. Ele corresponde a apenas 0,2% dos tumores de mama.O objetivo do estudo é relatar um caso de nosso serviço, contribuindo para enriquecimento da literatura e dos diagnósticos diferenciais dos profissionais de saúde.
Feminina, 42 anos, realizou aplicação de óleo mineral nas mamas para aumento do volume há quatro anos e refere que desde então apresenta mastalgia, principalmente em mama direita. Ao exame físico apresentava gigantomastia com assimetria mamária sendo a mama direita maior que a esquerda, endurecimento global bilateral e abaulamento em quadrante supero-lateral da mama direita associada a hirpecromia dessa mama. Ao ultrassom evidenciou espessamento da derme e subderme com dilatação dos vasos linfáticos, múltiplos cistos oleosos justapostos a fáscia superficial e nódulo, sólido, ovalado, circunscrito, com conteúdo ecogênico, sem fluxo vascular ao Doppler. Prosseguiu investigação com ressonância magnética das mamas a qual evidenciou lesão de características morfológicas e cinéticas suspeitas para neoplasia.
A DF da mama pode originar no músculo peitoral ou tecido mamário e pode se apresentar clinicamente como uma massa indolor, firme, geralmente móvel, ocasionalmente fixada ao músculo peitoral ou pele. Histopatologicamente, a fibromatose do tipo desmóide é uma proliferação localmente agressiva e infiltrativa de fibroblastos e miofibroblastos. Essas células fusiformes formam fascículos longos e uniformes que se estendem para o tecido circundante, resultando no aprisionamento do tecido mamário normal dentro da lesão. Pode haver mitoses, mas não há atipia nuclear. A cirurgia da mama, incluindo biópsia excisional, mastectomia, mastectomia, redução e aumento da mama, reconstrução e implantes mamários, foi relatada em mulheres com tumor desmóide , sugerindo que pode ser induzida por trauma.Apesar de ser uma associação precipitada, que requer maiores estudos confirmatórios, interroga-se se a introdução do óleo mineral pela nossa paciente pode ter sido o trauma que propiciou para a formação dessa lesão.
O tumor desmóide é uma lesão benigna rara da mama, que pode se apresentar clínica e radiograficamente como altamente suspeita de malignidade. Por isso a associação de métodos diagnósticos favorecem uma análise precisa e precoce, que nesses casos é de extrema importância para a condução do caso.

Linfomas não-Hodgkin (LNH) são neoplasias hematológicas originadas dos sistemas linfático e reticuloendotelial e representam menos de 1% de todas as malignidades da cabeça e pescoço, embora consistam na segunda localização mais comum de LNH extranodal, somente atrás do trato gastrointestinal. Relatamos o caso de paciente do sexo masculino, 37 anos e sem comorbidades, com quadro de desconforto e edema em hemiface direita. O exame de Tomografia Computadorizada dos Seios da Face demonstrou processo expansivo sólido centrado no seio maxilar direito, com extensão para partes moles e estruturas circunjacentes, inespecífico do ponto de vista de imagem. A correlação anatomopatológica e imuno-histoquímica evidenciou células linfoides grandes e atípicas com frequentes figuras de mitose, em padrão difuso de crescimento, compatível com linfoma difuso de grandes células B, com positividade para marcadores CD20, CD10, BCL2, BCL6 e antígeno Ki-67.
O linfoma difuso de grandes células B primário dos seios paranasais é, portanto, pouco frequente, porém deve sempre ser considerado no diagnóstico diferencial de uma massa que envolve o antro maxilar ou qualquer outro sítio extranodal da cabeça e pescoço.

Introdução e objetivo(s): O fígado é o sítio metastático mais frequente nos pacientes com carcinoma colorretal. Todavia, em pacientes com hepatopatia crônica, o carcinoma hepatocelular (CHC) é o tumor hepático mais prevalente. Neste contexto, os exames de imagem têm papel fundamental no diagnóstico diferencial. Relato: Paciente feminina de 64 anos sem história de hepatopatia crônica iniciou estadiamento de adenocarcinoma de cólon com tomografia de tórax e abdome com contraste na fase venosa, em que foi evidenciada a neoplasia primária já diagnosticada no ângulo esplênico. O fígado apresentava sinais francos de hepatopatia crônica e uma lesão expansiva hipoatenuante de 5,1 cm no segmento VII e outros pequenos nódulos esparsos. Levando-se em consideração a neoplasia primária de cólon e a cirrose hepática, as possibilidades de CHC e metástases do tumor de cólon foram consideradas. Complementou-se a investigação com ressonância magnética do abdome superior, evidenciando-se lesões hipervasculares e com washout, no segmento VII, de 5,1 cm, com nódulos satélites, no segmento VIII (1,1 cm) e no segmento II (0,8 cm). As lesões apresentavam ainda conteúdo de gordura evidenciado pelas sequências dentro e fora de fase. Foi então estabelecido por imagem o diagnóstico de carcinoma hepatocelular multifocal. Discussão: Embora a presença de um segundo primário seja muito rara em pacientes sem antecedentes clínicos relevantes, a hepatopatia crônica, além de aumentar significativamente o risco de CHC, tem suas causas mais comuns relacionadas a fatores ambientais extrínsecos e adquiridos (etilismo, NASH e viral). Portanto, no caso apresentado de uma neoplasia primária conhecida de cólon, a caracterização de lesões hepáticas e sinais de hepatopatia crônica nos exames de imagem, aumenta a probabilidade de um segundo tumor primário hepático. Frente a este cenário, a complementação com um estudo trifásico, faz-se necessária para o diagnóstico diferencial e correta definição da conduta oncológica. Este relato de caso destaca o aumento do risco de um segundo tumor primário hepático, no estadiamento de neoplasia primária colorretal em paciente com sinais tomográficos de hepatopatia crônica e sem diagnóstico prévio de hepatopatia. Considerando-se os diferentes tratamentos das metástases colorretais e do CHC, o diagnóstico correto por imagem é determinante na conduta oncológica.

O carcinoma primário de ovário raramente origina metástase para mama, com poucos casos descritos na literatura. Apenas cerca de 2% das lesões neoplásicas malignas nas mamas são de origem secundária e, do ponto de vista clínico e radiológico, podem mimetizar tumores primários benignos e malignos.
A origem mais comum das lesões metastáticas para mama é tumor primário mamário contralateral. No entanto, entre os tumores sólidos extramamários, os que mais metastatizam para as mamas são: melanoma maligno, linfoma, câncer de pulmão, carcinoma ovariano, sarcoma de partes moles e tumores gastrintestinais e genitourinarios.
Relatamos o caso de uma paciente 34 anos que procura o serviço de mastologia com queixa de nódulo palpável na mama esquerda, com crescimento há 5 meses. Foi submetida a histerctomia total abdominal e salpingooforectomia bilateral em 2007 para tratamento de tumor epitelial seroso bordeline bilateral de ovário microinvasor.
Nos exames de imagem realizados no mesmo dia, foram evidenciados nódulos densos, alguns irregulares e outros redondos, com calcificações pleomórifcas no quadrante superior medial da mama esquerda, em correspondência com o achado palpável, além de linfonodos axilares densos e alguns com calcificações. Achados classificados como Categoria 4 (ACR BI-RADS) e recomendado prosseguir com histopatológico que evidenciou “Adenocarcinoma papilífero seroso metastático compatível com origem ovariana” determinado pela imunohistoquímica.
Na presença de lesão mamária em paciente portadora de carcinoma ovariano, é necessário diferenciá-la entre lesão benigna e maligna. Sendo maligna, é importante saber se a lesão é primária ou secundária, uma vez que o tratamento e prognóstico são diferentes. Frequentemente, nos exames de imagem, as lesões metastáticas para a mama podem aparecer como nódulos densos circunscritos, não calcificados. Porém, em função da presença dos corpos psamomatosos associados a alguns tumores de ovário, calcificações podem ser vistas nas metástases ovarianas para mama, como no caso descrito.
Contudo, tal diferenciação pode ser difícil, uma vez que as metástases para mama, de uma maneira geral, não apresentam características imaginológicas específicas. De qualquer modo, assim como no caso descrito, deve-se investigar a origem do tumor por meio de estudo anatomopatólogico, sendo que a imunohistoquímica apresenta utilidade nessa diferenciação.

INTRODUÇÃO: A mucormicose é uma infecção oportunista grave, causada por fungos da ordem Mucorales. O acometimento pulmonar é raro, sendo observado principalmente em pacientes imunodeprimidos. Os achados de imagem mais sugestivos de Mucormicose pulmonar (MP) incluem derrame pleural, mais de 10 lesões nodulares e principalmente o sinal do “halo invertido”. A MP pode progredir rapidamente, com prognóstico reservado e mortalidade elevada. A identificação precoce do agente etiológico é imprescindível para o início do tratamento e aumento das taxas de sobrevivência.
DESCRIÇÃO: Paciente feminina, 53 anos, com diabetes mellitus (DM) tipo 2, obesidade e hipertensão arterial sistêmica, admitida em cetoacidose diabética, com febre, tosse e dessaturação, com suspeita para COVID-19. Solicitada tomografia computadorizada (TC) de tórax. Os achados foram indeterminados para pneumonia viral, evidenciando opacidades com padrão em vidro fosco confluindo em áreas de consolidações esparsas bilateralmente, de predomínio periférico, com derrame pleural bilateral e linfonodos mediastinais aumentados em número. Realizado teste para COVID-19, com resultado negativo. Iniciada antibioticoterapia. Após 9 dias, apresenta novo episódio de tosse, dessaturação e febre, solicitada nova TC de tórax que evidenciava opacidade com aspecto em “halo invertido” de paredes espessas na região póstero-superior do pulmão direito, associada a nódulos sólidos e derrame pleural bilateral, sendo aventada a hipótese de Mucormicose, com início do tratamento com anfotericina B. Realizada broncoscopia com biópsia e lavado broncoalveolar, com pesquisa de fungos, pela coloração de Grocott-Gomori positiva e hifas identificadas morfologicamente compatíveis com a ordem Mucorales, contribuindo para o diagnóstico de MP.
DISCUSSÃO: A MP é uma infecção fúngica rara. Os principais fatores de risco incluem DM, doenças hematológicas, uso de corticoesteróide e transplantes. Pode ter achados de imagens inespecíficos. Nos estágios iniciais pode apresentar infiltrado peribrônquico com opacidades em vidro fosco, progredindo para consolidações, nódulos ou massas. Nos pacientes imunodeprimidos, o diagnóstico diferencial se faz com aspergilose pulmonar invasiva (API). Alguns achados tomográficos mais sugestivos de MP foram identificados para ajudar na diferenciação com a API. O sinal do “halo invertido” é mais encontrado na MP, assim como a presença de derrame pleural e mais de 10 nódulos pulmonares.

Fístulas vesicouterinas representam a mais rara forma de fístulas urogenitais, correspondendo de 1 a 4% dos casos. Mais rara ainda é sua presença associada a migração do feto para o interior da bexiga urinária. Ao nosso conhecimento, apenas cinco casos foram relatados na literatura, sendo este o sexto. O caso é de uma paciente de 38 anos, tercigesta, uma cesárea prévia há 03 anos e um aborto há 01 ano, sem necessidade de esvaziamento uterino, com ciclos menstruais irregulares, lesão vesical vegetante não neoplásica (seguimento interrompido), sem outras comorbidades conhecidas. No começo de junho, iniciou quadro álgico em hipogastro, sendo investigada ambulatorialmente. Ao primeiro exame sanguíneo, apresentou teste de gravidez negativo, mas com a persistência do quadro e histórico relatado de cisto ovariano, foi realizada ultrassonografia transvaginal e constatada gestação tópica compatível com 12 semanas (s) e 01 dia (d). Devido a manutenção da dor e saída de coágulos de sangue pela uretra, procurou serviço de saúde novamente, sendo diagnosticada infecção urinária. Fez uso de nitrofurantoína por 07 dias, mas 01 dia após o fim do tratamento, apresentou sensação de pressão vesical intensa e extrusão de “pé” fetal pelo canal uretral. Em novo atendimento médico, ultrassonografia transvaginal evidenciou óbito fetal extra-uterino (topografia de canal vaginal) compatível com gestação de 14s 02d, sendo paciente internada em serviço externo para realização de preparo de colo uterino com misoprostol. Após 04 comprimidos inseridos, houve saída parcial do concepto pelo canal uretral, primeiramente de forma espontânea e posteriormente com assistência médica, sendo realizada a curetagem uterina. Foi então encaminhada ao nosso serviço com a suspeita de fístula vésico-uterina, avaliada por equipe de ginecologia e obstetrícia e por urologia, e como estável clinicamente, sem sangramentos e com diurese clara espontânea, realizada tomografia computadorizada de abdômen com contraste. Nesta observou-se conteúdo heterogêneo intravesical, compatível com feto único de 5,9cm, e trajeto fistuloso uterino, ao nível do istmo, com a bexiga urinária. Optado por abordagem cirúrgica emergencial, foi realizada cistoscopia com visualização de fístula istmo-vesical de aproximadamente 1,5cm, e laparotomia exploratória com fistulectomia, cistorrafia, cistostomia, e histerectomia subtotal. Paciente evoluiu bem durante internação, com retorno ambulatorial sem queixas genito-urinárias.

A Síndrome de Cimitarra é uma rara doença congênita, na qual há anomalia parcial da drenagem venosa do pulmão direito para a veia cava inferior, podendo estar associada à hipoplasia pulmonar ipsilateral e a outras malformações cardiovasculares.
Apresenta duas formas de manifestação clínica: a infantil e a da criança/adulto. A variante infantil é diagnosticada nos primeiros meses de vida, tendo sintomas mais graves e alta mortalidade.
Relatamos o caso de um recém-nascido, do sexo feminino, quatro dias de vida, apresentando dispneia e ausculta reduzida na base pulmonar direita. Na investigação diagnóstica, a radiografia de tórax evidenciou redução volumétrica do pulmão direito, com dextrocardia. Prosseguiu-se investigação diagnóstica com angiotomografia de tórax, a qual evidenciou comunicação interatrial, sinais de isomerismo brônquico esquerdo, hipoplasia do pulmão direito com suprimento arterial sistêmico para a sua base e drenagem anômala parcial da veia pulmonar inferior direita, confirmando o diagnóstico de Síndrome de Cimitarra.
Palavras chaves: Síndrome de Cimitarra; Angiografia por Tomografia Computadorizada; Diagnóstico; Doença pulmonar (especialidade); Congênito.

Introdução: O tumor de Frantz é um tumor raro, definido como neoplasia epitelial papilífera sólido-cística do pâncreas e foi descrito pela primeira vez em 1959. Corresponde a 0,17-2,7% de todas as neoplasias pancreáticas. Geralmente apresenta comportamento benigno e costuma ter bom prognóstico.
Objetivos: Apresentar o perfil clínico-cirúrgico do tumor de Frantz, descrever os principais aspectos radiológicos e realizar análise comparativa com os principais diagnósticos diferenciais.
Relato do caso: Paciente do sexo feminino, 49 anos, procurou o pronto-socorro com queixa de febre e dispnéia aos esforços após o décimo dia de diagnóstico positivo para COVID. Realizou tomografia computadorizada de tórax para avaliação do acometimento pulmonar da doença viral, sendo observado, além dos achados pulmonares, uma volumosa formação hipodensa em aparente situação retroperitoneal localizada caudalmente à cabeça do pâncreas. Foram solicitados exames complementares de tomografia computadorizada e ressonância magnética do abdome total com contraste endovenoso para melhor avaliação. Estes são ferramentas que auxiliam no diagnóstico da lesão, pois apresenta um aspecto típico com componentes sólidos e císticos. A confirmação é realizada por estudo anatomopatológico com características histológicas compatíveis com tumores de baixo grau de malignidade. A ressecção cirúrgica é o tratamento recomendado e mesmo os tumores de grandes dimensões possuem chances de cura consideráveis.
Conclusão: O tumor de Frantz, apesar de raro, deve ser considerado no diagnóstico diferencial de neoplasias pancreáticas devido ao seu bom prognóstico, apresentando boas chances de cura mesmo em grandes dimensões.

A colangite esclerosante secundária (CES) é caracterizada por estenoses focais e dilatações dos ductos biliares intra e extra-hepáticos em pacientes sem história prévia de doença hepatobiliar. As principais causas secundárias são isquêmica, medicamentosa, iatrogênica e nos pacientes criticamente enfermos (CES-PCE).
Neste relato, paciente masculino, 43 anos, diabético, hipertenso, obeso, sem história de doença hepatobiliar prévia. Necessitou de suporte ventilatório mecânico em leito de unidade de terapia intensiva (UTI) por tempo prolongado devido infecção grave por COVID-19. Na internação, apresentou múltiplas infecções nosocomiais, falência de múltiplos órgãos e aumento de enzimas canaliculares e hepáticas, bem como bilirrubina direta. A primeira Ressonância Magnética com Colangiografia (ColangioRM) apresentou-se normal. Entretanto a persistência da síndrome colestática após 30 dias, motivou a realização da segunda ColangioRM, que referiu áreas de estenose intercaladas com segmentos dilatados, aspecto em colar de contas, padrão sugestivo de colangite esclerosante. Realizada biópsia hepática que constatou fibrose portal de padrão biliar, associado a focos de colangite aguda.
A CES-PCE é uma nova forma de colangiopatia, cujos mecanismos não são totalmente esclarecidos. Apresenta fatores de risco conhecidos como sexo masculino, necessidade de ventilação mecânica, episódios de hipotensão grave, decúbito ventral e obesidade. Acredita-se que a fisiopatologia baseia-se em: isquemia biliar, inflamação sistêmica e bile tóxica. A instabilidade hemodinâmica e hipoxemia destes pacientes resultam na isquemia hepatobiliar devido a pobre vascularização nos ductos biliares, que associados à inflamação sistêmica causada pela tempestade de citocinas diminui a expressão de transportadores biliares culminando com a formação de cilindros, tornando a bile colestática tóxica. Estes fatores causam necrose de colangiócitos e estenoses, determinando obstrução biliar persistente e irreversível, com rápida progressão para cirrose hepática.
Nos últimos tempos, a COVID-19 tornou-se um problema de saúde pública e responsável pelo grande número de internações nos leitos de terapia intensiva por tempo prolongado. Seus fatores de mau prognóstico coincidem com os fatores de risco da CES-PCE e este relato chama a atenção de radiologistas para esta complicação no paciente gravemente acometido pela COVID-19.

Paciente, masculino, 62 anos, procurou pronto socorro (PS) com quadro de moderada dor abdominal refratária à analgesia. Exame físico sem alterações e exames complementares com discreta leucocitose. Solicitada tomografia computadorizada (TC) de abdome total sem qualquer contraste que evidenciou: espessamento parietal concêntrico do jejuno e do ceco associado a densificação da gordura mesentérica adjacente e a proeminência dos linfonodos regionais, podendo representar processo inflamatório. Há fecalização do conteúdo intraluminal em segmentos de alça ileal, provável lentificação do trânsito.
Paciente negou trauma abdominal e recebeu alta com antibiótico oral para tratamento de colite infecciosa.
Após três dias, paciente retornou ao PS com piora da dor abdominal associada a ausência de evacuação, surgimento de hemorragia conjuntival e taquicardia. Realizada nova história clínica, verificando-se que o mesmo era portador de fibrilação atrial, com início do uso de anticoagulante oral há um mês. Nova TC de abdome total, agora com contraste venoso, foi solicitada, evidenciando: extenso espessamento segmentar parietal concêntrico jejunal (maior em comparação ao estudo prévio) e parede intestinal desse segmento apresentando conteúdo hiperdenso/hemático. Líquido de conteúdo hemático no abdome superior, entre as alças intestinais e na pelve (hemoperitôneo). Considerar a possibilidade de hematoma intramural jejunal (sobretudo paciente em uso anticoagulação oral).
Após a realização de novos exames laboratoriais, observou-se INR 7,5. Avaliado pela equipe de cirurgia, sendo contraindicada abordagem cirúrgica, o tratamento baseou-se na correção das provas de coagulação e analgesia. Paciente evoluiu assintomático após ajuste de INR.
O hematoma intramural jejunal não traumático é entidade rara, sendo uso de anticoagulante oral a principal causa. Nas revisões analisadas, demonstrou acometer homens em tratamento de fibrilação atrial.
A TC de abdome total é o exame de escolha para o diagnóstico e, quando realizada precoce, ajuda na conduta do paciente e evita procedimento cirúrgico desnecessário. A principal característica de imagem consiste no espessamento parietal regular hiperdenso da alça intestinal. Tais achados são evidenciados mesmo sem injeção do meio de contraste venoso.
O tratamento conservador, com uso de analgesia, ajuste da dose do anticoagulante e repouso, demonstrou-se eficaz.

Lactente, sexo feminino, um mês e vinte um dias de vida, em investigação de icterícia colestática. Pré-natal de risco habitual, nasceu pequena para a idade gestacional, pesando 2700g.Não houve complicações durante o parto e alta da maternidade ocorreu com 24 horas de vida. No quinto dia, apresentou icterícia e no décimo, acolia fecal e colúria. Ao exame físico, encontrava-se hipocorada e ictérica ( 3+/4+). O fígado era palpável a 3 cm do rebordo costal direito, endurecido, e o baço era papável sob o rebordo costal esquerdo.
Exame laboratoriais relevantes:
VDRL, HIV, hepatite B e C não reagente, toxoplasmose e rubéola imune.
BT: 8,84 (0,2-1,3 mg/dL)
BD: 6,53 (0,0-0,3 mg/dL)
BI: 2,31 (0,0-1,1mg/dL)
TGO: 260 (20-30U/L)
TGP: 150 (5-45 U/L)
GGT: 542 (10-183 U/L)
FA: 465 (55-425U/L)
Realizada ultrassonografia do abdome com transdutores convexo e linear de alta frequência, após jejum de 4h que evidenciou presença de fluxo arterial ao Doppler, na região subcapsular hepática, habitualmente relacionado a vasos telangiectásicos; espessamento ecogênico do cordão fibroso anterior à bifurcação portal estimado em 2,5 mm. Vesícula biliar não foi identificada.
Por meio do estudo de elastografia ( 2D shear wave), foram realizadas 10 medidas válidas no lobo hepático direito, com a paciente em decúbito dorsal horizontal em apneia, sob janela intercostal.
Resultados: valor médio das velocidades: 2,06 m/s. IQR/mediana: 6,2 %. Tais valores sugerem aumento da rigidez hepática que favorece a hipótese de atresia biliar em relação à uma eventual hepatite neonatal.
A paciente foi então encaminhada à cirurgia para confecção de portoenteroanastomose (cirurgia de Kasai). No peroperatório o fígado tinha aspecto nodular, endurado e coloração escurecida;havia presença de cordão fibroso na topografia do leito da vesícula biliar. Foi realizada enteroenteroanastomose em Y de Roux e passagem de alça transmesocólica até porta hepatis com portoenteroanastomose.
A análise histopatológica do material proveniente da cirurgia mostrava parênquima hepático com expansão dos espaços portais, caracterizados pela proliferação de ductos biliares, reação ductular, plugs de bile intraluminais e fibrose. Estrutura de vesícula biliar não foi observada.
Diante dos achados ultrassonográficos, cirúrgicos e histológicos, confirmou-se o diagnóstico de atresia biliar, doença de elevada morbimortalidade na qual o radiologista tem papel fundamental no diagnóstico.

O Carcinoma Adenoide Cístico (ACC) é uma variante/subtipo extremamente raro (< 0,1%) de adenocarcinoma mamário que, apesar de caracteristicamente triplo-negativos, têm baixo potencial maligno e bom prognóstico - em oposição ao seu equivalente mais comum, nas glândulas salivares, onde tendem a ser bastante agressivos. Apresentamos um caso de uma mulher de 59 anos que, em estudo mamográfico e ultrassonográfico para controle de nódulo mamário (BI-RADS 3) no quadrante superolateral (QSL) da mama direita, demonstrou, no segundo ano de acompanhamento, aumento das dimensões em relação ao exame prévio, bem como surgimento de lesão adjacente de características distintas - hiperecoica à ecografia. À investigação com Sentinel Node and Occult Lesion Localisation (SNOLL), constatou-se linfonodo sentinela com ausência de neoplasia e, na peça cirúrgica (quadrantectomia), embora com aspectos de imagem bastante distintos, ambos os nódulos demonstraram características histológicas semelhantes e compatíveis com carcinoma mamário invasivo subtipo adenoide cístico, sem invasão angiolinfática. O ACC apresenta padrão de imagem variado e inespecífico, com baixa probabilidade de envolvimento linfonodal e/ou a distância, com altas taxas de sobrevida a longo prazo, porém permanecem controvérsias quanto ao manejo mais adequado devido à raridade e, portanto, falta de dados na literatura.

Rabdomiossarcoma (RMS) é um tumor agressivo, que se desenvolve a partir de células mesenquimais primitivas ligadas à embriogênese do músculo esquelético. É mais prevalente na infância, mais de 50% de todos os sarcomas de tecidos moles e infrequente em adultos, menos de 1% de todas as doenças malignas. Existem três tipos histológicos principais: RMS embrionário, mais frequente; RMS alveolar, que representa 20% dos casos; RMS pleomórfico, responsável por aproximadamente 5% dos casos e exclusivo da população adulta. A apresentação clínica varia de acordo com a localização do tumor. A ressonância magnética (RM) é o método de escolha para avaliar tumores musculoesqueléticos de tecidos moles, no diagnóstico, delineamento tumoral e acompanhamento da resposta do tumor ao tratamento. Os apectos de imagem do RMS são inespecíficos. Na RM apresenta-se com intensidade de sinal intermediário em T1 e intermediário a alto em T2, pode ter aspecto lobulado, raramente é predominantemente cístico. O realce é importante e vasos proeminentes podem ser observados no subtipo alveolar. O tipo alveolar tem o pior prognóstico, sendo que até 15% dos pacientes apresentam metástases ao diagnóstico. O caso trata-se de uma paciente 29 anos, feminino, que iniciou o quadro de congestão nasal intensa à esquerda e posterior aumento do volume paraocular ipsilateral. Ao exame físico, observou-se edema palpebral inferior importante, com hiperemia e deslocamento superior do globo ocular esquerdo. A RM de órbita e face evidenciou formação sólida de aspecto lobulado, envolvendo as fossas nasais e células etmoidais bilateralmente se estendendo também para rinofaringe, seio maxilar e órbita esquerda com destruição das paredes ósseas. A lesão apresenta hipossinal em T1 e hipersinal heterogêneo em T2/Flair, com restrição à difusão, impregnação intensa e irregular pelo contraste. Evidenciou-se também implante na adrenal, mama, mesentério e ossos. O histopatológico foi Rabdomiossarcoma do tipo alveolar, iniciando-se quimioterapia. Houve progressão de doença mesmo em vigência do tratamento e infeção do sistema nervoso central associada. Assim, observa-se a agressividade neoplasia, sendo necessário seu conhecimento, para o radiologista não só auxiliar no diagnóstico precoce, mas também na avaliação de possíveis sítios atípicos de disseminação, como a mama.

O cisto de duplicação (CD) duodenal é uma anomalia congênita rara do trato gastrointestinal (TGI). Entre 1999- 2009, foram relatados 47 casos, sendo a literatura escassa. Visto que o diagnóstico precoce é desafiador e essencial para o alívio dos sintomas e redução do risco de complicações, nosso objetivo é relatar um caso de nosso serviço, para enriquecimento da literatura e facilitação do diagnóstico precoce.
Masculino, 33 anos, referia epigastralgia, náuseas, empachamento e disfagia baixa. Diferente de episódios prévios, neste apresentava acolia fecal e colúria. Exames laboratoriais indicaram leucocitose, aumento das enzimas hepáticas, canaliculares e bilirrubina indireta. A tomografia computadorizada evidenciou formação hipoatenuante, intraluminal, compatível com cisto simples, adjacente a papila duodenal maior, exercendo efeito compressivo e dilatação de vias biliares. Complementou-se investigação com ressonância magnética de abdome superior e colangioressonância, confirmando os achados e demonstrando imagens hepáticas nodulares, subcentimétricas, com hipersinal em T2. Avaliação anatomopatológica evidenciou CD duodenal associada a colangite supurativa aguda e microabcessos hepáticos.
O CD do TGI normalmente ocorre em jejuno, porém neste relato tem-se o acometimento do duodeno. A fisiopatologia está relacionada com o pinçamento do epitélio duodenal durante o crescimento do botão pancreático dorsal. As manifestações clínicas são variáveis, incluindo dor abdominal, náuseas, vômitos, pancreatite de repetição, colestase e hepatite. O tempo entre o início dos sintomas e diagnóstico é relativamente longo, o que pode ser explicado pela escassa especificidade dos sintomas e conhecimento da entidade. A ultrassonografia pode identificar sinais sugestivos, como presença de peristalse e “assinatura intestinal”, marcada por borda hiperecóica interna, compatível com mucosa, e camada hiperecóica externa, representando o músculo próprio. A tomografia computadorizada demonstra localização e tamanho do cisto. A ressonância magnética, neste caso, permitiu a confirmação diagnóstica e descoberta de achados associados, viabilizando abordagem cirúrgica terapêutica.
Essa anomalia pode estar associada a complicações com risco de vida e sintomas que diminuem a qualidade de vida. Sendo assim, ela deve fazer parte do diagnóstico diferencial ao abordar formações císticas abdominais superiores, permitindo o diagnóstico precoce e o manejo adequado do caso.

Objetivo: Relatar o caso de um paciente diagnosticado com Cistoadenoma Mucinoso de alto grau, cuja primeira manifestação se deu na forma de apendicite aguda, sendo submetido a apendicectomia e hemicolectomia direita em hospital público. Método: as informações foram obtidas por meio de revisão do prontuário, entrevista com o paciente, registro fotográfico dos métodos diagnósticos aos quais o paciente foi submetido e revisão da literatura. Considerações finais: o caso relatado e publicações levantadas trazem à luz a discussão acerca da situação complexa que é a o Cistadenoma Mucinoso Apendicular, evidenciando a importância do seu diagnóstico precoce e tratamento cirúrgico para o aumento da sobrevida dos pacientes afetados.

Introdução:
O padrão miliar na imagem do tórax tem como principal diagnóstico diferencial a tuberculose, representando a forma hematogênica disseminada e grave da doença, exibindo alta mortalidade sem tratamento. Diagnósticos alternativos incluem: sarcoidose, doenças fúngicas invasivas, como histoplasmose, paracoccidioidomicose, blastomicose ou criptococose, e, ainda, metástases de câncer de tireoide, mama e rim. Os exames de imagem são essenciais no diagnóstico do padrão miliar, podendo ser utilizada a radiografia convencional ou a tomografia computadorizada do tórax – a última apresentando maior sensibilidade.
Descrição sucinta:
Paciente feminino, 32 anos, gestante, proveniente da Bolívia e há 01 mês no Brasil. Antecedente de pneumonia há 01 ano. Relatava cefaleia, astenia e febre não aferida há 02 dias. Na radiografia de tórax evidenciavam-se micronódulos difusos e bilaterais. Além disso, a tomografia computadorizada do tórax mostrava comprometimento pulmonar difuso bilateral por padrão micronodular com distribuição randômica. Devido ao padrão de imagem e epidemiologia do caso, foi-se aventada a hipótese de tuberculose miliar.
Discussão resumida:
O padrão miliar na radiografia do tórax é representado classicamente por um aspecto micronodular difuso, distribuído de forma simétrica. A tomografia computadorizada de alta resolução do tórax (TCAR) demonstra múltiplos micronódulos, de 1 a 3 mm de diâmetro, com distribuição randômica, sendo mais sensível do que a radiografia no papel diagnóstico.
Possíveis causas de padrão miliar pulmonar incluem doenças fúngicas e metástases de câncer de tireoide, mama e rim. Todavia, a principal etiologia para este padrão em exames de imagem do tórax é a tuberculose miliar, que representa a disseminação maciça linfohematogênica de micobactérias, levando à agressão sistêmica. Ela pode ocorrer na tuberculose primária ou pós-primária, acometendo principalmente imunodeprimidos e crianças não vacinadas pelo bacilo de Calmette-Guérin (BCG). Outras condições predisponentes incluem gravidez, pós-parto, doença renal crônica e diabetes mellitus. Se não for tratada adequadamente, a tuberculose miliar possui elevada mortalidade, o que faz essencial o início precoce da terapêutica específica.

O Lipoblastoma é um tumor mesenquimal benigno e raro, originado de células de tecido adiposo imaturas, que ocorre primariamente na primeira infância (85% dos casos antes dos 3 anos de idade e 40% antes do primeiro ano). Consistem em massas assintomáticas, indolores, de crescimento progressivo, com ótimo prognóstico, sem sinais agressividade e/ou potencial metastático, localizadas predominantemente em partes moles das extremidades, seguida pelo tronco, pescoço, retroperitônio e mediastino.
Apresentamos um caso de paciente do sexo masculino, um ano e dois meses de idade, com lesão em região supraclavicular direita há 7 meses, de crescimento progressivo. Ao estudo por Ressonância Magnética, observa-se volumosa lesão de partes moles em região supraclavicular direita, bem delimitada, discretamente heterogênea, com hipersinal em sequências ponderadas em T2 e realce pelo meio de contraste paramagnético. Realizada biópsia, com retirada de três fragmentos irregulares de tecido adiposo, amarelados, elásticos e untuosos, compatíveis com Liboplastoma. O seu aspecto de imagem na Ressonância Magnética é heterogêneo devido a sua composição, que pode variar em diferentes proporções de tecido adiposo imaturo, estroma mixoide e tecido fibroso, que tendem a guardar relação com a idade do paciente.
Apesar de não existirem achados radiológicos patognomônicos, com diagnóstico estabelecido por estudo histológico, os exames de imagem são fundamentais para a avaliação das características da lesão, estabelecimento do diagnóstico diferencial, planejamento pré-cirúrgico e seguimento pós-tratamento.

INTRODUÇÃO
O pseudoaneurisma de artéria femoral ocorre principalmente como complicação de procedimentos vasculares. É potencialmente grave, podendo levar a ruptura e hemorragia, tromboembolia, isquemia, compressão neurovascular, infecção e morte. Este relato, documentado por ultrassonografia (USG) e angiotomografia, descreve um caso em que após ampla investigação clínica não foi identificado fator etiológico.
DESCRIÇÃO
Paciente masculino, 30 anos, hipertenso, apresentou abaulamento inguinal pulsátil, doloroso, pior ao esforço, há 01 ano. História prévia de endocardite há 09 anos. Nega cirurgias, punções arteriais, trauma e uso de drogas. Ex-tabagista social. Realizado Dupplex-Scan aorto-ilíaco com artéria femoral comum esquerda pérvia; fluxo laminar, multifásico, de alta resistência; solução de continuidade importante na parede anterior em seu terço proximal com formação de grande pseudoaneurisma multilobulado, com trombo mural e fluxo em seu interior e padrão to-and-fro, medindo 3,8x3,5cm, a montante da bifurcação da artéria femoral comum, além de oclusão do terço proximal da artéria femoral superficial e tibial anterior. Angiotomografia identificou dilatação sacular, multilobulada, com trombo mural semicircunferencial e calcificação intimais, medindo 5,0x3,7cm e com 5,5cm de extensão longitudinal. Optado por tratamento cirúrgico, com colocação de prótese e anastomose com artéria femoral comum e profunda.
DISCUSSÃO
Pseudoaneurismas são dilatações anormais das artérias, delimitadas apenas pela camada adventícia ou pelo tecido perivascular, causada por ruptura e extravasamento do sangue pela parede interna do vaso. É a principal complicação vascular pós-procedimentos, com incidência de 2% em procedimentos diagnósticos e 8% nos terapêuticos. Na artéria femoral tem como causas principais iatrogenia (complicação de punção/cirurgia), uso de drogas intravenosas e trauma. O diagnóstico é confirmado por imagem, com destaque para o Doppler, que tem baixo custo, é realizado a beira leito com boa acurácia, sem uso de contraste, permite estudo do número e dimensão das cavidades e colo, distância até a pele, rede arterial distal e estruturas vasculares relacionadas - dados importantes para definição do tratamento, que pode ser expectante, cirúrgico, por compressão/injeção de trombina guiada por USG ou terapia endovascular. A angiotomografia tem valor para melhor caracterização de casos com anatomia vascular complexa, auxiliando o planejamento cirúrgico.

O Tumor Fibroso Solitário (TFS) é uma neoplasia mesenquimal incomum, originalmente descrita na pleura e com localização hepática rara. Afeta indivíduos do sexo feminino, de meia idade, de crescimento lento e sintomas inespecíficos. São definidos como grandes tumores benignos de células fusiformes multinodulares, mas não há uma classificação precisa devido à raridade da doença. São geralmente massas únicas, bem circunscritas, com realce heterogêneo e altamente vasculares. A avaliação laboratorial geralmente não mostra anormalidades. As características clínicas e radiológicas por si só são insuficientes para fazer um diagnóstico de tumor fibroso solitário, sendo seu diagnóstico dependente de exame anatomopatológico e imuno-histoquímica, com positividade de CD-34. No diagnóstico diferencial se inclui fibrossarcoma, leiomiossarcoma e histiocitoma fibroso. O tratamento em geral é cirúrgico. Apresentamos, então, o caso de uma mulher de 44 anos, queixando-se de cansaço e dor em hipocôndrio direito por 6 meses sem febre ou icterícia. A tomografia computadorizada demonstrou formação expansiva de grandes dimensões (28,0 x 18,1 x 17,0cm) localizada em região subcapsular inferolateral do lobo hepático direito, determinando efeito compressivo. Tal formação possui atenuação heterogênea, predominantemente cística e apresenta realce periférico e centrípeto, com cápsula regular captante de contraste. Diante do caso, procedeu-se tentativa de embolização tumoral e posterior hepatectomia parcial à direita. Ao exame imuno-histoquímico marcadores sugeriam tumor fibroso solitário do fígado. A paciente faleceu no pós-operatório imediato.

Introdução:
A adenopatia induzida por silicone é uma entidade clínica de prevalência incerta e que está associada à deposição de silicone nos linfonodos através da migração linfática de partículas. Acomete preferencialmente as regiões axilares e geralmente são encontradas como achados tardios à inclusão do implante mamário, em média de 6 a 10 anos.
Descrição sucinta:
Paciente sexo feminino de 62 anos com antecedente pessoal de neoplasia de mama esquerda com cirurgia conservadora e reconstrução com implante de silicone, associada a radioterapia e quimioterapia. Realizava seguimento oncológico e não apresentava nenhuma queixa específica.
Na ressonância magnética das mamas foram evidenciados dois linfonodos na cadeia torácica interna esquerda de aspecto indeterminado, para os quais recomendou-se prosseguimento na investigação diagnóstica. Realizado PET-CT oncológico que evidenciou dois linfonodos sem atividade metabólica glicolítica. No exame ultrassonográfico foi observado sinal da "tempestade de neve", achado compatível com infiltração por silicone. No entanto, por desejo da paciente, também foi indicada a biópsia do linfonodo para confirmação diagnóstica, com achado de: linfonodo com reação inflamatória histiocitária com células com citoplasmas multivacuolados e células gigantes do tipo corpo estranho compatível com “granuloma de silicone”.
Discussão resumida:
Os achados de imagem podem gerar dúvida diagnóstica a depender do método utilizado, principalmente em pacientes de alto risco, o que ocasionalmente determina a realização de procedimentos invasivos por desejo e ansiedade da paciente. O diagnóstico é confirmado apenas através do exame anatomopatológico da lesão. No entanto, alguns achados de imagem característicos podem auxiliar no raciocínio clínico, tais como o sinal da "tempestade de neve" visto ao exame ultrassonográfico, que possui alta especificidade, bem como a ausência de atividade glicometabólica ao PET-CT, os quais indicam características benignas da lesão e, portanto, devem ser considerados antes de indicação de biópsia desnecessária.

História clínica:
Mulher, 67 anos, com dor abdominal, perda de peso, vômitos e anorexia há 3 meses, além de massa palpável no hipocôndrio direito. Realizou TC de abdome com contraste que evidenciou volumosa massa heterogênea e exofitica com origem no duodeno, com áreas de ulceração e necrose, em contato com o fígado. A endoscopia digestiva alta mostrou lesão vegetante ulcerada no bulbo duodenal. A hipótese diagnóstica foi GIST duodenal gigante.
Discussão e diagnóstico:
Mais de 60% dos tumores do intestino delgado surgem no duodeno e têm pior prognóstico em comparação a outras neoplasias gastrointestinais. Dentre os tumores malignos duodenais, o adenocarcinoma é o mais comum (80 a 90% dos casos). Na Tomografia Computadorizada (TC), pode ser visto como espessamento irregular, concêntrico ou assimétrico, de um segmento curto da parede intestinal, ou como massa polipoide, com ou sem estreitamento luminal, necrose ou ulceração. Invasão locorregional e envolvimento linfonodal estão frequentemente presentes desde o início do quadro. GISTs representam cerca de 3-5% dos tumores malignos duodenais, sendo a localização mais comum na segunda porção do órgão. Na TC, apresenta-se tipicamente como massa heterogênea, hipervascular e volumosa, com áreas centrais de necrose, degeneração cística e hemorragia. Ulceração e fistulização para o trato gastrointestinal podem ocorrer. Quando gigantes, as vezes é difícil definir o órgão de origem devido ao aspecto exofitico da lesão.
No presente caso, os achados da TC de abdome foram sugestivos de GIST duodenal gigante. No entanto, a biópsia por via endoscópica foi consistente com adenocarcinoma.
Conclusão:
Relatamos uma apresentação atípica de um adenocarcinoma de bulbo duodenal como massa exofitica gigante, com achados na TC sugestivos de GIST.

A Neuropatia Óptica Traumática (NOT) é uma causa incomum de déficit visual após traumatismo cranioencefálico (0,5 - 5%), com elevada morbidade, sobretudo como consequência do acometimento/disfunção bilateral do nervo óptico, com possibilidade de perda permanente da visão. O mecanismo de injúria mais comum é o indireto.
O diagnóstico de NOT é estabelecido através da conjunção de exames de imagem - notadamente Ressonância Magnética -, história clínica e exame físico; que, por vezes, pode ser desafiador diante do contexto neurológico e quadro clínico desfavorável.
Apresentamos o caso de uma paciente do sexo feminino, 57 anos, com queda de bicicleta, trazida ao hospital em Glasgow 13, sinal do "guaxinim" e sem déficits motores, com Tomografia Computadorizada de Crânio demonstrando fraturas multifragmentadas em ossos da face, com hematoma extraconal bilateral e hemossinus, hemorragia subaracnoide e contusão hemorrágica na base do lobo frontal à esquerda. Evoluiu no terceiro dia de internação com amaurose bilateral abrupta e persistente, sendo submetida, posteriormente, à Ressonância Magnética de Crânio, que evidenciou áreas de hemorragia intraparenquimatosa recentes na base do lobo frontal esquerdo, comprometendo o giro reto e giros orbitários, envoltas por edema vasogênico, além de alteração de sinal e difusão restrita no nervo óptico bilateralmente, de forma mais evidente à esquerda.
Obteve alta hospitalar 16 dias após sua instalação do déficit visual, com persistência do quadro, sendo referenciada a acompanhamento oftalmológico.
Apesar do manejo e tratamento de pacientes com NOT não ser consensual, é indiscutível que o diagnóstico precoce e preciso tem valor prognóstico na recuperação dos danos traumáticos estabelecidos.

Introdução:
A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica endêmica no Brasil, causada por
Paracoccidioides brasiliensis e Paracoccidioides lutzii, apresentando-se geralmente na como
doença crônica em adultos. Sua forma aguda é pouco observada e muitas vezes se confunde
com outras doenças sistêmicas. O correto diagnóstico é importante para o pronto tratamento e
prevenção de complicações.
Descrição:
JCN, 9 anos, sexo feminino, procedente de Barretos/SP, com quadro de dor abdominal difusa
há uma semana e episódios de diarréia e vômito. Ao exame físico notava-se linfonodo cervical
aumentado. A ultrassonografia de abdome evidenciou múltiplas linfonodomegalias mesentéricas
e retroperitoneais. Paciente encaminhada para investigação de doença linfoproliferativa,
prosseguindo a avaliação com biópsia de linfonodo cervical e tomografia computadorizada de
pescoço, tórax e abdome, que evidenciaram múltiplas linfonodomegalias cervicais, axilares, retroperitoneais e mesentéricas, associadas a discreto espessamento e realce
mucoso ileocecal e discreta hepatoesplenomegalia. A análise histológica demonstrou
paracoccidioidomicose.
Discussão:
A paracoccidioidomicose é transmitida através de propágulos pelas vias respiratórias, aspirados
de solo contaminado, sem predileção por sexo.
Existem 3 formas clínicas: forma aguda/subaguda (3-5%), forma crônica (90%) e forma sequelar.
Na forma crônica a infecção ocorre geralmente entre os 10 e 20 anos e a evolução para doença
entre 30 e 50 anos. A forma aguda/subaguda predomina em crianças e adolescentes,
caracterizando-se por evolução rápida (4 a 12 semanas), com achados principais de
linfonodomegalia, hepatoesplenomegalia, alterações digestivas, cutâneas e osteoarticulares. O
envolvimento do sistema linfático é uma das manifestações clínicas mais comuns, apresentandose como linfonodomegalia regional ou generalizada, predominando nas cadeias cervicais,
axilares e abdominais, podendo acometer também órgãos ricos em tecido linfóide, como o íleo
distal e apêndice cecal. Em exames de imagem, os linfonodos afetados podem estar
aumentados de dimensões, ter ou não aspecto supurativo ou ter calcificações, incluindo-se no
diagnóstico diferencial as doenças linfoproliferativas, neoplasia metastática e tuberculose. O
diagnóstico é feito pelo exame a fresco de escarro e/ou fragmentos de tecidos acometidos
obtidos por biópsia. O tratamento é realizado com antifúngicos, que se mostram eficazes nas
diversas formas da doença.

1) História clínica:
Paciente masculino, 12 anos, em consulta ambulatorial, relata dor em pé direito há 02 anos que piora durante atividades físicas ou em posição ortostática. Nega traumaS prévios. Ao exame físico apresentou pé plano flexível, sem outros achados relevantes.
Radiografia dos pés evidenciando pé plano, bilateral.
Aventada a hipótese diagnóstica de fadiga secundária ao pé plano. Conduta inicial adotada foi conservadora e solicitado TC dos pés.
Tomografia dos pés demonstrou a presença de coalizão cubóide-navicular. Paciente aguarda retorno ambulatorial para definição de conduta.
2) Discussão e diagnóstico:
Coalizão tarsal é o termo utilizado para se referir a uma anomalia congênita que corresponde a fusão entre dois ou mais ossos do tarso. Sua incidência é em torno de 2% com uma discreta predileção pelo sexo masculino.
Podem ser classificadas em óssea, cartilaginosa ou fibrosa e sua nomenclatura se baseia nos ossos acometidos, sendo as coalizões talocalcânea e calcâneonavicular as mais comuns, representando cerca de 90%. As coalizões cubóide-navicular são raras, acometendo em torno de 1% dos casos.
Acredita-se que a maioria dos paciente que apresentam coalizão cuboide-navicular serão assintomáticos ou apresentarão dor durante a atividade física ou longas caminhadas. Associa-se, ainda, uma maior incidência de entorses do tornozelo nos pacientes acometidos, bem como a associação da dor em pacientes com pé planos.
O diagnóstico se baseia em exames semiológicos e através de métodos de imagem, tendo a tomografia computadorizada um papel de destaque na elucidação diagnóstica, estratificar a extensão da lesão e no controle pós-operatório.
As coalizões tarsais do tipo cubóide-navicular, sintomáticas, podem ser tratadas conservadoramente ou atráves de cirurgias, mais comumente, a ressecção com interposição de enxerto com tecido adiposo.
3) Conclusões
As coliazões tarsais classificadas como cubóide-navicular são acometimentos raros, correspondente a aproximadamente 1% dos casos. Em muitos pacientes, a sintomatologia é pobre ou pode estar associado a outras alterações como pé plano, ocultando o diagnóstico. Nesse contexto, os exames de imagens, em particular a tomografia computadorizada, desempenha um papel fundamental na elucidação diagnóstica.

Introdução: A Cutis Verticis Gyrata é uma doença rara com acometimento dermatológico do couro cabeludo, onde o mesmo se apresenta de aspecto cerebriforme com sulcos e giros, em vários graus, podendo ocorrer progressivo crescimento. É uma doença mais comum em homens (proporção de 5: 1 em relação as mulheres), estigmatizante em alguns casos, de diagnóstico clínico simples, com repercussões físicas e emocionais para a vida dos pacientes. Descrição: Paciente E.G.O.S, 15 anos, feminino, refere ambulatorialmente percepção há cerca de 2 anos de aumento do volume em região de calota craniana (ápice) indolor, de consistência amolecida, aspecto cerebriforme com sulcos e giros, sem crescimento, negando trauma local. Submetida a tomografia computadorizada e ressonância magnética de crânio, onde foi sugerido o diagnóstico de Cutis Verticis Gyrata. Exame anatomopatológico demonstrou discreta foliculite local. Discussão: A Cutis Verticis Gyrata foi descrita inicialmente por Jean-Louis-Marc Alibert em 1837 e possui etiologia indefinida até então. A maioria se apresenta na puberdade e acredita-se que fatores endócrinos como a testosterona podem ser responsáveis pela predileção ao sexo masculino. Pode ser classificada em primária ou secundária a diversas doenças como amiloidose, sífilis, esclerose tuberosa, dentre outras. O espectro de apresentação clínica pode variar entre casos leves (muitas vezes subdiagnosticados) e severos. Os casos leves comumente são identificados apenas por exames de imagens. Embora o diagnóstico seja essencialmente clínico, os exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética do crânio desempenham um importante papel para propedêutica e confirmação diagnóstica.

O sarcoma de Kaposi (SK) é uma neoplasia angioproliferativa de baixo grau, causado pelo herpes vírus humano-8 (HHV-8), observado principalmente em pacientes imunocomprometidos, como nos transplantados de órgãos sólidos, relacionados à forma iatrogênica da doença.
A prevalência de SK pós transplante é variável, dependendo da prevalência da infecção pelo HHV-8 na população geral. A maioria dos casos de SK pós-transplantes se desenvolve como reativação viral.
As manifestações cutâneas e pulmonares do SK são bem conhecidas, mas o SK hepático raramente é relatado em paciente vivos, já que têm curso agressivo e pouco sintomático.
O objetivo desta exposição é ilustrar os achados de imagem do acometimento do SK hepático
da forma iatrogênica (após transplante) e destacar as características que auxiliam na diferenciação.

Introdução: A Síndrome da Congestão Pélvica (SCP) é caracterizada pelo surgimento de varizes pélvicas devido a congestão/estase venosa. É uma importante causa de dor abdominal/pélvica crônica (> 6 meses) subdiagnosticada, que piora com a posição ortostática e deve sempre ser lembrada como diagnóstico diferencial de dores nessa região, principalmente em mulheres na pré-menopausa e multíparas. Descrição: Paciente M.P.M.S, 75 anos, feminino, refere à admissão dor hipogástrica, fossa ilíaca e região lombar à esquerda com irradiação para o baixo ventre há cerca de 2 anos, sem achados justificáveis em propedêutica realizada com colonoscopia, endoscopia digestiva alta e ultrassonografia de rins e vias urinárias. Submetida à tomografia de abdome e pelve com contraste, evidenciando sinais de ingurgitamento venoso pélvico parauterino com ectasia de veias ovarianas, mais evidentes à esquerda, compatíveis com varizes pélvicas e Síndrome de Congestão Pélvica (SCP). Discussão: Por ser uma doença de relativa raridade, sua prevalência é estimada em torno de 0-10% na população geral, considerando muitos casos subdiagnosticados na população geral. Comumente está associada a varizes em membros inferiores (achado mais comum) e vulvares, hemorroidas, dispareunia, dismenorreia e disúria. A SCP é importante causa de diagnóstico diferencial de patologias lombares e pélvicas como acometimentos osteoarticulares, endometriose, diverticulite, dentre outros, sendo então de grande relevância clínica para diversas especialidades médicas.

Introdução:
O tumor embrionário com rosetas em multicamadas, C19MC-alterado (ETMR) é formalmente assim denominado de acordo com a Classificação de Tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) da OMS de 2016 e está associada a anormalidade no locus C19MC no cromossomo 19q13.42. Trata-se de um tumor raro (menos de 100 casos descritos na literatura até 2018), agressivo, de crescimento rápido, mais comum no compartimento supratentorial, e de maior prevalência em menores de 4 anos.
Os achados de imagens do ETMR são variáveis e pouco descritos na literatura. Comumente, apresenta-se como grandes massas supratentoriais, heterogêneas, hipercelulares, com iso ou hipersinal em T2 e restrição à difusão, com cistos e calcificações de permeio e/ou com necrose e hemorragia no seu interior.
O relato tem como objetivo descrever um raro caso de ETMR diagnosticado incidentalmente.
Descrição:
Pré-escolar masculino, 3 anos, admitido por queda com traumatismo cranioencefálico há 4 dias, acentuando-se os sintomas de cefaléia, vômitos e fraqueza que já apresentava há mais de 6 meses. Ao exame neurológico, apresentou estrabismo convergente, diminuição e assimetria da coordenação motora em todos os membros.
A Tomografia Computadorizada de crânio realizada na origem apresentava formação expansiva supratentorial heterogênea, melhor caracterizada pela Ressonância Magnética encefálica que evidenciou lesão expansiva heterogênea infiltrativa com áreas císticas/necróticas e focos de hemorragia/calcificação no seu interior, com epicentro no corpo caloso e extensão para os ventrículos laterais, giro do cíngulo, coroa radiada e tálamo esquerdo, determinando compressão e dilatação dos ventrículos laterais e do 3º ventrículo. A espectroscopia evidenciou aumento de colina em relação à creatina, inferindo proliferação celular, bem como picos de lipídeos/lactato inferindo anaerobiose/necrose. RM da coluna vertebral sem alterações.
O paciente foi submetido a biópsia excisional com diagnóstico histopatológico e imunohistoquímico de ETMR.
Discussão:
A pesquisa por processos neoplásicos deve sempre ser feita nos exames de neuroimagem, para todas as indicações, como no presente caso. E apesar das características imaginológicas dos tumores do SNC se sobreporem, as possibilidades etiológicas se restringem diante de certos achados e o neurorradiologista desempenha papel fundamental em aventar tais hipóteses para planejamento das condutas antes mesmo do diagnóstico histopatológico, como no presente caso.

Introdução:
A DL é uma doença inflamatória multissistêmica causada pela espiroqueta Borrelia burgdorferi, transmitida pelo carrapato do gênero Ixodes. De acordo com o estágio/tempo de doença, desenvolvem-se as manifestações clínicas, como sintomas gripais e eritema migratório nas fases mais precoces e acometimento articular, cardiovascular e neurológico em estágios mais raros/avançados.
O mecanismo fisiopatológico do envolvimento neurológico ainda não foi elucidado e as manifestações são bastante variáveis, por vezes apresentando-se com paralisia facial, achados de encefalomielite/neurite nos exames de imagem ou sua tríade clássica: meningite, neurite craniana e radiculopatia periférica. Os critérios diagnósticos incluem síndromes clínicas clássicas com confirmação sorológica e o tratamento baseia-se no uso de antibióticos.
O relato tem como objetivo descrever um caso de doença de Lyme com manifestações atípicas e envolvimento neurológico.
Descrição:
Masculino, 47 anos, apresentando cefaleia holocraniana há dois meses, paresia nos membros inferiores (MMII) e redução da acuidade visual transitória há uma semana. Ao exame físico apresentava paresia dos MMII, hiperreflexia patelar e aquileu e ausência de sinais meníngeos. Exames laboratoriais com leucocitose, eosinofilia e marcadores inflamatórios aumentados. Liquor inespecífico com pesquisa de fungos, células neoplásicas e BAAR negativas. A Ressonância Magnética do encéfalo evidenciou lesões cortico/ subcorticais com hipersinal na ponderação T2 nas regiões parassagitais dos lobos parietais, esplênio do corpo caloso, algumas áreas com restrição à difusão e realce leptomeníngeo, sugerindo processo inflamatório/infeccioso.
Apesar da apresentação atípica dos achados nos exames de imagem, a hipótese diagnóstica de Doença de Lyme (DL) foi aventada pela equipe da neurorradiologia, sendo confirmada com sorologia e líquor positivos.
Discussão:
A suspeita de DL deve ser lembrada no diagnóstico diferencial de processos inflamatórios/infecciosos, para tratamento adequado a fim de se evitar a recorrência clínica e a progressão das manifestações neurológicas e cardiovasculares.
Apesar de os achados de neuroimagem serem raros, mesmo nos pacientes com manifestações neurológicas, o neurorradiologista desempenha papel fundamental no diagnóstico desse paciente através dos achados da Ressonância Magnética, principalmente nos casos em que as manifestações são atípicas.

Paciente, 24 anos, sexo masculino, sem comorbidades, procura serviço de atendimento médico por queixa de tosse seca e rouquidão há 3 meses. Refere etilismo social, e nega tabagismo. Nega antecedente pessoal e familiar de doença obstrutiva do trato respiratório, bem como neoplasias. Ao exame físico, foram identificadas pequenas lesões polipoides confluentes e endurecidas na orofaringe. A ausculta respiratória evidenciou estridores inspiratórios mais evidentes no terço médio do pulmão direito. A hipótese diagnóstica de papilomatose laringotraqueobrônquica foi realizada. Efetuada a complementação diagnóstica com tomografia computadorizada do tórax, onde foram observadas lesões nodulares sólidas em estágios evolutivos diferentes, um apresentava escavação, e lesões císticas bilaterais. A endoscopia respiratória seguida por biópsia endoscópica das lesões polipoides também foi utilizada como complementação diagnóstica. O resultado histopatológico confirmou a hipótese diagnóstica, sendo realizada a ressecção endoscópica por laser de CO² das lesões polipoides faríngeas.
A papilomatose laringotraqueobrônquica possui como agente etiológico o HPV, se apresenta como lesões polipoides, acometendo de forma parcial ou total o trato aerodigestivo, com predileção para a laringe. O envolvimento do parênquima pulmonar é raro e ocorre em, aproximadamente, 1% dos indivíduos acometidos.
As crianças são as mais afetadas por esta doença, embora possa ser observada também em adultos.
O quadro clínico é variável, usualmente representando o tamanho das lesões polipoides presentes no trato aerodigestivo e a extensão do parênquima pulmonar quando acometido, resultando em dispneia, rouquidão, estridor inspiratório, tosse seca, hemoptise, e, em casos mais graves, insuficiência respiratória e sepse.
Apesar do diagnóstico definitivo ser feito através do estudo histopatológico das lesões polipoides, a visualização direta através da endoscopia respiratória e os exames de imagem, sobretudo a tomografia computadorizada, podem auxiliar na elucidação diagnóstica.
Os achados tomográficos do tórax mais comuns são representados pelos cistos com espessura parietal variável esparsos no parênquima pulmonar, e os nódulos ovalados sólidos que, eventualmente, podem se tornar escavados.
O tratamento padrão realizado é a ablação das lesões papilomatosas com laser de CO², com relativa frequência de recorrências. O prognóstico é desfavorável quando há grandes e numerosas manifestações pulmonares.

INTRODUÇÃO: O cistoadenoma mucinoso do apêndice (CMA) é uma neoplasia benigna definida por acúmulo de substância mucinosa e distensão da luz do órgão, provocadas pela metaplasia focal ou difusa do epitélio superficial da mucosa. Lesões abdominais com infiltração por adenocarcinoma com focos de padrão mucinoso são raras, sendo observadas em 0,07 a 0,3% das apendicectomias realizadas. Este artigo tem por objetivo relatar um caso de CMA. DESCRIÇÃO: Paciente masculino, 61 anos de idade, com quadro de dor abdominal em fossa ilíaca direita e perda ponderal há cerca de 2 anos. À época, realizou uma tomografia computadorizada (TC) de abdome superior que evidenciou coleção heterogênea medindo 9 x 8 cm na goteira parieto-cólica direita, rechaçando anteriormente o cólon direito e em íntima relação com o rebordo hepático. Após, foi realizada incisão mediana para drenagem de abscesso retroperitoneal, sob suspeita de apendicite complicada, com colocação de dreno. Meses depois, verificou-se a presença de fístula enterocutânea exteriorizada em orifício de dreno associada a abscesso pericecal, com a realização de colectomia direita. Há 6 meses, após identificado abaulamento na parede abdominal direita, foi realizada TC de abdome total que evidenciou coleção loculada, de paredes espessadas, em região da goteira parieto-cólica/parede abdominal direita, e foi feita reintervenção cirúrgica por suspeita de cisto hidático infectado. Há 4 meses, paciente foi internado por fístula enterocutânea exteriorizada em ferida operatória subcostal para acompanhamento clínico. Atualmente apresenta massa vegetante exteriorizada em hipocôndrio direito em incisão subcostal direita prévia com drenagem de secreção piohemática. Foi realizada TC de abdome total, que evidenciou extensa coleção multiloculada com inclusões gasosas e realce parietal ao meio de contraste, sugestivo de abscesso; a coleção apresenta amplo trajeto fistuloso para o subcutâneo e pele no flanco direito. O diagnóstico de adenocarcinoma com focos de padrão mucinoso foi feito a partir de exames de imagem, e confirmado pelo histopatológico. DISCUSSÃO: A mucosa do apêndice pode sofrer transformação, focal ou difusa, benigna e restrita ao epitélio superficial da mucosa, originando o CMA. Os sintomas são inespecíficos, então, faz-se necessária investigação diagnóstica das mucoceles do apêndice, utilizando métodos como a US e a TC do abdome associados ao enema opaco e a colonoscopia para identificar a lesão.

Introdução:
A encefalopatia hepática (EH) se refere a um espectro de alterações neuropsiquiátricas, usualmente reversíveis, apresentadas por pacientes portadores de disfunção hepática crônica ou aguda. O acúmulo de neurotoxinas, principalmente a amônia, é responsável pelos sinais e sintomas da EH e a eliminação desse metabólito é a base do seu tratamento. Os quadros variam desde um acometimento sutil até o desenvolvimento de complicações graves com risco de morte, sendo as alterações cognitivas, comportamentais e disfunção neuromuscular as manifestações mais comuns.
Por não se tratar de um quadro clínico facilmente distinguível, os exames de imagem muitas vezes viabilizam o diagnóstico correto dessa entidade. Os achados mais comuns na ressonância magnética encefálica são lesões de hipersinal nas ponderações em T1 e T2, bilaterais e simétricas nos globos pálidos, putâmens, regiões subtalâmicas, substância negra e adeno-hipófise.
O relato tem como objetivo descrever um caso de EH aguda, com achados neurorradiológicos típicos e diagnosticado por exames de neuroimagem.
Descrição:
Paciente feminina, 24 anos, tabagista, etilista, portadora de lúpus eritematoso sistêmico e hepatite B em tratamento irregular, apresentando hiporexia, vômitos e fadiga há 1 dia, evoluindo com sonolência e confusão mental. Exames laboratoriais evidenciando aumento das enzimas hepáticas e da amônia, sendo então, internada com a hipótese de hepatite aguda.
Descartando-se as demais possibilidades etiológicas para o quadro da paciente, foi realizada ressonância magnética encefálica, observando-se extensas lesões de hipersinal na ponderação T2 e restrição no estudo por difusão nas regiões cortical/substância branca nos lobos temporais, insulas, núcleos da base e tálamos bilateralmente, sugerindo-se a possibilidade de encefalopatia hepática aguda.
Os achados de neuroimagem típicos associados ao quadro clínico e laboratorial levaram ao diagnóstico da encefalopatia hepática de etiologia provavelmente relacionada ao vírus B.
Discussão:
As doenças toxicometabólicas que acometem o sistema nervoso central dificilmente são diagnosticadas apenas pelo quadro clínico. Certas entidades apresentam achados neurorradiológicos típicos, como no caso apresentado, que podem orientar o diagnóstico precoce e preciso. Neste sentido, o neurorradiologista desempenha papel fundamental na detecção de tais achados, os quais, junto ao quadro clínico e laboratorial, determinam uma terapêutica precoce e específica.

Introdução e objetivos
A tomografia computadorizada com protocolo quadridimensional (TC4D) da paratireoide é utilizada para a localização pré-operatória de tecido da paratireoide anormal em paciente com clínica e alterações laboratoriais de hiperparatireoidismo primário (HPTP). Dessa forma, possibilita a realização da paratireoidectomia minimamente invasiva, ou seja, é extraído apenas o tecido anormal. O protocolo 4D consiste em três fases, sendo elas: uma fase sem contraste, outra arterial (começando 30 segundos após o início da injeção do material de contraste) e, por fim, uma fase venosa (começando 60 segundos após início da injeção do material de contraste). O papel do radiologista é fornecer ao cirurgião um mapa detalhado do pescoço do paciente com HPTP, descrevendo as características e localização das lesões da paratireóide candidatas a ressecção. Este trabalho possui como objetivo relatar o caso de uma paciente com HPTP que foi submetida ao protocolo TC4D para detecção de lesão, com posterior ressecção e confirmação por anatomopatológico de adenoma da paratireóide.
Discussão
Paciente de 54 anos, assintomática, com histórico de nefrolitíase e osteopenia. Em exames laboratoriais de rotina, foram evidenciados elevação dos níveis de paratormônio 254 pg/ml – (VR: 10 a 65 pg/nl), cálcio total 11,8 mg/dl (VR: 8,8 a 10,4 mg/dl) e cálcio iônico 1,48 nmol/l (VR: 1 a 1,3 mmol/l).
A paciente então foi submetida a TC4D para investigação, sendo evidenciada uma formação nodular localizada posteroinferiormente ao lobo tireoidiano direito, na topografia do sulco traqueo-esofagenao, medindo 1,6 x 1,1 x 0,6 cm nos seus maiores eixos (craniocaudal x ântero-posterior x laterolateral), hipodensa em relação ao parênquima tireoidiano , com intenso realce na fase arterial e "washout" nas aquisições mais tardias. Observando-se, ainda, a presença de pequena estrutura vascular adjacente, podendo representar o sinal do vaso polar. As características da lesão sugeriam nódulo na paratiróide à direita, sendo que, no contexto clínico-laboratoiral, a possibilidade de adenoma foi considerada.

Complicações tromboembólicas são frequentes em pacientes com COVID-19. O modelo criado pelo patologista alemão Rudolf Virchow baseia-se em uma tríade de fatores que aumentam o risco da formação de trombos no leito vascular. A tríade é composta por um estado de hipercoagulabilidade, lesão endotelial e estase venosa. No final do ano de 2019, os primeiros casos de COVID-19 começaram a surgir na Ásia e os primeiros relatos de complicações tromboembólicas como tromboembolismo pulmonar e trombose venosa profunda foram divulgados na literatura.
Sugere-se uma fisiopatologia multifatorial para esse fenômeno no caso da infecção pelo SARS-CoV-2, sendo que o processo inflamatório exacerbado promove o estado de hipercoagulabilidade e a agressão direta das células endoteliais devido a afinidade do SARS-CoV-2 pelos receptores da enzima conversora de angiotensina 2 são as principais hipóteses para justificar essa complicação. A Tríade de Virchow se completa principalmente em pacientes graves, quando a estase venosa é mais presente naqueles onde há necessidade de leito de UTI.
O caso a ser apresentado é referente à um paciente do sexo masculino de 36 anos sem comorbidades, com diagnóstico de COVID-19 há 30 dias, sem necessidade de internação e que apresentou quadro álgico abdominal súbito e de intensidade progressiva. A tomografia de abdome com contraste evidenciou falha de enchimento no interior do tronco celíaco e artéria esplênica, associado à extensa hipocaptação do meio de contraste pelo parênquima esplênico. A hipótese de trombose da artéria esplênica associada a infarto esplênico foi proposta e devido à extensão da lesão isquêmica foi optado pelo tratamento cirúrgico.

Introdução: O nevo melanocítico congênito gigante (NMCG) ocorre em 1: 20.000 recém-nascidos, e o risco de transformação maligna ao longo da vida é 2 a 5%. Diante dessa premissa, relatamos um caso raro de NMCG com transformação maligna e metástase em mediastino anterior. Ressaltamos também a importância da tomografia computadorizada (TC) como exame de escolha para investigação precoce. Descrição: Paciente feminina, 7 anos, procura a emergência do hospital por prostração, dores difusas, perda de peso e alterações hematimétricas nos exames laboratoriais. História prévia de NMCG envolvendo a cintura pélvica e raiz das coxas, com formato “em calção de banho”. Mantinha revisão semestral com biópsias seriadas, cujos anatomopatológicos desde o início do acompanhamento mostravam ausência de sinais de malignização. Durante a investigação, realizou TC de tórax e abdome, as quais constataram formação expansiva, localizada no mediastino ântero-superior, com áreas hipodensas centrais, realce heterogêneo ao meio de contraste, medindo cerca de 7,9 x 6,9 x 3,4 cm, de diagnóstico inespecífico. Levando em consideração a idade e a localização de tal alteração, a hipótese principal sugerida foi doença linfoproliferativa. Achados adicionaisdo exame de imagem tornavam essa suposição menos provável, entre os quais, nódulos pulmonares com densidade de partes moles, múltiplos nódulos hepáticos hipovasculares e linfonodomegalias abdominais e inguinais. Essas alterações divergentes, somadas à história pregressa de NMCG, apontavam o MM como diagnóstico diferencial. Dando prosseguimento, foi submetida à biópsia de linfonodo inguinal, sendo compatível com MM. Concluiu tratar-se de doença metastática secundária a transformação maligna de NMCG, sendo optado pelo manejo paliativo da paciente. Discussão: Os locais mais comuns de MM são o parênquima pulmonar, o fígado e o sistema nervoso central. O acometimento dos linfonodos do mediastino anterior é infrequente, e depende da localização da lesão primária e da sua drenagem linfática. Os diagnósticos diferenciais iniciais a serem considerados em doenças do mediastino anterior são linfoma, doença granulomatosa e/ou infecciosa (sarcoidose, tuberculose), timoma, bócio subesternal e os tumores de células germinativas. Em crianças, a causa mais prevalente é o linfoma. Apesar de raro, a alta agressividade do MM justifica o acometimento de locais imprevistos em exames de imagem, apresentando poucos relatos na literatura.

O hemangiopericitoma é um raro tumor procedente de células de vasos venosos que afeta diversos órgãos e tecidos, sendo os mais comuns:  retroperitôneo, meninges, pelve e pulmões. Estima-se que a neoplasia é responsável por 0,4% de todos os tumores primários do sistema nervoso central. No presente relato, abordaremos essa lesão como tumor intracraniano em gestantes, algo pouco explorado na literatura médica, mas com possível associação com o desenvolvimento placentário e a formação da neoplasia.

Introdução: A artéria de Percheron, rara variação anatômica, é um ramo único da artéria cerebral posterior responsável pelo suprimento sanguíneo bilateral do território talâmico paramediano e do mesencéfalo rostral. Quando ocluída, apresenta-se com infarto bitalâmico com áreas majoritariamente simétricas de isquemia. Clinicamente pode-se apresentar de forma súbita e variável, com distúrbios do estado mental, motores oculares, afasia ou disartria, ataxia, cefaleia ou estado comatoso. Nos exames de imagem, os achados são típicos de isquemia da região talâmica, porém bilaterais. Na Ressonância Magnética (RM), o infarto é definido como hipersinal em T2 e FLAIR e hipointenso no ADC na região paramediana do tálamo bilateralmente.
Descrição: Paciente de 77 anos, hipertensa e diabética, trazida ao serviço emergência com ataxia, rebaixamento do nível de consciência, afasia, agnosia, hemiplegia do membro superior direito e paresia do membro superior esquerdo e membros inferiores. Tomografia Computadorizada (TC) de crânio realizada na emergência demonstrou ausência de lesões hemorrágicas, sem demais achados. Foi realizada uma consultoria com a neurologia que orientou terapia com AAS, clopidogrel e atorvastatina, além de sugerir angio-TC crânio-cervical. Durante a internação a paciente permaneceu com rebaixamento sensório flutuante. Realizou-se ecocardiograma demonstrando fibrilação atrial. A angio-TC de encéfalo foi sugestiva de artéria de Percheron ocluída. Na RM, identificou-se sinais compatíveis com acidente vascular cerebral por obstrução de tal artéria. Após 10 dias de internação recebeu alta.
Discussão: A oclusão de tal vaso, embora rara, é um desafio diagnóstico, sendo de suma importância sua identificação precisa e a breve instituição da terapia. Como demonstrado no caso, a TC e, em especial, a RM têm um papel chave no diagnóstico, devendo se atentar nos achados típicos, que nesse caso foram tais quais os descritos na literatura. Ademais, os aspectos clínicos devem ser contemplados, com ênfase na deterioração do sensório.

a) História Clínica:
Paciente do sexo feminino, 13 anos, em consulta ambulatorial no serviço de gastropediatria com queixa de hematêmese associado a quadros de constipação e dor abdominal. Trouxe consigo exames externos evidenciando presença de varizes de médio calibre em fundo gástrico à endoscopia digestiva alta, e esplenomegalia em ultrassonografia de abdome total, sem outros achados relevantes. Solicitada ultrassonografia do abdome com Doppler no qual se identificou nódulo hepático entre os segmentos VII/VIII (sem evidência de compressão ou trombose portal), circulação colateral no hilo esplênico e esplenomegalia.
Tomografia Computadorizada (TC) de abdome evidenciou nódulo exofítico na cauda pancreática sendo aventada possibilidade de tumor de Frantz, nódulo hepático de provável natureza metastática, esplenomegalia e circulação colateral.
b) Discussão e diagnóstico:
Tumor de Frantz ou tumor sólido pseudopapilar do pâncreas é uma neoplasia rara, representando aproximadamente 0,2 a 2,7% dos tumores não-endócrinos. Sua incidência é maior em mulheres jovens e cursam com baixo grau de malignidade e bom prognóstico. Apresenta-se como uma tumoração abdominal de crescimento lento que pode ou não cursar com dor abdominal. Achados como icterícia e sintomas relacionados a efeitos compressivos são infrequentes. A ressecção cirúrgica do tumor é o tratamento de eleição e, geralmente, é curativa.
A paciente do caso apresentou sintomatologia atípica, com quadro inicial de hematêmese e esplenomegalia causados pela compressão direta do tumor na veia esplênica, promovendo hipertensão portal "esquerda" ou "sinistra". A paciente foi submetida a uma pancreatectomia corpocaudal associada a esplenectomia. A biópsia do nódulo hepático mostrou inicialmente tecido hepático normal, porém, RM de abdome superior posterior evidenciou características de implante secundário no nódulo, que aguarda abordagem cirúrgica.
c) Conclusão:
Tumor de Frantz é um tumor raro do pâncreas, de crescimento lento e com poucas manifestações clinicas. Achados como hematêmese e hipertensão portal esquerda são raros e, geralmente, não levam a suspeita de lesão tumoral. A presença de metástase hepática também é infrequente. Diante disso, os exames de imagem são instrumentos fundamentais na elucidação diagnóstica.

Introdução:
A Síndrome de Terson refere-se a hemorragia vítrea associada à hemorragia subaracnóidea, no entanto, alguns autores também incluem hemorragia retiniana. A síndrome é um marcador de mau prognóstico em pacientes com hemorragia subaracnoide. A observação desse sinal tem grande importância no prognóstico de vida, pois está relacionada a altas taxas de mortalidade, principalmente em casos em que ocorre em ambos os olhos.
Hemorragia subaracnóidea grave ou um alto grau de Fisher, geralmente estão associados a uma maior incidência de Síndrome de Terson. O resultado neurológico e o prognóstico geral são piores em pacientes com hemorragia subaracnóidea com as alterações da síndrome, em comparação com aqueles que não a possuem (mortalidade de 28,6% e 2%, respectivamente).
Descrição:
Paciente de 58 anos de idade, vem ao setor de emergência trazida por familiares por volta das 23h por náuseas e síncope, com liberação esfincteriana no período noturno, não havia eventos similares anteriormente. Tem história de tratamento para hipertensão arterial sistêmica, tratada com atenolol 25mg e enalapril 20mg duas vezes dia de ambas as medicações e tabagismo. No exame físico da chegada apresentava-se em regular estado geral, cianose central, em escala de coma de Glasgow (ECG) 14, hemiparesia em hemicorpo esquerdo e hipertensa (240 x 110 mmHg). Minutos depois da chegada a paciente apresentou piora do estado geral, evoluindo com rebaixamento no nível de consciência com necessidade de intubação orotraqueal. Após as medidas de suporte foi realizado tomografia de crânio sem contraste, a qual observou volumosa hemorragia subarocnóidea em ambos os hemisférios, com maior área concentrada na região inter-hemisférica frontal, provavelmente por um aneurisma da circulação anterior roto, associado a hemoventrículo, com classificação de HUNT-HESS III/ FISCHER 2, associado a focos hemáticos no aspecto posterior dos globos oculares, compatíveis com a Síndrome de Terson.
Discussão:
A Síndrome de Terson não é uma condição incomum na prática hospitalar, talvez sendo subdiagnosticada. Em relação às implicações prognósticas desse diagnóstico, considerando morbidade e mortalidade associadas, bem como seu aspecto típico, é de extrema relevância para radiologistas e outros profissionais médicos reconhecerem essa entidade, especialmente no contexto de hemorragia intracraniana subaracnóidea aguda.

O sarcoma sinovial primário do tórax é um tumor raro, de origem mesenquimal fusiforme com diferenciação epitelial variável. Há dois tipos: o monofásico, mais comum, que contém apenas células fusfiformes, e o bifásico, que contém também componentes epiteliais. A depender do grau de diferenciação, possui geralmente mau prognóstico.
O tumor está ligado a uma translocação cromossômica específica: (X; 18)-(p11.2; q11,2).
Não há predileção por sexo, acometendo adultos jovens, com média de idade de 38 anos, e pode chegar a tamanhos variáveis de 5 a 20 cm.
É, normalmente, um diagnóstico de exclusão, sendo confirmado por histopatologia e imunohistoquímica.
Na maioria dos casos, os pacientes são assintomáticos, mas quando apresentam sintomas o tumor já é, pelo menos, localmente avançado. Os sinais e sintomas mais comuns incluem: tosse, dor no peito e dispneia.
O tratamento é baseado na remoção cirúrgica para obtenção de margens de ressecção negativas, além de quimioterapia e radioterapia.
O objetivo do trabalho é justamente ilustrar os achados de imagem e quadro clínico do sarcoma sinovial primário do pulmão, uma vez que é uma doença tão rara e com poucos casos publicados na literatura. Reforçamos a importância do reconhecimento desta patologia para diagnósticos diferenciais diante do contexto de massas pulmonares e quadros de dispneia.

Introdução
Braquidactilia é uma anomalia congênita rara, com exceção dos tipos A3 e D, podendo apresentar-se de forma isolada ou como parte de síndromes. Os sinais radiológicos ajudam a estreitar as possibilidades diagnósticas, mas o quadro clínico associado ao sequenciamento genético específico é essencial para a correta definição da patologia e confirmação diagnóstica. O presente trabalho tem por objetivo demonstrar a importância do conhecimento para o médico radiologista dos radiográficos de uma braquidactilia (BD) de um tipo raro (E3) em uma faixa não habitual.
Descrição do caso
Paciente do sexo feminino, 65 anos, sem histórico familiar e relato de comorbidades, encaminhada pelo ortopedista para investigação de dores articulares e encurtamento de 3o e 5o quirodáctilos, bilateralmente.
Discussão
Foi realizado estudo com radiografias simples das mãos em incidências póstero-anterior e oblíqua, evidenciando encurtamento simétrico do 3o e 5o metacarpos, com tênue alteração morfoestrutural, e encurtamento da falange distal do primeiro quirodáctilo, bilateralmente. Tais achados sugerem o diagnóstico de Braquidactilia do tipo E3 com sobreposição de BDD ou E2 atípica, de acordo com a classificação Bell modificada por Temtamy e McKusick. A ausência de sinais clínicos associados reforçam a suspeita de BDE tipo HOXD13. A confirmação diagnóstica, no entanto, depende de sequenciamento genético específico.

Introdução
O câncer de próstata representa a malignidade não cutânea mais comum em homens e a doença metastática aumenta o risco de mortalidade específica por câncer. O acometimento do sistema nervoso central (SNC) por neoplasia primária de próstata é raro e maioria dessas metástases não se relacionam intimamente à dura-mater, sendo ainda mais raro o acometimento parenquimatoso.
O objetivo deste relato é descrever o caso de um paciente com presumível metástase encefálica de adenocarcinoma prostático com dediferenciação neuroendócrina e revisar a literatura a respeito desta patologia, discutindo o mecanismo de disseminação e prognóstico.
Descrição
Relatamos o caso de um paciente, sexo masculino, 67 anos, com diagnóstico de adenocarcinoma de próstata grau 8 de Gleason com invasão perineural e metástase linfonodal. O paciente foi submetido a prostatectomia radical e linfadenectomia regional. Evoluiu com elevação do PSA, inferindo recidiva bioquímica. Ao realizar estadiamento com PET-CT com Fluorodesoxiglicose (¹⁸F-FDG) detectou-se hiperconcentração do radiofármaco no conglomerado nodal/linfonodomegalias abdominais. Ao estudo PET-CT oncológico com Gálio-68 evidenciou-se hiperconcentração do radiotraçador no conglomerado nodal/linfonodomegalias abdominais, bem como na formação arredondada hipervascular com área hipodensa central na topografia dos núcleos da base à direita, não apresentou metabolismo glicolítico significativo no exame de PET-CT com ¹⁸F-FDG. Posteriormente, realizou avaliação por ressonância magnética do encéfalo, espectroscopia de prótons e estudo por perfusão cerebral evidenciando lesão heterogênea com impregnação periférica pelo agente paramagnético, delimitando áreas centrais de hemorragia, necrose e captações micronodulares, circundada por tênue halo de edema vasogênico, no aspecto posterior do putâmen direito, sendo que o estudo de perfusão cerebral demonstrou perfusão quente no interior da lesão e a espectroscopia de prótons demonstrou discreto aumento de colina (CO), redução do pico de N-Acetil aspartato (NAA) e aumento do pico de lípides / lactato (Li/Lac).
Discussão
A disseminação metastática do adenocarcinoma de próstata para crânio e coluna vertebral é comum, porém a metástase no SNC ocorre em menos de 4% dos casos. Por ser uma entidade rara, é importante reconhecê-la e diferenciá-la de outras patologias benignas para assim definir o prognóstico e o tratamento adequado.

A ruptura esplênica espontânea é uma condição rara e se refere à ruptura do baço sem associação com história de trauma.
Ocorre mais frequentemente em um baço previamente acometido por uma condição de base como em causas neoplásicas, infecciosas e inflamatórias não infecciosas.
Também podem ocorrer em um baço normal, caracterizando a ruptura espontânea idiopática, ou seja, em baços sem alterações prévias.
Embora ocorra mais comumente associada a neoplasias hematológicas, seu mecanismo fisiopatológico ainda não foi bem elucidado.
O atraso diagnóstico leva ao aumento da mortalidade dessa condição.
Relatamos o caso de uma paciente de 53 anos, submetida a múltiplas abordagens cirúrgicas cardiovasculares, e por este motivo fazia uso anticoagulante oral. No quadro clínico apresentava dor abdominal moderada em hipogástrio e em fossa ilíaca direita. Ao hemograma, apresentava importante anemia e o INR estava aumentado. Após investigação com Tomografia Computadorizada, o diagnóstico estabelecido foi de ruptura esplênica espontânea.
O anatomopatológico da peça cirúrgica não apresentou uma causa de base definida, corroborando com o diagnóstico de ruptura espontânea, provavelmente secundário ao uso de anticoagulante.

Fraturas isoladas do capitato são muito incomuns e muitas vezes não deslocadas, devido à estabilização pelos ligamentos intracarpais. As lesões da fratura traumática do osso capitato geralmente são causadas por queda, com hiperextensão forçada do punho e desvio cubital ou neutro ou contusão direta da face dorsal do punho. O punho tem dois graus de liberdade de movimento - movimento de flexo-extensão e desvio radioulnar - com dois eixos de rotação localizados no capitato. As fraturas por estresse podem ser causadas por dorsiflexão forçada repetida do punho com trauma repetido ou a aplicação de uma força repetida por novo movimento na face palmar da mão.
As fraturas por estresse ocorrem quando um osso normal é lesado por uma atividade anormal. As características clínicas relatadas pelo paciente sugerem a fratura por estresse foi causada por um microtrauma repetitivo, em vez de um único evento traumático. A suspeita clínica informando a algia local e edema é fundamental no diagnóstico da fratura por estresse do osso capitato, pois possibilita a solicitação de exames complementares e mais adequados para o diagnóstico definitivo. A radiografia simples apresenta sensibilidade de 15-35% no exame inicial, podendo aumentar para 30-70% durante o acompanhamento devido a uma reação óssea mais evidente. A sensibilidade baixa da radiografia para esta fratura aventa a possibilidade de uma subestimação da incidência da fratura do osso capitato. Em alguns casos, a tomografia computadorizada também pode ser eficaz na condução de um diagnóstico mais preciso de fraturas por estresse, especialmente quando informações adicionais são necessárias para o planejamento cirúrgico.
Demonstramos um caso de fratura isolada do capitato, fratura rara responsável por apenas 0,3% das fraturas do carpo, sendo a fratura por estresse uma das formas de apresentação.

Paciente feminina, 9 meses, nascida a termo com massa na região nasogeniana direita diagnosticada como hemangioma, tratada com propranolol por 4 meses sem melhora. Realizada RM de face para investigação, que demonstrou lesão expansiva heterogênea situada na topografia do espaço bucal direito, em íntimo contato com a porção anterior do músculo masseter e a margem anterior do ramo mandibular. Durante a investigação, o PET-CT evidenciou múltiplos pequenos nódulos pulmonares compatíveis com implantes secundários. Assim, foi realizada ressecção da lesão, com subsequente diagnóstico de sialoblastoma por exame histopatológico.
O sialoblastoma é um tumor congênito de baixo grau das glândulas salivares, de origem epitelial, usualmente localizado nas parótidas, podendo ocorrer nas submandibulares, com incidência estimada de 0,8/milhão de crianças, correspondendo a menos de 5% de todos os cânceres das glândulas salivares.
É diagnosticado ao nascimento, e apresenta-se como uma lesão subcutânea nodular ou multinodular, com dimensões que variam de 2 a 15 cm, de comportamento localmente agressivo e crescimento acelerado, com potencial infiltrativo e taxa de recorrência de 34%, podendo emitir metástases pulmonares, ósseas e linfonodais.
Os sinais e sintomas incluem, sem se limitar a, dificuldade de deglutição, paralisia facial e infiltração cutânea.
O diagnóstico é realizado por biópsia com histopatológico.
Os achados radiológicos são usuais, mas não patognomônicos. A TC mostra uma massa com densidade de partes moles nos músculos do espaço mastigatório, na topografia da parótida, enquanto a RM evidencia massa de sinal baixo/intermediário em T1 e intermediário/alto em T2, com realce tênue e heterogêneo pelo contraste.
Em 2005 a OMS o reclassificou como uma neoplasia maligna, portanto a escolha para tratamento é a ressecção cirúrgica com margens negativas.
Em casos de irressecabilidade, ausência de margens negativas ou recidiva, pode-se considerar a quimioterapia e a braquiterapia. A radioterapia também é uma opção, mas seus efeitos adversos para as estruturas da face ainda em crescimento são significativos, tornando seu uso reservado.
Deve-se considerar os diagnósticos diferenciais de carcinoma adenóide cístico (malignidade mais comum da submandibular e glândulas salivares menores), adenoma de células basais (tumor epitelial benigno de glândulas salivares), adenoma pleomórfico (neoplasia mais comum de glândulas salivares), teratoma e rabdomiossarcoma.

A síndrome heterotáxica é uma condição congênita rara com herança multifatorial em que os órgãos internos estão arranjados anormalmente no tórax e abdome, podendo ser classificadas em duas subcategorias principais: síndrome heterotáxica com poliesplenia e síndrome heterotáxica com asplenia. Indivíduos com esta condição têm complexas anormalidades congênitas acometendo diversos órgãos, como o coração – dificultando o transporte sanguíneo – e o pulmão – alterando o número de lobos. Relatamos um caso de síndrome heterotáxica com poliesplenia sem anormalidade nos órgãos torácicos em paciente adulta.

A síndrome do túnel do tarso (STT) é uma compressão neuropática do nervo tibial e seus ramos no lado medial do tornozelo e, embora as descrições dos sintomas de STT variem, a maioria dos autores considera os sintomas de dor aguda, dor ao ficar em pé ou caminhar por muito tempo, dormência, parestesia ou sensações de queimação envolvendo o pé. Ocorre por várias etiologias e a frequência das diferentes etiologias varia na literatura e detectando-se a causa da compressão em cerca de 60-80%. A síndrome do túnel do tarso é um diagnóstico desafiador que constitui os sintomas decorrentes de danos ao nervo tibial posterior ou seus ramos à medida que prosseguem através do túnel do tarso abaixo do retináculo flexor no tornozelo medial. Esta doença pode ser facilmente esquecida e subdiagnosticada. Demonstramos um caso síndrome do túnel do tarso causada pela pulsatilidade e tortuosidade da artéria tibial (“kinking”), situação relatada pela primeira vez por Kim et al em 2010.

O cisto de colédoco é uma doença rara com uma incidência entre 1: 100.000 a 1: 150.000 nascidos vivos, sendo o sexo feminino afetado de duas a quatro vezes mais que o sexo masculino. Em sua maioria os casos apresentam-se na infância sendo 60% antes dos dez anos e 25% após os 20 anos. Geralmente em crianças apresentam sinais e sintomas como acolia, icterícia, vômitos, irritabilidade e retardo de crescimento, porém a tríade clássica é dor em quadrante superior direito do abdome, massa abdominal palpável e icterícia. Esta tríade está presente em somente 15-45% dos pacientes. A ultrassonografia do fígado e vias biliares é um método de baixo custo, não invasivo, com sensibilidade de 97%, identificando com relativa precisão as dimensões, contornos, características e topografia da lesão, além de fornecer informações sobre as vias biliares intra e extra-hepáticas. No caso apresentado a colangioressonância magnética apenas confirmou os achados ultrassonográficos. A colangiressonância magnética permite a análise da via biliar proximal e a avaliação de fígado e pâncreas, possibilitando outros diagnósticos diferenciais além de variações anatômicas. É um método não invasivo utilizado para estudo da anatomia das vias biliares, sem a necessidade de injeção de contraste. Normalmente podemos visualizar a vesícula biliar com conteúdo hiperintenso homogêneo em T2 e uma dilatação fusiforme do ducto e do colédoco.

A prevalência de tubérculos fibulares varia de 24% a 98,58% - essa ampla variação pode ser atribuída ao uso de diferentes critérios na descrição do tubérculo fibular. A incidência do tubérculo hipertrofiado é de 20,5-24% da população. A porção do tendão fibular longo que está localizada entre os pontos ósseos fixos do tubérculo fibular e do cubóide pode se esticar de forma não natural na presença de um tubérculo fibular hipertrofiado e, com movimentos de inversão repentinos ou repetidos, o tendão pode romper. Raramente, o tubérculo hipertrofiado está associado a uma rotura do tendão do fibular curto. O tendão do fibular curto pode ser colidido entre o tubérculo e o maléolo lateral durante o movimento de eversão-abdução do pé, resultando em tenossinovite e degeneração do tendão. Relatamos uma tenossinovite dos fibulares decorrente de um tubérculo fibular hipertrofiado induzido pela atividade friccional dos tendões fibulares detectada por ressonância magnética.

Os tumores vesicais ocorrem mais frequentemente entre a quinta e asétima décadas de vida, sendo raros antes dos 40 anos de idade. O rabdomiossarcoma é um tumor embrionário raro originado do tecido muscular esquelético e quando localizado no trato geniturinário, pode cursar com com hematúria e anúria. Sendo um tumor de origem embrionária, ele é mais comum em crianças e muito raro em adultos: 85% dos rabdomiossarcomas ocorrem em crianças e adolescentes.
O nevo sebáceo de Jadassohn (NSJ) é um hamartoma congênito de estruturas cutâneas, com origem epitelial e anexial presente em aproximadamente 0,3% de recém-nascidos, e pode conter qualquer componente da pele, incluindo glândulas sebáceas e apócrinas ou cabelo. Com maior frequência visualizado na região da cabeça e pescoço e apresenta-se como uma placa alopécica bem demarcada de cor amarelada. No caso do estudo o nevo foi confirmado com biopsia e anatomopatológico da lesão cefálica. A natureza dos tumores secundários que surgem no nevo sebáceo e o risco de neoplasia maligna são questões controversas.
Quando um nevo sebáceo de Jadassohn associada a características sindrômicas, como retardo mental, anormalidades do sistema nervoso central, defeitos cardiovasculares, como a arritmia cardíaca relatada neste caso, anormalidades oculares ou esqueléticas, é chamada de síndrome sebácea de nevo linear, ou síndrome de Schimmelpenning. A etiologia ainda é desconhecida, mas estudos recentes apontam para um possível vínculo com as mães positivas para o vírus do papiloma humano ou mutações no gene patched (PTCH).

Paciente sexo masculino, 22 anos, da entrada em pronto socorro com relato de dor lombar de forte intensidade. Praticante de atividade física realizando musculação há 6 meses, cerca de 3-4x/semana. Relata ter exagerado no treino físico há 1 dia. Nega trauma. Evoluiu com dor lombar e edema local refratário a medicação oral (ibuprofeno e Coltrax). Informa urina escura. Faz uso de suplemento oral (whey protein e triglicerídeos de cadeia média). Nega febre. História pregressa: DRGE + hérnia de hiato em uso de esomeprazol 20MID. Exame físico com amplitude de movimento limitada pela dor, grande espasmo muscular paravertebral esquerdo. Os diagnósticos diferenciais pensados para o caso são: contratura lombar após realização de exercício físico? Hérnia discal? Rabdomiólise? Exame laboratorial com elevação CK total- 33.000. Estudo por ressonância magnética da coluna lombossacra evidenciando moderado edema difuso em ventres musculares paravertebrais bilateralmente, notando-se dimensões assimétricas dos ventres musculares mais proeminentes à esquerda, a possibilidade de rabdomiólise se pode ser considerada. Além disso, sugiro controle para diagnostico diferencial de síndrome compartimental à esquerda.
A rabdomiólise é definida como a degradação por lesão direta ou indireta dos músculos estriados com a liberação do conteúdo intracelular na circulação como eletrólitos, mioglobina e proteínas sarcoplasmáticas e representa uma lesão muscular grave. O quadro clínico é variável, de acordo com a causa de base, a presença de mioglobinúria é marcante na rabdomiólise, sendo que o mecanismo exato na lesão renal aguda é ainda incerto (vasoconstricção, isquemia e obstrução tubular, entre outros). Mialgia, fraqueza muscular são queixas comuns. As causas mais comuns relatadas em populações de adultos ocidentais são trauma / lesão por esmagamento, exercícios, cocaína e imobilização.
A ressonância magnética é a modalidade de imagem de escolha. O edema em todos os músculos afetados com intensidade de sinal refletindo a gravidade de uma lesão é observado em casos leves a moderados. Quando grave, características de mionecrose serão demonstradas.
A rabdomiólise é potencialmente fatal, embora a recuperação seja excelente com tratamento precoce.

A hérnia de Bochdalek representa a causa mais comum de hérnia diafragmática congênita, uma condição rara. Pode ser complicada pelo aparecimento de sequestro pulmonar secundário, que se subdivide em sequestro pulmonar intralobar e sequestro pulmonar extralobar. Relatamos um caso de sequestro pulmonar por hérnia de Bochdalek em uma menina de 1 ano de idade, submetida a correção cirúrgica. O sequestro pulmonar pode ser confundido com outras patologias mais frequentes, como pneumonias ou tumores, e seu diagnóstico pode ser facilitado pelo uso de técnicas de imagem vascular, que confirmam o diagnóstico e mostram a vascularização do conteúdo herniário.

Os lipomas são neoplasias benignas do tecido adiposo. Os lipomas mesentéricos são raros e podem atingir um tamanho considerável até causar sintomas, consistindo em distensão abdominal progressiva, anorexia, dor abdominal, constipação, perda de peso, sensação de plenitude abdominal e palpação de massa, apresentando crescimento lento, sendo móvel, mole que não infiltra as estruturas ao redor, cujo principal diagnóstico diferencial é o lipossarcoma. Relatamos um caso de lipoma mesentérica diagnosticado pela ressonância magnética, diferenciando-o do lipossarcoma.

A costela bífida define-se como uma deformidade da parede torácica onde um segmento costal apresenta uma morfologia diferente do habitual tendo seu segmento fendido, tem sua origem congênita onde não se observa patologias associadas. Essa alteração formal ocorre em menos de 2% da população geral, onde 1 em 3 casos de malformação nas costelas são de costelas bífidas.De característica congênita e rara mente pode acarretar consequências, pois a função estrutural da caixa torácica não é comprometida, tendo como diferença apenas a sua arquitetura óssea sem a perda da função. O método de diagnóstico mais utilizado em geral e no caso em questão é a radiografia, por sua acessibilidade e praticidade torna-se o método mais viável, e como complemento temos a tomografia computadorizada (TC) que oferece uma opção de melhor avaliação, utilizando as ferramentas de reconstrução em 3D, proporcionando uma análise mais acurada da morfologia dos arcos costais.

Introdução:
A síndrome de Sturge-Weber (SSW) ou angiomatose encéfalo trigeminal é uma facomatose não hereditária e com rara condição de desenvolvimento e se caracteriza por uma angiomatose corticocerebral, calcificações cerebrais, epilepsia, alterações oculares, retardo mental e nevo flâmeo na face seguindo o trajeto do nervo trigêmeo. Contudo, a mancha caraterística conhecida como vinho do porto não se manifesta em alguns casos ou aparece mais tardiamente, soma-se ainda a presença de outras telangiectasias que podem entrar como diagnóstico diferencial.
Ao contrário da maioria das facomatoses, a síndrome de Sturge-Weber é esporádica, sem componente hereditário identificável definido. O hemangioma leptomeníngeo afetando o córtex subjacente e a substância branca produzindo isquemia localizada causada roubo vascular. Na grande maioria dos casos, há envolvimento uni-hemisférico.
Devido o amplo espectro de sua sintomatologia, o tratamento da SSW primariamente depende das suas características clínicas, mas basicamente está relacionado ao controle das crises convulsivas, variando desde uma possível terapêutica medicamentosa a uma intervenção cirúrgica e, diante disso, o estudo radiológico tem um importante papel no diagnóstico e identificando alterações passíveis de intervenções.
Descrição:
Paciente masculino, 14 anos de idade, vem ao ambulatório acompanhado da mãe referindo queixa de cefaléia de média intensidade (6/10), continua, com pouco efeito de analgésicos e associada em metade das vezes a episódios de crises convulsivas refratárias ao tratamento. Desde os primeiros anos de vida o paciente apresenta os quadros de convulsão e cefaleia. Avaliou-se discreta disfunção cognitiva no paciente durante a consulta, sendo solicitado tomografia de crânio sem contraste que evidenciou calcificações corticais e subcorticais associada em lobo temporal e parietal esquerdo associado assimetria encefálica com perda do volume no hemisfério esquerdo associado a hiperostose frontal esquerda, diante das alterações foi confirmado o diagnóstico, sendo sugerido uma ressonância de crânio com contraste sendo constando alterações compatíveis com angiomatose pial e vasos intracranianos anormais.
Discussão:
O diagnóstico é frequentemente estabelecido pelas características clássicas do nevo presente da síndrome. No entanto ressalta-se que tal lesão não ser condição essencial para o diagnóstico, uma vez que ela pode estar ausente, daí a importância de exames radiológicos.

INTRODUÇÃO: O presente estudo tem como objetivo relatar um caso de Sindrome Inflamatória multissistemica pediátrica, em uma menina de 13 anos, devido a sua raridade e importância no desfecho clinico do paciente.


DESCRIÇÃO: Paciente previamente hígida, com história de dor abdominal difusa, iniciada há 2 dias, de caráter constante e com piora após ingestão alimentar e melhora após uso de escopolamina. Refere 1 pico febril isolado no dia 20/02, sem novos episódios, negando vômitos, diarreia, manchas pelo corpo ou outros sintomas associados. Refere contato domiciliar com casos confirmados de COVID 19 (pai e irmão) há cerca de 20 dias . Evolui com piora progressiva da dor abdominal no dia 22/02, associado a episódios de cefaleia e vômitos, o que motivou a procura de nosso serviço. Na admissão, paciente hemodinamicamente estável, com sinais de desidratação. Recebe expansão volêmica associado a analgesia . Realizado USG de abdome, não sendo evidenciados cálculos em vesícula bilar. Optado pela realização de TC de abdome com contraste apresentando grande quantidade de linfonodos mesentéricos associado discreta quantidade de líquido livre na cavidade. Frente ao quadro clínico radiológico, aventado a hipótese de SIMP, sendo optado pela transferência para leito de UTI pediátrica para seguimento clínico.

DISCUSSAO : A pandemia da COVID-19 tem impacto com maior gravidade em adultos acima de 60 anos de idade, particularmente naqueles com comorbidades. No entanto, crianças e adolescentes infectados, apesar de apresentarem casos mais leves, podem desenvolver manifestações clínicas graves. A Sociedade de Pediatria do Reino Unido emitiu um alerta reportando a identificação de uma nova apresentação clínica em crianças e adolescentes, possivelmente associada com a COVID-19. Os pacientes apresentaram uma síndrome inflamatória mulsistêmica, com manifestações clínicas e alterações dos exames complementares similares às observadas em crianças e adolescentes com síndrome de Kawasaki, Kawasaki incompleto e/ou síndrome do choque tóxico. Todas as crianças apresentavam anticorpos detectáveis, reforçando o conceito de que se trata de uma síndrome pós-infecciosa. Mais estudos são necessários para melhor caracterização dessa síndrome.

Introdução: A síndrome heterotáxica ocorre a partir de uma desordem embriológica acarretando em uma distribuição anormal de órgãos e vasos toracobdominais associado a anomalias de situs, as quais são definidas como alterações de arranjo anormal no eixo direito-esquerdo do corpo. O situs inversus refere-se a inversão em espelho na lateralidade dos órgãos torácicos e abdominais. Já o termo situs ambíguus é utilizado para qualquer alteração na organização das estruturas torácicas e abdominais que não se enquadre no arranjo ordenado típico do situs inversus. Trata-se de uma síndrome rara frequentemente diagnosticada incidentalmente através de exames de imagem, sendo fundamental seu diagnóstico a fim do correto manejo clínico e cirúrgico adequados.
Relato de Caso: Paciente do sexo feminino, 37 anos de idade, com diagnóstico incidental de síndrome heterotáxica há 1 ano, sendo diagnosticada durante a realização de tomografia computadorizada (TC) de abdome, após ser vítima de acidente automobilístico.
Neste exame foi evidenciado poliesplenia e agenesia da porção hepática da veia cava superior e veia ázigo com aumento do calibre (Figura 1) , agenesia do pâncreas dorsal com hipertrofia da sua porção de cabeça e processo uncinado (Figura 2), sinais de má rotação do intestino grosso e delgado, sendo o intestino grosso localizado à esquerda da linha média e intestino delgado à direita (Figura 3). Além de veia renal esquerda retroaórtica.
Discussão: A forma previamente chamada de poliesplenia, como descrito neste relato, que além das alterações relatada pode cursar com pulmões bilobares, átrios direito e esquerdo idênticos, fígado com posição central e alterações cardíacas que neste caso são mais brandas.
Já nos casos de asplenia , além das alterações de má rotação intestinal, geralmente há doenças cardíacas cianóticas graves, pulmões trilobares, átrio esquerdo com morfologia equivalente ao átrio direito , fígado posicionado centralmente, aorta e veia cava inferior situadas à esquerda.
A gravidade e mortalidade relacionada a esta síndrome, geralmente estão relacionadas a anormalidades cardíacas e são mais comumente relacionadas a asplenia.
O conhecimento das variações anatômicas e anomalias de situs , além de suas repercussões e complicações, associado a correlação radiológica são fundamentais para o diagnóstico e prognóstico do paciente que apresenta a síndrome heterotáxica.

Introdução: Esclerose tuberosa é uma doença autossômica dominante com penetrância variável causada por mutação do gene TSC1 ou TSC2. A apresentação é ampla e inclui rabdomiomas cardíacos, lesões cutâneas hipocrômicas, angiomiolipomas, cistos renais, tubérculos corticais e subcorticais, astrocitomas de células gigantes e hamartomas subependimários. O objetivo deste trabalho é revisar e descrever algumas das apresentações da doença na neuroimagem.
Caso: Paciente feminina de 2 anos e 6 meses com atraso no desenvolvimento neuropsicomotor vem ao Pronto Atendimento com mal epiléptico de início há 10 horas. Mãe relata que há 3 dias a paciente iniciou com prostração e inapetência, evoluindo com febre e vômitos há 2 dias. Há 1 dia apresentou piora e nas últimas 10 horas demonstrou convulsões tônico-clônicas, com intervalo de 5 a 10 minutos entre os episódios, sem retomar o nível de consciência. Após administração de Diazepam, Fenitoína, Fenobarbital e Ceftriaxona, paciente é encaminhada para hospital terciário.
Apresentava-se desidratada, taquicárdica, bradipneica, com pupilas mióticas não fotorreagentes, espasmos musculares e lesões de pele hipocrômicas e ásperas em membros inferiores. Foi realizada intubação orotraqueal com sequência rápida e solicitadas Tomografia Computadorizada (TC) de Crânio e Tórax. Aciclovir é iniciado sob suspeita de meningoencefalite.
A TC de crânio evidencia inúmeras hipoatenuações de aspecto indeterminado na substância branca subcortical com distribuição focal, com pequenas calcificações subependimárias no ventrículo direito e calcificação grosseira no ventrículo esquerdo. A Ressonância Magnética identificou áreas de baixo sinal T1 e alto sinal T2 e FLAIR, localizadas em região córtico-subcortical dos lobos frontais, parietais e temporais bilaterais, bem como determinando ampliação dos giros corticais e nódulos subependimários.
Discussão: A Sociedade Internacional de Esclerose Tuberosa atualmente recomenda o teste genético para o diagnóstico definitivo da doença. No entanto, a presença de critérios clínicos maiores como hamartomas retinianos, displasias corticais, nódulos e astrocitomas de células gigantes subependimários também são critérios para o estabelecimento do diagnóstico. Sendo assim, é essencial que o radiologista esteja familiarizado com a apresentação desses critérios, especialmente em pacientes com um quadro clínico sugestivo de Esclerose Tuberosa.

INTRODUÇÃO
O ependimoma mixopapilar é uma variante do ependimoma, com origem habitual a partir de células gliais. Os locais mais comuns são o filo terminal e o cone medular. A apresentação como lesão sacral destrutiva é rara e está relacionada a pior prognóstico.

DESCRIÇÃO
Paciente de 36 anos, sexo masculino, com lombalgia crônica, desde os 19 anos, evoluindo com piora, irradiação para membro inferior direito e aparecimento de nodulação na região lombossacra há 6 meses. Sem comorbidades.
A tomografia computadorizada demonstra massa sólida expansiva, centrada no canal sacral, determinando remodelamento e destruição óssea. A ressonância magnética demonstra lesão heterogênea, com áreas de sangramento, calcificação, necrose e fibrose, além de extensão para partes moles posteriores e anteriores. Foi realizada biópsia por agulha grossa, cuja avaliação histopatológica e imunohistoquímica confirmou o diagnóstico de ependimoma mixopapilar.
DISCUSSÃO
A variante mixopapilar corresponde a aproximadamente 13% dos ependimomas no canal vertebral, apresentando-se tipicamente como uma lesão intradural e extramedular no filo terminal / cone medular, ovalada, alongada e bem definida. Geralmente tem comportamento benigno.
São discretamente mais frequentes no sexo masculino. A idade média de aparecimento é 35 anos. O principal sintoma é lombalgia. O diagnóstico costuma ser tardio pelo crescimento lento.
A apresentação como massa sacral com destruição óssea é rara. Pode representar extensão direta de tumor intradural, ou ter origem extradural a partir do remanescente ectópico do filo terminal ou da medula sacrococcígea. Apresenta-se como massa heterogênea, com componente mixóide, podendo conter áreas de hemorragia, degeneração cística e calcificações.
A aparência microscópica é de elementos papilares em um estroma fibrovascular hialinizado, formando pseudorosetas perivasculares. São positivos para GFAP, S100 e Vimentina.
No caso dos tumores sacrais destrutivos, os principais diagnósticos diferenciais são cisto ósseo aneurismático, cordoma, tumor de células gigantes, plasmocitoma e metástases.
As características epidemiológicas e o epicentro no canal sacral podem indicar o diagnóstico. A confirmação é feita com análise histopatológica.
O tratamento é a excisão cirúrgica, com radioterapia no caso de ressecção incompleta. O prognóstico é bom, com pior prognóstico e possibilidade de metástase a distância quando há remanescente tumoral, em lesões extradurais e em crianças.

INTRODUÇÃO
Cateter venoso central se refere ao acesso venoso prolongado utilizado para administração intravenosa de medicações, fluidos, nutrição parenteral total, transfusão sanguínea ou hemodiálise em pacientes portadores de doença renal crônica. O cateterismo requer treinamento, experiência, e não está isento de riscos para o paciente, mesmo quando praticado por profissionais habilidosos. Dentre as diversas complicações, uma uma das mais importantes é a trombose, com taxas que variam de 55 a 72%, e o mau posicionamento do cateter, com taxas que variam entre 3-14%. Para evitar complicações, a colocação adequada do cateter deve ser verificada clinicamente e por diagnóstico de imagem.
RELATO DE CASO
Paciente K.C.G.G., sexo feminino, 42 anos de idade, admitida no Pronto-Socorro com história de náuseas, dor em hipocôndrio direito e episódios de hipotensão há 2 dias. Possuía extenso histórico médico, contendo múltiplos fatores de risco para trombogênese vascular. Fora internada para investigação, sendo solicitada Tomografia Computadorizada com contraste de abdome e pelve.  
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Considerando os desfechos clínicos de um mal posicionamento do cateter e da trombose venosa central, é de grande importância utilizar dos métodos de imagem durante e/ou após o procedimento de cauterização a fim de reduzir sua morbimortalidade. O mal posicionamento do cateter venoso central (CVC) é afetado por variantes anatômicas congênitas e adquiridas e pelas técnicas usadas para colocar e confirmar a colocação do CVC. Conhecer os mecanismos de mal posicionamento e como prevenir, identificar e corrigir o mal posicionamento do CVC pode diminuir os danos aos pacientes com esta condição. No caso relatado, foi realizado o diagnóstico do mal posicionamento do CVC e realizada sua substituição. Porém, a paciente evolui com importante insuficiência hepática em conjunto a quadro séptico, havendo rápida pior do quadro clínico e evolução para óbito após 3 dias da admissão no serviço. Há muitas orientações quanto às técnicas usadas para a colocação segura de CVCs. As intervenções destinadas a prevenir mal posicionamento incluem o uso rotineiro de: orientação de ultrassom, RX de tórax ou fluoroscopia após o exame, e até mesmo a tomografia se houver dúvidas. Este caso destaca a importância da consciência das complicações da colocação de cateter central, posicionamento correto dos cateteres venosos centrais e o papel dos métodos de diagnóstico por imagem.

Introdução: O tumor de células granulares (TCG), também conhecido como tumor de Abrikosoff é um tumor incomum de partes moles, sendo que apenas 2% são malignos, os locais mais comum são a língua e o dorso, sendo o acometimento do pericárdio raríssimo. Comumente se manifesta como uma lesão nodular, medindo entre 1 e 2cm de diâmetro, percebida pelo próprio paciente. Os casos em que há acometimento pericárdico requerem o rápido diagnóstico, pois a massa e o derrame pericárdico, comumente associado, podem levar ao tamponamento cardíaco e choque cardiogênico, condições potencialmente fatais.
Descrição do caso: Paciente de 69 anos, feminina, admitida com dor torácica leve, dispneia aos médios esforços, perda ponderal importante por hiporexia, eventualmente rosto avermelhado, sem edema. Portadora de hipertensão e asma. Tabagista, 11 maços/ano. História pessoal de tumor de células granulares maligno no dorso e paraesternal direita há 17 anos. Murmúrio vesicular reduzido na base pulmonar direita, sibilos esparsos na ausculta pulmonar, bulhas hipofonéticas, circulação colateral visível no tórax. A tomografia computadorizada mostrava massa pericárdica, heterogênea, com áreas hipodensas de permeio, de limites imprecisos, associada a derrame pericárdico e derrame pleural à direita. A ecocardiografia apresentava fração de ejeção de 12%. Foi feita a biópsia da lesão e o diagnóstico histopatológico foi de tumor de células granulares maligno.
Discussão: O diagnóstico do tumor de células granulares é difícil de ser feito radiologicamente, mas deve ser cogitado nos casos em que o paciente já apresentou esse tumor. Além de sugerir o diagnóstico, os exames de imagem servem para guiar a biópsia percutânea e para avaliar a extensão da doença. O diagnóstico definitivo é histopatológico e pela imunohistoquímica. Nesse caso, o diagnóstico foi feito através da comparação das lâminas atuais com as lâminas da lesão lombar e paraesternal direita e pela expressão da proteína S-100 na imunohistoquímica. As numerosas atipias celulares na histopatologia sugerem o comportamento maligno. O tratamento preconizado é a remoção cirúrgica da lesão, o que não foi possível nesse caso, sendo feito tratamento de suporte.

A doença relacionada ao SARS-CoV-2 (COVID-19) representa uma ameaça mundial a saúde pública. Sintomas relacionados ao trato respiratório são os mais comuns. Entretanto, vários estudos já demonstraram a associação do COVID-19 com estado de hipercoagulabilidade, definido como risco aumentado de formação de tromboembólica em artérias, veias ou ambos. O tromboembolismo pulmonar é o evento trombótico mais associado, entretanto, a ocorrência de trombos relacionados ao estado de hipercoagulabilidade não se restringe somente ao sistema respiratório.
Apresentamos um caso de uma paciente feminina, 45 anos, internada em decorrência de sintomas respiratórios por COVID-19 com diagnóstico sorológico há onze dias. Além do diagnóstico sorológico realizou tomografia computadorizada do tórax que demonstrou a presença de opacidades em vidro fosco e áreas de consolidação comprometendo cerca de 70% da extensão do parênquima pulmonar. Durante a internação evolui com desconforto abdominal. Realizada Tomografia Computadorizada do abdome total que demonstrou presença de trombo no segmento distal da artéria esplênica, causando extensa área de infarto do parênquima esplênico, associado a trombos nos segmentos proximais da veia esplênica. Além disto, dois ramos subsegmentares da veia porta para o lobo direito apresentavam falhas de enchimento, compatíveis com trombos.
Trombos arteriais e venosos associado ao infarto esplênico na ausência de uma fonte tromboembólica conhecida aponta como principal hipótese diagnóstica um evento tromboembólico arterial primário devido à hipercoagulabilidade relacionada ao COVID-19. Embora infrequente, a trombose da artéria esplênica pode ocorrer e o conhecimento da condição e da sua fisiopatologia é necessária a fim de garantir diagnóstico e tratamento oportunos.

INTRODUÇÃO: O caso relatado e as publicações levantadas trazem á discussão um diagnóstico de micetoma.
OBJETIVO: Relatar o caso de um paciente de 57 anos com uma lesão nodular em braço direito e ilustrar principais métodos de diagnóstico por imagem na investigação e tratamento do micetoma.
MÉTODOS: As informações utilizadas foram obtidas através da análise de prontuário, reuniões clínicas entre as equipes médicas, registro fotográfico dos métodos diagnósticos aos qual o paciente foi submetido, além de revisão da literatura.
DISCUSSÃO: Micetoma ou Madurose é uma infecção granulomatosa crônica de pele e do tecido subcutâneo causado por fungos como a Madurella mycetomi ou bactérias como a Neocardia sp. A infecção decorre da penetração dos microrganismos por um trauma a partir de um solo contaminado, culminando em um processo inflamatório local com possível disseminação sistêmica. A doença é mais prevalente em regiões tropicais e rurais, apresentando correlação com baixos níveis socioeconômicos. No caso relatado, o paciente refere ter uma lesão assintomática no braço direito há 15 anos, porém nos últimos seis meses observou crescimento da lesão. Ao exame físico, a lesão foi descrita na porção pósterolateral do braço direito como nodular, bem delimitada, móvel, indolor e não aderida. O paciente foi submetido à ressonância magnética que evidenciou uma lesão limitada ao tecido subcutâneo do braço direito, isointensa em T1 e hiperintensa em T2, com múltiplas lesões pequenas e arredondadas em seu interior de baixo sinal periférico (dot in circle sign), borda bem delimitada com intenso realce pelo contraste e restrição à difusão na parte central. Foi coletado material citológico que confirmou a presença do fungo Fusarium sp. O paciente recebeu tratamento farmacológico com antifúngicos e corticosteroides sistêmicos. Em seguida, foi submetido á exérese cirúrgica com remoção completa da lesão. Realizou uma nova ressonância magnética para controle pós cirúrgico, observando-se apenas fibrose no sítio cirúrgico.
CONCLUSÃO: o diagnóstico do micetoma é realizado pela associação de dados clínicos, anatomopatológico e exames de imagem. Estes apresentam imprescindível importância, principalmente quando identificamos o dot in circle sign pela ressonância magnética. Reforça-se a necessidade de atenção à doença, hoje considerada pela Organização Mundial de Saúde como uma doença negligenciada com impacto socioecônomico e ocupacional.

Relato de caso de uma paciente feminina de 40 anos que apresentou surtos de déficit neurológicos e cefaleia por 03 anos, alternando períodos de remissão e recidiva, até o fechamento do seu diagnóstico pelo estudo radiológico adequado, possibilitando a otimização terapêutica. A doença de behçet é uma vasculite multissistêmica, idiopática, crônica, em recidiva e remissão. O acometimento do SNC está presente em cerca de 25% dos pacientes que apresentam esse quadro, determinando uma morbidade elevada. A avaliação por ressonância magnética com contraste se faz essencial para a investigação diagnóstica, uma vez que o aspecto das lesões, principalmente nas sequências ponderadas em T2, associado ao seu padrão de distribuição típico, permite o fechamento diagnóstico no contexto clínico adequado. A neurobehçet é uma entidade pouco frequente na rotina do radiologista. O reconhecimento precoce deste tipo de lesão pode alterar os rumos da condução do paciente, auxiliando na melhora do seu prognóstico. Logo, o papel do radiologista é essencial nessa investigação, tornando imprescindível o conhecimento deste tipo de lesão.
Palavras-chave: Neurobehçet, Neurorradiologia, Ressonância, Vasculite, Encéfalo.

Masculino, 64 anos, com quadro clínico e laboratorial compatíveis com pneumonia viral por COVID 19 em março/2021. Realizou tomografia de tórax que demonstrou opacidades subpleurais em vidro fosco difusamente nos pulmões, com padrão tomográfico típico para pneumonia viral (COVID 19).
Paciente evoluiu com melhora progressiva do quadro respiratório, sendo que cerca de um mês após início dos sintomas, paciente procurou serviço de emergência por dor torácica aguda e novo episódio de dispneia. Realizou nova tomografia de tórax que demonstrou redução das opacidades em vidro fosco na parênquima pulmonar, com aspectos tomográficos típicos para pneumonia viral em resolução, além de volumosa pneumatocele com nível hidroaéreo no interior localizada ao longo da superfície cissural no lobo inferior esquerdo, pneumomediastino e enfisema subcutâneo.
Pneumatoceles são lesões císticas preenchidas por ar, com finas paredes, que podem se desenvolver após infecções pulmonares severas ou relacionadas a trauma torácico. Apesar da fisiopatologia exata desconhecida, aventa-se que a reação inflamatória gerada por citocinas envolvidas na pneumonia por COVID 19 induzem a injúria alveolar difusa, deixando o alvéolo mais suscetível à ruptura e formação das cavidades aéreas e lesões secundárias a escapes aéreos. Em alguns casos a pneumatocele pode dissecar pelo feixe perivascular e peribrônquicos e causar pneumotórax ou pneumomediastino.
A infecção pelo vírus SARS-CoV-2 varia desde condições assintomáticas à doença fatal, com mortalidade frequentemente resultado de injúria pulmonar aguda. O achado radiológico pulmonar mais comum na infecção pelo SARS-CoV-2 são opacidades com padrão de atenuação em vidro fosco difusas. Complicações de pneumonia viral com formação de pneumotórax, pneumatoceles ou pneumomediastino comumente estão relacionadas ao barotrauma por ventilação com pressão positiva, sendo infrequentes nos pacientes não submetidos a ventilação invasiva. De forma ainda menos comum, há a descrição da formação dessas complicações em pacientes que estão em fase de melhora clínica e radiológica da pneumonia viral.
Evoluções atípicas com alterações relacionadas ao mecanismo de escape aéreo e formação de pneumatoceles na evolução da pneumonia por COVID 19 ocorrem em uma minoria dos pacientes infectados, porém, devido ao imenso número de pacientes acometidos e ao tempo de duração da pandemia, tais possíveis desfechos devem ser conhecidos para possibilitar manejo e conduta adequados.

INTRODUÇÃO
Os tumores fibrosos solitários são uma neoplasia rara de origem mesenquimal que compreendem menos de 2% de todos os tumores de partes moles. A maioria é benigna, apesar de que até 20% possa ser maligno. Embora sejam tipicamente assintomáticos, podem promover sinais e sintomas relacionados à compressão extrínseca de órgãos adjacentes. A maioria ocorre numa localização intratorácica, mas até um terço pode ocorrer em localizações extratorácicas.
DESCRIÇÃO
Paciente de 54 anos, sexo masculino, tabagista e sem comorbidades.
Quadro clínico de dispneia durante atividade física e em alguns momentos ao repouso, associada a episódios de tosse e dor torácica.
Ao exame físico, ausculta pulmonar reduzida no hemitórax direito.
Exames laboratoriais sem particularidades.
Radiografia de tórax mostrou opacificação homogênea dos 2/3 superiores do hemitórax direito, sem outras alterações significativas evidentes.
Foi submetido à tomografia computadorizada (TC) de tórax que evidenciou massa sólida nos terços superior e médio do hemitórax direito, bem delimitada, levemente heterogênea e com padrão de crescimento expansivo, promovendo atelectasia pulmonar quase completa do lobo superior, leve compressão da via aérea (traqueia, brônquios principais e brônquios lobares à direita) e deslocamento do esôfago para a esquerda. Havia amplo contato da massa com a parede torácica/superfície pleural, formando ângulos de contato predominantemente obtusos, sugerindo origem extrapulmonar. Como achados associados foram evidenciados pequeno derrame pleural ipsilateral, ausência de aumento volumétrico pulmonar compensatório contralateral e ausência de linfonodomegalias.
DISCUSSÃO
O tumor fibroso solitário (TFS) tem origem mesenquimal fibroblástica e é incluído no espectro do hemangiopericitoma. Incide principalmente entre a 4ª e a 7ª décadas de vida, com poucos relatos em jovens e sem diferença entre sexos. Acomete cerca de 2,8 para cada 100.000 pacientes, correspondendo a 5% das neoplasias pleurais. Embora seja encontrado na pleura em 30-40% dos casos, também pode se localizar nas regiões da cabeça e pescoço e cavidade abdominopélvica.
O diagnóstico do TFS é anatomopatológico, por vezes complementado por estudo imuno-histoquímico.
Exames de imagem são inconclusivos, mas orientam o planejamento cirúrgico, estadiamento e seguimento.
Ressecção cirúrgica é o tratamento de escolha. O seguimento em intervalos próximos é recomendado devido um aumento na incidência de recorrência local.

Introdução:
A aspergilose invasiva compreende infecções causadas por fungos do gênero Aspergillus. Ainda que exposição a esses fungos seja comum, invasão tecidual incide em 1-2: 100.000 habitantes e está associada a imunossupressão, podendo, ao acometer os pulmões, manifestando tríade clássica de febre, dor torácica pleurítica e hemoptise, bem como dispneia e tosse. A forma pulmonar subaguda dessa doença (SIPA) diferencia-se por seu tempo de evolução, que compreende 1-3 meses.
Radiologicamente, pode-se encontrar nódulos (cavitantes ou não), consolidações, infiltrados peribrônquicos, opacidades em vidro fosco ou derrame pleural. Os achados, em geral, iniciam-se com nódulos circundados por opacidades em vidro fosco que, conforme a doença evolui, crescem e, eventualmente, podem cavitar. Por vezes, à tomografia computadorizada pode haver achados de pneumonia apenas, como áreas de consolidação.
Considerando essas informações, descrevemos o caso de um paciente que foi vítima dessa doença, apresentando quadro sintomatológico pouco específico e, ainda que previamente hígido, em, aproximadamente, dois meses, evoluiu ao óbito.
Descrição:
Paciente masculino, 30 anos, tabagista, internado por trauma cranioencefálico, abandonou hospital usando dexametasona (16mg/dia). Sem indicação médica, manteve uso da medicação por, aproximadamente, dois meses, quando retornou ao hospital com queixa de dispneia, tosse seca, inapetência e odinofagia. Apresentou, também, hiperglicemia e miopatia, secundárias, provavelmente, ao uso do corticóide. Evoluiu com hemopneumotórax, do qual se drenou 2 litros de conteúdo hemático e purulento; com citomegalovirose; com plaquetopenia grave; e, posteriormente, com choque séptico de origem na infecção pulmonar. O parênquima pulmonar apresentava necrose e sinais de abscesso.
Discussão:
O relato demonstra um caso clínico de aspergilose pulmonar invasiva subaguda associada a imunossupressão, precipitada por uso de dexametasona (16 mg/dia), por dois meses, sem indicação médica. Assim, esse caso enfatiza, novamente, que cuidados adequados, ao uso desse tipo de medicamento, devem ser tomados, de modo a evitar tragédias como essa.

Paciente masculino, 60 anos, iniciou quadro de dorsalgia há 5 anos, com melhora parcial da dor com uso de anti-inflamatórios não esteroidais. Após 2 anos do inicio do quadro, evoluiu com piora aguda da dor, principalmente em região lombar, associada a parestesia e perda de força em membro inferior esquerdo e da flexão do pé esquerdo. Foi diagnosticado com hernia discal lombar em L4-L5 e submetido a laminectomia de L4-L5, com recuperação do quadro neurológico, porém piora da dor lombar, com pouco alívio da dor com uso de AINEs e analgésicos comuns. Em melhor caracterização da dor, a mesma era predominantemente lombar e, no inicio do quadro, tinha caráter predominantemente inflamatório ( pior pela manhã, com melhora ao movimento), assumindo um caráter indeterminado com a evolução do quadro ( dor contínua, sem preferência de horário, sem melhora com movimento), notadamente após a cirurgia de laminectomia.Em investigação direcionada a queixas reumatológicas, o paciente afirmava ter edema difuso do 4º pododáctilo direito e 3 º pododáctilo esquerdo, de forma intermitente (provável dactilite). Exames laboratoriais HLA B27 não detectado, PCR 0,87 , VHS 20. Tomografia computadorizada da coluna torácica e lombossacra demonstraram ossificações ligamentares em múltiplos niveis toracicos e formação de sindesmofitos notadamente em T8-T9,entesopatia calcificada junto aos cantos antero-superiores vertebrais, ossificações ligamentares anteriores nas sacroiliacas, entesofitos e ossificações em espinhas iliacas antero-superiores e antero-inferiores,ossificações nas tuberosidades isquiáticas, predominando à direita. A RM coluna torácica e lombossacra mostrou áreas de alteração de sinal nos cantos ântero-superiores de corpos vertebrais toracicos e lombares, com caracteristicas de edema/alterações inflamatórias , associando-se lesões focais nos planaltos vertebrais superiores de L3 e L5, alterações pós-cirurgicas com laminectomia bilateral em L4-L5 e sinais
de fibrose. RM de sacroiliacas negativa para sacroileite.De acordo com os critérios de classificação, considerou-se como principal diagnóstico a DISH- Hiperostose difusa esquelética, com associação de entesites, tendo sido afastada a possibilidade de Espondiloartrite inflamatória.

A embolia pulmonar é uma desordem potencialmente fatal que ocorre em consequência de trombo formado no sistema venoso profundo que se desprende e, atravessando as cavidades direitas do coração, obstrui a artéria pulmonar ou um de seus ramos. Na literatura, existem poucos relatos de casos documentando rotura do tendão calcâneo com subsequente TVP e EP; a incidência de TVP diagnosticada pela ultrassonografia com Doppler após a rotura do tendão calcâneo é de cerca de 34% nos primeiros dois meses de imobilização após a lesão. A incidência de TEP após a cirurgia por rotura do tendão calcâneo é rara, cerca de 1,5-3,0% dos casos. Contudo, Patel e cols realizaram um estudo retrospectivo, que avaliou 1172 pacientes sintomáticos para a incidência de TEP e TVP com rotura do tendão calcâneo concluindo em uma incidência de 0,34% e 0,43%, respectivamente. Acredita-se que uma série de fatores contribuem para o risco de desenvolver TVP / TEP com imobilização gessada do membro inferior após lesão.6 Isso inclui trauma, tempo prolongado imobilização, uso de torniquete e cirurgia. No entanto, alguns autores discordam da cirurgia como fator de risco alegando que a TVP / TEP pode ocorrer antes do procedimento e ser assintomática. Neste relato de caso temos uma condição relativamente rara em que uma ruptura no tendão calcâneo agravou para uma embolia bilateral após uma complicação cirúrgica.

A Amiodarona é um agente farmacológico que tem sido utilizado clinicamente desde o início da década de 60. Inicialmente, foi usada devido às suas propriedades vasodilatadoras e antianginosas e, posteriormente, por suas ações antiarrítmicas. Atualmente, a Amiodarona é utilizada para controlar arritmias atriais e ventriculares, principalmente as de maior risco de vida.
A grande maioria dos pacientes em uso da droga por um longo período desenvolvem efeitos colaterais. A Amiodarona é conhecida por ter a capacidade de causar reações adversas em praticamente qualquer sistema no organismo. Os mais frequentes são os cutâneos, oculares, cardíacos, gastrointestinais, tireoidianos, neurológicos, hepáticos e pulmonares. Na maioria dos pacientes, estes efeitos são bem tolerados e costumam ser atenuados por uma redução na dosagem da droga, de forma que a descontinuação do uso da amiodarona raramente é necessária.
De todos os efeitos adversos, a pneumonite é o mais sério e o que limita de forma mais importante o seu uso clínico. Uma parcela dos pacientes tratados com a droga podem desenvolver sinais e sintomas consistentes com toxicidade pulmonar, alguns deles podendo evoluir à morte.
Apresentamos um caso de uma paciente de 80 anos, a qual utilizava Amiodarona de longa data por arritmia cardíaca. No quadro clínico apresentava queda do estado geral, associado a dispneia progressiva, hipotimia e diminuição da ingesta alimentar. Após a realização de Tomografia Computadorizada foi evidenciada a presença de múltiplas consolidações do parênquima pulmonar, além de aumento da atenuação do parênquima hepático, achados estes consistentes com o diagnóstico de Toxicidade por Amiodarona.

Paciente masculino, 7 anos, realizou transplante de medula óssea (TMO) devido anemia de Fanconi. Após 38 dias, manifestou febre, neutropenia, diarreia e inapetência. Durante o internamento, houve piora respiratória e foi feito o diagnóstico de tuberculose (TB). Iniciados isoniazida, rifampicina e pirimetamina. Devido sonolência, realizaram-se ressonância magnética (RM) e tomografia computadorizada (TC) de crânio que não evidenciaram alterações. Evoluiu com alteração da função hepática e renal, aumento da amônia plasmática e rebaixamento do nível de consciência, sendo suspenso o tratamento medicamentoso. Nova RM sugeriu encefalopatia tóxica aguda, com lesão principalmente em tálamo bilateral. Paciente apresentou estado de mal convulsivo e TC posterior mostrou achados compatíveis com edema cerebral. Hipotensão refratária e piora neurológica progressiva culminaram em óbito transcorridos 2 meses do TMO.
Indivíduos imunossuprimidos, como transplantados, são mais propensos a manifestar TB e a terapêutica deve incluir isoniazida, rifampicina e uma fluorquinolona. A isoniazida pode ocasionar acúmulo de amônia plasmática, resultando em uma encefalopatia tóxica rara, caracterizada por hiperamonemia associada à insuficiência hepática aguda. Em contexto de TMO, há descrição da hiperamonemia idiopática aguda, porém após quimioterapia e na ausência de causas identificáveis, como disfunções hepáticas.
A encefalopatia hiperamonêmica aguda ocorre quando a amônia não é degradada em ureia pelo fígado, atravessa a barreira hematoencefálica e, no cérebro, é metabolizada junto ao glutamato em glutamina, podendo desencadear edema citotóxico.
Os sintomas incluem vômitos, irritabilidade, sonolência e convulsões, até coma e morte. As características marcantes da RM são hipersinal em T2/FLAIR, com restrição à difusão, em tálamo dorsomedial bilateral, ínsulas, giro do cíngulo e córtex cerebral difuso, apresentando envolvimento simétrico de frontais, temporais e parietais e poupando occipitais.
Extensas anormalidades de sinal cortical na RM aparecem em condições incluídas no diagnóstico diferencial, como encefalopatia hipoxico-isquêmica, encefalite límbica, hiponatremia ou Creutzfeldt-Jacob.
É importante fazer o diagnóstico precoce da encefalopatia hiperamonêmica aguda, porque se trata de uma condição reversível, embora com desfecho potencialmente fatal se não tratada.

Introdução: A miosite ossificante progressiva ou fibrodisplasia ossificante progressiva é
uma doença rara, com menos de 1000 casos descritos, autossômica dominante e com
gravidades diferentes, porém muitas casos são esporádicos. Sua principal associação
é com anomalias congênitas em hálux e polegar de 75 a 90% dos casos.. Os estigmas
clínicos da doença são implantação baixa do polegar direito, clinodactilia, osteófito
lateral no polegar esquerdo, hálux valgo bilateral. O caso relatado têm sua importancia
devido à sua raridade, a gravidade das limitações motoras e ao inicio precoce dos
sintomas.
Descrição: Paciente feminino, 37 anos, branca, natural de São Paulo relata que aos 4
anos começou a sentir dores ósseas intensas difusas, sem sintomas associados. Aos
8 anos, foi diagnosticada com fibrodisplasia ossificante progressiva (FOP). Não há
história familiar dessa doença. Ainda com 8 anos foi diagnosticada com hepatite B,
provavelmente adquirida durante internação hospitalar, tratada com sucesso. Não
realizou tratamento específico. Aos 15 anos a doença estagnou, segue tratando
apenas as crises.
Foram realizadas radiografias de coluna lombar, membro superior direito, membros
inferiores e bacia. Paciente apresenta calcificações heterotópicas grosseiras de partes
moles, topografia muscular, adjacentes ao úmero, raiz da coxa bilateralmente e
adjacente aos fêmures.
Discussão: A fisiopatologia da fibrodisplasia ossificante progressiva ainda não é
totalmente conhecida. Sabe-se que ela inicia com processos inflamatórios que geram
edemas que vão se calcificando, e limitando a mobilidade do paciente. A região da
nuca é o lugar mais frequente acometido. O principal fator de agudizante é o trauma, e
se repetitivo mesmo com o tratamento de manutenção, ainda pode desencadear uma
agudização da doença.
O tratamento se baseia em bifosfonados e acido ascórbico, tanto na fase aguda, como
na fase de manutenção. O diagnostico diferencial se faz com a calcinose idiopática
universal, dermatomiosite, calcinose idiopática tumoral e doenças por alterações no
metabolismo do cálcio.
É imprescindível para instituir o tratamento para diminuir ou parar o processo de
calcificação, reduzindo as sequelas motoras e melhorando a qualidade de vida dos
pacientes acometidos.

Introdução: A sinusite maxilar odontogênica corresponde de 10-12% dos casos
de sinusite maxilar, o que mostra a importância do conhecimento acerca da
etiologia, diagnóstico e tratamento desta patologia. Se não identificada e
tratada, a sinusite odontogênica pode reduzir de forma significativa a qualidade
de vida do paciente,e levar a sérias complicações, como abscessos orbitais e
cranianos, cegueira ou celulite orbitaria. O caso relatado apresenta história
clínica e achados de imagem compatíveis com essa importante patologia.
Descrição: Paciente masculino, 28 anos, procurou um otorrinolaringologista
com queixa de dor na face, obstrução nasal e cafaléia à esquerda e sensação
de pressão. Foi prescrito antibioticoterapia sem remissão dos sintomas ao
término do tratamento. O profissional suspeitou de sinusite de origem
odontogênica, e ao questionar o paciente, esse relatou extração dentaria dos
terceiros molares superiores e inferiores há 20 dias.
Observou-se à tomografia computadorizada (TC) sem o uso de contraste,
grande quantidade de material com atenuação de partes moles e conteúdo
denso no seio maxilar esquerdo, com focos gasosos e calcificações de
permeio. Sinais de extração dos terceiros molares superiores e inferiores, com
material com atenuação de partes moles preenchendo suas cavidades
alveolares. Rotura da cortical maxilar vestibular e rotura da cortical mandibular
lingual. Presença de comunicação oroantral à esquerda associada a pequeno
remanescente radicular nessa topografia. Obliteração do infundíbulo esquerdo
por provável remanescente radicular. Concluindo o diagnóstico de sinusite
odontogênica.
Discussão: A origem odontogênica da sinusite deve ser considerada em
pacientes com história de cirurgia dentoalveolar/periodontal. A presença de
inflamação, infecção ou iatrogenias de origem dentária pode afetar a
integridade do assoalho do seio maxilar, devido à proximidade anatômica deste
com os molares superiores.
A TC é o exame de escolha para a avaliação dos seios paranasais e estruturas
dentoalveolares, pois permite reconstruções que eliminam sobreposições de
estruturas, possibilitando o diagnóstico de sinusopatias e identificando
variações anatômicas que predispoem a patologia.

A intussuscepção ocorre representa a causa mais comum de obstrução intestinal na população pediátrica; e ocorre quando um segmento proximal do intestino invagina no segmento adjacente. Os métodos de imagem são essenciais para a conduta clínica e para a elucidação diagnóstica, incluindo a ultrassonografia e a tomografia computadorizada. A origem desta patología pode ser idiopática ou relacionada a condições pré-existentes como malignidades. Destas, destaca-se como causa incomum o linfoma. Objetivo: Apresentar os principais achados de imagem de um caso de intussuscepção intestinal em paciente com linfoma de Burkitt, sendo feita uma correlação com dados encontrados na literatura.Discutir o seguimento necessário para pacientes com linfoma em maior risco de intussuscepção. Este trabalho propõe realizar uma revisão sistemática da literatura e descrever um relato de um paciente do sexo masculino de 17 anos que procurou o setor de emergência, referindo dor abdominal há 48 horas, associada a vômitos e sangramento intestinal. No exame físico observou-se massa palpável no quadrante inferior direito. O estudo ecográfico evidenciou intussuscepção intestinal ileo jejunal. Numerosos linfonodos mesenteriais em flanco direito e peri umbilicais, medindo cerca de 0,5 cm à 1,4 cm. Realizado estudo tomográfico identificando espessamento focal regular íleo jejunal. Uma laparatomia exploradora foi realizada identificando segmento de jejuno com extensão de 19,0 cm de comprimento e 8,0 cm de circunferência. Linfonodos mesenteriais medindo cerca de 4,0 x 3,0 x 2,0 cm. O exame macroscópico revelou mucosa edemaciada com pregueamento diminuído com lesão vegetante úlcero-vegetante medindo cerca de 5,5 x 3,5 cm, constituída por tecido amolecido, homogêneo e esbranquiçado. Nódulos mesenteriais constituídos por tecido firme e acastanhado. O diagnóstico foi de linfoma Não Hodgkin em parede jejunal; sendo a imuno-histoquímico importante confirmando o diagnóstico de Linfoma de Burkitt. Paciente não apresentou intercorrência pós operatória, sendo encaminhado para quimioterapia adjuvante. Realizado revisão da literatura.

Introdução: A Anemia Falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária caracterizada pela produção defeituosa da cadeia beta da hemoglobina, levando à produção da hemoglobina S (HbS). Quando esta hemoglobina anômala é submetida à desoxigenação, assume formato de foice, o que causa a agregação dessas hemoglobinas defeituosas com consequente obstrução da microcirculação, isquemia e infarto. Tem maior prevalência entre as pessoas de origem africana, e estimativa de mais de 8 mil afetados no Brasil. Sua importância alarga por causar aumento da morbimortalidade e redução da expectativa de vida em 25 a 30 anos. Possui diversas manifestações clínicas e tem diagnóstico clínico e laboratorial, sendo os métodos de imagem importantes para o diagnóstico e acompanhamento das complicações. Assim, faz-se necessário conhecer as manifestações e os possíveis achados a ela relacionados, dando-se destaque às manifestações musculoesqueléticas pela sua frequência e possíveis implicações como fraturas e distúrbios do crescimento. Descrição: Homem de 48 anos, com diagnóstico pregresso de Anemia Falciforme e crises falcêmicas recorrentes, em acompanhamento com serviço de ortopedia por dor em quadril à direita, em pré-operatório de artroplastia total de quadril. Discussão: Este caso é notável pela caracterização de algumas alterações musculoesqueléticas consequentes da isquemia e infartos ósseos que ocorrem na Anemia Falciforme, e que podem acometer qualquer parte do esqueleto. Os infartos ósseos levam ao distúrbio do crescimento nas crianças, como, por exemplo, a vértebra em forma de “H”, de prevalência aproximada de 10%, que ocorre por infarto de suas placas de crescimento, causando depressão das placas terminais. O infarto epifisário é comum nesta patologia, acometendo principalmente as cabeças femorais e umerais bilateralmente, sendo mais frequente por volta dos 35 anos de idade. Os primeiros sinais na radiografia são áreas radiolucentes e escleróticas na epífise, em seguida radiolucência subcondral em forma de crescente, e, posteriormente, deformidade óssea e alterações degenerativas secundárias, que podem levar à necessidade de tratamento cirúrgico, como a colocação de prótese. Portanto, a patologia em destaque tem consequências danosas e debilitantes que podem reduzir a qualidade e expectativa de vida do paciente, e que precisam ser conhecidas para melhor condução do caso.

OBJETIVO: O objetivo do presente estudo é relatar o caso de uma paciente com HIV que apresentou Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LEMP) como primeira manifestação da doença, diagnosticada através da RM.
DESCRIÇÃO: M.A.M, 52 anos, casada,do lar, realizou uma RM de crânio eletiva solicitada por neurologista devido dificuldade para ler e escrever que piora de forma lenta, progressiva há 2 meses. Negava demais sintomas neurológicos. Relatou depressão após descoberta de morbidade que seu companheiro adquiriu, mas se negou a informar o tempo e nome da patologia. Na RM apresentou hipersinal em T2 e FLAIR na substância branca do hemisfério cerebral esquerdo com acometimento em “U”, principalmente na região temporoparieto-occipital, sugerindo LEMP. Exames: teste rápido HIV reagente, CD4: 123 células e carga viral: 17.325 copias, VDRL e HTLV não reagentes; no líquor: 4 células (100% mononucleares), proteínas 45.2, glicose 55 e PCR JC positivo.
DISCUSSÃO: A LEMP é uma doença oportunista, subaguda e desmielinizante, relacionada à infecção do vírus JC. Acredita-se que o vírus possa ser detectado no SNC apenas após reativação, na qual os linfócitos circulantes infectados, particularmente células B, cruzam a barreira hemato-encefálica, podendo levar à infecção de astrócitos junto aos vasos sanguíneos. A elevada prevalência de anticorpos IgG na população adulta e a raridade dos casos de doença em crianças reforçam o conceito de que essa doença seja o resultado da reativação viral em indivíduos que se tornam imunossuprimidos. O diagnóstico depende da apresentação clínica de déficit neurológico focal sem evidência de aumento de pressão intracraniana, da identificação do vírus no tecido cerebral e dos achados da biópsia cerebral. Além disso, a presença de sintomas típicos e lesões na RM sugestivas costumam ser suficientes para o diagnóstico. Neste caso a LEMP se apresentou como primeira manifestação da AIDS, apesar deste fato ser incomum. Também foi possível observar a contribuição do estudo por imagem através da RM para investigar e confirmar o diagnóstico, apesar de uma história clínica incompleta.

Introdução: A neurocisticercose é uma das infecções parasitárias mais frequentes do sistema nervoso central, tendo como agente etiológico a forma larval encistada da Taenia solium, representando uma das causas mais comuns de epilepsia de início tardio em países em desenvolvimento, o que lhe atribui grande importância no contexto da saúde comunitária. Descrição: Neste estudo, objetiva-se a discussão e apresentação das características radiográficas específicas da neurocisticercose do tipo racemosa ou subaracnoidea, que se desenvolveu em paciente do sexo masculino, 50 anos de idade, previamente hígido, que iniciou no período de seis meses quadro de cefaleia de forte intensidade em região frontal e occipital, associada a perda de força em dimidio direito associada a tremores, vômitos e crises epilépticas inicialmente focais e predominantemente motoras, com posterior generalização. Discussão: Além do encéfalo, o cisticerco pode se alojar em outros tecidos, dentre os quais a retina, musculatura estriada e tecido subcutâneo. O quadro clínico varia de acordo com a área acometida, a quantidade de parasitas e o estágio de evolução das lesões no sistema nervoso central. O envolvimento encefálico pode se dar de forma parenquimatosa, subaracnóidea, intraventricular ou mista. A larva do parasita apresenta quatro fases de evolução após atingir o tecido alvo, as quais apresentam um tempo médio de dois a dez anos para alcançar seu estágio final. A forma vesicular representa a fase inicial, que se apresenta em exames de imagem como cisto de paredes finas, associado a mínimo ou nenhum edema adjacente, em seguida, há o estágio coloidal, representado por reação inflamatória local, associada a edema vasogênico perilesional e capsula espessa que capta contraste, logo após, há a fase nodular granular, em que ocorre a retração do cisto e formação de nódulo granulomatoso, que apresenta realce nodular ou anelar, tendendo à regressão evolutiva, já a fase nodular calcificada representa o estágio final, com mineralização da lesão. A tomografia computadorizada e, em especial, a ressonância magnética são exames de imagem que possibilitam a análise apurada da neurocisticercose, permitindo a identificação das fases de evolução da doença e a orientação diagnóstica da patologia, apresentando fundamental importância na condução e direcionamento clínico da doença.

O carcinoma neuroendócrino de pequenas células (CNPC) é um dos tumores mais agressivos do trato genital feminino. CNPC com origem endometrial é muito raro, com menos de 50 casos relatados na literatura. Por esta raridade, pouco se sabe das particularidades dessa doença em relação aos CNPC mais comuns.
Neste trabalho relatamos um caso clínico-radiológico de CNPC primário do endométrio, em paciente com quadro clínico de sangramento vaginal contínuo em pequena quantidade por longa data, encaminhada para tratamento oncológico em nosso serviço, com biópsia endometrial revelando neoplasia pouco diferenciada.
O exame de ressonância magnética de estadiamento evidenciou massa endometrial expansiva e infiltrativa, hipovascular, com extensão ao canal endocervical e com infiltração de mais de 50% da espessura miometrial. Evidenciou também massa sólida infiltrativa na região anexial direita, com características semelhantes à lesão endometrial, acometendo o ovário e a tuba uterina, e com provável infiltração do retossigmoide, mantendo também contato com o íleo distal.
A paciente foi submetida a procedimento cirúrgico com histerectomia, salpingooforectomia bilateral e ressecção dos segmentos intestinais acometidos (retossigmoide e íleo).
Os estudos anatomopatológico e imuno-histoquímico das peças cirúrgicas concluíram por CNPC de provável sítio primário endometrial, com metástase anexial à direita.

Introdução
Vasa vasorum consiste em pequenos vasos, sejam eles artérias, veias ou capilares que promovem a nutrição e drenagem das paredes de vasos maiores. Em condições normais estão presentes na adventícia dos grandes vasos, como por exemplo as carótidas, mas não são visíveis nos métodos de imagem. Em condições patológicas, porém pode haver a proeminência desses vasos e sua identificação. Exemplos de condições em que isto ocorre são a aterosclerose, aneurismas, dissecções e vasculites.
Descrição sucinta
Paciente de 54 anos do sexo feminino, com antecedente de acidente vascular cerebral prévio há 4 anos, realizou exame de angiotomografia computadorizada para avaliação de achado ultrassonográfico prévio, onde foi evidenciada a oclusão do segmento cervical da artéria carótida interna e reenchimento no segmento petroso por colaterais vasa vasorum.
Discussão resumida
A recanalização da oclusão arterial pela vasa vasorum, nos exames angiográficos, tem como características de imagem a localização excêntrica ao grande vaso afetado e se apresentam como pequenos vasos tortuosos.
Diante de um quadro de oclusão da carótida, esta entidade, pode representar um importante "pitfall", pois podem possuir aspecto de imagem parecido, com estenose crítica / suboclusão. E sua identificação é de suma importância, pois o tratamento para essas condições é diferente, sendo que na presença de vasa vasorum a tentativa de recanalização cirúrgica ou endovascular não é indicada e nos casos de estenose crítica/ suboclusão a manipulação seja por stent e/ou endarterectomia é geralmente indicada para a desobstrução do vaso.

Paciente de 60 anos, masculino, com histórico de nodulação em região supraclavicular direita, com aumento progressivo de tamanho, desde a infância. Procurou assistência médica em 2019, após nodulação atingir tamanho considerável, tendo sido realizada cirurgia de esvaziamento cervical, com biópsia e imuno-histoquímica , cujo estudo foi compatível com Sarcoma de Células Dendríticas foliculares. Paciente não realizou seguimento com QT e RT adjuvantes, evoluindo com recidiva da lesão. Após cerca de 18 meses da ressecção apresentou ressurgimento da tumoração com ulceração e hemorragia. Novos exames de imagem foram realizados, sendo que a tomografia computadorizada do Pescoço demonstrou Formações nodulares expansivas formando conglomerado, de aspecto neoplásico, heterogênea com áreas hipodensas sugestivas de necrose/liquefação na região cervical direita, com epicentro na fossa supraclavicular, extensão para transição cervico-torácica (C4 a T1), medindo cerca de 13,7 x 13,3 x 8,2 cm. Havia relação anatômica de contato inferior da lesão em cerca de 180 graus com a artéria subclávia direita e tronco braquiocefálico, envolvimento circunferencial da veia jugular interna direita, e extensão parcial para o músculo esternocleidomastoideo ipsilateral, desvio da glândula tireoide e da traqueia para à esquerda. Em avaliação por equipe da Cirurgia de Cabeça e Pescoço, foi definido que lesão era irressecável, sendo indicada quimioterapia e radioterapia paliativas. A tomografia computadorizada de tórax demonstrou nódulos subpleurais pouco numerosos , linfonodopatia peri-hilar esquerda e nódulo subcapsular hepático e diafragmático.O sarcoma dentritico é rara neoplasia maligna que acomete mais freqüentemente acomete linfonodos, mas pode ocorrer em sítios extranodais, em especial região de cabeça e pescoço. Tal neoplasia tem importância devido ao seu baixo índice de suspeição tanto pelo clínico quanto pelo patologista.

Divertículo de Meckel é a malformação congênita mais comum do trato gastrointestinal, ocorre em 2% da população, acometendo uma proporção homem : mulher de 2: 1.
Por conter todas as camadas de parede intestinal é um divertículo verdadeiro. Deriva do ducto vitelínico e localiza-se na borda antimesentérica do íleo distal. Geralmente não tem significado clínico, mas podem mimetizar causas de abdome agudo.
Este relato tem o objetivo de demonstrar os achados de imagem de uma diverticulite aguda de Meckel perfurada por corpo estranho alimentar, faz revisão das principais formas de apresentação e da rotina para investigação e diagnóstico radiológico.
Apresentamos caso de paciente feminina, 68 anos, que se apresenta à emergência hospitalar com dor abdominal em fossa ilíaca direita há um dia. Hemograma com leucocitose. História de apendicectomia há 30 anos. Realizada investigação com tomografia computadorizada (TC) do abdome total. Foi identificada alça de íleo distal que terminava em fundo cego, localizada na fossa ilíaca direita (divertículo de Meckel), com presença de imagem linear hiperdensa em seu interior que transfixava a parede desta alça e determinava formação de solução de continuidade. Adicionalmente observava-se sinais inflamatórios adjacentes a alça perfurada.
Diante dos achados conclui-se que o diagnóstico era de diverticulite aguda de Meckel perfurada por corpo estranho alimentar.
A paciente foi submetida à laparotomia exploradora que confirmou a presença divertículo de Meckel em íleo distal com presença espinho de peixe transfixando a alça.
A diverticulite de Meckel complicada é causa importante de abdome agudo. A TC tem baixa sensibilidade para detecção do divertículo pois suas características assemelham-se à das alças intestinais. A dor pode ser resultado de inflamação diverticular, obstrução ou perfuração.
Os achados físicos típicos incluem dor e distensão abdominal. A sensibilidade está localizada mais em direção à linha média abdominal. A perfuração acarreta sinais de irritação peritoneal.
As imagens na TC são difíceis de distinguir de um quadro de apendicite aguda.
O diagnóstico diferencial inclui todas as patologias que podem cursar com dor abdominal inferior.
O tratamento requer ressecção cirúrgica por diverticulectomia simples ou ressecção segmentar do delgado.

A ruptura bilateral do tendão do músculo quadríceps femoral é dada com fenômeno raro na literatura da radiologia musculoesquelética e ortopédica, sendo relatados cerca de 105 casos em revisões inglesas e alemãs. Trata-se de uma lesão debilitante, caso não haja o correto manejo cirúrgico ortopédico. Os casos mais conhecidos são em pacientes com condições médicas predisponentes, como diabetes mellitus e distúrbios da paratireoide, e idade avançada. O relato de caso proposto é sobre um paciente do sexo masculino, de 34 anos, professor de educação física, que já apresentava tendinite há um ano nos tendões quadricipitais femorais com acompanhamentos fisioterápico e ortopédico prévios. A lesão se deu por mecanismo traumático no momento em que o paciente praticava voleibol, impossibilitando a extensão da perna ao exame físico. Ele se dirigiu rapidamente a uma grande emergência ortopédica privada, com fortes dores em ambos os joelhos e edema no joelho direito. No dia seguinte foi submetido a correção cirúrgica da lesão com boa recuperação. A relevância deste caso consiste na peculiaridade das características do paciente , como idade e predisposição prévia, que apresentou essas lesões, sendo fora do perfil já descrito em relatos anteriores, que por sua vez, são raros, principalmente no contexto esportivo.

Doença de Erdheim-Chester
A doença de Erdheim-Chester é uma doença de células não-Langerhans de manifestação sistêmica, que acomete múltiplos órgãos e tem gravidade altamente variável. É uma doença rara, não hereditária, acometendo indivíduos entre a 5ª e 7ª década, com leve predominância no sexo masculino.
Apesar de ser uma doença não maligna, pode ser fatal devido à gravidade das disfunções orgânicas que causa. Os achados de imagem são essenciais para estabelecer o diagnóstico, avaliar a extensão da doença e auxiliar intervenções terapêuticas a fim de interromper a progressão da doença.
Os sintomas são inespecíficos e relacionados ao local de envolvimento. Febre, perda de peso e suores noturnos são comuns. O envolvimento esquelético é o mais comum, causando dor óssea como sintoma inicial na maioria dos casos, seguido pelas manifestações extraósseas mais comuns que são o diabetes insípido central e exoftalmia.
Apresentamos um caso de uma paciente feminina, 37 anos, em investigação de anemia hemolítica há um ano, associado a astenia, icterícia e emagrecimento. Durante a realização de exames pré-operatórios para esplenectomia eletiva foi evidenciada volumosa cardiomegalia. Realizado ecocardiograma que evidenciou volumoso derrame pericárdico e presença de massa ecogênica aderida ao pericárdio. Realizada tomografia computadorizada de tórax e abdome para complementação diagnóstica. Confirmado o derrame pericárdico e a presença de massa cística com densidade homogênea e sem realce ao meio de contraste endovenoso aderida ao pericárdio no exame do tórax. No exame do abdome demonstrou-se a presença de massas envolvendo ambos os hilos renais, com densidade de partes moles e realce ao meio de contraste endovenoso, além de hepatoesplenomegalia. A paciente não apresentava alterações ósseas, neurológicas ou oftalmológicas.
Diante dos achados nos hilos renais foi realizada biópsia percutânea que demonstrou infiltrado linfoplasmocitário. Foi realizada biópsia cirúrgica das massas dos hilos renais que confirmou o diagnóstico de doença de Erdheim-Chester.
Diante da complexidade e diversidade de achados, a manifestação da doença em paciente com epidemiologia atípica para a doença e também a ausência de sintomas descritos como típicos determinou um grande desafio diagnóstico para o caso. Apesar de ser uma condição não neoplásica, mas com prognóstico reservado, a apresentação atípica pode atrasar o diagnóstico e o tratamento quimioterápico precoce.

Paciente de 25 anos, sexo feminino, história de dor lombar baixa e em baixo ventre há 2 meses de moderada intensidade, eventualmente com necessidade de atendimento em urgência. Apresentou perda de 10kg nos últimos 3 meses (em vigência de dieta). A tomografia computadorizada do abdome total demonstrou formação expansiva com aspecto infiltrativo acometendo difusamente o rim esquerdo com realce heterogêneo ao contraste promovendo aumento de volume renal e destruição arquitetural parenqumatosa, desviando contralateralmente a aorta, envolvendo parcialmente a artéria e veias renais esquerdas, associando-se múltiplas linfonodomegalias em cadeias paraórtica e satélites. A tomografia computadorizada do tórax demonstrou nódulos pulmonares de distribuição randômica, sugestivos de acometimento secundário. A Ressonância magnética da coluna torácica e lombossacra demonstrou múltiplas lesões ósseas disseminadas de D1 a S1 com acometimento de elementos posteriores em diversos niveis, associando-se fratura patológica de D12 e extenso componente de partes moles extra-ósseo à direita com invasão paravertebral , intra-canal e intra-foraminal (D11-D12 e D12-L1), sinais de compressão da medula espinhal no plano de D12, lesão óssea no pediculo vertebral esquerdo de D11 com componente de partes moles intra-canal na região anterior, sem compressão evidente, lesões ósseas nos processos espinhosos lombares de L3 a L5. Havia múltiplas lesões ósseas em bacia. A biópsia da massa intra-abdominal guiada por TC demonstrou ( macroscopia) múltiplos fragmentos irregulares de tecido de coloração acastanhada e consistência fibroelástica e a microscopia com neoplasia maligna indiferenciada de pequenas células com achados de proliferação de células pequenas e hipercromáticas, em arranjo difuso, e infiltrando tecido muscular., sem parênquima renal ou necrose, positividade forte e difusa, membranar, para CD99. Diante dos achados morfológicos e perfil imuno-histoquimico, a possibilidade de Sarcoma de Ewing (extraesquelético) deve ser considerada.

Introdução: Lesões císticas retrorretais são raras em adultos, mais comum em mulheres, e a maioria dos casos é de origem congênita. Cistos de desenvolvimento são os mais comuns encontrados no espaço retrorretal e incluem cistos epidermoides, dermóides e entéricos. Há dois tipos de cistos entéricos: hamartoma cístico retrorretal (HCRR), também chamado de “tailgut cysts” e cisto de duplicação retal. Reconhecer os principais achados relacionados a essas lesões é fundamental na prática do médico radiologista. Relatamos o caso de uma paciente com HCRR. Descrição: Paciente procura UBS relatando, há 3 anos, sensação de empachamento e desconforto abdominal. Nega sangramentos, mudança nas fezes, dor ou emagrecimento. Realizou exames laboratoriais e ecografia de abdome total que não evidenciaram alterações salvo por colecistectomia prévia. Nega etilismo, tabagismo ou histórico familiar de câncer. Equipe médica assistente optou por realização de ressonância magnética de abdome total, demonstrando lesão expansiva na região retrorretal, predominantemente cística, com intensidade de sinal heterogênea em T1 e T2, com áreas espontaneamente hiperintensas em T1 sem impregnação pelo meio de contraste, provavelmente relacionada à lesão cística primária do espaço retrorretal mais comumente relacionada à HCRR. Discussão: Embora cistos de desenvolvimento sejam frequentemente assintomáticos (50%), pacientes podem apresentar sintomas resultantes do efeito de massa, como constipação, sensação de ampola retal repleta, dor no andar inferior do abdome. Infecção com fistulização, sangramento e degeneração maligna são as complicações mais severas. Lesão cística bem definida, unilocular ou multilocular e de paredes delgadas são as principais características dessas patologias retrorretais. Os HCRR são geralmente multicísticos, contendo mucina e delineados por uma variedade de epitélios, podendo conter células secretoras de mucina ou células colunares ciliadas, escamosas, de transição, frequentemente combinadas. Os diagnósticos diferenciais incluem teratoma cístico sacrococcígeo, meningocele sacral anterior, leiomiossarcoma necrosante retal, dentre outras. A excisão cirúrgica completa é indicada tanto para diagnóstico, quanto para tratamento.

Introdução: Gossipiboma (GSPB) e textiloma são termos usados para descrever corpos estranhos têxteis deixados em alguma cavidade do corpo durante procedimento cirúrgico, considerados uma complicação cirúrgica incomum pouco relatada devido à implicações médico-legais associadas. Podem ser confundidos com tumores, abscessos entre outros. As manifestações clínicas e complicações são variáveis, sendo o diagnóstico muitas vezes desafiador Relatamos um caso de GSPB com seus achados clínico-radiológicos contribuindo assim na identificação dessa rara complicação cirúrgica. Descrição: Paciente procura atendimento de emergência por dor torácica, sendo diagnosticado com infarto agudo do miocárdio com lesão trivascular no cateterismo cardíaco, sendo indicada a realização de cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) . Após a CRM, paciente evoluiu com quadro de febre e leucocitose após cinco dias da cirurgia, sendo realizado radiografia de tórax que demonstrou opacidade de aspecto consolidativo no campo pulmonar superior esquerdo. Complementação com tomografia computadorizada de tórax evidenciou presença de uma massa heterogênea no campo pulmonar superior esquerdo, espongiforme, contendo focos gasosos de permeio e linha radiopaca (relacionado ao marcador do tecido), compatível com GSPB. Foi realizada toracotomia com a retirada do corpo estranho, apresentando melhora do quadro clínico do paciente. Discussão: A frequência dos GSPB durante procedimentos cirúrgicos pode variar de 1: 1000 até 1: 10000 casos. O paciente pode permanecer assintomático ou apresentar sintomas variados, sendo os mais comuns sensação de massa e dor. Os sítios mais comuns do GSPB são abdome, pelve e tórax. Complicações podem ocorrer e ser de gravidade variável, como infecções locais, formação de abscessos, fístulas, peritonite, dentre outros. A tomografia computadorizada é o melhor método para a sua avaliação, observando-se uma massa de paredes espessadas, heterogênea, podendo apresentar focos gasosos de permeio, com aparência espongiforme e, geralmente, com presença de material metálico radiopaco linear (marcador). No período pós operatório imediato, o padrão de imagem pode imitar a aparência de partículas de "gel-foam", utilizadas para conter hemorragia intraoperatória. O GSPB adjacentes à pleura podem aparecer como uma massa complexa apresentando camadas concêntricas de diferentes densidades ou massa calcificada.

O neuroblastoma olfatório é um tumor maligno de crescimento lento com origem na ectoderme da cavidade nasal e diferenciação neuroendócrina. Representa 2% dos tumores nasossinusais e tem incidência de 0,4 por milhão de habitantes. A distribuição é bimodal, com picos na 2a década de vida e entre a 5a e 6a. O sintoma mais comum é a obstrução nasal. Pode provocar síndrome paraneoplásica devido à produção ectópica de hormônio, incluindo a síndrome do ACTH ectópico.
A TC e a RM ajudam a diferenciar o tumor de outras causas de obstrução nasal e são essenciais no estadiamento, que inclui extensão do tumor primário, acometimento de linfonodos e metástases à distância. Entretanto, não conseguem distingui-los de outros tumores, por isso o diagnóstico definitivo requer análise histológica e imuno-histoquímica.
O tratamento geralmente envolve quimioterapia e/ou radioterapia combinada com ressecção cirúrgica. O prognóstico depende da presença ou não de metástases à distância, casos não complicados apresentam 60% de sobrevida em 5 anos, enquanto os associados a metástases são frequentemente fatais.
Dessa forma, descreve-se um caso clínico ilustrativo desse tumor maligno raro, em faixa etária incomum e com sintomatologia inespecífica. A suspeita diagnóstica foi realizada a partir de exames de imagem e confirmada em análise histopatológica, porém o paciente evoluiu à óbito durante a internação, confirmando o prognóstico reservado da doença quando em estágio avançado.
O caso mostra um paciente masculino, 30 anos, internado para investigação de síndrome consumptiva, linfopenia e plaquetopenia. Evoluiu com crises convulsivas, e à TC e RM de crânio evidenciaram volumosa lesão expansiva em seios paranasais com destruição óssea adjacente, invasão meníngea e da lâmina cribiforme. Além disso o paciente desenvolveu síndrome paraneoplásica produtora de ACTH. O estudo anatomopatológico identificou estesioneuroblastoma grau II de HYAMS. Foi realizada a abordagem cirúrgica porém o paciente evoluiu com AVE hemorrágico e morte encefálica.
O relato demonstra um caso clínico de neuroblastoma olfatório, em faixa etária incomum, sintomas inespecíficos, com evolução do paciente à óbito devido estágio avançado. Portanto, o diagnóstico precoce, junto ao estadiamento e tratamentos adequados são importantes tanto na sobrevida quanto na qualidade de vida do paciente.

Paciente de 46 anos, sexo feminino com massa em região cervical expansiva desde fevereiro de 2021, evoluindo com disfagia e dispneia, perda ponderal de 12kg em 3 meses. A tomografia de pescoço (03/05/21) demonstrou volumosa massa heterogênea expansiva, de aspecto infiltrativo com realce periférico ao contraste, delimitando áreas centrais hipodensas sugestivas de necrose/liquefação, de localização infra-hioidea, na incisura cérvico-torácica em intima relação com o tecido tireoideano, com abaulamento da pele e tecido subcutâneo, medindo 14,2 x 12,7 x 11,0 cm (LL x AP x CC). Inferiormente, invadia o mediastino superior, deslocando caudalmente as respectivas estruturas com densificação da gordura adjacente, reduzindo o calibre e desviando a traqueia para a esquerda e com compressão do esôfago. Havia compressão da veia jugular interna direita com material hipodenso no seu interior provavelmente por trombose tumoral .Associavam-se linfonodomegalias cervicais. A tomografia computadorizada de tórax da mesma data demonstrou nódulos pulmonares de atenuação de partes moles, de distribuição randômica, sugestivos de disseminação secundária.Foi submetida a tireoidectomia total (05/05/2021) e identificada a extensa massa infiltrando a artéria carótida comum e interna direita, sendo que a ressecção foi incompleta por comprometimento vascular e traqueal (R2), preservando carótida e veia jugular bilateral e nervo laríngeo recorrente (infiltrados). Além disso, foi observada infiltração da traqueia. No pós-operatório, a paciente apresentou melhora da disfagia e dispneia. O laudo anatomopatológico foi compatível com neoplasia maligna fusocelular/pleomórfica de alto grau com necrose presente (20%), infiltração da tireoide, derme e partes moles,invasão angiolinfática e margens cirúrgicas comprometidas. Na imunohistoquimica a neoplasia maligna apresentou as seguintes caracteristicas: Proliferação de células fusiformes e epitelioides atípicas em arranjo sólido e fascicular com marcado pleomorfismo celular, células gigantes multinucleadas e numerosas figuras de mitoses; infiltração de tecidos moles peritireoidiano; extensas áreas de necrose; negatividade para marcadores de diferenciação epitelial, neural/melanocítico, muscular e vascular. Sendo a lesão de origem tireoidiana, considerou-se o diagnóstico de carcinoma anaplásico sem bócio associado.

Hemangioendotelioma hepático (HEH) é uma neoplasia com potencial de malignidade baixo a intermediário, que pode apresentar-se como nódulo solitário, múltiplos nódulos e forma difusa. Entre estas apresentações, a forma multinodular simula acometimento metastático hepático. O sinal do pirulito (“Lollipop sign”) foi inicialmente descrito como um achado típico para o diagnóstico por imagem da HEH forma multinodular.
Neste relato de caso descrevemos os achados dos sinais do pirulito e do alvo, também descritos no HEH, em uma paciente com metástases hepáticas de câncer de mama.
Paciente sexo feminino, 43 anos, com diagnóstico de carcinoma ductal invasivo na mama esquerda, com metástases ósseas, há 5 anos, tratada com quimioterapia sistêmica e hormonioterapia. Na tomografia computadorizada (TC) de seguimento realizada em fevereiro de 2021, foram evidenciadas múltiplos nódulos hepáticos, alguns de localização periférica, associados à retração capsular. Também foram caracterizados nódulos com sinal do pirulito e do alvo, achados de imagem descritos no HEH. A biópsia de uma das lesões hepáticas, resultou em carcinoma ductal metastático de mama, subtipo luminal B.
Histopatologicamente o HEH consiste em uma proliferação anormal de células dendríticas e epitelióides com estroma fibrótico central. Na TC com contraste, o HEH costuma apresentar-se como nódulos hipovasculares, periféricos, coalescentes, com realce progressivo e associados a retração capsular. Aparência em alvo, com anéis concêntricos com atenuações distintas, também pode ser observado. Em 2006, Ahmad, Alomari descreveu o "Lollipop sign", que se caracteriza por término abrupto de um ramo venoso ou portal na periferia do tumor, como um novo achado característico para HEH.
Os sinais do pirulito e do duplo alvo são achados de imagem característicos do HEH, contudo reportamos um caso de uma paciente com metástase hepática de câncer de mama com esta apresentação tomográfica.
Pelo nosso conhecimento, este é o primeiro relato de caso de metástase de neoplasia de mama com o “Lollipop sign”, salientando-se ainda a aparência em alvo das lesões na fase pós contraste, achado característico do HEH. Não encontramos achados semelhantes na literatura, na base de dados do PUBMED.
Palavras-chaves: Hemangioendotelioma hepático; Metástases; Câncer de mama; Lollipop sign; Sinal do duplo alvo.

Introdução: Lipossarcomas representam a segunda neoplasia maligna mais comum de tecidos de partes moles, apresentando comportamento biológico relacionado a cinco diferentes subtipos: bem diferenciado, indiferenciado, mixoide, pleomórfico e misto. A variante mixoide é a segunda mais frequente, geralmente acometendo regiões mais profundas, sem predileção por gênero e com pico de incidência entre os 40-50 anos de idade. Descrição: O presente estudo objetiva discutir um caso específico de lipossarcoma mixoide cujo desenvolvimento ocorreu em paciente do sexo feminino, 33 anos, sem comorbidades prévias, manifestando-se como aumento indolor do volume da coxa direita. Discussão: O lipossarcoma mixoide, geralmente apresenta-se clinicamente como massa indolor, estando os sintomas relacionados diretamente com o volume da lesão. A maioria dos casos ocorre nos membros inferiores, acometendo a fáscia intermuscular, geralmente na região poplítea ou medial da coxa. O comportamento maligno da lesão pode estar associado a metástases à distância, as quais podem ser identificados principalmente em sítios extrapulmonares, como o retroperitônio, axilas ou estruturas ósseas. A descrição de células mixoides é referida pela análise histopatológica, as quais podem estar associadas a conteúdo de gordura, focos hemorrágicos e células redondas indiferenciadas. A avaliação radiológica é essencial para o direcionamento diagnóstico do tumor, a qual se apresenta à ultrassonografia como massa heterogênea, predominantemente hipoecoica, limites bem definidos e com reforço acústico posterior, podendo simular um cisto de Baker quando desenvolvem-se na região poplítea. Já a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância nuclear magnética (RNM) identificam uma lesão volumosa, multiloculada, heterogênea e de localização intermuscular, apresentando baixa atenuação, marcado hipersinal em T2, com hipossinal em T1 e realce intenso pelo contraste, sendo a RNM o exame de escolha para sua caracterização.

Introdução: O presente trabalho tem como objetivo relatar um caso de Histoplasmose Pulmonar em paciente com imunossupressão devido HIV.
Descrição: Paciente do sexo masculino, 40 anos, internada no hospital de referência da cidade de Blumenau/SC devido quadro de febre e astenia a mais de 30 dias. Paciente portador do vírus da imunodeficiência humana (HIV) apresentando síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA) por não aderência medicamentosa, CD4 em 93. Quadro febril de aspecto cíclico e noturno de forma persistente com quadro de perda ponderal de aproximadamente 14 kg, náuseas, astenia e surgimento de erupções cutâneas. Na internação atual, apresentou anemia associado à alteração discreta de função renal, sendo realizada radiografia de tórax, que evidenciou opacidade mal definida no terço médio do pulmão esquerdo e, em seguida, tomografia computadorizada que demonstrou múltiplos pequenos nódulos esparsos pelos pulmões, além de alguns nódulos agrupados na língula, com múltiplos linfonodos em mediastino, sugerindo processo inflamatório / infeccioso de disseminação hematogênica. Realizado biópsia de lesão cutânea que confirmou o diagnóstico de Histoplasmose.
Discussão: A Histoplasmose é uma doença fúngica onde a variante Histoplasma capsulatum é a principal causadora de patologias nos seres humanos, sendo a inalação de seus conídios o meio de transmissão. O quadro clínico pode variar desde portadores assintomáticos a forma disseminada, de maior gravidade, afetando diversos sistemas, onde a imunossupressão é fator determinante para sua evolução. A histoplasmose pode ser subdividida em quadros pulmonares agudos, com sintomas inespecíficos como febre, astenia, cefaleia, e tosse pouco produtiva, podendo ser autolimitada com período de incubação variando entre 3-14 dias; quadros crônicos pulmonares geralmente são de caráter oportunista, comumente associada a lesões do parênquima pré-existentes como enfisema pulmonar.
Os achados radiológicos são inespecíficos e podem variar de nódulos solitários e doença do espaço aéreo até lesões infiltrativas e difusas de aspecto reticulonodular, podendo ou não estar acompanhada de linfonodomegalia mediastinal.
Seu tratamento é baseado no uso de antifúngicos, geralmente da classe dos azólicos ou com Anfotericina B. A resposta ao tratamento costuma ser satisfatória, mas quadros disseminados podem evoluir para óbito sem terapêutica adequada.

INTRODUÇÃO
A telangiectasia hemorrágica hereditária (THH), também chamada de Síndrome de Osler-Weber-Rendu, é uma doença genética que cursa com displasia fibrovascular, levando a malformações vasculares (MAVs) e sangramentos, acometendo principalmente pele, mucosa nasal, trato gastrointestinal, fígado, pulmão e cérebro. Devido à potencial gravidade de suas manifestações, seu diagnóstico precoce é fundamental.
DESCRIÇÃO
Paciente de 40 anos, sexo feminino, trabalhadora do lar, procedente de Altair (SP). Queixa principal de epistaxe recorrente desde a infância, sendo o último episódio associado à dispneia importante.
Nega comorbidades, tabagismo ou etilismo. Relata ter parente de primeiro grau com quadro semelhante.
Ao exame físico, presença de telangiectasias em face, lábios e cavidade oral. Foi submetida à angiotomografia de tórax, sob suspeita clínica de tromboembolismo pulmonar, sendo evidenciadas imagens lobuladas isorrealçantes ao leito arterial pulmonar e conectadas a veias ectasiadas nos lobos inferiores, médio e língula, configurando malformações arteriovenosas pulmonares múltiplas.
A correlação clínico-radiológica possibilitou o diagnóstico sindrômico.
DISCUSSÃO
A Síndrome de Osler-Weber-Rendu é uma doença autossômica dominante rara causada por mutação genética, com uma prevalência estimada entre 1: 5000-8000 pessoas.
Em geral, há uma história de epistaxe recorrente, desde a infância, com evidência posterior de teleangiectasias mucocutâneas. As manifestações mais graves da doença decorrem das complicações de MAVs, que podem provocar sangramento gastrointestinal, intracraniano, hemoptise maciça e hemotórax, sobrecarga cardíaca, tromboembolismo paradoxal, entre outras.
O diagnóstico requer a presença de pelo menos três dos seguintes critérios de Curaçao: epistaxe espontânea recorrente, telangiectasia mucocutânea, distribuição familiar autossômica dominante da doença e MAVs viscerais (gastrointestinais, pulmonares, cerebrais ou hepáticas).
A tomografia computadorizada desempenha um papel fundamental no diagnóstico e tratamento da THH, particularmente no que diz respeito às MAVs viscerais, evidenciando uma ou mais artérias alimentando uma saculação (nidus), com uma ou mais veias de drenagem. Quando múltiplas, as MAVs pulmonares têm forte associação com a síndrome.
O rastreamento de MAVs é necessário para os portadores da síndrome, independente dos sintomas. O manejo inclui abordagem preventiva em lesões vasculares (ex.: embolização) e suporte clínico.

O paciente índice, do sexo masculino e com 30 anos de idade, relatou sofrer de cefaleia intensa e momentos de hemeralopia há cerca de um ano, perda ponderal importante nos últimos meses, procurou o serviço hospitalar devido a dor pleurítica à esquerda, tosse seca, febre e cansaço aos esforços. Foi realizada uma angiotomografia de tórax que revelou múltiplos nódulos e massas pulmonares, difusamente distribuídos por ambos os pulmões, alguns escavados, com sinais de invasão no mediastino anterior, de provável etiologia neoplásica. A ressonância magnética do crânio revelou lesões com sinal heterogêneo e realce pelo meio de contraste esparsas pelo parênquima cerebral com características sugestivas de implantes secundários. Os exames laboratoriais revelaram gonadotrofina coriônica humana de 132.276, desidrogenase lática de 806 e alfa-feto-proteína de 1,1. A biópsia pulmonar revelou tumor germinativo não seminomatoso, foi iniciada a quimioterapia durante a internação, mas o paciente evoluiu em poucos dias para insuficiência respiratória e posteriormente óbito.
O coriocarcinoma é um subtipo agressivo entre os tumores de células germinativas testiculares com prognóstico sombrio. Para tratar esses pacientes adequadamente, é imprescindível saber reconhecer as características do coriocarcinoma, incluindo a elevação da gonadotrofina coriônica humana em um homem jovem e o sangramento no interior das lesões metastáticas. Esses pacientes requerem tratamento precoce para aumentar sua chance de sobrevida.
Diante de todo o exposto concluímos que o paciente relatado apresenta uma neoplasia testicular rara em estágio metastático, com exames de imagem e histopatológico disponíveis para a ilustração e reconhecimento de casos que possam se assemelhar radiologicamente auxiliando o diagnóstico desta patologia.

INTRODUÇÃO
A hérnia de Garengeot, uma apresentação rara da hérnia femoral, foi descrita pela primeira vez em 1731 pelo cirurgião francês Rene Jaques Croissant de Garengeot, e é definida pela presença do apêndice cecal herniado através do canal femoral. Por se tratar de uma
afecção rara com diagnóstico difícil e muitas vezes tardio, possui alto risco de complicações, principalmente quando associado à apendicite aguda. Portanto, faz-se necessário o conhecimento dessa patologia para a obtenção de um diagnóstico preciso e um manejo terapêutico adequado.
DESCRIÇÃO
Paciente de 68 anos, sexo feminino, aposentada, procedente de Bebedouro (SP) com queixa de dor abdominal difusa associada a alterações do hábito intestinal há 7 dias.
Ao exame físico apresentava abdome distendido com descompressão brusca positiva e flogose no hipogástrio.
A Tomografia Computadorizada de abdome revelou apêndice cecal de contornos irregulares e mal definidos que se insinuava através do canal femoral associado a coleção periapendicular com focos gasosos de permeio.
Foi submetida à cirurgia de urgência com incisão mediana e realização de ileotiflectomia e ileostomia terminal.
Paciente evoluiu a óbito no 8° dia pós-operatório por complicações decorrentes de choque séptico.
DISCUSSÃO
A hérnia de Garengeot caracterizada pela herniação do apêndice cecal pelo canal femoral ocorre em aproximadamente 1% dos casos de hérnia femoral, sendo ainda mais raro a ocorrência de apendicite aguda (0,5% dos casos). Há maior incidência no sexo feminino, numa proporção entre homens e mulheres de 13: 1.
Sua patogênese está relacionada ao posicionamento anômalo do ceco e/ou do apêndice decorrente das rotações intestinais durante a fase embriológica. Já o desenvolvimento da apendicite aguda seria em decorrência da constrição pelo anel femoral levando a obstrução da base apendicular e inflamação do órgão. O quadro clínico costuma ser inespecífico, apresentando-se com dor e desconforto abdominal, podendo estar associado abaulamento e eritema local.
O diagnóstico pré-operatório é um desafio, sendo na maioria das vezes um achado intra-operatório. A Tomografia Computadorizada apresenta-se como o melhor exame de imagem a ser solicitado em casos de dúvidas diagnósticas e também no auxílio do planejamento terapêutico.
Não há uma padronização de tratamento definida. Em geral, por se tratar de uma urgência cirúrgica, é realizado apendicectomia e reparo da hérnia com a técnica de McVay.

Paciente do sexo feminino, de 57 anos, procura o atendimento de emergência de unidade hospitalar com síndrome gripal com 14 dias de evolução, teste molecular para COVID-19 positivo, referindo febre, tosse, odinofagia e dispneia com piora progressiva nas ultimas 48 horas. Ao exame clínico encontrava-se hipoxêmica. A tomografia computadorizada (TC) do tórax revelou opacidades pulmonares em vidro fosco, por vezes associadas a fino reticulado de permeio, com o acometimento considerado acentuado (>50%). Foi internada em unidade de terapia intensiva e evoluiu com Síndrome Respiratória Aguda Grave, necessitando de ventilação mecânica. Foram utilizados diversos esquemas antimicrobianos diferentes durante a internação hospitalar. Houve uma tentativa de extubação sendo necessária a reentubação logo em seguida, foi necessária a traqueostomia. Uma TC de abdome realizada no vigésimo quinto dia de internação hospitalar revelou que não havia dilatação das vias biliares intra ou extra-hepáticas. Com o decorrer do tempo houve elevação progressiva de enzimas canaliculares. Sorologias foram negativas para hepatites virais. A TC de abdome do quinquagésimo nono dia de internação demonstrou leve dilatação das vias biliares intra-hepáticas. Foi então realizada uma colangioressonância magnética no sexagésimo oitavo dia de internação que revelou leve ectasia das vias biliares intra-hepáticas, que tem aspecto irregular, com áreas de estreitamento luminal e foi considerada a possibilidade de colangite esclerosante como hipótese diagnóstica
Na colangite esclerosante em pacientes criticamente enfermos ocorre uma combinação de isquemia do ducto biliar e alterações na composição da bile, resultando em necrose de células epiteliais e formação de cilindros biliares que obstruem o sistema biliar. Os testes de função hepática geralmente apresentam um padrão colestático.
Diante do péssimo prognóstico desta afecção, é de suma importância a vigilância clínica cuidadosa para evitar as complicações relacionadas à colangite esclerosante.

Paciente, masculino, 38 anos, com histórico de 2 ablações para tratamento de síndrome de Wolf-Parkinson-White há aproximadamente 20 anos, evoluindo desde 2012 com episódios de taquicardia e dor torácica, com várias idas ao pronto-socorro para controle dos sintomas. Durante investigação por tomografia computadorizada do tórax, angiotomografia de coronárias e ressonância magnética cardíaca apresentou achado incidental de pseudoaneurisma no ventrículo esquerdo.
Os pseudoaneurismas do ventrículo esquerdo são falsos aneurismas que resultam da ruptura do miocárdio contido e são uma complicação rara do infarto do miocárdio, de alguma cirurgia cardíaca, traumas torácicos e até mesmo infecções prévias, porém a patogênese exata ainda é desconhecida. Eles diferem dos aneurismas do ventrículo esquerdo, que são verdadeiros contendo todas as camadas (endocárdio, miocárdio e epicárdio). Esta doença apresenta um risco mais significativo de ruptura devido ao rápido crescimento, em comparação com um aneurisma verdadeiro.
A maioria dos pacientes são assintomáticos, sendo uma menor parcela deles portadores de queixas inespecíficas incluindo insuficiência cardíaca congestiva, dor torácica, dispneia ou arritmia, por isso o diagnóstico pode ser tardio.
A ecocardiografia transtorácica, a ecocardiografia transesofágica, a angiografia ventricular e a RMC têm sido utilizadas no diagnóstico e diferenciação dessas lesões.
A ressonância magnética cardíaca é útil para diferenciar pseudoaneurismas de aneurismas verdadeiros e tem uma sensibilidade relatada de 100% e especificidade de 83%. Em pacientes com a doença, um realce pericárdico tardio e acentuado foi relatado como um achado frequente na ressonância cardíaca.
O tratamento médico foi defendido no passado para pacientes com achados incidentais de pseudoneurismas e para aqueles com maior risco de morbidade e mortalidade após a cirurgia. Atualmente, nestes casos, prefere-se a terapia medicamentosa, principalmente em quadros crônicos e lesões menores que 3 mm. O objetivo principal da terapia é diminuir o aumento do pseudoaneurisma e diminuir o estresse da parede ventricular (diminuindo a pós-carga e diminuindo o risco de tromboembolismo.

Os tumores gastrointestinais (GISTs), surgem das células intersticiais de Cajal, são os tumores mesenquimais mais comuns do trato gastrointestinal, ocorrendo mais comumente no estômago e intestino delgado.
Cerca de 50% dos pacientes com GISTs apresentam metástases, a maioria no fígado e peritônio.
O potencial de malignidade depende do local de origem. Os tumores gastrointestinais de origem do intestino delgado tem uma tendência elevada para comportamento maligno em comparação aos de origem gástrica.
GISTs quando irressecáveis ou metastáticos podem ser doenças fatais, pois não respondem adequadamente ao tratamento quimioterápico convencional.
O mesilato de imatinibe surge como uma terapia, para aumentar a sobrevida destes pacientes. Ele age bloqueando o receptor de tirosina quinase transmembranar, codificado pelo gene KIT.
Os exames de imagens são ferramentas importantes no diagnóstico, mas também na avaliação da resposta terapêutica, principalmente, ao mesilato de imatinibe.
A TC é o exame de escolha para avaliação terapêutica e seguimento.
No exame de tomografia computadorizada (TC), a maioria das metástases para o fígado apresentam-se inicialmente como lesões heterogêneas, tamanhos variados e com realce ao meio de contraste. Após o tratamento com mesilato de imatinibe, as lesões podem sofrer degeneração cística, servindo para avaliar a resposta terapêutica.
Neste presente estudo, apresentamos um caso de uma paciente portadora de GIST com metástases hepáticas, irressecáveis, que fez uso de mesilato de imatinibe e foi solicitado a TC, para avaliar a resposta ao tratamento.

Introdução: Esteatose hepática (EH) é um achado comum nos exames de imagem com prevalência estimada em 15%. As causas mais comuns de EH são a doença hepática alcoólica (DHA) e a doença gordurosa hepática não alcoólica (DHGNA). Exames de imagem demonstram acúmulo difuso de gordura, acúmulo difuso com áreas poupadas ou áreas focais de esteatose em um fígado normal. Padrões atípicos como a esteatose hepática nodular multifocal (EHNM) podem causar confusão no diagnóstico correto, inclusive sendo erroneamente diagnosticadas como implantes secundários, portanto, é de suma importância o reconhecimento dos diferentes padrões de EH pelos médicos radiologistas para evitar confusão diagnóstica. Relatamos o caso de uma paciente com EHNM. Descrição: A.P.B., feminina, 40 anos, com história prévia de obesidade, dislipidemia e diabetes mellitus tipo 2. Procura atendimento na Unidade Básica de Saúde com queixas de estufamento pós prandial e vômitos; foi solicitado ecografia do abdome total que descreveu imagens nodulares hipodensas difusas no parênquima hepático, suspeitas para implantes secundários. Encaminhada para o centro oncológico de referência, realizou mamografia, exames laboratoriais para investigação do sítio primário, que não demonstraram alterações significativas e RM de abdome superior que demonstrou múltiplas imagens nodulares hepáticas com tênue hipersinal em T2 e claramente representadas com queda de sinal nas imagens ponderadas em T1 “fora fase”. Essas lesões não foram visualizadas nas sequências ponderadas em T1, difusão ou ADC. Não houve realce ao meio de contraste paramagnético endovenoso, com homogeneização do parênquima hepático na fase tardia. Diante dos achados, a paciente foi diagnosticada com EHNM e liberada para acompanhamento adequado. Discussão: A DHGNA é a causa mais comum de doença hepática crônica em adultos e crianças, sendo diagnosticada na exclusão de outras doenças que expliquem a EH. As principais condições associadas a DHGNA são resistência à insulina e síndrome metabólica. O diagnóstico padrão é realizado através de análise histológica, entretanto exames de imagem podem fornecer o diagnóstico com boa precisão. Padrões atípicos de EH como a EHNM são bem avaliados através de RM que demonstra queda de sinal na ponderação em T1 “fora de fase” em comparação com “em fase”; outras características incluem: ausência de efeito de massa, estabilidade das lesões e padrão de realce pelo meio de contraste similar ao parênquima circundante.

Ganglioneuromas são tumores benignos originados de células da crista neural que compõem os gânglios simpáticos ao longo da coluna vertebral e glândulas adrenais. São, portanto, compostos por células ganglionares nervosas e compartilham a linhagem histogênica comum do ganglioneuroblastoma e neuroblastoma, sendo o tumor de caráter mais benigno desse grupo.
Por terem origem de células ganglionares ao longo da coluna vertebral, se apresentam mais comumente no mediastino posterior, com crescimento lento. Acometem pacientes jovens, acima de 10 anos, geralmente assintomáticos, porém esses tumores podem sintetizar catecolaminas excessivas, gerando hipertensão lábil e rubor. Os sintomas desaparecem com a ressecção do tumor, que além de ser diagnóstica é curativa.
Nos achados de imagem, os ganglioneuromas se manifestam como massas de maior crescimento ao longo do eixo da coluna vertebral. Calcificações também podem estar presentes nesse tipo de tumor. Devido ao rico estroma mixoide, predomina a baixa atenuação na tomografia computadorizada (TC), e o realce pode ser leve a moderado. Na ressonância magnética (RM) a intensidade de sinal costuma ser homogênea, com baixo sinal em T1 e alto sinal em T2, com realce ao meio de contraste. Áreas de hipossinal em T2 podem ser observadas devido à presença de células de schwann e glanglionares junto ao estroma mixoide.
Como os ganglioneuromas, em sua maioria, são diagnósticos incidentais em musculoesquelético, esse relato de caso visa mostrar os principais achados de exames de imagem (TC e RM) que permitam ajudar na distinção com outras formas de tumores neurogênicos, estreitando os diagnósticos diferenciais, a fim de se melhorar o atendimento ao paciente.

Paciente do sexo feminino, 70 anos, referiu nódulo palpável de crescimento rápido na mama esquerda. G2 P2 A0. Menopausa aos 51 anos, em uso contínuo de terapia de reposição hormonal (estradiol) desde então. Nega câncer de mama e ovário na família. A mamografia e o ultrassom de mama realizados 4 meses antes não evidenciaram lesões suspeitas. Ao exame físico, apresenta nódulo móvel no quadrante superior da mama esquerda, medindo 3,0 x 3,5 cm. A variante pleomórfica do carcinoma lobular invasivo (CLI), representa menos de 1% de todos os carcinomas mamários e não mais que 10% dos CLIs. É, portanto, raro. Contudo, sua incidência vem aumentando e tem provável relação com o vasto uso de contracetivos hormonais e terapia de reposição hormonal. Possui comportamento clínico mais agressivo, com maior propensão a invadir o sistema linfático e vascular da mama, além de linfonodos axilares. Metástases à distância no momento do diagnóstico podem ser observadas. Apresenta predomínio de acometimento em mulheres na pós-menopausa. No presente caso, a rápida evolução clínica e as características suspeitas observadas nos métodos de imagem, como o aspecto infiltrativo com lesões satélites e áreas hipoecóicas de limites imprecisos com sombra acústica posterior direcionaram o raciocínio diagnóstico para carcinomas invasivos. Sua variedade de apresentação, podendo até ser mamograficamente ocultos em mamas densas como neste caso, tornam o diagnóstico desafiador. A faixa etária da paciente e o uso crônico de terapia de reposição hormonal favorecem a hipótese de carcinoma lobular. Adicionalmente, a RM mostrou-se particularmente útil na detecção das lesões satélites. Contudo, o estudo anatomopatológico é imperativo em lesões com estas características. A análise histológica evidenciou carcinoma lobular invasivo, variante pleomórfico, moderadamente diferenciado. A imuno-histoquímica mostrou receptor de estrógeno-positivo (80%), receptor de progesterona-positivo (20%). A terapia de reposição hormonal foi interrompida. No período entre biópsia e consulta na oncologia, a lesão tumoral apresentou crescimento expressivo. Diante da apresentação clínica de tumor localmente avançado sendo, então, T3N1M0, foi indicado tratamento quimioterápico neo-adjuvante. A paciente encontra-se no 3º ciclo de paclitaxel, em ótimo estado geral.

A doença de Ollier é uma encondromatose múltipla que representa 3% dos tumores ósseos benignos. Os encondromas são tumores cartilaginosos benignos dentro do canal medular metafisário-diafisário. Eles são compostos de cartilagem normal persistente que não sofreu ossificação encondral do molde cartilaginoso ou da fise. As lesões não costumam ser dolorosas, embora causem desconforto
durante o movimento articular dos membros. Há poucos relatos na literatura sobre esta síndrome,
dificultando o diagnóstico precoce e o manejo correto destes pacientes.

Mulher, 58 anos, com diagnóstico de neoplasia de mama há 10 anos, tratada com cirurgia, quimioterapia (QT) e radioterapia (RT) com remissão da lesão, e recidiva há um ano em localização mediastinal, axilar e óssea.
Estava em vigência de QT neoadjuvante com Paclitaxel e Adriblastina, tendo realizado 5 ciclos, o último ciclo realizado dia 14/04/21. Após 12 dias iniciou com quadro de astenia severa, dispnéia e dessaturação, quando foi encaminhada para internação hospitalar.
Realizou uma tomografia de tórax, no dia 28/04/2021, que demonstrou: Áreas de atenuação em vidro fosco distribuídas bilateralmente, associado à bandas parenquimatosas esparsas.
Teste de PCR para COVID-19 (01/05/2021) não reagente, sem demais achados clínicos e laboratoriais que justificassem foco infeccioso. Na internação foi iniciado corticoterapia, antibioticoterapia e oxigenoterapia com cateter nasal, além de medicações sintomáticas.
No dia 05/05/21 paciente apresentava melhora clínica significativa sendo conduzida para alta hospitalar.
Repetida a tomografia de tórax em 11/06/2021, aproximadamente 60 dias após a último ciclo de Quimioterápico: Regressão significativa dos achados em relação ao exame anterior, permanecendo tênues opacidades reticulares e em vidro fosco nas regiões subpleurais dos pulmões.
O paclitaxel é um agente quimioterápico usado comumente no tratamento de câncer de mama, ovário e pulmão de não pequenas células. Seus efeitos colaterais mais comuns são reações de hipersensibilidade, neuropatias e toxicidades hematológicas. Raramente, o paclitaxel pode induzir injúria pulmonar, incluindo pneumonia intersticial difusa aguda e subaguda, opacidades pulmonares com eosinofilia periférica e edema agudo não cardiogênico.
A pneumonia intersticial aguda é uma injúria maciça, rapidamente progressiva, envolvendo grandes proporções do parênquima pulmonar e ocorrendo como um evento único. A entidade clínico patológica da pneumonia intersticial aguda é caracterizada histologicamente pelo padrão de dano alveolar difuso. Os achados radiográficos na tomografia computadorizada são inespecíficos, incluindo lesões com atenuação em vidro fosco com padrão em mosaico e consolidações (comumente em regiões dependentes do pulmão). A fase organizada é associada com distorção da arquitetura pulmonar, bronquiectasias de tração e cistos.
A suspensão da droga, suporte ventilatório e uso de corticoterapia, geralmente são suficientes para o controle e tratamento das lesões.

Introdução: Cordomas são neoplasias malignas localmente agressivas que geralmente acometem o esqueleto axial, desenvolvendo-se a partir de remanescentes embrionários da notocorda. O sacro é a estrutura óssea mais comum de seu desenvolvimento, porém aproximadamente 1/3 das lesões podem ser intracranianas, acometendo em sua maioria o clivus. Descrição: O presente estudo visa discutir um caso específico de cordoma de clivus, cujo desenvolvimento ocorreu em paciente do sexo masculino, oito anos de idade, previamente hígido, com queixa de quedas frequentes associadas a quadro progressivo de desequilíbrio e perturbação da coordenação motora. Discussão: Habitualmente o sexo feminino é o mais acometido, comumente na proximidade da quarta década de vida, manifestando-se clinicamente com sintomas insidiosos dependentes de sua localização, abrangendo cefaleia e diplopia, além de manifestações secundárias à compressão do nervo abducente. A avaliação radiológica permite a melhor caracterização da lesão, determinando sua extensão e permitindo o planejamento cirúrgico, sendo a ressonância nuclear magnética (RNM) o exame de escolha neste tipo de suspeita. As dimensões dos cordomas podem variar de dois a cinco centímetros e, no exame tomográfico, geralmente identifica-se lesão lobulada, septada, heterogênea, circunscrita, com densidade de partes moles que, quando acomete o clivus, determina extensa destruição óssea lítica, associada a áreas de sequestros ósseos ou calcificações intratumorais, exibindo realce heterogêneo pós-contraste, já na RNM, a avaliação óssea é limitada, porém pode-se caracterizar sinal intermediário em T1, com focos de hipersinal em função da presença de hemorragia ou muco e hipersinal difuso em T2 devido ao conteúdo líquido decorrente da vacuolização celular. A angioressonância pode contribuir para a avaliação da relação do tumor com as artérias carótidas e basilar devido à possibilidade de seu deslocamento ou envolvimento pelo tumor. O tratamento geralmente envolve abordagem cirúrgica, podendo-se associar radioterapia adjuvante, porém observa-se alta taxa de recorrência e as metástases são raramente observadas. Os principais diagnósticos diferenciais a serem considerados são o condrossarcoma de base do crânio, cisto epidermoide, craniofaringioma e meningioma que acomete o clivus.

Introdução: Os leiomiossarcomas são sarcomas de partes moles relativamente comuns no retroperitônio, que comumente apresentam a veia cava inferior como sítio primário, estando geralmente associados a um mau prognóstico. O desenvolvimento do tumor se dá a partir de células da musculatura lisa da camada média dos vasos, podendo se desenvolver também na veia safena magna, veia femoral, veia jugular interna ou veias ilíacas. Descrição: O presente estudo objetiva discutir um caso específico de leiomiossarcoma de veia cava inferior com extensão para veias ilíacas comuns e veia ilíaca externa direita, que se desenvolveu em paciente do sexo feminino, 40 anos de idade, sem fatores de risco prévios, associado a edema, dor e hiperemia do membro inferior direito, evoluindo com limitação da movimentação. Discussão: O leiomiossarcoma de veia cava apresenta predileção pelo sexo feminino e a faixa etária entre os 50-60 anos e, as manifestações clínicas variam de quadro assintomático a insidioso dependendo da localização, dimensões e padrão de crescimento da lesão. O leiomiossarcoma de veia cava pode estar associado à trombose venosa, síndrome de Budd-Chiari, síndrome nefrótica entre outras alterações decorrentes da compressão venosa e dos órgãos pélvicos. Além do crescimento local da lesão, podem ser caracterizadas metástases à distância, seja por disseminação linfática ou hematogênica, podendo acometer pulmões, fígado e cérebro. Os exames de imagem são essenciais para o diagnóstico, contribuindo também para o planejamento operatório e a avaliação de recidivas e focos de metástases. A ultrassonografia é um exame inicial, que pode identificar massa sólida heterogênea intra ou extraluminal, podendo exibir alterações no lúmen venoso ao Doppler colorido, já a tomografia computadorizada pode demonstrar massa heterogênea de atenuação intermediária e realce irregular, obstruindo o lúmen venoso. A ressonância nuclear magnética é o exame de escolha para o diagnóstico, permitindo boa avaliação das áreas de necrose (hipossinal em T1), componentes císticos (hipersinal em T2) e a melhor diferenciação da lesão tumoral em relação a trombos venosos. Os diagnósticos diferenciais mais relevantes abrangem a leiomiomatose vascular, o angiossarcoma e o hemangioendotelioma.

Masculino, 78 anos, apresentando dor abdominal refratária e icterícia há uma semana.
O paciente foi submetido a um estudo de colangiorressonância magnética que demonstrou: Espessamento da parede do ducto hepático comum, com extensão para o ducto hepático direito e para o ducto anterior direito, além de curta extensão para o colédoco proximal, determinando dilatação a montante. Aumento focal do volume da cabeça do pâncreas, com discreta restrição à difusão, porém sem identificação de nódulo. Espessamento com restrição à difusão da parede da aorta abdominal infrarrenal. Achados, que em conjunto, inferiam a possibilidade de doença inflamatória, tendo-se como principal hipótese diagnóstica a doença de depósito de IgG4.
A doença relacionada a IgG4 é uma condição sistêmica, de amplo espectro, caracterizada por infiltração fibroinflamatória de vários órgãos por extensos plasmócitos que expressam IgG4 e infiltração de linfócitos T. Ocorre predominantemente em homens idosos e responde bem à terapia com esteróides. As principais doenças envolvidas são pancreatite autoimune, colangite esclerosante, nefrite tubulointersticial, prostatite, fibrose retroperitoneal, aneurisma inflamatório da aorta, pneumonia intersticial, sialadenite / sialadenite crônica (tumor de Küttner), tireoidite de Ridel, paquimeningite, hipofisite, pseudotumor inflamatório, entre outros. Como os tumores malignos são frequentemente suspeitos na apresentação inicial, a doença esclerosante relacionada à IgG4 deve ser considerada no diagnóstico diferencial para evitar cirurgia desnecessária. Há uma tendência a formar lesões tumefativas em vários graus e locais, embora amplamente descritos os tumores pancreatobiliares.
É de extrema importância reconhecer a patologia e estar familiarizado com suas características clínicas e de imagem, pois resultam em uma resposta favorável ao tratamento.

Introdução: O espectro do acretismo placentário (EAP) é um termo geral usado para descrever a invasão trofoblástica anormal no miométrio da parede uterina. Acredita-se que a patogênese da maioria dos casos de EAP seja o implante placentário em uma área de decidualização defeituosa causada por dano pré-existente ao endométrio e miométrio. O fator de risco mais importante é parto cesáreo anterior. Os achados ultrassonográficos (US) de acretismo placentário incluem perda do espaço retroplacentário normal, anormalidades e aumento da vascularização na interface entre miométrio e bexiga, além de lacunas placentárias proeminentes (alto valor preditivo positivo). A ressonância magnética (MR) serve como complemento à US quando os achados são duvidosos ou quando a placenta tem inserção posterior. Descrição: Gestante, 43 anos, com história de 2 cesarianas prévias, atualmente com idade gestacional de 37+5 semanas, hipertensa controlada e com diabetes mellitus gestacional, assintomática. Realizou ecografia de terceiro trimestre na nossa instituição que demonstrou placenta prévia oclusiva total com sinais de infiltração da parede posterior da bexiga. A complementação com ressonância magnética demonstrou achados que corroboram com a hipótese ecográfica de placenta percreta. Discussão: As imagens de US e estudo Doppler da paciente mostraram placenta oclusiva total com perda do espaço livre retroplacentário e redução da espessura miometrial, além de vasos proeminentes com aumento da vascularização e lacunas na placenta. A ressonância magnética mostrou a placenta cobrindo a parede anterior, a parede posterior e todo o segmento inferior do útero, obstruindo o orifício interno do canal cervical. A paciente foi submetida à histerectomia total com rafia da parede posterior da bexiga, sendo o material obtido enviado para anatomopatológico, que ratificou o diagnóstico suspeitado por US de percretismo placentário. No EAP, a placenta não se separa espontaneamente no parto e as tentativas de remoção manual resultam em hemorragia, que pode ser fatal e geralmente requer histerectomia. Por isso, é de fundamental importância que o radiologista conheça os detalhes e saiba fazer o diagnóstico desta patologia para o adequado planejamento cirúrgico.

Distúrbios do metabolismo mineral e ósseo são prevalentes nos pacientes com doença renal crônica e são causa importante de morbimortalidade nesta população. Esses distúrbios foram denominados osteodistrofia renal e incluem múltiplas doenças ósseas presentes ou exacerbadas por doença renal crônica que levam à fragilidade óssea e fraturas, metabolismo mineral anormal e manifestações extra esqueléticas.
As manifestações podem incluir osteomalácia em adultos e raquitismo em crianças, hiperparatireoidismo secundário (metabolismo anormal de cálcio e fosfato - levando a reabsorção óssea, osteosclerose, calcificações vasculares, tumores marrons) e intoxicação por alumínio, por exemplo, em pacientes dialíticos.
Apresentamos um caso de paciente feminina, 65 anos, com história de nefropatia crônica dialítica que apresentava dor de início há 2 anos na articulação coxofemoral direita, com piora progressiva, que devido evolução do quadro ficou incapacitada de deambular. Os exames laboratoriais demonstravam as seguintes alterações: Uréia 118 mg/dL; Creatinina 7 mg/dL; Cálcio iônico 1,2 mg/dL; Fosfatase alcalina 318 U/L; Hemoglobina 10,1 g/dL; PTH 1.183 pg/mL.
Submetida à tomografia de bacia que demonstrou fratura transversal completa do colo do fêmur direito e áreas de reabsorção óssea subperiosteal da sínfise púbica, tuberosidades isquiáticas e da articulação sacroilíaca direita, associada a alteração difusa da densidade óssea. Para tratamento do quadro a paciente foi submetida à artroplastia para correção de fratura do colo do fêmur com colocação de prótese total de quadril e seguimento ambulatorial.
As formas mais comuns de osteodistrofia renal são atribuíveis em grande parte às variações nos níveis plasmáticos do paratormônio, que têm sido usado como um indicador substituto da renovação óssea, além dos níveis de cálcio, fósforo e fosfatase alcalina. Os achados de imagem têm sido um componente importante da avaliação, sendo a principal ferramenta na avaliação de calcificação extra esquelética. A biópsia óssea é pouco usada.
Desordens minerais e ósseas são anormalidades complexas que causam morbidade e morte prematura, sobretudo em pacientes renais crônicos. A avaliação e o diagnóstico definitivos de osteodistrofia renal requerem uma avaliação completa que inclui uma síndrome clínica, estudos de imagem, análise bioquímica, investigação cardiovascular, histologia óssea, entre outros parâmetros disponíveis.

Rabdomiossarcomas são tumores de tecidos moles que representam aproximadamente 4% a 5% das doenças malignas infantis. Originam-se em vários tecidos do corpo, porém são mais frequentes na cabeça e pescoço e no trato geniturinário. O rabdomiossarcoma (RMS) das vias biliares, embora responsável por cerca de 0,04% de todos os cânceres infantis, é a causa mais comum de icterícia obstrutiva maligna em crianças. Na maioria das vezes, o tumor é diagnosticado antes dos 5 anos (75% dos casos), sendo a idade média de apresentação de 3 anos, com ligeira predominância no sexo masculino.
A icterícia com características obstrutivas é a alteração mais comum. Outros achados incluem dor abdominal, vômitos, diarreia, mal-estar e anorexia.
Quando restrito aos ductos biliares e com aspecto de “cachos de uva”, sem invadir o fígado e estruturas adjacentes, e os exames de imagem demonstrarem dilatação das vias biliares e área de necrose tumoral central, o principal diagnóstico diferencial inclui cisto de colédoco. Se o aspecto de imagem é de uma massa que invade o fígado, o RMS pode ser confundido com outras neoplasias malignas hepáticas. Nesse contexto, torna-se útil a dosagem sérica de AFP (normal no RMS e alterada e outras neoplasias malignas, como o hepatoblastoma).
A rara incidência de rabdomiossarcoma biliar torna seu diagnóstico desafiador. A avaliação dos diferentes exames de imagem é particularmente importante para o diagnóstico precoce, sendo um fator determinante para o manejo do tratamento e prognóstico do paciente.

Lipossarcomas pleomórficos são patologias raras e representam de 5% a 10% de todos os lipossarcomas. São neoplasias malignas de alto grau originadas de tecidos adipocíticos caracterizados por um número variável de lipoblastos pleomórficos e ausência de áreas de lipossarcomas bem diferenciados. Os locais mais acometidos são as extremidades, menos frequentemente tronco e retroperitônio, e raramente cólon, mediastino e outros. Os lipossarcomas do cólon geralmente se apresentam com sintomas gastrointestinais inespecíficos, como sangramento, obstrução intestinal, diarreia, dor abdominal e perda de peso. A diferenciação com outras neoplasias do cólon é difícil antes da ressecção.
Apresentamos o caso do paciente masculino, 60 anos, apresentando desconforto abdominal e massa palpável em flanco direito há 1 mês. Ao exame ultrassonográfico inicial observou-se uma volumosa lesão expansiva heterogênea na topografia do flanco / fossa ilíaca direita. Submetido a exame por Tomografia Computadorizada que demonstrou volumosa massa abdominal na região do flanco / fossa ilíaca direita medindo 25 x 14 x 12 cm (volume aproximado de 2196 cc), subjacente à parede abdominal anterior, em íntima relação e em aparente contiguidade com o ceco, sem plano definido de clivagem com as alças de delgado adjacentes. Foi realizada biópsia percutânea que demonstrou histologia compatível com lipossarcoma pleomórfico de alto grau. Realizada ressecção completa do tumor e doze sessões de quimioterapia devido à agressividade tumoral.
Os subtipos histológicos de lipossarcomas se correlacionam com o comportamento clínico e o prognóstico. Dividem-se em bem diferenciado, mixóide e pleomórfico. Lipossarcomas pleomórficos são um subtipo complexo e especialmente de mau prognóstico. O diagnóstico depende do exame histopatológico de biópsias tumorais. O manejo dos lipossarcomas pleomórficos inclui ressecção e também apresenta resposta à combinação de quimioterápicos, o que torna o tratamento neoadjuvante outra opção. A recorrência local ocorre em cerca de 30-50%, metástases à distância ocorrem em até 50% dos casos e a sobrevida em 5 anos está na faixa de 60%.

O reparo endovascular de aneurismas foi idealizado durante os anos 1990 e, através dos anos, com o aumento da experiência das equipes medicas, popularizou-se na prática clinica, substituindo a cirurgia de reparo aberta. É um procedimento menos invasivo, com baixa morbimortalidade cirúrgica, que pode ser realizado em contexto eletivo ou emergencial e que necessita de um acompanhamento vitalício após sua realização.
Dentre as principais complicações do procedimento, cita-se primordialmente o endovazamento, que deve ser investigado durante o acompanhamento dos pacientes. Os métodos radiológicos surgem como aliados na busca ativa desta complicação, sendo a angiotomografia o padrão ouro para tal. Contudo, a exposição à radiação ionizante, à nefrotoxicidade do contraste e o custo limitam seu uso, incentivando a busca por outros métodos mais acessíveis. Nesse contexto, o ultrassom contrastado surge relatado por alguns autores como opção para o acompanhamento desses pacientes.
Este trabalho tem por objetivo discutir o endoleak como principal complicação após correção endovascular da aorta abdominal (EVAR). Enfatizando e destacando a importância do CEUS no acompanhamento do paciente após EVAR. Além de comparar a sensibilidade do uso do CEUS com o método convencional e ultrassonográfico Doppler.

Introdução: o caso relatado e as publicações levantadas trazem à luz a discussão de uma doença rara na mama que é o linfoma primário.
Objetivo: relatar o caso de uma paciente de 59 anos com massa palpável na mama esquerda e ilustrar os principais métodos de diagnóstico por imagem na investigação e no estadiamento do linfoma primário da mama.
Métodos: as informações foram obtidas por meio da análise de prontuário, reuniões clínicas entre as equipes médicas, registro fotográfico dos métodos diagnósticos aos qual o paciente foi submetido, além de revisão da literatura.
Resultados: linfomas são um grupo heterogêneo de câncer derivados das células do sistema imunológico, acometendo principalmente linfonodos. Quando acomete outros locais é chamado de linfoma extranodal. Dentro das doenças malignas da mama representa menos de 1% e normalmente são do tipo não-Hodgkin, podendo ter graus variados de agressividade. No caso relatado, a paciente refere um nódulo palpável na mama esquerda há três semanas que ao ser examinado por um especialista foi descrito como endurecido, fixo e indolor. O médico assistente solicitou a realização da mamografia para investigação inicial e a lesão foi classificada na categoria 4 BI-RADS. Além disso, realizou ressonância magnética que descreveu lesão única, redonda, com realce heterogêneo pelo contraste, cinética do contraste com curva do tipo III (wash out), restrição a difusão com mapa ACD e hipersinal na difusão com valor de B de 750. Em seguida, foi submetida à biópsia de fragmento guiado por ultrassonografia. O anatomopatológico foi sugestivo de neoplasia maligna indiferenciada e a imunohistoquímica concluiu o diagnóstico de linfoma não-Hodgkin difuso de grandes células B. O PET TC é método padrão ouro para estadiamento e confirmou apenas uma lesão acentuadamente hipermetabólica na mama esquerda. Após um ano do tratamento com quimioterapia, foi realizado um novo PET e houve resposta metabólica completa da doença.
Conclusões: não há um padrão específico clínico ou radiológico para o diagnóstico de linfoma primário da mama. Exames como a mamografia e o PET tem papel fundamental, porém o diagnóstico final será pela avaliação anatomopatológica e imunohistoquimica. Mesmo sendo uma lesão rara, na maioria dos casos apresenta bom prognóstico e tratamento não invasivo.

Paciente masculino, 19 anos, dá entrada no serviço de emergência com queixa de febre há 3 dias, associada a perda ponderal de peso nos últimos 3 meses. Encaminhado a investigação com tomografia computadorizada (TC) que evidenciou massa hepática, sendo então solicitado avaliação complementar com colangiorressonância.
O hepatocarcinoma fibrolamelar é um dos subtipos dos carcinomas hepatocelulares (CHC) mais raros, na literatura chegando a mais ou menos 1% de incidência. Os exames de imagem e histopatológicos são de grande importância, pois este subtipo apresenta características únicas. Ele acomete pacientes jovens ( < 40 anos), não apresenta predileção por sexo, e um marco clínico importante é que sua apresentação não está relacionada a cirrose ou hepatites virais, sendo inclusive mais comum em pacientes sem hepatopatia crônica. Nosso paciente se encaixava no perfil clínico e radiológico de suspeição, ou seja, jovem e sem comorbidades hepáticas, apresentando na TC uma volumosa massa expansiva (> 13 cm) de contorno lobulado com densidade heterogênea e realce não homogêneo pelo meio de contraste, não sendo identificada presença de cicatriz central, e a colangioressonância um sinal heterogêneo, predominantemente hipointenso em T1 e levemente hiperintenso em T2, com áreas de degeneração hemorrágica de permeio e realce heterogêneo pelo meio de contraste, predominantemente na fase arterial, com discreta lavagem nas fases subsequentes, o que levou a possibilidade de carcinoma fibrolamelar, sendo sugerido então prosseguir investigação.
O paciente foi então encaminhado para ressecção cirúrgica (hepatectomia esquerda), onde foi confirmado a hipótese aventada. Em pouco menos de 2 anos, o paciente evoluiu com múltiplas metástases hepáticas, síndrome consumptiva e encefalopatia hepática, vindo a óbito.

Trata-se de uma paciente do sexo feminino de 39 anos, sem morbidades prévias, que apresentou um quadro de convulsão, seguida de hemiparesia à esquerda há 1 mês. Nas imagens convencionais e avançadas de ressonância magnética observou-se uma lesão intra-axial envolvendo a substância branca subcortical e profunda dos giros pré e pós-centrais direitos, apresentando extensão até a margem ependimária do corpo do ventrículo lateral. A lesão apresentava baixo sinal em T2, restrição à difusão e impregnação pelo contraste. Associa-se edema/infiltração da substância branca circunjacente frontoparietal e subinsular direitas, sem sinais de sangramento intralesional ou áreas de necrose. Observou-se leve aumento do volume sanguíneo cerebral relativo (rCBV), em relação à substância branca contralateral. A análise das curvas espectrais evidenciou aumento dos picos de colina, com a relação colina/N-acetil-aspartato < 2,0 (1,04), além de aumento dos picos de lipídio e lactato. A análise histopatológica foi de linfoma difuso de grandes células B. Os linfomas do representam 6% de todas as neoplasias malignas do sistema nervoso central e mais de 95% são linfomas difusos de grandes células B. O linfoma primário do sistema nervoso central (LPSNC) tem caracteres típicos nas imagens convencionais e avançadas de ressonância magnética, ressaltando o valor do radiologista no manejo do paciente. Mais de 95% das lesões possuem contato com uma superfície liquórica, seja o epêndima ventricular ou pia-máter. Histologicamente, são tumores altamente celulares formados por agrupamentos linfomatoides ao redor dos pequenos vasos cerebrais. Por essas características histológicas, apresenta-se com baixo sinal em T2, significativa restrição à difusão das moléculas de águas e impregnação significativa pelo meio de contraste. O realce linear ao longo dos espaços perivasculares é altamente sugestivo. Se pelo menos uma porção da lesão não tiver contato com o epêndima ou meninges, o diagnóstico de LPSNC é questionável. Nas imagens avançadas, mais de 95% tem restrição à difusão. O estudo de perfusão para avaliação da microvasculatura tumoral demonstra que essas lesões carecem de neovascularização e seus valores tendem a ser menores do que do glioblastoma multiforme e metástases cerebrais. A avaliação de espectroscopia de prótons por ressonância magnética, tende a demonstrar elevado pico de lipídio, marcador de morte celular; além de aumento do pico de colina, marcador de turnover de membrana.

Menino de 6 anos, previamente hígido, há 30 dias com dor progressiva no quadril direito e claudicação, evoluindo com febre e aumento da proteína C reativa há 5 dias.
A ressonância magnética e a tomografia computadorizada do quadril direito evidenciaram lesão osteolítica excêntrica na metáfise do fêmur, com realce periférico, destruição cortical, e erosão cortical na placa de crescimento, além de edema na medula óssea e derrame articular femoroacetabular com sinovite e edema pericapsular, sendo a suspeita artrite séptica.
A punção articular evidenciou bacterioscopia e cultura negativas. A biópsia com histopatológico foi compatível com histiocitose de células de Langerhans.
Não se identificaram outras lesões.
O paciente apresentou melhora gradual e espontânea.
A histiocitose de células de Langerhans é uma doença rara, mais comum em crianças e adultos jovens, com leve predomínio no sexo masculino. Caracteriza-se por proliferação monoclonal de células de langerhans, com produção de prostaglandinas que atuam na reabsorção do osso medular. Pode afetar qualquer parte do corpo e, em sua forma localizada, envolvendo osso ou pulmão, é chamada granuloma eosinofílico.
O granuloma eosinofílico é o espectro mais benigno da doença, respondendo por 70% dos casos. O envolvimento ósseo é mais comum no crânio, seguido pela bacia, fêmur, arcos costais e mandíbula. A lesão mais comumente é diafisária, seguida pela metáfise, metadiáfise e epífise. Costuma ser assintomático, mas pode se apresentar com dor local e edema, além de prostração, febre e leucocitose.
A radiografia simples e tomografia computadorizada evidenciam lesão lítica, cêntrica, preferencialmente no crânio ou na diáfise de ossos longos, podendo haver expansão cortical e reação periosteal.
A ressonância magnética é pouco específica. A lesão costuma ter iso/hipossinal em T1, hipersinal em T2 e em STIR, com realce difuso pelo contraste.
O curso clínico é bastante variável na doença, sendo pior nas crianças menores que 2 anos e apresentando caráter mais benigno na forma óssea localizada.
A maioria dos casos tem resolução espontânea, mas o tratamento este pode envolver curetagem, injeção intralesional de corticosteróides, quimioterapia, radioterapia e ablação por radiofrequência.
Os diagnósticos diferenciais incluem osteomielite e tumores ósseos primários, como o sarcoma de Ewing.

Introdução: A Exostose Múltipla Hereditária (EMH), também conhecida como osteocondromatose familiar ou aclasia diafisária, é caracterizada pelo desenvolvimento de múltiplos osteocondromas. Trata-se de uma lesão formadora de osso normal, envolta por cartilagem, tipicamente metafisária, composta de cortical e medular, centrífuga à articulação, sem sinais de agressividade radiológica. É uma doença autossômica dominante rara, apresentando uma prevalência estimada de 1: 50.000 a 1: 100.000 nas populações ocidentais. Os ossos mais comumente acometidos são os tubulares, escápula, pelve e costelas. Nos ossos longos, as exostoses migram em direção à diáfise, acompanhando o crescimento longitudinal do osso acometido. A distribuição esquelética das lesões varia, com alguns autores notando que a distribuição típica é bilateral e simétrica, enquanto outros relatam uma forte predominância unilateral. Nos exames radiográficos, a imagem de osteocondromas individuais na EMH é idêntica a de lesões solitárias, apresentando continuidade da sua cortical com a cortical do osso hospedeiro, e envolve os tipos de lesões pediculadas e sésseis. Apesar dos osteocondromas serem lesões benignas, existe uma rara possibilidade de transformação sarcomatosa, principalmente nos casos relacionados à EMH. Além dessa possível complicação, os osteocondromas causam defeitos que remodelam e retardam o crescimento ósseo longitudinal, afetando, muitas vezes, a estatura do indivíduo. Neste contexto, o radiologista deve estar preparado para reconhecer os aspectos radiográficos desta doença a fim de possibilitar um diagnóstico e tratamento precoces. Descrição: Este estudo objetiva relatar um caso de exostose múltipla hereditária, ilustrando os aspectos radiográficos de múltiplos osteocondromas em diferentes sítios, causando deformidades ósseas.

A sarcoidose é uma doença multissistêmica granulomatosa que cursa com granulomas não caseosos com uma ampla gama de manifestações clínicas e radiográficas que acomete principalmente sexo feminino entre a segunda e quarta década de vida.
Por ser uma doença rara e na maioria das vezes assintomática ou com sintomas inespecíficos, o papel da radiologia é fundamental na suspeição diagnóstica.
Tendo isso em mente o objetivo principal do trabalho é fazer um breve resumo sobre os principais achados da doença de forma elucidativa para facilitar o raciocínio diagnóstico do radiologista e mostrar o relato de um caso, visto no nosso hospital universitário, da doença de forma disseminada, acometendo sistema nervoso central, parênquima pulmonar, mediastino e mesentério.

Introdução: Cisto renal Bosniak II, de acordo com a última atualização de 2019, não há necessidade de seguimento. Geralmente é assintomático e diagnosticado incidentalmente.
Relato de caso: Uma paciente de 77 anos, com ultrassonografias, tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas prévias apresentando cisto renal Bosniak II, foi admitida com hematúria indolor. Ressonância magnética atual demostrava progressão da lesão para Bosniak IV, submetida a nefrectomia e com diagnóstico final pelo anatomopatológico e imuno-histoquímica como carcinoma de células renais papilífero de células claras.
Método: as informações foram obtidas por meio de revisão do prontuário, registro fotográfico dos métodos diagnósticos aos quais a paciente foi submetido e revisão da literatura.
Conclusão: Descrevi o caso da progressão de um cisto renal Bosniak II para IV que foi tratado por cirurgia e com diagnóstico final de carcinoma de células renais papilífero de células claras.

As hérnias obturadoras ocorrem quando há protusão do conteúdo intra-abdominal, através do forame obturador na pelve, sendo o intestino delgado na maioria dos casos.
As hérnias obturadoras são notórias pela dificuldade diagnóstica. Esta é uma condição extremamente rara, responsáveis por cerca de 0,07 a 1% de todas as hérnias. Entretanto, tem a maior taxa de mortalidade de todas as hérnias da parede abdominal, entre 13-40%.
Os sinais e sintomas resultantes da hérnia obturadora são vagos e inespecíficos, como obstrução intestinal intermitente, raramente existe massa abdominal palpável, como no caso das outras hérnias de parede abdominal.
O diagnóstico por meio de imagens realizados precocemente, como na tomografia computadorizada (TC), demonstrou reduzir a morbidade e mortalidade associadas as hérnias obturadoras.
Desta maneira, o exame de imagem se torna imprescindível, para um diagnóstico acertivo e tratamento cirúrgico precoce.
Neste estudo apresentamos um caso de um paciente, sexo feminino, apresentando obstrução intestinal mecânica, com dor abdominal difusa, em cólica, associada a náuseas e vômitos.

Disfagia Lusória é a denominação dada a sintomatologia decorrente de uma compressão esofágica secundária a presença da artéria ilusória, também denominada como artéria subclávia direita aberrante, ou devido a degenerescência aneurismática (divertículo de Kommerell). Ela se origina na porção esquerda do arco aórtico e percorre um caminho, comumente retroesofágico.
A não suspeição do diagnóstico leva ao retardo do diagnóstico e a postergação de medidas intervencionistas, sejam clínicas ou cirúrgicas, que podem melhorar a qualidade de vida do paciente.
O diagnóstico pode ser dado por exames de imagem, como esofagograma, tomografia computadorizada e angiorressonância magnética.
Apresentamos neste estudo, um paciente de 55 anos, sexo masculino, com relato de disfagia crônica e tosse seca há 4 anos.

Paciente feminina de 42 anos, hipertensa, obesa, com insuficiência cardíaca e hipertensão pulmonar, admitida no serviço de emergência com relato de dor abdominal tipo cólica, náuseas e vômitos. Os exames laboratoriais eram infecciosos e no estudo inicial de tomografia computadorizada (TC) do abdome em abril/2021, havia sinais sugestivos de pielonefrite à direita. Durante o internamento, persistiu com sintomas mesmo após antibioticoterapia e em maio/2021 foi submetida nova TC de abdome, onde identificou-se o surgimento de uma formação aneurismática sacular no terço distal da artéria renal principal direita, persistindo os sinais de pielonefrite associados. Na sequência a paciente realizou ecocardiograma que demonstrou imagem sugestiva de vegetação em valva aórtica com refluxo importante sendo feito o diagnóstico de endocardite infecciosa de valva aórtica nativa. Aneurismas micóticos são entidadas raras que caso não tratadas adequadamente resultam em altas taxas de complicações, caracterizadas pelo enfraquecimento e destruição da parede arterial por algum agente infeccioso e consequente formação aneurismática. Pode afetar qualquer vaso arterial, mais comumente a aorta, e raramente vasos viscerais como a artéria renal, sendo poucos os casos relatados na literatura, com taxa de acometimento <1%. Dentre os agentes etiológicos mais frequentes estão o estafilococos e estreptococos e sua disseminação pode ser hematogênica, por contiguidade ou inoculação direta. Endocardite, abuso de drogas ilícitas e imunossupressão estão entre os principais fatores de risco. Os sintomas são inespecíficos, sendo a febre o mais comum, e no caso de acometimento da artéria renal pode haver hematúria, hipertensão e dor abdominal vaga. A imagem tem o papel fundamental no diagnóstico, e a angiotomografia computadorizada (angioTC), um método rápido, pouco invasivo e que permite reconstruções multiplanares e 3D para planejamento cirúrgico, é a atual e melhor escolha. Destacam-se como principais achados na angioTC o aneurisma sacular de desenvolvimento e expansão rápida, associado a massa com densidade de partes moles e/ou densificação de planos adiposos adjacentes, líquido em localização atípica e menos frequentemente, gás. O tratamento é individual e depende das características e localização do aneurisma, sendo muitas vezes tecnicamente difícil. O padrão ouro inclui antibioticoterapia endovenosa por longo período associado à intervenção cirúrgica.

A gestação ectópica em cicatriz de cesariana é uma patologia em que o embrião se implanta fora da cavidade endometrial e em topografia da cicatriz de histerotomia prévia. Ocorre em aproximadamente 1 a cada 2000 gestações ¹, sendo condição potencialmente ameaçadora da vida em caso de ruptura. O tratamento de escolha nesse contexto ainda é controverso¹, sendo o tratamento cirúrgico com laparotomia e histerotomia mais comumente realizado. A curetagem uterina não é recomendada², devido ao tecido trofoblástico encontrar-se fora da cavidade endometrial. Opções de tratamento clínico incluem metotrexate sistêmico e local, cloreto de potássio e glicose hiperosmolar. Relatamos um caso com invasão vesical e excelente resposta ao tratamento conservador. Realizada aplicação de 25 mg de metotrexate por acesso supra púbico em saco gestacional e embrião e aplicação da mesma dosagem via intramuscular. O caso relatado demonstrou lenta resolução com tratamento clínico, sendo necessário mais de dois meses para negativação do Beta-HCG, porém permitindo preservação do útero e diminuição do risco hemorrágico.

A síndrome OHVIRA (acrônimo de Hemivagina Obstruída e Anomalia Renal Ipsilateral), anteriormente conhecida como síndrome de Herlyn-Werner-Wunderlich, é uma anomalia congênita rara do trato urogenital envolvendo dutos de Müller e estruturas Wolffianas, caracterizada pela presença de uma malformação uterina, classicamente relatada como útero didelfo, uma hemivagina obstruída causada por um septo vaginal e a associação de uma anomalia renal (mais comumente agenesia renal) ipsilateral à obstrução. Tem uma incidência estimada em 1 por 2000 a 1 por 28000 mulheres. Pacientes com essa anomalia geralmente se apresentam após a menarca com dor pélvica e/ou massa e raramente, em anos posteriores, com infertilidade primária. A suspeita clínica e o conhecimento dessa anomalia são essenciais para um diagnóstico preciso. Paciente de 13 anos admitida com dor abdominal infraumbilical em cólica iniciada há dois dias. Relatava menarca aos 11 anos com ciclos regulares, ausência de sexarca. Histórico de disgenesia renal à direita em acompanhamento com nefrologia. Levantada a hipótese de ureterolitíase sendo solicitada ultrassonografia abdominal que demonstrou rim direito displásico com saco hidronefrótico residual em sua topografia, presença de duplicidade da cavidade endometrial e coleção de conteúdo heterogêneo no canal vaginal. Ressonância magnética da pelve foi realizada demonstrando útero septado completo associado a septos vaginais complexos e provável hematocolpo à direita. Encaminhada para o bloco cirúrgico onde foi confirmado os achados, realizada septostomia com saída de secreção amarronzada fluida e feita inserção de molde vaginal. A síndrome OHVIRA deve ser considerada entre os diagnósticos diferenciais em mulheres jovens com anomalias renais que se apresentam com massa pélvica, sintomas de abdome agudo e/ou retenção urinária aguda. Profissionais de saúde que atendem pacientes com diagnóstico de malformações renais devem estar cientes da possibilidade de anormalidades uterinas e vaginais associadas. Sendo o inverso também verdadeiro. A investigação deve incluir exame vaginal, ultrassonografia ou ressonância magnética pélvica. O encaminhamento a um cirurgião ginecológico ou pediátrico para septostomia vaginal deve ser realizado, a fim de diminuir o risco de complicações, como endometriose e infertilidade.

Apresentamos um caso de um homem de 25 anos com dor aguda e progressiva há 4 dias na face plantar do antepé direito, com histórico de trauma local antecedendo o quadro. A dor plantar é uma queixa muito comum, sendo responsável por 11% a 15% dos distúrbios nos pés e tornozelos. A maioria desses pacientes com dor plantar no calcanhar sofre de fascite plantar. A trombose da veia plantar é considerada uma causa muito rara de dor plantar no pé porque a condição raramente foi relatada como causa de dor plantar. No entanto, a frequência da doença pode ser subestimada. Na maioria das vezes, a dor plantar no calcanhar é atribuída a problemas mecânicos, resultando em fascite plantar. Os sintomas da trombose da veia plantar são inespecíficos e incluem dor plantar no pé, edema local e aumento da dor durante a caminhada. Na literatura, casos de trombose de veia plantar têm sido relatados em pacientes com doenças da coagulação e síndromes paraneoplásicas, após trauma ou em estados pós-operatórios. A modalidade de imagem preferida para o diagnóstico de trombose da veia plantar é a ultrassonografia. A presença de veias não compressíveis, adjacentes à artéria plantar medial ou lateral (que pode ser usada como referência anatômica), é a marca registrada da doença. Na ultrassonografia com Doppler colorido, há ausência de fluxo venoso. Na ressonância magnética evidencia defeito de enchimento nas imagens ponderadas em T1 após administração de contraste de gadolínio e ausência de veias hiperintensas em T2. Além disso, pode-se observar edema perivascular sutil nos músculos adjacentes às veias plantares. Os objetivos principais deste trabalho são relatar uma causa não usual e subestimada de dor plantar, revisar as formas de investigação e os achados de imagem de trombose da veia plantar. Dessa forma, o caso demonstra a importancia do médico radiologista para o reconhecimento da trombose da veia plantar visto que é raramente relatada como causa primária de dor plantar, sendo esta usualmente atribuida a fatores de origem mecânica.

Introdução:
O pneumomediastino (PM) é um acúmulo de ar incomum e potencialmente fatal dentro do mediastino, tradicionalmente associado a barotrauma, sendo rara sua apresentação espontânea. Durante a pandemia do coronavírus, a comunidade científica mundial viu-se diante de diversas apresentações de uma doença desconhecida, e dentre elas, a ocorrência de PM, associado a ventilação mecânica ou mais raramente espontâneo. Nesse sentido, objetiva-se relatar um caso de um paciente com pneumonia viral pela COVID-19, apresentando pneumomediastino espontâneo como complicação rara e de potencial gravidade.
Descrição sucinta:
Paciente sexo masculino de 45 anos, foi admitido em um Hospital de referência, no dia 24 de abril de 2021, com histórico de febre, tosse, adinamia, hiporexia, anosmia e mialgia há cerca de 18 dias. Os testes laboratoriais evidenciaram proteína-C reativa de 7.2 mg/dl (valor de referência<0,5), leucócitos de 15450 µL (valor de referência de 4.000-11.000 µL), com 89% de segmentados, reação em cadeia da polimerase (RT-PCR) para COVID-19 positiva na data de admissão. A tomografia de tórax demonstrou a presença de opacidades pulmonares em vidro fosco bilaterais, periféricas e pneumomediastino espontâneo. O paciente evoluiu para insuficiência respiratória e foi submetido a intubação orotraqueal (IOT) e ventilação mecânica invasiva, internação em leito de terapia intensiva, com administração de drogas vasoativas, antibióticos, corticosteroides, anticoagulantes e pronação. Após sete dias de internação em leito de terapia intensiva, o paciente foi extubado, e felizmente, seguiu com melhora dos parâmetros clínicos, ventilatórios e laboratoriais, recebendo alta após treze dias de internação. Discussão resumida: O PM espontâneo é incomum na pneumonia pela COVID-19. Embora o mecanismo exato desta complicação seja desconhecido, sugere-se que o aumento da pressão alveolar e a lesão alveolar difusa que ocorre por provável ação citopatológica direta do coronavírus na membrana alveolar, pode tornar os alvéolos mais propensos a se romper, culminando com ar no mediastino, especialmente porque os pacientes costumam apresentar tosse pronunciada. O diagnóstico precoce se dá através de suspeita clínica e exames de imagem, principalmente a radiografia de tórax e a tomografia. Embora a maioria dos casos seja autolimitada e administrado de forma conservadora, tal condição deve ser monitorada de forma eficaz, pois pode levar a desfechos desfavoráveis.

Introduction: Abscesses in the oral cavity are associated with odontogenic inflammatory/infectious processes, and may also be related to obstructive processes of the salivary ducts, the submandibular duct being the most common. Palatine tonsil and peritonsillar abscesses are related to inflammation on this region, being more common in children and young adults. Description: Lemierre's Syndrome is described as a post-anginal septicemia with an etiological process related to thrombophlebitis of the internal jugular vein and commonly associated with inflammatory or infectious processes that affect the head and neck. The objective of this study is to discuss a representative clinical case of this association, considering a female patient, 43 years old, with progressive odynophagia, dysphagia and febrile episodes for seven days. On physical examination, a moderate dehydration, painful bulging in the left submandibular region, trismus and poor dental conservation are identified. Discussion: In general, purulent fluid collections show central hypoattenuation and peripheral enhancement on computed tomography, and hypersignal on the T2 sequence, a characteristic that is also manifested in the swollen palatine tonsil on magnetic resonance imaging. Reactional lymph node enlargement is also a frequent finding. The Lemierre syndrome described in this case is a rare complication of infectious processes of the upper airways, which courses with bacteremia and septic embolism that affects the internal jugular vein, causing a thromboembolic process that commonly affects the lungs and can have a fatal evolution. The predominance of the condition is described in males and approximately 80% of the cases are caused by the anaerobic gram-negative bacillus Fusobacterium necrophorum, but there is a description of the syndrome in polymicrobial infections. Contrast-enhanced tomography is considered the gold standard in the evaluation of suspected cases, showing intraluminal filling failure and, in some cases, identifying tributary vessels close to the internal jugular vein. Ultrasonography can contribute to the identification of hyperechoic thrombus in the venous lumen. Lemierre's syndrome is a rare condition with a high mortality rate, thus it should be suspected early and evaluated by targeted imaging tests, also foccusing in the differential diagnoses such as cervical lymphadenitis, metastatic disease and isolated jugular vein thrombosis.

Introdução: Volvo do intestino grosso é responsável por 5% de todas as obstruções do intestino grosso, com 60% do volvo do intestino envolvendo o sigmóide, sendo mais comum em idosos. Existe uma ampla gama de causas, como a constipação crônica e/ou abuso de laxante, dieta rica em fibras, doença de Chagas, além de associações com condições neurológicas crônicas e medicamentos de condições psiquiátricas crônicas. Descrição: O volvo de sigmóide é uma causa de obstrução do intestino grosso e ocorre quando o cólon sigmóide se torce em seu mesentério, o mesocólon sigmóide o cólon sigmóide. Objetiva-se, neste estudo, a discussão de caso clínico representativo desta condição que se desenvolveu em paciente do sexo masculino, 62 anos, que por aproximadamente três dias apresentou quadro de desconforto e distensão abdominal, progredindo para vômitos, dores fortes e redução do trânsito intestinal. Ao exame físico, foi identificado abdome globoso, distendido, ruídos hidroaéreos ausentes e hipertimpanismo à percussão. Discussão: As causas obstrutivas intestinais devem ser rapidamente identificadas e tratadas devido a grande possibilidade de complicações, abrangendo fenômenos isquêmicos e perfurativos. Neste contexto, a avaliação radiológica é fundamental, assim como a correlação com os achados clínicos, os quais se manifestam por distensão progressiva muitas vezes não reversível das alças intestinais delgadas e colônicas, dor abdominal difusa, vômitos e redução ou parada na eliminação de gases e fezes. O diagnóstico por imagem pode ser feito através da radiografia e tomografia computadorizada. Na radiografia de abdome observa-se distensão abdominal difusa, incluindo segmentos delgados e colônicos, níveis de gás-líquido, alças em U invertido (sinal do grão de café), sinal do bico de pássaro e ausência de gás retal. A tomografia computadorizada evidencia distensão abdominal difusa, incluindo segmentos do intestino delgado e cólon até o plano da obstrução. Na maior parte dos casos, os segmentos a jusante da obstrução apresentam-se em colapso, muitas vezes com pequeno conteúdo no reto. Associados a espessamento parietal colônico e sinais de torção do mesentério (sinal do redemoinho). A avaliação da suspeita clínica de obstrução intestinal aguda, deve-se procurar estabelecer precocemente o diagnóstico, com intuito de evitar a progressão para complicações como isquemia ou perfuração, sendo os exames de imagem fundamentais para o diagnóstico.

INTRODUÇÃO: A tireoide ectópica é uma variante anatômica rara, sendo caracterizada como a presença de tecido tireoidiano fora da sua topografia usual, essa definida como o segundo, o terceiro e o quarto anéis traqueais, na linha média cervical. A etiologia da tireoide ectópica não é totalmente conhecida, porém as mutações no fator de transcrição da tireoide, nos genes PAX8 e no gene do receptor do thyroid stimulating hormone (TSH).
DESCRIÇÃO: Paciente do sexo masculino, 27 anos de idade, recebido no nosso serviço para punção por aspiração com agulha fina (PAAF) de três nódulos cervicais laterais extratireoidianos, onde o médico assistente (solicitante) interrogava linfonodos atípicos, visto que o paciente acompanhava dois nódulos tireoidianos, sendo um deles TIRADS-2 e o outro TIRADS-3. O paciente desconhecia outras doenças e realizava a PAAF pela suspeita clínica um possível de sítio secundário. Não havia exame anterior para análise comparativa. Inicialmente realizamos a PAAF apenas dos três nódulos cervicais extra-tireoidianos, conforme solicitação médica. O serviço de patologia entrou em contato com nosso departamento informando que o material colhido apresentava características histológicas de tecido tireoidiano. Repetimos a PAAF com outro médico radiologista, ainda no mesmo serviço, dessa vez sendo biopsiado os nódulos tireoidianos tópicos e os nódulos cervicais extra-tireoidianos, sendo retificado o diagnóstico de tecido tireoidiano vide citologia nos nódulos cervicais, confirmando tireóides ectópicas.
DISCUSSÃO: A tireoide ectópica é uma variante anatômica rara, sobretudo as supranumerárias cervicais, existem teorias que tentam explicar a origem do tecido tireoidiano ectópico, como falha na descida da glândula de seu sítio embrionário para a sua posição no adulto, causando o surgimento de ectopia de linha média; seqüestro de nódulos tireoideanos em decorrência de tireoidites, traumatismos ou hiperplasia nodular; presença de tecido tireoideano sem aspectos neoplásico na cápsula de linfonodos cervicais; e anomalias branquiais: a glândula tireóide desenvolve-se embriologicamente de um broto medial do assoalho da faringe e de um par de brotos laterais oriundos da 4a e 5a bolsas branquiais. mediastínicas. O diagnóstico diferencial da etiologia dos nódulos cervicais é um desafio para o médico radiologista, sendo muitas vezes necessária correlação com dados histológicos por não conseguir definir a sua etiologia considerando apenas os achados de imagem.

Introdução: A leishmaniose visceral é uma doença associada a considerável morbidade, caracterizada por febre, hepatoesplenomegalia, pancitopenia e hipergamaglobulinemia, causada pelo protozoário Leishmania donovani. É geralmente observada em indivíduos imunocompetentes em áreas endêmicas, mas ocasionalmente ocorre como complicação de estados de imunodeficiência e doenças autoimunes. Localizações atípicas de amastigotas de Leishmania têm sido descritas principalmente em pacientes gravemente imunocomprometidos, infectados com HIV. Este trabalho objetiva descrever um caso com apresentação atípica nodular, havendo comprometimento de órgão não comumente atingido pela doença.
Descrição sucinta: Paciente do sexo masculino, de 40 anos, portador de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida pelo vírus HIV, em uso regular de terapia anti-retroviral, procurou atendimento médico com queixa de dor em flanco direito, perda ponderal e febre há aproximadamente 1 mês. Exames laboratoriais apontaram apenas anemia hipocrômica microcítica. A tomografia computadorizada do abdome demonstrou hepatoesplenomegalia homogênea e uma massa em adrenal direita sem claro plano de clivagem com córtex renal direito e veia cava inferior, medindo cerca de 10,5 x 7,4 cm. Realizada biópsia do nódulo guiada por ultrassonografia, cuja pesquisa direta demonstrou presença de amastigotas de Leishmania. Aspirado de medula óssea confirmou o diagnóstico. Procedido tratamento com Anfotericina B Lipossomal, evoluindo com redução da massa adrenal em tomografia de controle, medindo então 5,0 x 2,5 cm, com boa diferenciação do córtex renal subjacente.
Discussão resumida: Apesar da leishmaniose visceral ser uma doença endêmica em algumas regiões do país, com alta prevalência, as apresentações atípicas podem representar um desafio diagnóstico. Ademais, a formação de lesão orgânica detectável por exames de imagens é muito raramente descrita em literatura, sendo geralmente localizada no baço ou no fígado. No caso das adrenais a suspeita diagnóstica torna-se ainda mais difícil por haver poucos relatos na literatura, quase todos em animais, sendo ainda mais infrequente em humanos. O caso relatado serve, portanto, como alerta para a necessidade de se aventar essa hipótese diagnóstica na presença de lesão nodular em paciente imunocomprometido, mesmo na ausência dos sintomas mais característicos, especialmente por se tratar de doença curável, com protocolos de tratamento bem estabelecidos.

INTRODUÇÃO: Fetus in fetus (FIF) é uma anomalia congênita rara em que um gêmeo malformado é encontrado dentro do corpo do hospedeiro desenvolvido. Este trabalho descreve um caso dessa condição e ressalta o papel dos métodos de imagem no diagnóstico e planejamento terapêutico. DESCRIÇÃO: Recém-nascido de 37 semanas de idade gestacional, cuja gravidez foi sem intercorrências, exceto por tabagismo materno. Nenhum histórico familiar de gêmeos ou tumores era conhecido. A avaliação ultrassonográfica (US) pré-natal mostrou uma massa complexa ligada à parede abdominal anterior do paciente (feto completo). Esse achado foi confirmado por ressonância magnética (RM) pré-natal e pela tomografia computadorizada (TC) com 5 dias de vida. Não foram caracterizados encéfalo e coração. DISCUSSÃO: FIF é o resultado de uma anormalidade na embriogênese, que resulta na formação do gêmeo não dominante dentro do corpo do gêmeo dominante. A patogênese pode ser explicada pela teoria que o gêmeo parasita diamniônico e monocoriônico é incorporado ao gêmeo hospedeiro após anastomose da circulação vitelínica. A maioria dos casos aparece na infância, com uma incidência relatada em 1 em 500.000 nascimentos e ocorre isoladamente. O FIF geralmente é anencefálico e acardíaco, como o paciente deste caso. Além da coluna vertebral, estruturas comumente encontradas são membros, tecidos gastrintestinais, pulmonares e neurais. A maioria dos casos ocorre no abdome (retroperitônio), apresentando-se como massa abdominal no primeiro ano de vida. Neste relato de caso, a TC e a RM demonstraram os componentes ósseos do feto incompleto com dois membros superiores, uma escápula, dois membros inferiores e bacia óssea malformada (não foi caracterizado o sacro). Outras estruturas identificadas foram genitália externa de aparência masculina, um rim com morfologia preservada e com vascularização do feto completo, bexiga urinária parcialmente situada na pelve. A imagem desempenha um papel importante no diagnóstico correto e pode ser feito por ultrassonografia, radiografia simples, a TC ou a RM. Os achados histopatológicos confirmam o diagnóstico. O tratamento recomendado é a ressecção cirúrgica. Dentre os diagnósticos diferenciais, devem ser considerados teratoma maduro, neuroblastoma e pseudocisto meconial. A contribuição da RM e da TC como métodos complementares à US se dá no detalhamento anatômico e morfológico do FIF, permitindo maior acurácia diagnóstica, planejamento cirúrgico e valor prognóstico.

Paciente de 53 anos, sexo feminino, admitida no pronto-atendimento por quadro de dor epigástrica, vômitos e hiporexia há 1 mês. Possui história prévia cirrose por hepatite auto-imune, pan-histerectomia em 2017 por adenocarcinoma de endométrio e obesidade. Ao exame físico, apresentava-se com regular estado geral, levemente hipocorada e com dor à palpação em flanco esquerdo. Durante internação, intercorreu com febre e elevação de PCR. A referida paciente foi submetida a propedêutica radiológica que evidenciou volumosa lesão solitária sólido-cística no baço, medindo 12 cm no maior eixo. Os principais diagnósticos diferenciais eram abscesso, linfoma, tumor retroperitoneal e metástase. Diante da suspeita inicial de abscesso esplênico, foi tentado sem sucesso uma punção-biópsia no serviço. Devido a piora clínica, foi submetida a esplenectomia e teve o material enviado para estudo anatomopatológico que evidenciou carcinoma pouco diferenciado metastático, de provável origem endometrial. Tal desfecho chamou a atenção sobre o difícil diagnóstico de lesões esplênicas, especialmente aquelas que se apresentam como massa única. A maioria das lesões esplênicas é detectada acidentalmente e a combinação dos achados de imagem com a avaliação clínica facilita a formulação de um diagnóstico diferencial mais relevante e estratificação das hipóteses. Os sintomas mais relevantes são dor atribuível ao baço, sinais de infecção, estado imunológico e antecedente de malignidade. As metástases esplênicas são muito raras, mas a incidência de casos relatados tem aumentado devido à melhora das imagens médicas e ao acompanhamento em longo prazo dos pacientes com câncer. Geralmente ocorrem em um contexto de câncer metastático multivisceral em estágio terminal, mas também podem ocorrer como uma massa esplênica solitária, sincrônica ou metacrônica ao tumor primário (extremamente raro). O tempo desde o diagnóstico do tumor primário até a descoberta de metástases esplênicas solitárias pode chegar a 264 meses. Como ensinamentos, vale destacar que a prevalência de metástases esplênicas parece estar aumentando com o aprimoramento das técnicas de imagem médica e estão se tornando um dilema diagnóstico com lesões primárias do baço, particularmente lesões solitárias em pacientes com história de doença maligna. Associação com história clínica é, portanto, fundamental.

Introdução
A febre de Chikungunya (FC) é uma doença arboviral transmitida por mosquitos Aedes infectados pelo vírus Chikungunya (VCHIK) e encontrada em todo o mundo. Embora FC possa desencadear outras formas de artrites crônicas, ainda há poucos relatos na literatura de pacientes que evoluíram de FC para artrite psoriásica (AP).
Descrição
Homem de 49 anos, previamente hígido, apresentou febre por aproximadamente dez dias e exibiu persistência de polimialgia, erupção cutânea e poliartralgia associada a edema de mãos e punhos. A sorologia IgM foi positiva para VCHIK. Dois meses depois, ele foi avaliado em um ambulatório de reumatologia de um hospital universitário no XXXXX e ao exame físico, foi evidenciado a manutenção da poliartralgia e edema nas articulações metacarpofalângicas e interfalângicas, especialmente na mão esquerda. Também foi observada descamação eritematosa e lesões cutâneas pruriginosas do couro cabeludo. Na época, o paciente não estava tomando nenhuma medicação conhecida que pudesse precipitar a psoríase. Ele também negou qualquer estresse emocional prévio (pelo menos dois meses antes do aparecimento da lesão cutânea). O paciente nunca teve nenhum episódio de lesão cutânea psoriásica anteriormente.
Discussão
O paciente apresentava sinovite e tenossinovite clássicas secundárias à FC. A persistência de doença inflamatória com sinais de entesite e dactilite na US e RM, história familiar e aparecimento de lesões cutâneas no couro cabeludo sugeriam fortemente AP pós-FC, segundo os critérios do Colégio Americano de Reumatologia. As infecções virais podem ser um fator desencadeante de várias doenças com artrite crônica, como a AP. Com o ressurgimento das epidemias de FC no Brasil e no mundo, o manejo da artrite crônica se tornou um enorme desafio para os reumatologistas e os exames de imagem tornaram-se fundamentais tanto para diagnóstico, como para o acompanhamento destas complicações. Baseado nisso, os radiologistas assumem um papel importante no auxílio do médico assistente na evolução da doença.

Paciente do sexo masculino de 4 anos de idade com Distrofia Muscular Congênita (DMC) relacionada ao gene LAMA2 demonstrou, no estudo genético, duas variantes patogênicas (NM_000426): c.1255delA e c.2461A>C. A ressonância magnética de crânio demonstrou alterações de sinal na substância branca supratentorial, o que é um achado conspícuo nessa doença. Curiosamente, a ressonância magnética também demonstrava malformações do desenvolvimento cortical: superfície cortical parietooccipital com conformação pedregosa, de apresentação simétrica e bilateral – “malformação em paralelepípedo”. Esse relato expande o fenótipo radiológico relacionado ao gene LAMA2 por incluir, não somente anormalidades na substância branca, mas também alterações no córtex cerebral posterior.

Paragangliomas são tumores originados das células cromafins da paranganglia, que é um sistema neuroendócrino produtor de catecolaminas e está distribuído desde a base do crânio até o assoalho pélvico, incluindo a medula da adrenal, quando neste denominado feocromocitoma. Os sítios mais comuns do paraganglioma são o corpo carotídeo, orelha média, forame jugular, região aorticopulmonar, mediastino posterior e o retroperitônio paraórtico, incluindo o corpo de Zuckerkandl. A faixa etária mais acometida está entre a 3ª e 4ª décadas de vida, sem predileção do gênero. Geralmente são funcionais, apresentando sintomas simpaticomiméticos como crises hipertensivas, taquicardia, sudorese e cefaleia. Os não-funcionantes são silenciosos, com sintomas relacionados ao crescimento tumoral, por vezes detectados incidentalmente nos exames de imagem. O diagnóstico compreende exames laboratoriais, como a dosagem na urina de 24 horas das catecolaminas e seus derivados, e exames de imagem radiológicos (tomografia computadorizada e ressonância magnética - TC e RM) e nucleares (metaiodobenzilguanidina).Os paragangliomas retroperitoneais e extra-adrenais acometem frequentemente os paragânglios, compreendendo 1 a 3 % dos tumores retroperitoneais. Na TC com contraste, apresentam-se como massas paraórticas com densidade de partes moles, contornos definidos, hipervasculares, podendo apresentar áreas centrais de baixa (necrose) e/ou alta atenuação (calcificações e sangramento). Na RM exibem marcado hipersinal em T2, por vezes com padrão em “sal e pimenta”, e iso/hiposinal em T1, além do ávido realce pelo gadolíneo. Relatamos uma paciente de 34 anos, feminina, previamente hígida, com massa abdominal visualizada na ultrassonografia (US). A paciente apresentava apenas dor abdominal decorrente do efeito expansivo da lesão, com níveis pressóricos normais. Foi realizado TC e RM do abdome, além de tomografia com emissão de pósitrons (PET-TC) para esclarecimento da lesão. O diagnóstico final foi paraganglioma retroperitoneal, não-funcionante, estabelecido pela análise histopatológica e imunohistoquímica da amostra tecidual obtida por biópsia percutânea guiada por US. Tumores retroperitoneais são raros e de difícil diagnóstico, muitas vezes necessitando de exames de imagem, o que torna o papel do radiologista importante na determinação da origem tecidual da lesão, estreitando os diagnósticos diferenciais, principalmente nas lesões hipervasculares, nas quais destaca-se paraganglioma.

INTRODUÇÃO
A Doença de Madelung é uma patologia rara caracterizada por acúmulo de gordura não encapsulada, geralmente localizada simetricamente ao redor do pescoço e ombros. A etiologia é desconhecida, mas é frequentemente observada em pacientes com história de alcoolismo crônico e acompanhada por anormalidades metabólicas. Sua apresentação é frequentemente acompanhada por hiperurecemia, dislipidemia, anemia macrocítica, neuropatia periférica, intolerância à glicose, e/ou acidose tubular renal, e seu tratamento é cirúrgico por lipectomia ou lipossucção, apresentando bons resultados, embora recorrências sejam comuns.

RELATO DE CASO
Paciente do sexo masculino, 61 anos, admitido no serviço com queixa de dispneia de repouso e aumento progressivo do volume cervical. É portador de Hipertensão arterial sistêmica (HAS); Cirrose hepática de etiologia alcoólica; Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e etilismo ativo. Ao exame físico foi notada a presença de massa em região cervical anterior, móvel e indolor à palpação.
Os achados de TC evidenciaram distribuição simétrica e difusa de material adiposo homogêneo não encapsulado no subcutâneo da região cervical e nas porções superiores do tronco. Os planos musculares apresentaram formas, contornos e densidades preservados. Não havia linfonodomegalias, massas sólidas, malformações linfáticas ou dilatações vasculares.

DISCUSSÃO
O conjunto de achado clínico-radiológicos corroboraram com o diagnóstico de Doença de Madelung, demonstrando a relação descrita na literatura entre o desenvolvimento de lipomatose simétrica múltipla com etilismo crônico. A avaliação por TC permitiu afastar importantes diagnósticos diferenciais, tais como linfoma e comprometimento metastático linfonodal. A TC também possibilita o estadiamento tumoral nos casos em que a lipomatose simétrica múltipla esteja associada a doença maligna, especialmente o carcinoma de células escamosas das vias aéreas superiores, decorrente de etilismo e tabagismo muitas vezes associados.

CONCLUSÃO
A doença de Madelung é uma doença rara e seu diagnóstico é feito pela história, constatação física das massas, exames laboratoriais, biópsia e os limites anatômicos investigados por tomografia. O diagnóstico definitivo deve ser realizado em conjunto com a história clínica, dados laboratoriais e resultados de exames de imagem, principalmente a tomografia, a fim de afastar os possíveis diagnósticos diferenciais.

INTRODUÇÃO
O íleo biliar corresponde á uma condição rara, que ocorre em 0,5% dos portadores de cálculos na vesícula e é responsável por 4% dos casos de obstrução intestinal.
A passagem do cálculo para a luz intestinal ocorre a partir da formação de uma fístula entre a vesícula biliar e um segmento do trato digestório, ocorrendo em mais de 70% dos casos com o duodeno, porém podendo ser também com o estômago, jejuno ou cólon. O local mais frequente de impactação é o íleo terminal na válvula íleo-cecal, por ser a porção mais estreita do intestino delgado.
RELATO DE CASO
Paciente do sexo feminino, 90 anos, com passado de colecistolitíase, deu entrada no serviço com quadro de obstrução intestinal sem evacuação há cerca de 10 dias e desconforto abdominal. Ao exame físico apresentava-se com abdome distendido, com ruídos hidroaéreos positivos e doloroso à palpação profunda em fossa ilíaca e hipocôndrio direito, sem sinais de peritonite.
Solicitada tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve que evidenciou fístula enterro-biliar com aerobilia, e imagem sugestiva de cálculo intra-luminal em segmento de alças ileais determinando dilatação das alças intestinais à montante, caracterizando a tríade de Rigler e íleo biliar.
Foi realizada laparotomia exploradora e incisão com rafia de delgado a 30 cm do ângulo de Treitz. Evidenciou a presença de distensão de estômago e intestino delgado com espessamento de suas paredes, e foi caracterizado cálculo de 4,0 cm de diâmetro impactado à 30 cm no ângulo de Treitz.
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
O diagnóstico pode ser suspeitado baseado na tríade de Rigler, achado patognomônico do íleo biliar e que ocorre em 50% dos casos. Essa tríade corresponde à dilatação de alças com nível hidroaéreo, cálculo impactado em local aberrante e gás no trato biliar. O estudo contrastado do trato digestivo pode ser útil, com a visualização de falha de enchimento correspondente ao cálculo e contrastação do orifício fistuloso.
O íleo biliar deve ser precocemente diagnosticado pela sua evolução desfavorável já que, quando não tratado, as complicações são frequentes e com altos níveis de mortalidade, como perfuração, peritonite e fístula colecistoentérica. Diante desta possibilidade é imprescindível seu rápido diagnóstico, destacando-se a necessidade do conhecimento acerca dos achados de imagem.

INTRODUÇÃO: O objetivo deste relato é descrever a associação de pseudocirrose hepática e síndrome de obstrução sinusoidal, com ênfase no diagnóstico diferencial clínico e radiológico. RELATO: Feminino, 46 anos, com dor e distensão abdominais, há quatro semanas. Antecedente de carcinoma de mama, previamente submetida ao tratamento cirúrgico e quimiorradioterápico. Tomografia, ressonância e tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) mostraram sinais de hepatopatia crônica, acentuada heterogeneidade do parênquima e volumosa ascite. O surgimento destes achados, as características morfológicas e a ausência de doença secundária em outros sítios favoreceram a hipótese de doença obstrutiva sinusoidal secundária à quimioterapia. Evoluiu com hematêmese maciça e choque hemorrágico, que culminaram no óbito. Realizada biópsia hepática post-mortem, cuja análise histopatológica e imuno-histoquímica revelou infiltração do parênquima hepático por adenocarcinoma metastático de sítio primário mamário, com dilatação sinusoidal e êmbolos neoplásicos centrais. DISCUSSÃO: Pseudocirrose é um termo utilizado para descrever os achados de imagem da cirrose relacionada à presença de metástases hepáticas. Tradicionalmente, está associada ao tratamento quimioterápico do câncer de mama, embora possa ocorrer antes do tratamento e ter associação com outras tipos de malignidade. Decorre de uma sobreposição de mecanismos fisiopatológicos, como: colapso do tecido após a regressão do tumor, toxicidade da quimioterapia e alterações arquiteturais em resposta à presença do tumor. Seus achados de imagem incluem redistribuição volumétrica e irregularidade dos contornos hepáticos, retração capsular e fibrose confluente. A síndrome de obstrução sinusoidal decorre da obstrução da microcirculação hepática. Na maioria das vezes, é uma complicação dos transplantes de medula óssea, mas também pode decorrer do tratamento quimioterápico (especialmente das neoplasias hematológicas). Seus achados de imagem, relacionados à hipertensão portal, incluem lentificação do fluxo portal, esplenomegalia, ascite e circulação colateral. CONCLUSÃO: O diagnóstico de pseudocirrose deve ser considerado quando houver evidência radiológica de doença hepática progressiva em pacientes com metástases hepáticas. A síndrome de obstrução sinusoidal, embora tradicionalmente relacionada ao tratamento de neoplasias hematológicas, também pode ocorrer no contexto da neoplasia metastática de mama.

RELATAR UM RARO CASO DE SARCOMA DE EWING RESTRITO À EPÍFISE DISTAL DO FÊMUR EM PACIENTE JOVEM, SEM ACOMETIMENTO EXTRA-ÓSSEO.
PACIENTE DO GÊNERO MASCULINO, 22 ANOS DE IDADE, SEM COMORBIDADES, COM RELATO DE DOR NOJOELHO DIREITO HÁ 3 DIAS. SEM HISTÓRICO DE TRAUMA, SEM RELATO DE FEBRE, NEGA ALERGIAS, DEAMBULAÇÃO COM CLAUDICAÇÃO DISCRETA E SEM OUTROS ACHADOS AO EXAME FÍSICO DO ORTOPEDISTA.
A RADIOGRAFIA DO JOELHO MOSTRAVA UMA LESÃO ÓSSEA ESCLERÓTICA BEM DELIMITA NA EPÍFISE DISTAL DO FÊMUR, SEM ACOMETIMENTO EXTRA-ÓSSEO.
A RESSONÂNCIA DEMONSTROU UMA LESÃO HIPOINTENSA EM T1, HETEROGÊNEA EM T2, COM REALCE PERIFÉRICO PELO MEIO DE CONTRASTE.
A PRIMEIRA BIÓPSIA RELATOU OSTEOMIELITE, SEM RESPOSTA AO TRATAMENTO.
UMA NOVA BIÓPSIA RELATOU SARCOMA DE EWING.
O SARCOMA DE EWING É UMA NEOPLASIA DE ALTO GRAU, COM ÁREAS DE NECROSE. E
STE CASO DEMONSTRA UM RARO SARCOMA DE EWING RESTRITO À EPÍFISE, 1% DOS CASOS RELATADOS NA LITERATURA.

Introdução: Tumores da fossa isquiorretal são raros e diversas patologias comprometem essa região: congênitas, inflamatórias, traumáticas, hemorrágicas, tumores primários e secundários. O tipo histológico, tamanho, localização, altura e relações anatômicas são essenciais para o planejamento terapêutico. A Ressonância Magnética (RM) é o método indicado para avaliação. O objetivo é descrever um tumor raro da parede retal que ocupava a fossa isquiorretal e enfatizar a importância da RM. Caso: 43 anos, feminino, constipação, dor retal e assimetria da região glútea direita há 4 meses. Ao toque retal tumoração móvel e indolor, na face lateral direita do reto, 6 cm do canal anal. RM evidenciou massa de 6 cm, ocupando a fossa isquiorretal direita e contígua com a camada muscular própria do reto. Era uma lesão sólida, homogeneamente hipointensa em todas as sequencias, sem gordura ou necrose, sem restrição na difusão e com realce homogêneo. A paciente foi submetida a cirurgia e o diagnóstico foi de leiomioma retal. Discussão: Os tumores da fossa isquiorretal são raros e o leiomioma de reto é um tumor que pode ser encontrado nessa região. Apresenta-se como uma lesão de contornos regulares e bem definidos, sem sinais de agressividade, com hipossinal em todas as ponderações e realça pós contraste. Os leiomiomas gastrointestinais são tumores mesenquimais benignos que comprometem a musculatura lisa e ocorrem principalmente entre 40 e 50 anos, sendo mais frequentes no estômago e delgado. O reto e canal anal representam 3% dos leiomiomas gastrointestinais. Originam-se das células musculares lisas da mucosa, das camadas muscular circular ou longitudinal da parede retal ou da parede vascular. O crescimento pode ser intraluminal (50%), extrarretal (30%), intra e extraluminal (10%) e intramural (10%). A apresentação clínica é variável e os sintomas mais comuns são sangramento, dor retal, tenesmo, alteração de hábito intestinal, massa palpável e obstrução. A. O tratamento é cirúrgico. Os principais diagnósticos diferenciais são: GIST, leiomiossarcoma, endometrioma, lipoma, lipossarcoma e fibrossarcoma. Conclusão: O caso relata caso raro de leiomioma de reto na fossa isquiorretal. A RM é o método de escolha na avaliação anatômica da região, definindo seus limites, a relação da lesão com a parede retal, com o esfíncter anal e a caracterização tecidual da lesão.

INTRODUÇÃO: O leiomiossarcoma da veia cava inferior (VCI) tem sua gênese no componente muscular liso da túnica média, sendo considerado como uma neoplasia maligna da mesma.SALIENTANDO A IMPORTÂNCIA E O INTERESSE DO CASO A SER APRESENTADO: Embora de prevalência baixa, os tumores de retroperitônio representam árduo desafio diagnóstico, visto a pequena dimensão do referido espaço e a riqueza de estruturas vitais contidas no mesmo. Assim, seu diagnóstico preciso e em tempo oportuno é imprescindível. O sarcoma de VCI, em particular, representa condição potencialmente fatal que, se não manejada em tempo adequado, poderá cursar com rotura espontânea da veia cava e rapidamente levar o paciente à óbito.DESCRIÇÃO SUCINTA: Relata-se o caso de um paciente do sexo feminino, 52 anos, casada, do lar, sem qualquer antecedente mórbido significativo, bem como qualquer histórico de intervenção cirúrgica. A paciente buscou ajuda médica em decorrência de dor abdominal de moderada intensidade e abaulamento abdominal na topografia de hipocôndrio/flanco direito, negando demais sinais ou sintomas. Ao exame físico, os únicos achados foram de dor abdominal de moderada intensidade à palpação, bem como uma massa abdominal palpável no hipocôndrio direito, globosa, sem mobilidade à sua manipulação e aparentemente aderida aos planos profundos. A tomografia computadorizada evidenciou lesão expansiva com densidade de partes moles, contornos lobulados, realce heterogêneo na fase portal, rechaçando estruturas locorregionais, sem sinais de infiltração / invasão e epicentro na topografia da VCI. A porção inferior da lesão encontrava-se junto a confluência da veia renal esquerda (retroaórtica) com a VCI, estendendo-se superiormente por 13,0 cm até cerca de 2,5 cm proximal a confluência de veias hepáticas, e 6,0 cm do átrio direito, medindo 13,0 x 11,0 x 10,0 cm (figuras). Realizou-se ressecção em bloco da massa tumoral de 13 cm com reconstrução por implante de prótese de Dacron.DISCUSSÃO RESUMIDA: Apesar de potencialmente fatal e comportamento agressivo intrínseco à biologia do tumor e à sua condição anatômica, os sarcomas de VCI geralmente se manifestam apenas com dor abdominal de leve a moderada intensidade e de caráter inespecífico, dificultando o seu diagnóstico e tratamento.

Paciente de sexo masculino, 18 anos, chegou ao pronto-atendimento com dor em arcos costas esquerdos irradiando para membro superior esquerdo há 1 dia. Nega trauma.
História patológica pregressa: Paciente obeso, sem outras comorbidades. Foi solicitado radiografia de tórax, exames laboratoriais e prescrito analgesia.
Exames laboratoriais: Leucócitos: 16.200 céls/mm3; Bastão: 7%; PCR: 8,1mg/dl; EAS: Sem alterações. PCR Covid-19: negativo.
Radiografia de Tórax: Pulmões hipoexpandidos, com opacidade ovalar na região retroesternal, medindo aproximadamente 6,0 x 3,8cm, identificada apenas na incidência em perfil.
Devido a dor refratária a opióides, além de laboratório alterado, foi optado pela solicitação de tomografia computadorizada de tórax.
Tomografia: imagem heterogênea, densidade predominantemente adiposa no mediastino anterior com extensão pleural à esquerda, sem impregnação pelo contraste, com densificação da gordura pericárdica e opacidade em vidro fosco no parênquima em contiguidade.
Foi então solicitado internação hospitalar para investigação do quadro, prescrito ceftriaxona, azitromicina e analgésicos, além de avaliação pela cirurgia torácica.
Após a avaliação pelo serviço de cirurgia torácica, o cirurgião optou pela abordagem cirúrgica, onde foram encontradas aderências pleuropulmonares e lesão escurecida, sugerindo hemorragia em face anterior de cavidade pleural, além do timo infiltrado e endurecido. Demais estruturas sem alterações. Foi então realizada timectomia e ressecção total do tumor por vídeotoracoscopia. A cirurgia ocorreu sem intercorrências. Foi encaminhada lesão para histopatologia.
Histopatologia: Timolipoma com presença de área extensa de infarto hemorrágico devido à torção da massa.
No pós-operatório, paciente evoluiu com melhora clínica e teve alta hospitalar após 10 dias.

INTRODUÇÃO: O diagnóstico sindrômico de McCune-Albright configura-se como uma morbidade de natureza rara, cuja as características são displasia fibrosa poliostótica, manchas tegumentares “café-com-leite”, bem como endocrinopatias com hiperfunção. SALIENTANDO A IMPORTÂNCIA E O INTERESSE DO CASO A SER APRESENTADO: Embora de prevalência baixa, a síndrome supracitada configura-se como importante causa de endocrinopatia hiperfuncionante, como hiperparatireoidismo, puberdade precoce e até hipertireoidismo. Além disso, quando a displasia fibrosa poliostótica é exuberante, há fraturas e danos ósseos de repetição ainda na infância, impactando negativamente na qualidade de vida do indivíduo. Assim, seu diagnóstico se torna crucial no manejo oportuno e precoce para garantir que o prognóstico desses pacientes sejam os melhores possíveis. Ressalta-se ainda que na maioria dos casos os achados ósseos por exame de imagem são as primeiras manifestações a serem identificadas. DESCRIÇÃO SUCINTA: Relata-se o caso de um paciente do sexo feminino, 31 anos, solteira, com histórico de hipertireoidismo e puberdade precoce. A paciente buscou ajuda médica em decorrência de dor óssea difusa e irritabilidade, negando demais sinais ou sintomas. Ao exame físico, os achados foram de deformidade óssea e máculas hipercrômias “manchas café com leite”, mais evidentes no tronco e membros superiores. Os exames laboratoriais não exibiam alterações significativas, visto que a paciente já vinha em acompanhamento com endocrinologista. A tomografia computadorizada evidenciou múltiplas lesões líticas insulflativas esparsas pelos arcos costais, ilíacos e sacro, com reabsorção periosteal associada, sem componente de partes moles associado (figuras). Diante do relatado, chegou-se à hipótese diagnóstica de síndrome de McCune-Albright e a paciente foi encaminhada ao tratamento multidisciplinar, visando primordialmente minimizar o risco de fraturas patológicas, bem como otimização de sua função endócrina. DISCUSSÃO RESUMIDA: Apesar de classicamente manifestar com a tríade clássica de displasia fibrosa poliostótica, endocrinopatia de hiperfunção e máculas hipercrômicas, muitas vezes tal entidade nosológica apresenta apenas com alterações ósseas e curso clínico assintomático, dificultando o seu diagnóstico e tratamento.

Divertículo gástrico é uma condição rara, geralmente assintomática e detectado de forma incidental durante investigação propedêutica, representando 0,1% das endoscopias digestivas altas e eventualmente vista durante exames radiológicos (0,043%) segundo a literatura médica. Similar a divertículos de outros segmentos do trato digestório trata-se de uma formação sacular que emerge da parede gástrica, em especial a posterior em 75% dos casos, sendo a área de menor resistência da parede do órgão. Tem sido destacado que divertículos gástricos podem simular outras patologias e devido sua topografia mais usual, formato e seu conteúdo podem ser confundidos com formações expansivas da adrenal esquerda. Tal afirmativa justifica o presente relato clínico de paciente do sexo masculino, 53 anos, encaminhado de outra cidade para nosso serviço com indicação de realizar tomografia computadorizada com protocolo de investigação de nódulo de adrenal esquerda detectado anteriormente em seu domicílio durante tomografia de tórax para pesquisa de comprometimento pulmonar por COVID – 19 (sic). Paciente negava qualquer sintomatologia abdominal. Durante análise do exame tomográfico abdominal realizado detectamos a presença de formação hipodensa retrogástrica ligeiramente ovalada (diâmetros – 59x37x35mm) hipodensa com nível hidro-hídrico de diferentes densidades, com sedimento de depósito no seu interior e já nas primeiras imagens o reconhecimento de orifício de comunicação da mesma com a cavidade gástrica representativo do colo do divertículo, o qual sofreu mínimas alterações morfovolumétricas durante o exame, decorrentes das contrações fisiológicas gástricas habituais. Imagens próximas mais inferiores demonstraram adrenal esquerda de morfologia habitual sem formações expansivas neste compartimento. Por tratar-se de região da cavidade abdominal repleta de diferentes órgãos muito próximos deve-se ter em mente atenção para cuidadosa análise, pois lobulações esplênicas, dilatações saculares vasculares, formações hipodensas renais e pancreáticas também podem simular lesões adrenais. Mesmo divertículos gástricos com ar no seu interior podem simular necroses ou infecções. Portanto a identificação do aspecto típico de um divertículo com sua conexão com o trato gastrointestinal torna a tomografia computadorizada decisiva no diagnóstico desta condição.

Introdução: A trombose venosa dural (TVD) associada a hemorragia subaracnoide (HSA) é infrequente e raramente relatada na literatura. Relatamos o caso, incluindo características clínicas e achados de imagem por Ressonância Magnética (RM) que devem incitar a possibilidade de associação destas condições, que, embora infrequente, modificam o manejo clínico do paciente. Descrição do caso: Mulher, 55 anos, com cefaleia pulsátil há dois meses, tonturas e náuseas progressivas, com piora aguda significativa. Nega trauma ou febre. Antecedentes pessoais patológicos negativos. Exames clínico e laboratorial sem alterações significativas. Exame neurológico normal, sem meningismo ou déficit focal. Angiorressonância magnética venosa do encéfalo evidenciou trombose venosa dural no seio transverso esquerdo e HSA occiptoparietal ipsilateral. Discussão: A TVD constitui 1-2% de todos os acidentes vasculares cerebrais em adultos e raramente associa-se com HSA. A incidência estimada por alguns autores desta associação é de cerca de 3-4% dos casos de TVD. A TVD tem um amplo espectro de manifestações clínicas que variam de cefaleia com papiledema e rigidez nucal a déficit neurológico focal e convulsões. O mecanismo fisiopatológico desta associação é desconhecido, aceitando-se três possibilidades: (a) área de infarto venoso pode levar a ruptura venosa para o espaço subaracnoide; (b) trombose do seio venoso pode levar a hipertensão secundária, com consequente dilatação de veias corticais e fragilidade parietal, favorecendo rupturas para o espaço subaracnoide; (c) resposta inflamatória local a TVD aumentando a permeabilidade dos vasos e permitindo o extravasamento sanguíneo para o espaço subaracnoide. Tal associação deve ser aventada quando a HSA predomina na convexidade cerebral em detrimento das cisternas da base, diferindo do padrão habitual da HSA arterial. Uma vez confirmada a TVD como causa da HSA, o manejo deverá ser pautado em anticoagulação ou trombólise localizada. Conclui-se que é de suma importância considerar a TVD entre os diagnósticos diferenciais de uma HSA, principalmente quando esta estiver localizada na alta convexidade, devendo-se providenciar adequada avaliação por imagem dedicada ao sistema venoso encefálico, garantindo um manejo apropriado do paciente.

Introdução: A atrofia de Sudeck, também conhecida como síndrome dolorosa regional complexa, é uma condição com fisiopatologia ainda pouco elucidada, que se relaciona com o aumento de citocinas inflamatórias, sensibilização nociceptiva com aumento da excitabilidade neuronal central e periférica e expressões autoimunes. Tais alterações se combinam e se manifestam clinicamente com quadros de alodinia, hiperalgesia, edema e alterações vasomotoras. Descrição: O presente trabalho visa discutir e exemplificar achados radiográficos de um caso da referida patologia, que se desenvolveu em paciente do sexo masculino, 34 anos, com histórico de fratura do punho esquerdo tratada por fixação cirúrgica há seis meses, queixando-se de dor intensa, rubor e sudorese local, sem sinais infecciosos. Discussão: A atrofia de Sudeck geralmente acomete extremidades e pode estar relacionada a trauma ou procedimentos cirúrgicos prévios ou ter apresentação idiopática. O acometimento é mais frequente no sexo feminino, na faixa etária dos 40-60 anos, sendo a apresentação bilateral menos comum. O diagnóstico se faz pela elucidação do quadro clínico associado com as alterações radiológicas, devendo-se avaliar a presença ou não de danos neurais para orientação terapêutica. Clinicamente, considera-se critérios como a manifestação por mais de seis meses de edema de partes moles, associado a alterações vasomotoras, atividade motora anormal e alodinia/hiperalgesia. À avaliação radiográfica, pode-se observar osteopeniaperiarticular marcante, reabsorção subperiosteal, aumento de partes moles na fase aguda da doença e, com a evolução do quadro, pode ocorrer atrofia de partes moles devido ao acometimento neuronal da doença. Os diagnósticos diferenciais envolvem patologias que se apresentam com porose óssea, como a osteoporose senil e a osteoporose por desuso.

A trombose da veia porta consiste na obstrução do sistema portal através do desenvolvimento de um processo trombótico. Seu aparecimento tem como causas diversos fatores, dentre eles a presença de neoplasias atuais, estados de hipercoagulabilidade hereditários, processos inflamatórios, sepse, uso de anticoncepcionais hormonais (ACH), causas idiopáticas, dentre outras. As consequências desta patologia podem ser drásticas e acometer não só o sistema hepático, mas também esplênico, esofágico e gastrointestinal. Neste relato será demonstrado um caso de trombose da veia porta extra-hepática que levou a um grave quadro de acometimento da veia mesentérica superior e consequente isquemia intestinal, evidenciando a importância dos diversos desfechos patológicos na avaliação radiológica.
O caso trata-se de uma paciente do sexo feminino de 49 anos, que deu entrada no pronto-atendimento com quadro de dor abdominal em hipogastrio de intensidade progressiva há 3 dias, além de episódios diarreicos motores há 1 dia. Relatou hipotireoidismo com uso de levotiroxina, negou uso de ACH, doenças da coagulação ou histórico de neoplasias pessoais. Ao exame físico, apresentou sinais de peritonite e foi encaminhada para realização de exames complementares laboratoriais e tomografia computadorizada abdominal. Nas fases sem contraste e arterial, foram identificados os seguintes achados: borramento da gordura mesentérica, distensão difusa e discreta pneumatose de alças de delgado, além de líquido livre na cavidade peritoneal. Na análise da fase portal um importante trombo da veia porta extra-hepática foi evidenciado, mostrando a etiologia vascular do acometimento intestinal. Posteriormente levada a ultrassonografia (US) com doppler, não foi identificado fluxo na veia porta, sendo então submetida a laparotomia exploratória para ressecção das alças inviáveis e posterior anticoagulação.
A anatomia do sistema portal, cuja confluência é formada por drenagem venosa mesentérica, esplênica, gástrica e esofágica, favorece a multiplicidade de manifestações clínicas e achados radiológicos, neste caso representado quase exclusivamente por repercussões enterais, com mortalidade evidenciada pela literatura de até 50%. Na suspeita de trombose da veia porta, o método de primeira linha é o US com doppler, com taxas de precisão chegando entre 88 e 98%, que junto à tomografia e ressonância, podem chegar a 100%, sendo úteis também na identificação de fatores etiológicos.

Introdução:
Sarcomas mesenquimais primários do trato gastrointestinal constituem apenas 0,1–3% de todos os tumores gastrointestinais, sendo o leiomiossarcoma a variante mais comum desses raros tumores. Em relação ao padrão de acometimento dessas lesões no trato gastrointestinal, o estômago é o local mais frequentemente envolvido, seguido pelo intestino delgado, cólon e reto. As lesões sarcomatosas primárias do cólon são extremamente raras e são escassos os dados na literatura que definam suas características clínicas, epidemiológicas e radiológica.
Caso Clínico:
Apresentamos o caso de uma paciente feminina, com 57 anos, queixando-se de dor abdominal há 1 semana na fossa ilíaca direita, associada a massa palpável nesta topografia. A paciente procurou atendimento no pronto socorro, onde constatou-se a presença desta lesão dolorosa à palpação durante o exame físico. A mesma realizou tomografia computadorizada neste serviço, evidenciando formação expansiva heterogênea na região da fossa ilíaca direita, em íntimo contato com a parede do cólon transverso, com realce progressivo pelo meio de contraste do componente sólido da lesão. Posteriormente, foi solicitada ressonância magnética confirmando e melhor caracterizando os achados já descritos. A paciente foi submetida a ressecção cirúrgica da lesão e a peça enviada para a patologia. Ao estudo imuno-histoquímico, houve positividade para os marcadores específicos de lesões musculares lisas (actina de músculo liso e desmina), sendo negativo para o gene Kit (CD117), marcador específico para tumores estromais gastrointestinais (GIST).
Discussão:
O leiomiossarcoma primário do cólon é uma entidade rara, originando-se da camada muscular própria do intestino e sua apresentação típica é em pacientes de meia-idade. É importante distinguir o seu diagnóstico de outros tumores mesenquimais gastrointestinais, particularmente GIST, pois as duas doenças têm tratamentos e prognósticos diferentes. Dentre as características imunohistoquímicas do leiomiossarcoma destacam-se a positividade para desmina, alfa-SMA, vimentina e h-caldesmon, e negatividade para marcadores GIST-KIT, CD34, CD117 e DOG1. Atualmente, o melhor tratamento para o leiomiossarcoma do cólon é a ressecção cirúrgica.

Introdução: O pseudoaneurisma renal, além de ser uma complicação rara, decorre de eventos, tais como a biópsia renal, possui detecção clínica incomum e geralmente necessita de um alto grau de suspeição clínica, pois é de difícil diagnóstico. Nesse sentido, objetiva-se descrever um caso de pseudoaneurisma renal pós-nefrectomia parcial, destacando-se o tratamento por embolização.
Descrição sucinta: Homem de 31 anos, pós-operatório de nefrectomia parcial no rim direito por neoplasia renal, apresentando quadro de dor abdominal intensa no flanco direito, com queda de hemoglobina (Hb), cujo vlaor de entrada foi de 6,5 g/dl. O paciente recebeu cuidados emergenciais e estabilização hemodinâmica, realizando tomografia computadorizada (TC) abdominal, a qual evidenciou hematoma subscapsular hepático com sinais de sangramento ativo em topografia do polo superior renal direito, optado por realizar ultrassonografia, a qual evidenciou lesão no rim direito, de etiologia vascular e com fluxo ao Doppler, levantando-se então a possibilidade de um pseudoaneurisma e sugerindo-se complementação diagnóstica com arteriografia. A arteriografia evidenciou imagem de pseudoaneurisma em ramo arterial distal renal, seguindo-se de seletivação do ramo nutridor e embolização com gelfoam. O paciente seguiu durante a internação com melhora clínica e HB de 10,1 g/dl, recebendo alta hospitalar.
Discussão resumida: O pseudoaneurisma da artéria renal (PAR) é uma complicação vascular rara, a qual está associada etio¬logicamente com nefrectomia parcial, procedimentos percutâneos, biópsia renal, trauma penetrante e, mais raramente, trauma contuso. Dentre as causas, as traumáticas ou iatrogênicas são as mais frequentes. Para o diagnóstico dessa lesão vascular, há vários exames complementares disponíveis como a ultrasso¬nografia com Doppler, arteriografia, angiotomografia, cintilografia renal e a ressonância magnética. O tratamento do pseudoaneurisma pode ser cirúr¬gico ou conservador, dependendo do quadro clínico do paciente. A nefrectomia e a cirurgia vascular aber¬ta são indicadas em pseudoaneurismas maiores que 2 cm ou quando associados a complicações como he-morragias severas e hipertensão renovascular. O tratamento de eleição para a maioria dos ca¬sos é conservador, através da embolização arterial, indicada para aqueles de menores dimensões em pa¬cientes estáveis hemodinamicamente.

A mucocele do apêndice é um termo utilizado para descrever o acúmulo de secreção mucoide que resulta na dilatação do apêndice, secundária a neoplasia ou não. É uma doença rara, presente em 0,2-0,7% das apendicectomias, com discreta preferência por mulheres de meia idade.
O presente estudo objetiva demonstrar um caso de mucocele do apêndice, seus achados e a importância dos estudos seccionais neste diagnóstico.
Mulher, 49 anos, procura clínica em Goiânia com queixa de dor pélvica à direita nos últimos 6 meses. Nega outros sintomas associados. Realizou ultrassonografia endovaginal em outro serviço que sugeriu neoplasia ovariana. Foi solicitado inicialmente Ressonância magnética da pelve para avaliação da suspeita, observando-se lesão expansiva alongada em região anexial direita, de paredes levemente espessadas e com projeções sólidas. Prosseguiu-se investigação com tomografia computadorizada, ressaltando-se entre os achados as calcificações parietais e a topografia da lesão em situação pericecal, sendo ainda visualizados ambos os ovários. Sugeriu-se então o diagnóstico de mucocele do apêndice, confirmado pelo estudo histopatológico, importante também na exclusão de malignidade.
Os subtipos histológicos podem ser divididos em não neoplásicos (mucocele simples e hiperplasia da mucosa) e neoplásicos (cistadenoma mucinoso e cistadenocarcinoma mucinoso). Os pacientes podem ou não manifestar dor abdominal ou ter massa palpável no quadrante inferior direito, sendo o diagnóstico muitas vezes incidental.
Aos exames de imagem, apresenta-se como uma formação cística, circunscrita, esférica ou tubular, contígua à base cecal. As calcificações parietais, quando presentes, sugerem o diagnóstico. O sinal em T1 varia de acordo com a quantidade de mucina, já em T2, permanece hiperintenso.
Além da apendicite, lesões de órgãos adjacentes podem ser incluídas entre os diagnósticos diferenciais: hidrossalpingite, lesão ovariana, cisto mesentérico e outras. A maioria dos casos tem o diagnóstico intra-operatório, mas os exames de imagem, especialmente a tomografia computadorizada, podem confirmar o diagnóstico e auxiliar na escolha do método cirúrgico. A exérese da lesão é importante para excluir malignidade e evitar complicações, sendo a ruptura a mais temida pelo risco de evoluir com pseudomixoma peritoneal.
Apesar de sua raridade, os exames de imagem são relevantes no diagnóstico e contribuem na escolha do método cirúrgico, reduzindo o risco de complicações.

A infecção pelo SARS-CoV-2, responsável pela pandemia da COVID-19, teve grande impacto na saúde pública mundial. Os casos costumam ser brandos, mas minoria pode evoluir com síndrome respiratória aguda grave (SRAG). O diagnóstico etiológico é feito pela detecção viral por reação em cadeia pela polimerase ou por testes antigênicos. A tomografia computadorizada (TC) em alta resolução tem sido uma ferramenta importante para auxiliar no diagnóstico de pacientes com COVID-19 e no seguimento de pacientes potencialmente graves. O estudo objetiva relatar um achado tomográfico atípico, ainda pouco descrito, da pneumonia pela COVID-19. Homem, 38 anos, hígido, não tabagista, iniciou quadro de febre alta e coriza, evoluindo com dispneia progressiva, e PCR para SARS-Cov-2 detectável no 8° dia de doença. No 11° dia de sintomas, apresentou piora clínica, sendo então realizada TC do tórax: múltiplas opacidades “em vidro fosco” difusamente distribuídas, notadamente subpleurais, com espessamento liso dos septos inter/intralobulares, configurando padrão de pavimentação em mosaico, além de estrias atelectásicas de permeio. Após dias em ventilação não invasiva intermitente e pronação evolui para intubação orotraqueal e posterior traqueostomia. Dias após a extubação, apresentou dispnéia, taquicardia e dessaturação súbitas, sendo realizada nova TC de tórax que mostrou várias bolhas subpleurais e peribroncovasculares nos ápices pulmonares, redução do volume pulmonar e do infiltrado em “vidro fosco”; presença de reticulações grosseiras e alguns focos consolidativos nas bases. As alterações tomográficas da pneumonia pela COVID-19, apesar de não específicas, podem sugerir o tempo evolutivo e contribuir para o diagnóstico. Os achados mais comuns são: opacidades em vidro fosco, achados precoces e quando associados ao espessamento liso dos septos inter e intralobulares determinam o padrão de pavimentação em mosaico, e consolidação, já em fases mais tardias. O sinal do halo invertido, linhas subpleurais, derrame pleural, entre outros, são menos frequentes. Alterações pulmonares císticas e bolhosas foram descritas em poucos casos e sua causa ainda permanece incerta, embora alguns autores sugiram que possam estar relacionadas ao dano alveolar pela infecção pelo SARS-CoV-2 ou ainda, resultem de infecções secundárias, ou mesmo por manejo equivocado da ventilação mecânica. Esses achados têm grande implicação clínica e prognóstica, sendo fundamental o seu conhecimento pelos radiologistas.

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