INTRODUÇÃO: O pulmão é o segundo sítio mais comum das neoplasias neuroendócrinas, depois do trato gastrointestinal. As lesões pulmonares neuroendócrinas possuem um espectro crescente de malignidade: lesões proliferativas benignas, lesões pré-invasivas e neoplasias malignas com comportamento biológico variável. As características clássicas de imagem devem ser reconhecidas pelo radiologista, facilitando o seu diagnóstico e tratamento precoce. OBJETIVO: O objetivo deste trabalho é ilustrar os espectros das lesões neuroendócrinas no pulmão, utilizando como método de imagem a tomografia computadorizada do tórax (TC) e o tomografia por emissão de pósitrons (PET). MÉTODO: Foram selecionados casos didáticos e bem documentados de um centro hospitalar de alta complexidade. DISCUSSÃO: As células neuroendócrinas pulmonares estão presentes na mucosa do epitélio broncopulmonar e podem sofrer uma variedade de proliferações, determinando espectros de lesões proliferativas não neoplásicas e neoplásicas. A hiperplasia de células neuroendócrinas idiopáticas difusas (DIPNECH), incluindo o tumorlet carcinoide, podem ser consideradas como lesões pré-invasivas, que, em geral, manifestam-se como micronódulos pulmonares bilaterais e aprisionamento aéreo à expiração na TC. No espectro das neoplasias malignas neuroendócrinas, os tumores carcinoides podem ser típicos ou atípicos, sendo os típicos mais comuns e menos agressivos, estando o atípico mais relacionado a metástases. Apresentam características de imagens semelhantes e, em geral, manifestam-se como nódulos ou massas pulmonares, que costumam estar intimamente relacionados aos brônquios centrais, podendo exibir calcificação intrínseca e geralmente apresentando realce intenso pelo meio de contraste na TC. Costumam exibir intensa captação no PET com análogo da somatostatina marcado com isótopo radioativo (DOTA peptídeo-Ga68). O carcinoma neuroendócrino de células grandes é raro e tem apresentação de imagem variável. Porém, a maioria se apresenta como nódulo ou massa periférica. O câncer de pulmão neuroendócrino de células pequenas é mais comum e costuma se manifestar como massa central, frequentemente com invasão local, linfadenopatia e metástases à distância. CONCLUSÃO: Há várias manifestações de imagem das lesões neuroendócrinas pulmonares e o radiologista geral deve estar familiarizado com sua apresentação, para ser capaz de identificar proliferações celulares não neoplásicas e distingui-las das agressivas.

INTRODUÇÃO:
O uso da ressonância magnética está cada vez mais disponível e em algumas situações este método pode auxiliar na avaliação de algumas emergências da pelve feminina. Por isso, é importante diagnosticar corretamente as emergências pélvicas, pois o erro na sua identificação pode levar a uma cirurgia desnecessária ou atrasar o tratamento adequado.
OBJETIVOS:
- Revisar a anatomia da pelve feminina na ressonância magnética
- Ilustrar os principais achados de imagem na ressonância magnética da pelve feminina na emergência
- Discutir o papel do radiologista na tomada de decisão entre o manejo clínico ou cirúrgico
MÉTODO:
Após revisão dos casos de emergências na ressonância da pelve feminina do nosso arquivo digital, foram selecionados os mais didáticos para ilustrar este ensaio iconográfico. Realizamos uma revisão do quadro clínico, principais achados de imagem e manejo terapêutico. Dentre os casos apresentados destacamos as doenças inflamatória pélvica, com casos de endometrite, abscesso tubo-ovariano e síndrome de Fitz-Hugh-Curtis, torção anexial, gestação ectópica, edema ovariano maciço, ruptura de teratoma, dentre outros. Discutimos o papel do radiologista na tomada de decisão no tratamento de emergência, exemplificando quais informações são relevantes. Resumimos em um guia prático para identificar achados radiológicos e respectivas propostas terapêuticas.
CONCLUSÃO:
A ressonância magnética pode auxiliar na identificação de patologias que não são bem explicadas nos outros métodos de imagem, especialmente nas lesões que apresentam gordura através das técnicas de supressão de gordura e "chemical shift". Permite também melhor avaliação anatômica das doenças uterinas e anexiais.

Introdução: O complexo da esclerose tuberosa (CET) é uma desordem genética associada a lesões em múltiplos órgãos, tais como coração, tegumento, esqueleto e sistema nervoso central (SNC). Cerca de 90% dos pacientes apresentam lesões supratentoriais (túberes corticais e subcorticais), frequentemente estáveis e associadas a convulsões e alterações do desenvolvimento. O acometimento infratentorial, por sua vez, ocorre em cerca de 30 a 40% dos pacientes pediátricos, está mais associado à presença de túberes e tende a sofrer algum tipo de alteração com o tempo em até 46% dos casos. Atrofia cerebelar focal distrófica e hipoplasia cerebelar parcial ou total constituem outras lesões infratentoriais já relatadas. A associação entre lesões infratentoriais e um fenótipo clínico mais severo do CET, com maior porcentagem de mutação do gene TSC2, ainda não foi amplamente esclarecida. Entretanto, sabe-se que as lesões cerebelares raramente ocorrem na ausência de túberes supratentoriais e sua presença associa-se, portanto, a uma maior carga de lesões. O objetivo deste ensaio é apresentar os padrões de imagem e a evolução do acometimento cerebelar em crianças com diagnóstico definitivo de esclerose tuberosa.
Descrição: Túberes cerebelares apresentam-se predominantemente em forma de cunha ou banda e tendem a poupar o vermis e as regiões mediais dos hemisférios cerebelares, inferindo um provável mecanismo metabólico-vascular associado à sua patogênese. São geralmente hiperintensos em T2 e hipo/isointensos em T1. Na literatura, nota-se maior probabilidade de realce ao meio de contraste se comparados aos túberes corticais, além de altos valores de ADC. Ademais, tendem a calcificar com mais frequência, o que possivelmente representa o estágio final da organização neuronal anômala e gliose evidenciados na histopatologia. A alta frequência de calcificação e retração dos túberes contribuem com a presença de atrofia das folias, demonstrada nas imagens radiológicas e na histologia. São necessários estudos adicionais para elucidação do papel dos túberes cerebelares no fenótipo das manifestações clínicas da CET.

INTRODUÇÃO:
A doença de Crohn é uma doença crônica e incapacitante que com o tempo pode causar danos irreversíveis ao intestino. Seu tratamento é baseado na colaboração multidiciplinar entre diferentes especialidades, incluindo a do radiologista que auxilia na identificação, extensão, complicações e resposta ao tratamento, sendo fundamental no manejo da doença. A enterorressonância é valiosa no acompanhamento da doença auxiliando na identificação de possíveis danos, permitindo abordagem terapêutica dirigida que potencialmente pode alterar o curso da doença de Crohn.
OBJETIVOS:
- Sintetizar e ilustrar os achados de imagem da doença de Crohn na enterorressonância.
- Revisar as principais recomendações atuais no diagnóstico e avaliação de resposta na doença de Crohn.
- Discutir as principais opções terapêuticas e o papel da radiologia no manejo clínico e cirúrgico.
MÉTODO:
Após revisão dos casos de doença de Crohn do nosso arquivo digital, foram selecionados os mais didáticos para ilustrar este ensaio iconográfico. Realizamos uma revisão dos principais consensos e diretrizes, sintetizando as principais recomendações de nomenclatura, achados de imagem e manejo terapêutico. Resumimos em um guia prático para identificar achados radiológicos e respectivas propostas terapêuticas.
CONCLUSÃO:
A enterorressonância desempenha um importante papel na avaliação das manifestações luminais, transmurais e extra-intestinais da doença de Crohn, como grau de atividade da doença, presença de patologia luminal e manifestações extra-intestinais, auxiliando na otimização do tratamento.

Objetivos: 1-Descrever diversos casos de complicações neurológicas da Covid-19 em três centros universitários; 2-Demonstrar os principais achados de imagem; 3-Revisão da literatura.
Discussão/conclusão: Pacientes com COVID-19 grave apresentam uma ampla gama de padrões neurorradiológicos. As alterações mais comuns incluem hiperintensidades de sinal em FLAIR e na difusão no lobo temporal, hiperintensidades de sinal em FLAIR multifocais e lesões hiperintensas na substância branca na difusão associadas a lesões hemorrágicas e extensas microhemorragias isoladas de substância branca. No entanto, complicações neurológicas incomuns de COVID-19 foram descritas envolvendo gânglios basais bilaterais que deve ser considerado no raciocínio do diagnóstico diferencial. Terminologias distintas são descritas, como leucoencefalite hemorrágica aguda (AHLE), encefalite necrosante aguda (ANE) e leucoencefalopatia aguda disseminada necrosante associada a vírus (VANDAL) . Uma alta suspeita clínica é necessária para considerar essas patologias, uma vez que raramente são descrito na literatura.

A interrupção proximal da artéria pulmonar (IPAP) é uma anomalia de desenvolvimento rara, que resulta do subdesenvolvimento de uma das artérias pulmonares, com sua atresia ou ausência. A apresentação clínica é variada e, em muitos casos, assintomática por anos, apresentando-se como achado incidental e tardio nos exames de imagem. A importância de ilustrar os achados de imagem dessa anomalia e revisar seus aspectos pouco habituais é fundamental para a abordagem dos pacientes, ressaltando o papel de importância do radiologista neste cenário.
A anomalia foi relatada pela primeira vez por Doring em 1914, tem prevalência estimada de cerca de 1: 200.000 adultos jovens. A anormalidade pode ocorrer em qualquer um dos lados, no entanto, é mais comum à direita; a artéria pulmonar interrompida tende a ocorrer do lado oposto ao do arco aórtico. Os sintomas mais frequentes são dispneia progressiva com tolerância reduzida ao exercício, dor torácica e infecções recorrentes. O diagnóstico pode ser feito com tomografia computadorizada e angiografia pulmonar por ressonância magnética. Dentre os achados de imagem, hipoplasia parenquimatosa ipsilateral, grau variável de opacidades reticulares finas, desvio ipsilateral do mediastino e elevação hemidiafragmática. A hiperinsuflação do pulmão contralateral, que adentra o hemitórax oposto, ajuda na compensação respiratória. Um importante diagnóstico diferencial apresentando é a hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC), que pode simular a IPAP, uma vez que a oclusão trombótica de uma artéria pulmonar central pode ter aspecto de imagem semelhante, devendo-se avaliar os achados associados característicos desta outra entidade. O diagnóstico correto é importante, pois envolve abordagens terapêuticas diferentes. Muitos pacientes com IPAP isolado podem ser tratados de forma conservadora. Hemorragia pulmonar inicial ou recorrente pode ser tratada com embolização transarterial, e a pneumonectomia pode ser necessária como tratamento definitivo em casos de hemorragia intratável. A revisão sistemática do mediastino e análise cuidadosa da circulação pulmonar deve fazer parte do checklist de avaliação em todo exame do tórax.

A ressonância magnética das mamas apresenta alta sensibilidade na detecção de câncer de mama. Possui papel importante no rastreio de pacientes de alto risco e tem sido utilizada como método para orientação de biópsias percutâneas quando os achados são suspeitos e não apresentam correlação com os exames de mamografia e ultrassonografia das mamas. Neste trabalho, analisamos retrospectivamente os achados de imagem das biópsias das mamas guiadas por ressonância magnética no nosso serviço e sua correlação com a patologia objetivando demonstrar também os achados preditores de malignidade. Dentre os casos selecionados no período de 12 meses, 30% tiveram malignidade comprovada e apresentavam como achados na ressonância magnética realces não nodulares lineares, sendo todos diagnosticados como carcinomas in situ.

As lesões de Morel-Lavallée consistem em uma coleção localizada entre o tecido celular subcutâneo e a fáscia profunda, decorrente de uma lesão em cisalhamento consequente a trauma. Esse acometimento é classicamente descrito na coxa, porém também pode ser observado em outras regiões, como periescapular, lombar, glútea, tornozelos e joelhos. Resulta de uma separação traumática causada pela avulsão violenta e rápida da pele sobre a fáscia, causando uma descontinuidade entre a porção profunda do tecido conjuntivo da fáscia muscular subjacente, que lesiona os vasos perfurantes. O espaço criado é preenchido por sangue, linfa e focos de gordura, algumas vezes necróticos, podendo eventualmente ser colonizado por agentes infecciosos. O líquido hemolinfático é circundado por tecido granuloso, podendo resultar na formação de pseudocápsula fibrosa, causando a persistência das coleções. A ressonância magnética (RM) é o melhor método para caracterizar a lesão, que pode demonstrar cápsula fibrótica de baixo sinal em todas as sequências, septações e intensidade de sinal interna variável, a depender da presença e da proporção dos componentes gorduroso, linfático, hemático e debris, bem como do tempo de evolução. A conduta terapêutica varia conforme o tamanho e a característica da lesão, podendo ser desde conservadora até cirúrgica. No presente trabalho, objetiva-se relatar 10 casos de Morel-Lavallée, demonstrando seus diferentes aspectos à imagem por RM. Desta amostra, são 3 pacientes do sexo feminino e 7 do sexo masculino, com idades variadas entre 22 e 83 anos. As regiões acometidas foram joelho, quadril, coxa e pé. É importante que o radiologista conheça as alterações de imagem nas diversas fases da lesão, de forma a auxiliar no diagnóstico precoce e tratamento adequado.

A adenomiose é definida como a presença de glândulas endometriais ectópicas e estroma dentro do miométrio. É uma doença do miométrio interno e resulta da infiltração do endométrio basal no miométrio subjacente. A ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética são as principais modalidades de imagem para o diagnóstico dessa doença. A assimetria da espessura das paredes uterinas, cistos intra miometriais, ilhas hiperecogênicas intra miometriais, miométrio com sombreamento em formato de leque, sinais de interrupção da zona juncional são os achados ultrassonográficos mais frequente para estabelecer a presença de adenomiose. A adenomiose pode aparecer como uma forma difusa ou focal. Neste artigo foram ilustrados os achados ultrassonográficos de adenomiose com o objetivo de difundir a importância desses sinais para o diagnóstico dessa doença.
Palavras-chave: Adenomiose difusa; Adenomiose focal; Adenomiose; Ultrassonografia transvaginal; miométrio.
Adenomyosis is defined as the presence of ectopic endometrial glands and stroma within the myometrium. It is a disease of the inner myometrium and results from infiltration of the basal endometrium into the underlying myometrium. Transvaginal ultrasound and magnetic resonance imaging are the main imaging modalities for the diagnosis of this disease. The asymmetry of the thickness of the uterine walls, intramiometrial cysts, hyperechogenic intramiometrial islands, myometrium with a shading fan shape, signs of interruption of the junctional zone are the most frequent ultrasound findings to establish the presence of adenomyosis. Adenomyosis can appear as a diffuse or focal form. In this article, ultrasound findings of adenomyosis were illustrated in order to disseminate the importance of these signs for the diagnosis of this disease.
Keywords: Diffuse adenomyosis; Focal adenomyosis; Adenomyosis; Transvaginal ultrasound; myometrium.

Uterine fibroids are the most common tumors found in the female genital tract. Submucosal fibroids are the ones that most frequently cause menorrhagia and infertility. In these cases, hysteroscopic myomectomy is a therapeutic option for patients with abnormal uterine bleeding and/or infertility where there is a need to cause as little myometrial damage as possible. In 2005, Lasmar et al. published an article on a new classification for the description of submucosal fibroids seen by hysteroscopy. However, submucosal fibroids can be well evaluated on transvaginal ultrasonography and demonstrated in exam illustrations. To show how the assessment of the STEP-W classification for submucosal fibroids can be included in the transvaginal ultrasound examination. Step-by-step demonstration of ultrasound assessment for submucous fibroids in transvaginal ultrasound following the approach recommended by the LASMAR / STEP-W scoring system for submucous fibroids. An ultrasound description of submucosal fibroids was demonstrated according to the STEP-W classification (size, topography, extent, penetration, and wall). The STEP-W classification of submucosal fibroids can be described using transvaginal ultrasound; in addition, it allows a better prediction of hysteroscopic myomectomy.

A introdução dos meios de contraste hepatoespecíficos (MDCH) trouxe avanços importantes na avaliação radiológica do fígado por ressonância magnética, sobretudo no contexto de avaliação de lesões hepáticas focais. No Brasil, foi aprovado inicialmente o uso do ácido gadoxético (Gd-EOB-DTPA/Primovist), há quase uma década. Recentemente, foi autorizado o uso comercial de outro MDCH no país, o gadobenato de dimeglumina (Gd-BOPTA/MultiHance).
Embora ambos sejam contrastes de ação mista, ou seja, extra e intracelular, estes dois agentes hepatoespecíficos possuem propriedades farmacológicas um pouco diferentes. O Gd-BOPTA apresenta uma taxa de excreção hepatobiliar aproximadamente dez vezes menor quando comparado ao Gd-EOB-DTPA, de forma que o tempo necessário para se adquirir a fase hepatobiliar na ressonância magnética com o Gd-BOPTA é significativamente maior, uma característica que pode ser considerada uma desvantagem na prática clínica. Nesse mesmo sentido, a maior taxa de excreção hepatobiliar pelo Gd-EOB-DTPA faz com que a fase hepatobiliar deste agente seja mais vigorosa, com maior realce do parênquima hepático quando comparado ao Gd-BOPTA.
Outro aspecto que merece destaque é o fato da relaxatividade do Gd-BOPTA ser maior, promovendo um maior encurtamento do tempo T1 e por consequência um realce mais vigoroso na fase arterial. Além disso, o fenômeno de dispneia transitória provocando artefatos durante a fase arterial, observado com alguma frequência com o uso do Gd-EOB-DTPA, é significativamente menos comum com o Gd-BOPTA. Tais particularidades são importantes fatores a serem considerados na avaliação de lesões hepáticas focais (LHFs) e que eventualmente podem influenciar na escolha de um determinado MDCH.
No entanto, apesar destas diferenças, as LHFs mais comuns apresentam comportamento de impregnação bastante semelhante nas diversas fases temporais ao se utilizar os dois MDCHs. Por outro lado, algumas peculiaridades devem ser conhecidas, para se evitar interpretações equivocadas.
Este ensaio pictórico aborda as diferenças e semelhanças entre esses dois agentes hepatoespecíficos, descrevendo princípios técnicos, vantagens e limitações de cada um e os aspectos radiológicos das principais LHFs avaliadas por ressonância magnética.

RESUMO
A catarata é a causa mais comum de cegueira tratável em todo o mundo. Ocorre quando o cristalino perde sua capacidade para absorver raios de luz, e pode levar a uma diminuição na acuidade visual. É fundamental organizar as cataratas em classificações reconhecidas para proporcionar uma estratégia cirúrgica mais assertiva e com maior segurança para o paciente. Sendo assim, uma classificação da catarata correlacionando os aspectos morfológicos do cristalino com os achados ultrassonográficos ao modo B proporcionará um método objetivo, de baixo custo, fácil execução, com boa disponibilidade e possibilitando uma melhor avaliação pré-operatória. Neste estudo, o objetivo foi ilustrar a classificação de catarata baseado nos achados da ultrassonográficos ao modo B e a morfologia do cristalino.

O Mieloma Múltiplo é causado pela infiltração e proliferação de células plasmáticas monoclonais malignas, principalmente na medula óssea. É o segundo câncer hematológico mais comum e neoplasia óssea maligna primária mais frequente em adultos.
As principais manifestações do Mieloma Múltiplo receberam a sigla CRAB e ocorrem, principalmente, devido a infiltração de células plasmáticas monoclonais malignas provenientes da medula óssea: hipercalcemia (C) e destruição óssea (B), devido a um hiperativação de osteoclastos; insuficiência renal, principalmente causado por cadeias leves monoclonais que afetam os rins (R); e anemia (A).
De todos os pacientes com Mieloma Múltiplo, 80-90% desenvolvem doença óssea, sendo a vértebra, o local mais comum. A detecção de lesões ósseas e da medula óssea é crucial na investigação do Mieloma Múltiplo e muitas vezes dita a decisão de iniciar o tratamento.
Para detecção das lesões, a pesquisa esquelética com radiografias convencionais, embora a técnica mais disseminada devido menor custo e maior facilidade, tem menor sensibilidade em relação aos outros métodos de imagem. Atualmente a ênfase maior é por meio da Tomografia computadorizada de corpo inteiro em baixa dose, o PET / CT e Ressonância Magnética de corpo inteiro, fornecendo a oportunidade não apenas para determinar a destruição óssea, mas também para avaliar a carga tumoral e a doença em atividade.
O objetivo deste estudo é apresentar as formas mais frequentes de apresentação do Mieloma Múltiplo, seus mais recentes métodos de avaliação por imagem, e deste modo, atentar como diagnóstico diferencial na rotina radiológica.

Introdução Íleo biliar é uma complicação rara da colecistolitíase. Em vigência do processo inflamatório da colecistite aguda calculosa, a mucosa biliar em contato com alça de delgado pode apresentar isquemia e, consequentemente, necrose, formando uma fístula entre a vesícula biliar e o intestino delgado, mais frequentemente com duodeno (fístula colecistoentérica). A migração do cálculo biliar para a luz intestinal pode causar uma obstrução mecânica, especialmente quando os cálculos são maiores que 2-3cm. O local mais comum de impactação dos cálculos é o íleo distal, próximo a válvula ileocecal, seguido pelo íleo proximal e jejuno. Quando a impactação do cálculo biliar acontece no piloro ou duodeno proximal podemos nos referir como síndrome de Bouveret. Há maior prevalência em mulheres e em idosos, representando 1 a 4% das causas de obstrução intestinal mecânica e com mortalidade estimada em 12 a 27%. Objetivo Descrever os principais achados de imagem em radiografia, ultrassom (USG) e nos métodos seccionais, como tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RNM), além de fazer correlação cirúrgica. A importância da interpretação clínica, do conhecimento da doença e o reconhecimento dos achados de imagens são fundamentais para o tratamento específico e para um bom prognóstico com redução da morbimortalidade.Descrição do material apresentado A demonstração nos exames de imagens deve-se aos seguintes achados: 1.Conteúdo gasoso nas vias biliares (pneumobilia). A vesícula biliar repleta de gás é facilmente identificada na TC e tem avaliação limitada no USG e RNM. 2.Distensão de alças de delgado com nível hidroaéreo e afilamento abrupto do calibre, na maioria das vezes no quadrante inferior do abdome, inferindo padrão de oclusão intestinal. 3.Cálculo biliar ectópico, mais comumente localizado na fossa ilíaca direita. Identificado como imagem cálcica na radiografia e na TC intraluminal no ponto de obstrução intestinal. 4.As fístulas colecistoentéricas são melhores e mais facilmente caracterizadas na RNM. Na TC são presumidas pelo conjunto dos achados descritos e pela ausência de clivagem entre a vesícula e o respectivo segmento de delgado que estarão envolvidos pelo processo inflamatório. 5.Aerobilia, obstrução intestinal e cálculo biliar ectópico formam a tríade de Rigler. Palavras-Chave íleo biliar, pneumobilia, fístulas colecistoentéricas, cálculo biliar ectópico, Síndrome de Bouveret

A fibromatose plantar é definida como um distúrbio fibroso benigno que envolve a aponeurose plantar. No início de 1800, foi realizada a primeira descrição da fibromatose na mão, creditada a Guillaume Dupuytren, cirurgião francês. Em 1897, Ledderhose descreveu achados semelhantes aos descritos por Dupuytren, nos pés.
Embora sua etiologia seja desconhecia e tema de debate, esta entidade tem sido mais frequentemente descrita em paciente com diabetes, baixo peso corporal, epilepsia e alcoolismo. Também pode ser familiar. É caracterizada por um distúrbio proliferativo de fibroblastos maduros, podendo ocorrer desde a primeira infância até a idade adulta.
Os fibromas plantares são bem definidos e mais comumente identificados na região média ou central da fáscia plantar. Geralmente são assintomáticos, mas quando presentes na banda medial, podem produzir compressão do próprio ramo digital. Eles podem ser únicos ou múltiplos e tornar-se maiores com o tempo. A deformidade em flexão dos dedos dos pés geralmente não são vistas, a menos que os deslizamentos dos dedos dos pés estejam envolvidos.
O diagnóstico por imagem normalmente é feito por ultrassonografia convencional ou ressonância magnética. Usualmente, a fibromatose plantar pode ser vista como um espessamento hipoecogênico, fusiforme, discreto e multinodular da fáscia plantar, localizado separadamente da inserção do tendão calcâneo sendo que a maioria (90%) não demonstra vascularização intrínseca ao Doppler.
O diagnóstico diferencial de uma massa nessa topografia deve incluir fasciíte plantar, lesão de linhagem neurogênica como neurofibroma ou schwannoma e lesões neoplásicas benignas ou malignas como o leiomioma, lipossarcoma e rabdomiossarcoma. A correlação clínico, radiológica e, em alguns casos histopatológica, auxiliam no diferencial.
Os equipamentos de USAF, que possuem transdutores com frequência superior a 20MHz, tem baixa penetração do feixe acústico e alta resolução espacial, favorecendo a visualização de estruturas superficiais. Nos casos de fibromatose plantar, a USAF permite uma melhor caracterização da fáscia plantar e das áreas de espessamento, em relação à ultrassonografia convencional, permitindo um diagnóstico mais preciso.
Nesse contexto, o diagnóstico preciso se torna importante, pois as lesões da fibromatose plantar geralmente respondem bem ao tratamento não cirúrgico, com a excisão cirúrgica muitas vezes levando à recorrência ou a morbidade no longo prazo.

As tecnologias de impressão 3D possuem mais de 30 anos de patente! Na primeira década do século XXI elas assumiram um posicionamento disruptivo em decorrência das quebras de patente. Atualmente temos diferentes tipos de impressoras e de tecnologias utilizadas, sendo que a Modelagem de Deposição (FDM) e a Estereolitografia (SLA) estão extremamente popularizadas. A ultrassonografia obstétrica constitui um momento impar no acompanhamento pré-natal, porém, a sua complexidade o torna pouco compreensível para a maioria das gestantes. Nesse contexto, a ultrassonografia 3D oferece a oportunidade de melhor compreensão das imagens, aumentando a conexão afetiva da gestante, sobretudo nas pacientes com baixa acuidade visual. As imagens 3D têm sido cada vez mais incorporadas à rotina do exame obstétrico. O processo de aquisição destas imagens também é atualmente mais simples. Por conseguinte, os processos de conversão das imagens adquiridas, desde o processo de segmentação até a modelagem, e impressão em material volumétrico físico, também fora muito simplificados, com os avanços tecnológicos dos aparelhos de US e de software e hardware das impressoras 3D. A consonância de todos esses processos permitiu o acesso fácil de médicos e clínicas à impressão dos seus exames em 3D. Uma das grandes dificuldades é que a maioria dos fabricantes dos aparelhos de ultrassonografia não disponibiliza as imagens pós-processadas em arquivos volumétricos. A grande maioria permite a aquisição de fotos individuais das imagens 3D pós-processadas, ou disponibiliza a sequência em modo B que foi utilizada. O objetivo desse trabalho é ensinar como realizar a impressão 3D na dependência apenas da sequência em modo B, partindo de um fluxograma bem simples e utilizando softwares de fácil acesso e intuitivos. Foram utilizadas apenas as imagens no modo B de um exame obstétrico, de uma gestação de segundo trimestre (22 semanas) e com interface amniótica pobre, sendo uma condição mais desafiadora, para demostrar passo a passo como obter um arquivo de impressão .STL, o qual é reconhecido pela grande maioria das impressoras 3D. O fluxograma foi definido com duas opções de software para segmentação e duas para correção da malha/arquivo volumétrico, sempre um deles sendo de código aberto e multiplataforma em cada etapa. Também foram utilizados dois diferentes tipos de fatiadoras/Slicers para demonstrar a impressão do modelo com tecnologia FMD e SLA.

Introdução: A endometriose consiste na presença de tecido endometrial glandular e/ou estromal além dos limites uterinos. Embora o padrão-ouro continue sendo a laparoscopia diagnóstica, os métodos de imagem são cada vez mais usados para detectar e avaliar a extensão da doença, destacando-se entre eles a ressonância magnética (RM). Este trabalho tem como objetivo reunir casos ilustrativos de RM pélvica a fim de familiarizar o radiologista inexperiente a reconhecer suas manifestações por imagem. Casos ilustrativos de nosso departamento foram coletados e classificados de acordo com seus padrões. O mapeamento das lesões é fundamental para a escolha da melhor opção terapêutica e para o planejamento cirúrgico adequado.
Descrição: A endometriose é uma doença ginecológica polimórfica e apresenta-se através de sua forma superficial, gonadal e profunda. As estruturas anatômicas mais comprometidas pela doença profunda são em ordem decrescente de frequência: a região retrocervical (tórus uterino e ligamentos uterossacros); o retossigmoide; a vagina e a bexiga. As manifestações por imagem variam conforme a estrutura acometida e as lesões infiltrativas podem ser planas (“em manto”), nodulariformes e/ou arciformes. Os endometriomas apresentam-se como formações císticas, podendo ser bilaterais em 50% dos casos e usualmente exibem características típicas, destacando-se o sombreamento (“shading”). A identificação de distorção arquitetural, com deslocamento das estruturas pélvicas, o grau de comprometimento e invasão dos órgãos adjacentes auxilia na graduação de severidade da doença.

A radioterapia pélvica, para tratamento de neoplasias malignas, como de carcinoma da próstata, reto, bexiga ou colo do útero podem evoluir com lesões em estruturas e tecidos loco-regionais previamente sadios provocando endarterite obliterante, com isquemia tissular e desenvolvimento de lesões actínicas. A gravidade e acometimento secundário são diretamente proporcional à dose, volume, número de frações e tempo entre as sessões de radioterapia. Tem se observado cada vez mais com o emprego da radioterapia pélvica e consequentemente o aumento da incidência de lesões actínicas agudas ou crônicas retais, vesicais, para outros órgãos pélvicos, estruturas ósseas, musculares, tecido subcutâneo, podendo gerar até fístulas e estenoses. É imprescindível que o médico radiologista tenha a habilidade técnica para identificar tais alterações e diferenciá-las de outras entidades patológicas. O objetivo do trabalho é apresentar variadas formas de alterações actínicas da região pélvica, identificadas em nosso serviço.

Dados as poucas imagens e artigos atualizados sobre este método, faz-se necessário uma atualização com imagens mais bem definidas realçando a importância deste exame para mulheres que procuram entender e consequentemente tratar o motivo da infertilidade. a infertilidade é definida como a incapacidade de engravidar após um ano de relações sexuais regulares desprotegidas. Atualmente 20% dos casais são inférteis, sendo 40% causas femininas; A histerossalpingografia é um exame realizado por meio de injeção de contraste iodado para visualização da cavidade uterina e das trompas. A radiologia desempenha papel fundamental na identificação da infertilidade identificando possíveis causas como Anormalidades da trompa de falópio, oclusão tubária, salpingite ístmica nodosa, hidrossalpinge, aderências, anormalidades uterinas como miomas uterinos submucosos, pólipos endometriais, adenomiose, anomalias do ducto mülleriana, além de alterações pós laqueadura e/ou salpingectomia. Múltiplas modalidades de imagem estão disponíveis para investigar as causas da infertilidade. A investigação inicial com histerossalpingografia é útil na identificação de uma causa específica ou na demonstração de características que podem direcionar o uso adequado de outras modalidades de imagem. Este ensaio iconográfico tem como objetivo relembrar a importância dessas imagens e o impacto da realização da histerossalpingografia na vida das mulheres.

As síndromes abdominais de compressão vascular compreendem um grupo de distúrbios incomuns, onde as estruturas vasculares podem exercer papel de "comprimido" ou de "compressor", com a compressão de um vaso ocorrendo por estruturas anatômicas ou a compressão dessas estruturas ocorrendo por vasos adjacentes. Frequentemente são um desafio diagnóstico, visto que pacientes apresentam sintomas inespecíficos, configurando aos exames de imagem papel importante neste cenário. É imprescindível, portanto, para o radiologista o reconhecimento dos achados de imagem e a correlação com os dados clínicos para o auxílio no diagnóstico precoce desses distúrbios. O objetivo deste ensaio é revisitar tais achados com casos ilustrativos.
Dentre os principais distúrbios, foram destacados os seguintes. A síndrome do ligamento arqueado mediano envolve a compressão da porção proximal do tronco celíaco por esta estrutura, geralmente relacionada à origem mais cranial do tronco celíaco ou uma posição mais caudal do ligamento. Classicamente, essa compressão aumenta durante a expiração, e outros achados como dilatação pós-estenótica e compensação hemodinâmica com a formação de circulação colateral podem ser encontrados. A síndrome de Nutcracker, também chamada de quebra-nozes, consiste no fenômeno de compressão da veia renal esquerda, sendo subdividida em anterior e posterior. Na síndrome de Nutcracker clássica ou anterior, ​​a artéria mesentérica superior e aorta funcionam como um verdadeiro instrumento de compressão da veia renal esquerda que passa entre estes. Em sua variante posterior, a veia renal possui um trajeto retroaórtico ou circum-aórtico, ocorrendo sua compressão entre a aorta e o corpo vertebral. Em ambas, o aumento da pressão venosa leva ao desenvolvimento de circulação colateral e refluxo para o ramo gonadal esquerdo. A síndrome de Cockett ou May-Thurner consiste na compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita, junto à coluna vertebral, determinando estase venosa crônica no membro inferior esquerdo, que pode se manifestar com trombose da veia ilíaca e/ou femoral esquerdas, bem como também circulação colateral. A estenose de JUP por compressão vascular envolve o cruzamento de vasos na região, como artéria e/ou veia renal próprias, seus ramos e artéria e/ou veia renal acessórias, os quais determinam estreitamento luminal do ureter e dilatação a montante da pelve renal.

A metástase linfonodal é o mais importante preditor de recorrência tumoral e sobrevida em pacientes com câncer de mama, logo, o diagnóstico de metástase axilar é fundamental para definir o tratamento ideal a ser realizado.
A ultrassonografia é o método de imagem ouro para a realização deste rastreamento, identificando linfonodos suspeitos e quantificando a carga tumoral axilar, auxiliando o mastologista e o oncologista na melhor abordagem terapêutica.
Os linfonodos axilares podem ser avaliados ultrassonograficamente quanto ao tamanho, forma, margem, espessura cortical, hilo e vascularização. A aparência de um linfonodo normal é forma oval ou reniforme, margens circunscritas, córtex levemente hipoecóico com espessura uniforme e medindo 3mm ou menos, hilo gorduroso ecogênico central representando sua maior parte, com fluxo hilar, bidirecional ao estudo Doppler, devido à presença de uma única artéria e veia.
Alguns achados ultrassonográficos sugerem envolvimento metastático nodal, como espessamento cortical maior que 3mm, apagamento do hilo gorduroso central, formato arredondado, fluxo sanguíneo cortical não hilar ao Doppler e margem mal definida ou irregular.
Foram selecionados imagens de linfonodos axilares em exames de ultrassonografia, em nossos bancos de dados, de pacientes com diagnóstico histológico de câncer de mama, demonstrando cada um destes aspectos ultrassonográficos que são de fundamental importância para o conhecimento do ultrassonografista durante a realização do exame da axila.

A ingesta de corpo estranho (CE) é um evento comum, geralmente sem complicações graves, variando desde sintomas brandos como dor local e sensação de desconforto até eventos graves como perfuração, obstrução gastrointestinal, peritonite, formação de abscessos, fístulas, intoxicação e hemorragias. Até 30% dos pacientes podem não apresentar sintomas. A ingestão pode ser acidental ou proposital.
O diagnóstico clínico pode ser dificultado nos pacientes com problemas mentais ou que realizam ingestões propositais.
Objetos rombos maiores podem ficar impactados no esôfago ou em áreas de estenose intestinal. Já os objetos pontiagudos podem ficar impactados no esôfago cervical ou em pontos de estreitamento intestinal tais como: arco duodenal, junção duodenojejunal ou íleo terminal.
A maioria dos corpos estranhos ingeridos passam pelo trato gastrointestinal sem complicações e são eliminados por via natural, enquanto a minoria deve ser removida por endoscopia ou cirurgia.
Neste contexto, a avaliação por imagem permite elucidação diagnóstica, localização, caracterização morfológica e identificação de complicações associadas, assumindo papel fundamental na decisão terapêutica.
A variabilidade das características dos objetos ingeridos é um desafio imaginológico e o conhecimento das apresentações nos diversos métodos de imagem é imprescindível para o adequado diagnóstioco. A partir disto, apresenta-se uma série de casos de ingestão de CE por adultos coletados no arquivo do serviço de radiologia de um hospital secundário.
Caso 1: Mulher, 27 anos, apresentando dor no pescoço e sialorreia após ingesta de chave de automóvel.
Caso 2: Jovem do sexo masculino,18 anos, apresentando dor no pescoço, sialorreia, disfagia e rouquidão, após ingerir corpo estranho (papelote de maconha envolto por fita isolante).
Caso 3: Homem 57 anos, com história de dor em hipocôndrio direito há cerca de um mês, associado a febre e leucocitose com desvio à esquerda, devido a abcesso hepático decorrente de perfuração duodenal por espinha de peixe.
Caso 4: Homem, 33 anos, apresentando dor abdominal tipo cólica de forte intensidade após ingesta de preservativo contendo vodca.

Volumosas massas abdominais são eventualmente encontradas em crianças, geralmente em menores de 5 anos de idade. A ecografia é o exame de imagem inicial realizado por sua ampla disponibilidade e ausência de radiação ionizante. Quando detectadas, lesões neoplásicas requerem prosseguimento da investigação através de tomografia computadorizada ou ressonância magnética, inclusive para descartar disseminação secundária. Devido às pequenas dimensões da cavidade abdominal na população pediátrica, determinar a origem de volumosas lesões pode ser bastante difícil, sendo fundamental a identificação do seu epicentro e o detalhamento das relações anatômicas para elucidação diagnóstica.
Objetivamos apresentar as principais grandes massas tumorais abdominais em crianças e suas características radiológicas: nefroblastoma, neuroblastoma, hepatoblastoma e teratoma.
O neuroblastoma é a neoplasia abdominal mais comum em crianças, com origem no sistema nervoso simpático periférico, principalmente em glândulas adrenais. Apresentam-se como massas heterogêneas retroperitoneais com vascularização interna, calcificações (30-90%), podendo conter áreas centrais de necrose. Costumam deslocar estruturas adjacentes, muitas vezes insinuando-se ao espaço retro-aórtico.
O nefroblastoma, conhecido como tumor de Wilms, é a neoplasia abdominal renal mais comum em crianças. Caracteriza-se por massa heterogênea predominantemente sólida com efeito expansivo, deslocando estruturas adjacentes, muitas vezes determinando o ‘sinal da garra’, podendo ser bilateral em até 5% dos casos.
O hepatoblastoma é a terceira neoplasia abdominal mais comum em crianças, podendo cursar com elevação da alfafetoproteína sérica. Apresentam-se como massas heterogêneas com centro geométrico no fígado, contendo áreas de necrose e hemorragia, sendo calcificações grosseiras observadas em até 40% dos casos.
Os teratomas são os tumores de células germinativas mais comuns da infância, de diferentes origens embrionárias, encontrados principalmente na linha média e nas gônadas. Apresentam características de imagem variadas, por componentes císticos, partes moles, gordura ou calcificações. Raramente podem determinar disseminação secundária.
Por fim, o diagnóstico diferencial de massas neoplásicas abdominais é amplo, e a definição do seu órgão de origem é essencial para o raciocínio, o que muitas vezes não é fácil em lesões volumosas e abdomes tão pequenos. Conhecer as patologias e suas características de imagens é essencial.

Introdução:
Os meningiomas são tumores originados de células das vilosidades aracnoídeas e representam aproximadamente 15% dos tumores intracranianos primários, com pico em torno dos 45 anos. A localização preferencial é na convexidade cerebral ao longo do seio sagital superior, podendo ocorrer também na base do crânio, na goteira olfatória e na sela túrcica. No canal espinhal são intradurais e extramedulares, mais comuns na região torácica. A atual classificação da OMS contempla três graus de malignidade, sendo que o grau IV fica reservado para os sarcomas de meninge.  
Objetivo:
Demonstrar achados de imagens de complicações decorrentes de meningiomas em virtude da topografia ou aspecto invasivo.
Material e Método
Foram analisadas retrospectivamente ressonâncias magnética de pacientes com meningioma extraaxial intracraniano e na transição craniovertebral, comprovados por investigação histológica, e determinantes de complicações em virtude da localização ou aspecto invasivo.
Conclusão: Os meningiomas constituem tumores na maioria das vezes benigno, porém a depender da sua localização ou grau histológico, podem comprometer estruturas nobres, seja pelo efeito mecânico, ou pelo aspecto invasivo, sendo necessário controle rigoroso, mesmo para lesões de aspecto típico, sem complicações, na época do diagnóstico.

A ressonância magnética das mamas vem ocupando através dos anos um importante papel no diagnóstico da neoplasia mamária. Contudo, a complexidade do exame e os custos relacionados a ele dificultam a sua aplicabilidade em larga escala.
O surgimento do conceito do protocolo abreviado da ressonância magnética, o qual vem sendo estudado para a pesquisa de hepatocarcinomas, bem como para o rastreio do câncer de próstata, entre outros, se apresenta como uma alternativa capaz de reduzir a complexidade do exame e os custos relacionados a ele, através da redução dos tempos de realização e interpretação das imagens, sem o comprometimento da acurácia do método.
O protocolo abreviado da ressonância magnética das mamas foi incialmente descrito em um artigo publicado por Christiane Kuhl em 2014. Desde então, outros estudos foram realizados e novos protocolos vem sendo estudados, porém, ainda não há um consenso quanto ao melhor modelo de protocolo abreviado e suas indicações.
O que já está atualmente comprovado é que o realce precoce identificado nas imagens de ressonância magnética das mamas nos primeiros minutos após a administração do meio de contraste endovenoso está altamente relacionado a angiogênese e à malignidade da lesão mamária. Além disso, a ressonância magnética já demonstrou a sua alta sensibilidade para as lesões mais agressivas da mama.
Diante das evidências, o protocolo abreviado proposto por Kuhl (sequência T1 pré-contraste, sequência T1 pós-contraste, subtração e MIP) vem se destacando. As imagens a serem demonstradas no presente painel fazem parte de um grande estudo retrospectivo para avaliação comparativa dos achados entre os protocolos abreviado e multiparamétrico da ressonância magnética das mamas, com 400 participantes.
Este painel tem como objetivo correlacionar os achados de imagem no protocolo abreviado da ressonância magnética das mamas e o estudo anatomopatológico das neoplasias mamárias diagnosticadas.

Atualmente, enfrentamos um dos maiores problemas socioeconômicos, capaz de reduzir drasticamente a expectativa de vida: a obesidade. Como tratamento alternativo, surgiu a cirurgia bariátrica, promissora, que tem sido alvo de destaque e sendo cada vez mais aplicada no combate deste problema global.
Deste modo, a cirurgia bariátrica, tornou-se um segmento importante na área médica, adentrando as disciplinas não somente cirúrgicas, mas clínicas e até de imagem, permitindo uma abordagem multidisciplinar que vem trazendo ótimas perspectivas no sucesso terapêutico, o que favorece o nosso paciente.
Como todo procedimento cirúrgico existe um risco, e técnicas novas são desenvolvidas constantemente, é de suma importância considerar complicações precoces e tardias específicas oriundas delas. Destas, fístulas, obstrução, trombose venosa e sangramento são as complicações precoces mais preocupantes, pois tendem ser devastadoras se não reconhecidas e tratadas de imediato. Já as complicações tardias, são cada vez mais frequentes com o passar do anos, sendo muitas vezes necessárias cirurgias revisionais desafiadoras. Dentre essas complicações, a perda inadequada de peso e o reganho são as mais frustrantes para os pacientes e equipes multidisciplinares, sendo de difícil manejo devido a sua etiologia multifatorial, principalmente pela exigência de um tratamento contínuo, sob o ponto de vista farmacológico e psicológico.
Neste aspecto os exames de imagem assumem o papel protagonista pela sua essencialidade no diagnóstico das complicações das cirurgias bariátricas, sendo a radiografia contrastada e a tomografia computadorizada (TC) os métodos iniciais de escolha, notadamente nas complicações precoces. Contudo, os métodos citados anteriormente podem ser insuficientes na avaliação de complicações tardias, por isso, as novas tecnologias como reconstruções tridimensionais (3D) avançadas, volumetria gástrica (VG) e realidade aumentada (RA) por TC vem ganhando cada vez mais espaço na literatura, devido à sua capacidade de melhor demonstrar a anatomia cirúrgica, auxiliando no manejo clínico e orientando um eventual cirurgia revisional.
Em nosso centro de referência, desenvolveu-se um protocolo de TC com renderização 3D, VG e RA, que proporciona a avaliação de reganho de peso e outras complicações tardias da cirurgia bariátrica. O objetivo deste ensaio pictórico é demonstrar o protocolo de exame e o seu potencial como método diagnóstico no manejo destes casos.

INTRODUÇÃO
O Desfiladeiro Torácico (DT) inclui três espaços confinados: o triângulo interescaleno, o espaço costoclavicular e o espaço retropeitoral menor. A compressão das estruturas neurovasculares que cruzam um desses túneis leva à Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT).
Durante a nossa rotina ambulatorial, recebemos inúmeras solicitações médicas para a realização de ultrassonografia musculoesquelética dos membros superiores, principalmente a fim de avaliar ombro, cotovelo e punho. Igualmente são numerosos os momentos nos quais os achados ecográficos normais ou pouco significativos são nitidamente incompatíveis com os expressivos sinais e sintomas dos pacientes, como parestesias, dores, edemas, entre outros. A avaliação complementar de regiões pouco estudadas devido aos ínfimos pedidos médicos de rotina, como o Desfiladeiro Torácico, poderia trazer maiores subsídios diagnósticos e melhor resolutividade à crescente demanda nos ambulatórios médicos e emergências.
O objetivo geral deste trabalho é discutir a utilidade da US em associação com as outras técnicas de imagem na avaliação da SDT. Como objetivos específicos, visamos abordar, sinteticamente, as características clínicas e fatores etiológicos da SDT, bem como apresentar os achados normais e patológicas do DT à US, discutindo a sua importância em associação com as outras técnicas de imagem na avaliação da SDT.

DESCRIÇÃO
A varredura do DT ao modo B permite a detecção de anormalidades anatômicas, como dilatações aneurismáticas, desvios dos vasos, placas ateroscleróticas ou anormalidades dos tecidos moles circunjacentes. Já os estudos com Doppler colorido e pulsado, possibilitam uma análise qualitativa e quantitativa do fluxo sanguíneo durante a realização das manobras posturais (braço em posição neutra, 90°, 120° e 180° de abdução), as quais podem demonstrar significativas alterações no fluxo sanguíneo.
A principal vantagem da US é a comparação direta entre os sintomas induzidos dinamicamente e a visualização concomitante dos vasos, além da possibilidade de executar o exame com o paciente na posição vertical ou sentada.
Portanto, a US é um método de imagem complementar relevante para a avaliação da SDT; principalmente de suas variantes vasculares. Todavia, por limitações técnicas inerentes ao método, não deve ser utilizada isoladamente no diagnóstico da SDT.

A fístula coronária é uma conexão direta entre uma ou mais artérias coronárias e uma câmara cardíaca (fístula coronária-cameral) ou um grande vaso (fístula arteriovenosa) e apresentam geralmente um curso dilatado e tortuoso.
Cerca de 39%-41% delas têm trajeto para o VD, 26-33% para o átrio direito, seio coronário e veia cava superior, e 15-20% para a artéria pulmonar. Fístula entre a artéria coronária direita e ventrículo esquerdo é muito rara (3%).
As fístulas coronárias podem ser congênitas (primárias) ou adquiridas / iatrogênicas (secundárias), podendo ainda ser isoladas (80%) ou associadas a outras malformações cardíacas congênitas (20%). As fístulas originadas da coronária direita são as mais frequentes (50%-70% dos casos), ocorrendo também na artéria coronária esquerda ou em ambas as artérias.
Causam redução do fluxo miocárdico distal à fistula (fenômeno de roubo coronário), efeito shunt com evolução para insuficiência cardíaca e isquemia miocárdica.
A manifestação clínica é muito variável, dependendo da magnitude do fluxo, da localização, da câmara ou vaso onde desemboca, e do grau de isquemia miocárdica associada.
Cerca de 75% dos casos são achados acidentais, mas quando apresentam sintomas, podem desencadear fadiga, dispneia de esforço, palpitações, angina, sinais de insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e hipertensão arterial pulmonar, sendo as principais complicações rotura, infarto e endocardite infecciosa.
A drenagem para o coração direito se comporta como sobrecarga de volume (pré-carga), sendo uma cardiopatia de “shunt” esquerda-direita, com grau variável de hiperfluxo pulmonar.
Quando a drenagem é no VE, forma-se uma fístula artério-sistêmica e as alterações hemodinâmicas se assemelham às da regurgitação aórtica, podendo a fístula receber sangue do próprio VE durante a sístole, se calibrosa.
No caso da drenagem para a artéria pulmonar e átrio esquerdo, há aumento do fluxo com uma sobrecarga de volume para o VE.
A angio-TC das artérias coronárias pode exercer um papel importante no diagnóstico e terapêutica, ao permitir melhor detalhamento em relação ao vaso de origem, o trajeto e o sítio de drenagem da comunicação.

Ensaio iconográfico com série de casos do espectro de Lisencefalia (LIS) com objetivo de ilustrar os novos desafios da correlação de características de imagem com alterações genéticas. A lisencefalia é uma malformação do desenvolvimento cortical associada à migração neuronal deficiente e formação anormal de giros cerebrais. O espectro LIS inclui agiria, paquigiria e heterotopia de banda subcortical. A primeira classificação do espectro mostrou associação do espectro LIS ao gene LIS1 (PAFAH1B1), diferenciando-a da heterotopia subcortical em banda (HSB) relacionada ao gene DCX. No entanto, com o acelerado progresso na genética molecular foram identificados até o momento 19 genes associados a LIS-HBS. Genes os quais, codificam os microtúbulos estruturais (tubulina) ou proteínas associadas aos microtúbulos, sendo inclusos os genes:  ACTB, ACTG1, ARX, CDK5, CRADD, DCX, DYNC1H1, KIF2A, KIF5C, LIS1, NDE1, RELN, TUBA1A, TUBA8, TUBB, TUBB2B, TUBB3, TUBG1 e VLDL. Os estudos mais recentes propõem um sistema de classificação baseado em padrões de imagens reconhecíveis que preveem com segurança os genes causadores mais prováveis. Exemplificando, os únicos genes associados ao espectro de LIS com predominância anterior e posterior foram associados a proteínas motoras dos microtúbulos (DYNC1H1 e KIF5C). Já no tipo mais grave de LIS, com agiria difusa e hipoplasia cerebelar, existe associação com mutações em TUBA1A, TUBB2B e uma mutação única em CDK5. O comprometimento anterior é uma condição autossômica recessiva e fortemente associada a mutações em RELN e VLDLR. Este ensaio pictórico pretende demonstrar as recentes e fascinantes descobertas sobre o envolvimento genético das malformações congênitas, bem como demonstrar os desafios para criação de novas ferramentas de classificações por imagem e gravidade, orientando os testes genéticos com o propósito de melhorar o gerenciamento clínico e aconselhamento genético de pacientes com LIS-HSB.

A inteligência artificial (IA) apresenta suas primeiras menções datadas em 1956, realizadas em uma conferência em Dartmouth College, NH – USA. Esse termo cunhado por John McCarthy, considerado o pai da IA, que a definiu como “the science and engineering of making intelligent machines”, ou seja, a ciência e engenharia capazes de desenvolver máquinas inteligentes, cuja finalidade seria executar tarefas previamente realizadas com a necessidade da inteligência humana. Dentro desse universo da IA, um modelo de algoritmo é denominado aprendizagem de máquina, e o seu funcionamento é baseado na apresentação de exemplos para um algoritmo, de forma que ele consiga extrair padrões que lhe permita desempenhar aquela função pré-estabelecida.
Atualmente a utilização de ferramentas baseadas em modelos de aprendizagem de máquina na medicina é uma realidade, principalmente no campo da medicina diagnóstica exemplificados pela automatização de tarefas, como detecção de lesões, melhorias no fluxo de trabalho através de priorizações de exames e redução dos riscos para paciente associados a realização de exames. Entretanto desafios inerentes ao desenvolvimento e avaliação desses softwares tornam-se evidentes, sendo uma das maiores dificuldades a criação de um conjunto de dados (dataset) adequado.
Na direção oposta a esse desafio, a formulação de estratégias para o desenvolvimento do dataset, como por exemplo a criação de um processo formado por etapas bem definidas, tais como aprovação ética, aquisição, armazenamento, anonimização, controle de qualidade e estruturação dos dados, pode minimizá-lo.
Além do conhecimento dos problemas relacionados a cada uma dessas etapas do processo de construção do dataset adequado, é importante que o médico radiologista ou outro profissional da saúde que tenha interesse em trabalhar com esses algoritmos, compreenda todo o ambiente que abrange essas ferramentas de IA, os conceitos utilizados permitindo uma boa comunicação junto a equipe de desenvolvedores e cientistas de dados, bem como as implicações legais associadas.

As manifestações digestivas associadas à Covid-19 são mais frequentes do que se acreditava no início da Pandemia. Existem duas explicações fisiopatológicas principais para o envolvimento digestivo na infecção pelo Sars-CoV-2: alterações inflamatórias e dano celular determinados pela grande quantidade de receptores de angiotensina II, localizados em alguns órgãos e estruturas abdominais, como é o caso das vias biliares. Há ampla variação dos aspectos de imagem, os quais são determinados pelos mecanismos fisiopatológicos.
O principal objetivo deste trabalho é mostrar os achados de imagem mais comumente observados nos pacientes com colangite em vigência de Covid-19 e no período pós-Covid-19, com enfoque nas alterações em exames de ressonância magnética.

A inflamação das paredes dos vasos sanguíneos é uma característica compartilhada por todas as categorias de vasculite, que são diferenciadas pela etiologia, patogênese, tipo de vaso afetado, órgãos acometidos, manifestações clínicas, predisposições genéticas e características demográficas.
A arterite de células gigantes (ACG) é a vasculite sistêmica mais comum. Afeta seletivamente artérias de grande e médio calibre. A inflamação da parede arterial leva a oclusão e isquemia tecidual, que causam o quadro clínico desta vasculite. Os sítios suscetíveis incluem o leito vascular dos nervos cranianos e couro cabeludo, incluindo as artérias temporais, nervo óptico, músculos masseteres e a circulação posterior do sistema nervoso central. O envolvimento pode se estender para a aorta e seus ramos, incluindo a subclávia e artéria axilar.
É uma doença heterogênea, com uma ampla gama de manifestações clínicas, por afetar diversas artérias ao longo do corpo. Artérias temporais sensíveis e proeminentes, com pulsos ausentes, claudicação mandibular, diplopia e sintomas sistêmicos (fadiga, febre e anorexia) são os principais sintomas.
A biópsia da artéria temporal tem sido por muito tempo o teste padrão ouro para estabelecer o diagnóstico, com uma alta especificidade, mas baixa sensibilidade. Ultrassom (US) e outras técnicas de imagem estão surgindo como alternativas aos testes de biópsia.
Ultrassom é um método diagnóstico não invasivo e de baixo custo. Pode ser usado como um procedimento à beira do leito e é seguro, rápido e bem tolerado por pacientes. Quatro características patológicas podem ser encontradas por US em ACG: espessamento da parede arterial (sinal do halo), incompressibilidade do vaso, estenose e oclusão arterial.
O objetivo deste ensaio iconográfico é demonstrar os achados ultrassonográficos da arterite de células gigantes, com enfoque na avaliação da artéria temporal, ilustrado através de uma série de casos da nossa instituição, familiarizando o radiologista com esses achados e destacando a importância e as vantagens deste método no diagnóstico precoce e não invasivo desta afecção e na monitorização do tratamento.

A Doença policística renal autossômica recessiva (DPRAR) deve-se a mutações no gene PKHD1, que codifica a poliductina/fibrocistina, e caracteriza-se pela ocorrência bilateral de cistos renais em recém-nascidos, lactentes, crianças e adultos. Sua incidência é estimada em aproximadamente 1: 20.000 nascidos vivos e 30% dos neonatos acometidos morrem no período perinatal, em geral por insuficiência respiratória. Suas principais manifestações clínicas são: hipertensão, com necessidade de tratamento em mais de 70% dos casos, nefrolitíase, insuficiência renal, hipertensão portal, sangramento gastrointestinal, ruptura de varizes esofágicas, trombocitopenia, esplenomegalia, colangite e icterícia. Além disso, a sequência de Potter é um fenótipo característico dessa doença. A DPRAR se diferencia da doença policística renal autossômica dominante (DPRAD), pois esta última é uma doença renal congênita mais frequente, e ela se manifesta em geral a partir dos 30 a 40 anos de idade, podendo mais raramente afetar crianças e eventualmente recém-natos, ao contrário da DPRAR, que se manifesta ainda na infância em sua maioria. A DPRAR pode ser diagnosticada de dias ou meses após o nascimento, e a detecção é feita por exames de imagem, que consta um aumento bilateral difuso dos rins. Também pode ser diagnosticada por meio de testes genético moleculares. Apesar de sua natureza genética, é difícil estabelecer uma relação genótipo-fenótipo, tendo em vista que geralmente possui apresentações isoladas dentro de uma família. Além de aspectos clínicos, os padrões de imagem encontrados no ultrassom (US) podem ser úteis na definição da possível causa. Rins de dimensões aumentadas, hiperecogênicos, com múltiplos pequenos cistos esparsos, são sugestivos de DPRAR. Podem ser encontrados ainda, comunicação interventricular e derrame pericárdico, anencefalia, cistos hepáticos, sinais de atresia duodenal, e acentuado oligodrâmnio. Esse trabalho tem como objetivo, demonstrar os achados de imagem da DPRAR e a importância do diagnóstico precoce por meio de exames como a ultrassonografia.

A radioterapia pélvica, para tratamento de neoplasias malignas, como de carcinoma da próstata, reto, bexiga ou colo do útero podem evoluir com lesões em estruturas e tecidos loco-regionais previamente sadios provocando endarterite obliterante, com isquemia tissular e desenvolvimento de lesões actínicas. A gravidade e acometimento secundário são diretamente proporcional à dose, volume, número de frações e tempo entre as sessões de radioterapia. Tem se observado cada vez mais com o emprego da radioterapia pélvica e consequentemente o aumento da incidência de lesões actínicas agudas ou crônicas retais, vesicais, para outros órgãos pélvicos, estruturas ósseas, musculares, tecido subcutâneo, podendo gerar até fístulas e estenoses. É imprescindível que o médico radiologista tenha a habilidade técnica para identificar tais alterações e diferenciá-las de outras entidades patológicas. O objetivo do trabalho é apresentar variadas formas de alterações actínicas da região pélvica, identificadas em nosso serviço.

A urografia excretora permite a avaliação dinâmica do trato urinário por meio da injeção
intravenosa do meio de contraste iodado. Hematúria e controle pré e pós-cirúrgico de litíase
renal representam as principais indicações. Tem como vantagem o baixo custo, menor dose de
radiação quando comparada a outros métodos e uma boa avaliação dos sistemas coletores. A
dependência da função renal e a sensibilidade reduzida para pequenos cálculos renais são
limitações do exame em questão. Este trabalho tem como objetivo revisar a técnica do exame
e ilustrar algumas patologias possíveis de serem diagnosticadas ao método.
A técnica consiste em injetar o meio de contraste por via venosa e obter as radiografias após 3,
5, 10 e 15 minutos observando a excreção do mesmo e as possíveis anormalidades que possam
vir a aparecer. Vale ressaltar que após a obtenção da imagem dos 5 minutos realiza-se uma
compressão abdominal para que haja uma retenção do contraste e melhor visualização do
sistema coletor, soltando imediatamente antes da imagem dos 10 minutos. Trauma ou
transplante renal, cirurgia recente, aneurisma intra-abdominal e obstrução do trato urinário são
contraindicações para a compressão abdominal. A depender dos achados durante a realização,
incidências adicionais podem ser necessárias. Cálculos, dilatações pielocalicinais, estenose da
junção ureteropélvica, ureterocele e divertículos calicinais são algumas das anormalidades
muito bem avaliadas por meio desse exame.
O estudo contrastado em questão quando realizado e interpretado adequadamente, tem
grande utilidade na avaliação do sistema urinário, permitindo a detecção de múltiplas patologias
e alterações anatômicas, contribuindo dessa forma para a detecção e terapêutica
correspondente do paciente.

INTRODUÇÃO: Com a crescente evolução tecnológica atrelada à medicina, houve melhora na qualidade dos métodos tradicionais de imagem e surgimento de novos métodos no âmbito da radiologia, permitindo, assim, diagnósticos e abordagens minimamente invasivas de problemas complexos, sejam eles de natureza benigna ou maligna. Além disso, essa evolução implicou na ampliação e no aprimoramento das possibilidades terapêuticas para os mais variados problemas clínicos, beneficiando diretamente os pacientes com opções cada vez mais acessíveis e menos invasivas
DESCRIÇÃO: Ilustramos a utilização desse aparato tecnológico a serviço da medicina com um caso de um paciente de 58 anos, portador de uma lesão complexa acometendo o sistema hepatobiliar, onde a correlação de métodos invasivos (abordagem percutânea de vias biliares e ecoendoscopia) e não invasivos (ressonância magnética e ultrassonografia) foi fundamental para o diagnóstico e tratamento adequado de uma entidade benigna (abscesso hepático) que simulava um tumor de Klatskin.

Os procedimentos invasivos como cateterismo cardíaco e angiografia digital são procedimentos que permitem tanto o diagnóstico quanto o tratamento. E são caracterizados pela introdução de cateteres e dispositivos por via endovascular através da técnica descrita pelo radiologista sueco Sven Ivar Seldinger em 1952.
Dentre as atividades possíveis, pode-se utilizar o cateter para injetar meios de contraste, com intuito de realizar uma avaliação do funcionamento cardíaco, da perviedade das estruturas vasculares, bem como realizar o auxílio no momento terapêutico de eventuais anormalidades encontradas, como por exemplo a colocação de stent para desobstrução arterial. Outras funcionalidades são o tratamento de aneurismas das artérias intracranianas, através da embolização por materiais específicos, e a administração de medicamentos em procedimentos anestésicos ou no dia-a-dia dentro do ambiente hospitalar.
Contudo todos esses procedimentos não são isentos de complicações, apresentando uma prevalência por volta de 3 a 6% dos casos. A principal complicação neurológica é a obstrução do sistema vascular pela migração de êmbolos (cálcico, componentes gasosos) ou até mesmo êmbolos provenientes da migração de materiais utilizados para o tratamento

Este ensaio iconográfico objetiva demonstrar causas de acidente vascular encefálico (AVE) isquêmico em paciente jovens, incluindo os distúrbios inflamatórios, metabólicos, genéticos e de coagulação. O AVE em pacientes jovens tem importante impacto individual e socioeconômico devido suas altas taxas de morbimortalidade que podem acometer essa população economicamente ativa. Os métodos de imagem como angiotomografia computadorizada e ressonância magnética tem crucial importância para elucidação e tratamento precoce destes eventos. O médico radiologista deve estar preparado para reconhecer os diagnósticos diferenciais das vasculopatias não ateroscleróticas em jovens. Dessa forma este trabalho tem como objetivo apresentar os padrões de imagem das causas menos comuns de AVE em população jovem, como síndrome de vasoconstrição cerebral reversível (SVCR), dissecção de carótida e vertebral, displasia fibro-muscular intimal (“carotid web”), Moyamoya, vasculite, CADASIL e abuso de drogas, a fim de encorajar o radiologista a aprofundar a investigação dessas doenças.

A dissecação aórtica ocorre por uma ruptura da camada íntima, gerando uma falsa luz entre esta camada e a média da parede do vaso. É uma doença de alta mortalidade e pode ser classificada quanto ao local de acometimento da aorta, sendo a classificação de Stanford a mais usada na atualidade (tipo A no envolvimento da aorta ascendente e tipo B quando não há envolvimento da aorta ascendente).
A ruptura de uma dissecção aguda da aorta ascendente para a bainha conjunta com a artéria pulmonar é uma ocorrência incomum e potencialmente fatal, que pode evoluir com hemopericárdio / tamponamento cardíaco e até hipertensão arterial pulmonar e insuficiência cardíaca direita transitória secundária ao hematoma que comprime o tronco arterial pulmonar. Isto pode ocorrer pois a aorta ascendente e a via de saída do pulmão apresentam contato por compartilharem a mesma camada adventícia.
A ruptura geralmente ocorre na parede posterior da aorta ascendente, adjacente à artéria pulmonar direita, sendo esta a principal acometida pelo hematoma agudo em expansão, assim como o tronco pulmonar.
O principal sintoma é a dor torácica precordial intensa com início abrupto e o exame padrão-ouro para o diagnóstico é a angiotomografia, que apresenta elevada sensibilidade e especificidade.
A dissecção de aorta ascendente apresenta pior prognóstico e necessidade de intervenção cirúrgica imediata.

Introdução:
Os tumores orbitários no adulto compreendem vários diagnósticos diferenciais, mas algumas lesões possuem aspecto de imagem típico. Além de identificar e caracterizar estas lesões, os métodos de imagem, principalmente a tomografia computadorizada e a ressonância magnética são importantes para a avaliação de sinais de gravidade e extensão da doença. Através de uma análise sistemática por compartimentos, é possível o radiologista reconhecer as principais afecções, o que é primordial para o planejamento terapêutico.
Descrição sucinta:
Através de uma série de casos da instituição, as caraterísticas mais importantes de imagem dos principais tumores orbitários nos adultos serão apresentadas, bem como a sua localização mais típica.
A massa mais comum orbitária nos adultos, embora não seja considerada um tumor verdadeiro, é a malformação venosa (antigo hemangioma cavernoso). Acomete principalmente o compartimento intraconal, e os aspectos de imagem mais característicos são o hipersinal em T2 e o realce homogêneo pelo contraste.
Nos pacientes acima dos 60 anos, o linfoma é o tumor primário mais comum. A maioria das lesões é unilateral e extraconal, podendo ser infiltrativas ou nodulares, geralmente remodelando as estruturas adjacentes, tendo como característica principal a acentuada restrição à difusão.
Já no compartimento intraocular o tumor mais comum nos adultos é o melanoma da coroide. Ressonância magnética é o exame de escolha para avaliação, devido ao característico alto sinal em T1 da melanina. Descolamento da retina e invasão extraocular podem ser encontradas.
As metástases, sendo a mama o sítio primário mais comum, também são relativamente comuns na órbita, acometendo o globo ocular, espaços intra e extraconal e a musculatura do cone.
Das lesões do nervo óptico, os gliomas possuem aspecto de imagem muito característico, geralmente expandindo o nervo óptico, com hipersinal em T2 e realce variável. Nos meningiomas, o aspecto de imagem típico é o realce com padrão “em trilho de trem” do complexo bainha-nervo, com relativa preservação do nervo óptico.

Os linfonodos mediastinais são divididos em 14 níveis, conforme definido pela Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão (IASLC), principalmente no contexto do estadiamento oncológico.
São nomeados de acordo com as estruturas com as quais eles estão mais intimamente relacionados ou sua localização anatômica.
É de fundamental importância o radiologista saber reconhecer adequadamente os níveis/cadeias para descrição correta dos linfonodos acometidos afim de melhorar a comunicação com as diversas especialidades, facilitando a avaliação diagnóstica e seleção de tratamento ideais
No presente estudo, realizaremos um ensaio iconográfico com imagens de tomografia computadorizada de pacientes adultos, obtidas do acervo dos próprios autores.Buscamos evidenciar, de maneira ilustrativa e didática, os níveis linfonodais e sua relação com as estruturas anatômicas adjacentes.

As anomalias do trato geniturinário alto podem ser de várias origens e níveis de complexidade, desde pacientes que possam apresentar grandes prejuízos por conta destas alterações ou simplesmente serem um achado em exames de rotina ou em um contexto emergencial. Este ensaio iconográfico será voltado para o último contexto citado, pacientes adultos, que dão entrada em um grande pronto-socorro privado, com ou sem queixas do trato urinário, e ao realizarem o exame tomográfico, se deparam com malformações do trato geniturinário alto. O que para esses pacientes pode configurar uma surpresa, para os radiologistas devem ser achados incomuns, porém já estudados e debatidos durante sua formação.

Síndrome hereditária autossômica dominante que compromete a linha germinativa do gene VHL, gene supressor tumoral, a doença de von Hippel-Llindau (VHL) é determinada pela apresentação multissistêmica de tumores benignos e malignos, que envolvem principalmente o sistema nervoso central (SNC). Destes, destacam-se os hemangioblastomas (HB's) retinianos e do SNC, e o tumor do saco endolinfático (TSE). Os diferentes sítios dos tumores no SNC, determinam uma variada sintomatologia e a sua alta morbimortalidade, com uma expectativa média de vida dos portadores da VHL de 49 anos. Os exames de imagem, tomografia computadorizada e ressonância magnética, são imprescindíveis no diagnóstico e no seguimento dos pacientes com VHL. Este ensaio iconográfico tem o intuito de ilustrar os principais achados radiológicos pelos métodos de tomografia computadorizada e ressonância magnética dos tumores no SNC da VHL.

Síndrome hereditária autossômica dominante que compromete a linha germinativa do gene VHL, gene supressor tumoral, a síndrome de von Hippel-Llindau (VHL) é determinada pela apresentação multissistêmica de tumores benignos e malignos, que envolvem o sistema nervoso central (SNC) e também múltiplos órgãos viscerais. Destes, destacam-se o Carcinoma de Células Renais (CCR), neoplasias Pancreáticas e Feocromocitoma (FEO) por determinarem maior morbimortalidade. Apesar de todo o desenvolvimento da medicina a VHL apresenta uma expectativa média de vida de 49 anos. Os exames de imagem, tomografia computadorizada e ressonância magnética, são imprescindíveis no diagnóstico e no seguimento desses pacientes. Este ensaio iconográfico apresenta imagens características de manifestações abdominais de tumores relacionados à síndrome de von Hippel-Lindau (vHL) que todos radiologistas devem conhecer.

A esclerose sistêmica é uma doença autoimune do tecido conjuntivo, de causa desconhecida, caracterizada por alterações inflamatórias, fibróticas, vasculopatia obstrutiva de pequenos vasos e deposição de colágeno em vários órgãos, sobretudo nos pulmões. A doença é mais frequente em mulheres do que em homens e o comprometimento pulmonar tem destacada importância na evolução da doença, com incidência variando entre 70% e 90%.
As alterações pulmonares decorrentes da esclerose sistêmica podem ser
demonstradas por meio de métodos de diagnóstico por imagem, destacando-se a tomografia computadorizada de alta resolução do tórax, que permite detalhamento anatômico do parênquima pulmonar, constituindo um importante auxiliar no diagnóstico e na avaliação da extensão da doença.
O objetivo deste ensaio iconográfico é revisitar os achados tomográficos encontrados na doença, sobretudo no seu acometimento pulmonar, trazendo imagens ilustrativas de alterações típicas e não tão típicas.
Os dois principais tipos de acometimento pulmonar direto são a doença pulmonar intersticial e hipertensão pulmonar, que correspondem a cerca de 60% das mortes relacionadas à esclerodermia. A doença fibrosante é o componente histológico mais
frequentemente observado, com evolução clínica variável.
As principais alterações observadas na tomografia computadorizada são: redução pulmonar volumétrica, opacidades em vidro fosco, áreas de faveolamento, bronquiectasias, cistos entre 1 e 5 mm, sinal dos quatro cantos (inflamação e fibrose envolvendo os lobos superiores anterolaterais bilaterais e lobos inferiores posterossuperiores), padrão de pneumonia intersticial usual (PIU) e padrão de pneumonia intersticial não específica (PINE), hipertensão pulmonar e linfonodomegalia mediastinal, podendo ser calcificada, podem estar presentes.

INTRODUÇÃO:
O timo ectópico é uma condição rara, que ocorre quando o tecido glandular se deposita no trajeto
de sua migração embriogênica. O uso rotineiro do método ultrassonográfico na abordagem
diagnóstica inicial das regiões do pescoço e tireoide permite a identificação de lesões incidentais,
incluindo o timo ectópico. O objetivo deste trabalho é demonstrar, através de casos, as
características ultrassonográficas dessa patologia, fornecendo o conhecimento necessário ao
radiologista para este diagnóstico.
DESCRIÇÃO SUCINTA:
O timo é um órgão linfoide de localização mediastinal superior, retroesternal, no compartimento
pré-vascular, com tamanho, forma e extensão variáveis, podendo ser encontrado do nível do
manúbrio até a quarta cartilagem costal.
O tecido tímico ectópico pode surgir ao longo do trajeto de migração glandular e do tecido linfoide
no período embriogênico, momento no qual assume a posição anterossuperior no mediastino e a
configuração lobulada.
Os locais mais comuns de implantação ectópica ocorrem na junção cervico-mediastinal, no
pescoço e em regiões submandibulares. A maioria é encontrada lateralmente à glândula tireoide.
O timo ectópico também pode ser evidenciado em situação intratireoidiana.
A ultrassonografia é uma das principais ferramentas para a abordagem diagnóstica de lesões
tímicas. Neste método o timo apresenta-se como uma estrutura de superfície lisa, de margens
definidas, ecotextura homogênea e finamente granular, com algumas linhas ecogênicas, sendo
moderadamente hipoecoico em relação à tireoide, com vascularização frustra ao Doppler colorido.
O timo ectópico pode se apresentar de duas formas: cística (mais comum), caracterizada por área
hipoecoica/anecoica, unilocular/septada; ou sólida, com linhas ecogênicas pequenas, que podem
representar septos de tecido conjuntivo e vasos.
O presente trabalho foi elaborado através de imagens ultrassonográficas de pacientes com timo
ectópico, provenientes do arquivo médico.

INTRODUÇÃO
A ossificação heterotópica é uma condição caracterizada por formação óssea em tecidos moles e músculos, resultante da ação de células osteoprogenitoras induzidas patologicamente por um desequilíbrio de fatores locais ou sistêmicos.
Sua etiologia ainda não é bem definida, mas acredita-se que certas condições predisponentes, incluindo cirurgia ortopédica, história prévia de trauma (fratura óssea ou luxação , queimaduras de terceiro grau) , lesões neurológicas e fatores genéticos tenham estreita relação com esta condição.
Inicialmente, o paciente pode apresentar calor, edema, eritema e sensibilidade nas articulações acometidas. Contudo, com a progressão da patologia, havendo a maturação do tecido ósseo ectópico, ocorre a diminuição da amplitude de movimento articular associada a dor local, podendo evoluir para imobilidade e comprometimento funcional, sendo então, uma condição altamente debilitante para o paciente.
Diante disso, é de extrema importância o conhecimento desta patologia e suas características de imagem de forma a diferenciá-la de outras causas e estabelecer o melhor manejo possível para o paciente.
DESCRIÇÃO SUCINTA
Paciente de 38 anos, sexo masculino, com antecedente de lesão medular abaixo de T4 e queixa atual de limitação para flexão do quadril direito há cerca de 6 meses. Comparece ao serviço de radiologia e diagnóstico por imagem para investigação. Realizada radiografia simples da bacia, sendo identificada formação óssea em partes moles. Prosseguida investigação complementar com tomografia computadorizada de bacia, cintilografia e ressonância magnética.
Nos exames de imagem foi identificada volumosa ossificação descontínua no ventre muscular do iliopsoas, se estendendo da espinha ilíaca anteroinferior até o trocanter, associado a edema intersticial de fibras laterais do ventre muscular glúteo máximo à direita e obliteração da bursa trocantérica maior. A partir de tais achados, chegou-se ao diagnóstico de ossificação heterotópica.

As lesões císticas do pâncreas estão sendo cada vez mais reconhecidas devido ao uso difundido dos métodos de imagens axiais. Incluem condições neoplásicas e não neoplásicas que resultam em uma variedade de sintomas clínicos.
Os pseudocistos são as lesões pancreáticas císticas mais comuns, representando 90% destas. Estão associados a um histórico de pancreatite crônica ou aguda e são caracterizados por uma coleção fluida homogênea, geralmente unilocular, redonda ou oval, com uma parede de espessura variável, que se comunica com o ducto pancreático. Podem ser abordados de forma conservadora se assintomáticos, ou menores que 6 cm de diâmetro.
As neoplasias císticas representam apenas 10% das lesões císticas do pâncreas, sendo as mais comuns: cistoadenoma seroso, neoplasia cística mucinosa, neoplasia mucinosa papilar intraductal (IPMN) e tumores sólidos com componente cístico. É importante diferenciá-los dos pseudocistos e caracterizá-los de forma adequada, visto que o tratamento e o prognóstico são diferentes, alguns requerem excisão cirúrgica, enquanto outros apenas observação.
A tomografia computadorizada (TC) é a modalidade de escolha para a detecção e caracterização inicial das lesões císticas do pâncreas. A ressonância magnética (RM) com colangiopancreatografia por RM descreve com precisão as características morfológicas das lesões e mostra a relação do cisto com o ducto pancreático. Em um grande número de pacientes, é possível caracterizar com sucesso as lesões císticas por TC e RM, mas em alguns casos a caracterização apenas por métodos de imagem axiais é muito difícil devido à sobreposição morfológica dos achados. A ultrassonografia endoscópica é útil nesses casos porque, além de fornecer informações de alta resolução sobre as características morfológicas do cisto, permite a aspiração do líquido intracístico e a biópsia de áreas suspeitas, o que pode auxiliar na caracterização da lesão.
Esta série tem como finalidade a ilustração das lesões císticas pancreáticas e suas características aos métodos de imagem axiais (RM e TC), além de proporcionar revisão da literatura sobre o tema. As doenças que serão descritas nesta série de casos são aquelas disponíveis de casos clínicos próprios, com apresentação típica dos casos.

As lesões do forame jugular são variadas e podem surgir tanto de estruturas locais quanto de estruturas contíguas se estendendo através dele, levando a desafios diagnósticos. Além disso, variações anatômicas e variantes de fluxo podem simular pseudotumores.
A anatomia complexa funciona como uma via através da qual importantes estruturas neurovasculares viajam da fossa posterior do crânio ao pescoço suprahioideo.
As lesões se apresentam de forma semelhante, portanto é muito importante para o radiologista ter em mente a variedade diagnóstica existente e as características de imagem comumente encontradas em cada uma delas.
A tomografia computadorizada é a melhor ferramenta para avaliar a integridade óssea. Já a ressonância magnética mostra características intrínsecas das lesões, relações vasculares, além de identificar disseminação perineural e extensão intracraniana.
A lesão intrínseca mais comum é o paraganglioma, que embora geralmente benigno, pode ser localmente destrutivo, causando destruição óssea permeativa e determinando efeito de massa. A ressonância é o método de escolha para diagnóstico, mostrando o padrão típico de “sal e pimenta” nas imagens ponderadas em T1, observando focos hemorrágicos entremeados com “flow voids” (vazios de fluxo). Outras lesões intrínsecas incluem schwannomas, que geralmente causam remodelamento ósseo, e meningiomas comumente determinando área esclerótica adjacente à lesão. Cordomas e condrossarcomas são exemplos de lesões extrínsecas.
Bulbo jugular assimétrico, artefatos de fluxo e trombose jugular podem levar à equivocada interpretação de lesão, dando origem às pseudotumores.
Palavras-chave:
1) Forame jugular
2) Neoplasias de cabeça e pescoço
3) Diagnóstico por imagem
4) Neoplasias da base do crânio
5) Paraganglioma

A isquemia mesentérica aguda (IMA), é uma condição com alta taxa de mortalidade, que requer alto grau de suspeita clínica e radiológica, para um diagnóstico preciso e oportuno. O diagnóstico e a intervenção precoces são essenciais para reduzir a morbidade e mortalidade do paciente, sendo o exame de escolha nessa condição, a angiotomografia de abdome e pelve.
O conhecimento das características de imagem, armadilhas e condições potenciais que mimetizam a isquemia pode ajudar os radiologistas a melhorar a precisão do diagnóstico. Algumas das condições que não devem ser confundidas como sinais específicos para IMA, incluem pneumatose intestinal, íleo adinâmico e pseudopneumatose, além dessas, outras como enterocolites infecciosas, doença inflamatória intestinal, angioedema e enterocolite induzida por radiação, também não devem ser confundidas.
No presente estudo, realizaremos um ensaio iconográfico com imagens de tomografia computadorizada de pacientes adultos, obtidas do acervo dos próprios autores. Buscamos evidenciar, de maneira ilustrativa e didática, as condições e achados descritos acima, com uma sucinta descrição dos mesmos, a fim de possibilitar o médico radiologista a evitar interpretações errôneas, levando a diagnósticos acertados.

Introdução:
A prevalência de rotura dos tendões fibulares em dissecções cadavéricas varia entre 11-37% e o tipo mais comum é a rotura parcial. Podem resultar de trauma, tendinopatia preexistente e microtrauma repetitivo devido à instabilidade. Em jovens e em pessoas atléticas, geralmente decorre de eventos traumáticos e em idosos, de atrito. O entorse do tornozelo é a lesão musculoesquelética mais comum e a principal causa. Adultos jovens e adolescentes apresentam maior incidência e o sintomas são crônicos em 40% dos casos.
Contudo, essas lesões são frequentemente subdiagnosticadas e devem ser consideradas em todo paciente com dor lateral no tornozelo crônica. Devido à apresentação clínica variável e insidiosa, é imperativo o uso de um método de imagem para o diagnóstico. A ultrassonografia é o método de escolha, já que não é invasivo, é barato, fornece imagens de alta resolução e permite a realização de estudos dinâmicos e de infiltração de esteróides guiados por ultrassom. Em um estudo recente, a sensibilidade, especificidade e acurácia para lesões dos tendões fibulares são respectivamente 100%, 85% e 90%.
Na ultrassonografia, roturas apresentam-se hipoecoicas ou anecoicas, com fluido adjacente. No quadro agudo, um aumento da vascularização pode ser observado no Doppler colorido devido à inflamação. A rotura parcial do tendão fibular curto (tipo split) é caracterizada por um defeito hipoecoico na periferia do tendão e geralmente é associada à insinuação do tendão fibular longo para dentro deste defeito.
Descrição sucinta:
Pacientes do sexo feminino de 35 e 62 anos sofreram entorse, respectivamente, do tornozelo esquerdo e do tornozelo direito. Iniciaram quadro de dor leve na região lateral do tornozelo. Na ultrassonografia, o tendão fibular curto apresenta-se heterogêneo e com acúmulo de líquido sob sua bainha, sendo que o tendão fibular longo insinua-se parcialmente sob suas fibras, alterações que sugerem rotura longitudinal parcial.

Introdução (importância e interesse):
Os teratomas são tumores de vários tipos histológicos com origem nas células germinativas, podendo ser de tecidos maduros ou imaturos. O cisto dermoide é um teratoma ovariano maduro, sendo o mais comum entre eles. A ultrassonografia (US) é uma ferramenta importante na sua avaliação, sendo a via endovaginal de alta acurácia nesses casos. Três características para seu reconhecimento são comumente descritas: múltiplas bandas finas e ecogênicas (causadas por pelos na cavidade do cisto), protuberância arredonda e hiperecóica que se projeta na cavidade do cisto frequentemente produzindo sombra acústica densa posteriormente, e bolas intracísticas que flutuam dentro da massa sebácea. Apesar de todo esse conhecimento, nem sempre o tumor é identificado com facilidade, provocando dúvidas ao examinador, já que existe uma variedade de aparências de imagem que apresenta por conta de seu conteúdo sebáceo e focos de calcificação. Na tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) o diagnóstico pode ser mais simples, já que essas modalidades são mais sensíveis para gordura.
Os tipos menos comuns de teratomas ovarianos, como os teratomas imaturos e os monodérmicos, são menos explorados na literatura de imagem. Frequentemente se apresentam no US como sendo heterogêneos, mas como lesões inespecíficas, o que dificulta a sua distinção com os teratomas maduros. Quando há a possibilidade de avaliação com outros métodos de imagem, o componente gorduroso do maduro é mais facilmente identificado, corroborando nessa diferenciação entre os tipos de teratomas.
Reconhecer a aparência de um cisto dermoide ovariano no ultrassom é extremamente útil, mas ter a perspectiva do tumor nos três recursos de imagem e se familiarizar com suas características nesses diversos métodos também é significativo para o radiologista, fornecendo um diagnóstico mais preciso e auxiliando a descartar hipóteses de lesões tumorais semelhantes.
Descrição do material apresentado:
Neste ensaio é apresentado imagens de um caso em que foi diagnosticado um cisto dermoide em ovário esquerdo através de exame ultrassonográfico endovaginal complementado com Doppler colorido. Além, são expostas imagens tomográficas e da ressonância magnética da pelve que foram realizados com outra finalidade, mas que passaram a complementar e corroborar o diagnóstico determinado anteriormente, já que ambas exibiam características típicas de um teratoma ovariano maduro.

O câncer de reto representa a terceira neoplasia mais frequente nos homens e a segunda nas mulheres, mundialmente. O seu prognóstico é diretamente relacionado ao seu estadiamento local e à distância, que se baseiam na infiltração do mesorreto, acometimento dos órgãos adjacentes e à distância e disseminação linfonodal.
A Imagem por Ressonância Magnética (IRM) cumpre papel fundamental no estadiamento local dessas neoplasias, já que o uso clínico da tomografia computadorizada (TC) para estadiamento local é limitado, com precisão relatada de cerca de 70% atribuível à atenuação semelhante entre o tumor e o tecido visceral normal. Porém, a IRM é um método caro e não disponível na maioria dos centros, sendo a TC um método amplamente utilizado para avaliação da infiltração tumoral avançada de órgãos adjacentes quando instaurados sintomas que sugiram esses acometimentos.
A redução do espaço pélvico em relação à cavidade abdominal faz com que exista uma confluência das estruturas nessa região, dessa forma torna-se facilitado o contato do tumor com órgãos adjacentes e consequentemente maior a taxa de invasão local. Em instituições do sistema público, os pacientes no geral possuem um menor nível socioeconômico e de instrução, portanto muitos acabam procurando auxílio médico apenas quando muito sintomáticos ou até mesmo acabam perdendo o seguimento terapêutico do câncer, atingindo estádios avançados com maior frequência.
As invasões locais podem ser suspeitadas quando observados sintomas como incontinência fecal e urinária, exteriorização de conteúdo fecal pelo sistema geniturinário, quadros álgicos locais, limitação de movimento da cintura pélvica, exacerbação dos sintomas paraneoplásicos e da própria doença de base. Nesse contexto, a TC pode ser um instrumento útil para avaliação inicial do acometimento local em estágio avançado do tumor retal, visto que muitos chegam ao serviço no contexto de pronto-socorro, sendo a utilização do contraste iodado por via endovenosa e retal instrumentos de grande valia nesses exames.
No presente trabalho, apresentamos diversas imagens que demonstram os mais variados acometimentos locais possíveis da neoplasia de reto, entre eles a invasão do útero, parede vaginal posterior, bexiga, próstata e uretra, extensão cranial para o cólon sigmoide e caudal para canal anal, musculatura elevadora do ânus e sacro.

Síndrome hereditária autossômica dominante que compromete a linha germinativa do gene VHL, gene supressor tumoral, a síndrome de von Hippel-Llindau (VHL) é determinada pela apresentação multissistêmica de tumores benignos e malignos, que envolvem o sistema nervoso central (SNC) e também múltiplos órgãos viscerais. Destes, destacam-se o Carcinoma de Células Renais (CCR), neoplasias Pancreáticas e Feocromocitoma (FEO) por determinarem maior morbimortalidade. Apesar de todo o desenvolvimento da medicina a VHL apresenta uma expectativa média de vida de 49 anos. Os exames de imagem, tomografia computadorizada e ressonância magnética, são imprescindíveis no diagnóstico e no seguimento desses pacientes. Este ensaio iconográfico apresenta imagens características de manifestações abdominais de tumores relacionados à síndrome de von Hippel-Lindau (vHL) que todos radiologistas devem conhecer.

Síndrome hereditária autossômica dominante que compromete a linha germinativa do gene VHL, gene supressor tumoral, a doença de von Hippel-Llindau (VHL) é determinada pela apresentação multissistêmica de tumores benignos e malignos, que envolvem principalmente o sistema nervoso central (SNC). Destes, destacam-se os hemangioblastomas (HB's) retinianos e do SNC, e o tumor do saco endolinfático (TSE). Os diferentes sítios dos tumores no SNC, determinam uma variada sintomatologia e a sua alta morbimortalidade, com uma expectativa média de vida dos portadores da VHL de 49 anos. Os exames de imagem, tomografia computadorizada e ressonância magnética, são imprescindíveis no diagnóstico e no seguimento dos pacientes com VHL. Este ensaio iconográfico tem o intuito de ilustrar os principais achados radiológicos pelos métodos de tomografia computadorizada e ressonância magnética dos tumores no SNC da VHL.

A espondilite anquilosante é uma espondiloartropatia soronegativa, que resulta na fusão da coluna vertebral e articulações sacroilíacas, podendo também cursar com envolvimento de pequenas e grandes articulações. Acredita-se que envolva mecanismos autoimunes e que o antígeno leucocitário humano (HLA) B27 esteja envolvido em cerca de 90% dos casos. Tradicionalmente, existe uma predileção pelo sexo masculino em 3: 1, e os homens tendem apresentar casos mais graves. A apresentação clínica normalmente inicia-se na terceira década de vida e o primeiro sinal radiográfico em 99% dos casos é a sacroiliíte. O envolvimento clássico da articulação sacroilíaca é bilateral e simétrico, mas em aproximadamente 10% dos casos pode ser unilateral. A ressonância magnética, tornou-se parte integrante dos critérios de diagnóstico, pois representa o método de imagem mais relevante para classificação e monitoramento das espondiloartropatias, uma vez que a radiografia e tomografia computadorizada, só permitem a caracterização de mudanças estruturais quando o dano já se tornou irreversível. Com isso, a avaliação através de exames de imagem, sobretudo a ressonância nuclear magnética, é essencial para o diagnóstico precoce e seguimento clínico desses pacientes. Este ensaio iconográfico ilustra através de exames de imagem do acervo dos próprios autores, os principais critérios de ressonância magnética para detecção de sacroiliíte nas espondiloartropatias, permitindo assim detecção precoce e instituição de terapias que podem impedir a progressão da doença.

Osteocondromas ou exostoses são os tumores benignos mais comuns do tecido ósseo. Apresentam-se como protuberâncias envolvidas por uma camada de cartilagem e normalmente surgem durante o período de desenvolvimento. São caracterizadas pelo crescimento anormal no osso, originário de células ósseas envolvidas de cartilagem e não causa sintomas em grande parte dos casos. Normalmente são únicos, mas a forma de apresentação múltipla pode ser encontrada. De aspecto bastante característico, são de fácil diagnóstico. Localizam-se, mais frequentemente nas extremidades dos ossos longos do esqueleto imaturo e os deformam. Estão comumente na região metafisária do osso e tendem a crescer no sentido da diáfise e afastar-se da epífise, sendo que a região mais acometida é a do joelho, na metáfise distal do fêmur e proximal da tíbia. A característica da lesão é a continuidade do osso cortical e esponjoso com o osso subjacente. O diagnóstico do osteocondroma é radiológico e por isso a grande importância do conhecimento das diferentes formas de apresentação desse tumor.

Apendagite epiplóica (AE) é uma doença inflamatória abdominal incomum, benigna, autolimitada e tem seu diagnóstico por método de tomografia computadorizada. Sua incidência exata ainda é subestimada, acredita-se que é o diagnóstico correto de 2 a 7% das apendicites e diverticulites diagnosticadas. A apendagite epiplóica pode acometer qualquer segmento do cólon, no entanto, os locais de maior frequência são: o sigmoide (50%), cólon descendente (26%) , cólon ascendente (22%), ceco e cólon transverso (2%). Os sinais e sintomas da AE comumente se confundem com outras causas de abdome agudo. O quadro clínico mais frequente é dor em quadrantes abdominais inferiores, sendo mais frequente à esquerda, simulando um quadro de diverticulite aguda. No entanto, quando o acometimento da doença é localizado à direita, simula-se quadro de apendicite aguda. A tomografia computadorizada é o método de escolha em pacientes com quadro clínico de abdome agudo. O diagnóstico é definido por achado tomográfico de imagem paracólica, ovalar, variando de 1 a 5 cm, associado a espessamento do revestimento peritoneal e atenuação da gordura periapendicular. Dessa forma, o diagnóstico correto é fundamental para que não haja gastos e procedimentos desnecessários, pois na maioria dos casos o tratamento conservador é o suficiente.

INTRODUÇÃO: Tumores miofibroblásticos inflamatórios (TMI) são lesões raras, de natureza usualmente benigna que mimetizam neoplasias, representadas por proliferação miofibroblástica com infiltrado inflamatório associado, cuja origem biológica é indeterminada. Essas lesões são comumente encontradas nos pulmões, órbitas, trato gastrointestinal, fígado e partes moles, apresentando-se como massas indolores e fibroelásticas, por vezes associadas a edema no sítio de origem. Devido ao potencial maligno incerto é recomendável um seguimento frequente e por um período longo.​
DESCRIÇÃO: Foram selecionados três casos do nosso serviço com confirmação histopatológica, ilustrando exemplos de tumores miofibroblásticos em diferentes segmentos corporais (pulmão e membros inferiores), e suas principais características em estudos de tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM). Sua apresentação nos métodos de imagem é muitas vezes inespecífica e variável, o que pode dificultar o diagnóstico diferencial com outras lesões neoplásicas. Em exames de TC podem apresentar-se com densidade maior, igual ou semelhante ao de tecidos circunjacentes e na RM usualmente cursa com baixo sinal na sequência ponderada em T1 e baixo ou alto sinal na sequência ponderada em T2, a depender da quantidade de conteúdo fibrótico. Podem apresentar realce homogêneo ou heterogêneo pelo meio de contraste, algumas vezes de maneira tardia quando se tem predomínio de componente fibrótico. O tamanho pode variar entre 2,0 e 20,0 cm, apresentando consistência sólida, fibroelástica ou gelatinosa, sendo encontrada na minoria dos casos descritos na literatura calcificações, áreas de necrose ou hemorragia associadas. ​

Os radiologistas devem possuir conhecimento profundo sobre várias doenças e suas características radiomorfológicas concomitantes. O papel dos sinais radiológicos descritivos é ajudar a navegar pelo amplo espectro de possíveis achados radiológicos associados a condições específicas. O reconhecimento desses sinais é extremamente útil, vez que muitos deles são bastante específicos e, em alguns casos, patognomônicos. Sendo assim, identificar os sinais radiológicos inspirados nos alimentos é uma forma única e divertida de restringir os diagnósticos diferenciais e fazer um laudo radiológico com maior nível de confiança.

Alterações renais bilaterais são achados comuns. Sendo assim, os radiologistas devem ser capazes de reconhecer alguns padrões comuns e raros típicos, além de conhecer associações específicas para estreitar o diagnóstico diferencial. Dentre as alterações possíveis, incluem-se malformações, lesões tumorais, causas tóxico/metabólicas, infecciosas, vasculares e sistêmicas. Portanto, torna-se importante a ilustração das possibilidades patológicas a fim de guiar o raciocínio diagnóstico do médico radiologista e com isso reduzir o tempo até o diagnóstico final.

Introdução: A apendicite aguda é a inflamação em variados graus do apêndice cecal e representa a causa mais prevalente de abdome agudo inflamatório, tendo como principal sintoma a dor na fossa ilíaca direita (FID). Porém, esse sintoma é referência para uma extensa gama de patologias clínicas e cirúrgicas e por isso é dever do médico expandir seu raciocínio diagnóstico diante desse quadro. O presente estudo pretende ilustrar com imagens de tomografia computadorizada os principais diagnósticos diferenciais dessa manifestação clínica. Discussão: Existe uma vasta lista de patologias que se manifestam com dor na FID e por isso, podem mimetizar um quadro de apendicite aguda. Tais patologias podem estar relacionadas a acometimento local de estruturas na adjacência ou à distância de maneira reflexa por inervação viscerossomática. Diante disso, as possibilidades diagnósticas podem ser divididas em causas: digestivas, genitais, urinárias, osteomusculares, circulatórias e parietais. A tomografia computadorizada (TC) é um dos métodos de escolha para avaliação de quadros abdominais e apresenta boa acurácia na elucidação dos diferenciais, principalmente para dissociar as condições clínicas e cirúrgicas, permitindo assim reduzir o índice de laparotomias brancas e também as evoluções catastróficas, como perfurações, adiantando o diagnóstico nos casos obscuros.

Introdução: Um aneurisma é uma área enfraquecida na parede de um vaso sanguíneo, resultando na sua dilatação maior que 50% em relação ao diâmetro normal para o segmento em questão. Pacientes normalmente não apresentam manifestações clínicas, até o evento devastador que é a ruptura, tendo a maioria dos casos um diagnóstico incidental através de exames de imagem pedidos para outras finalidades. Diante disso, o estudo objetiva ilustrar algumas dilatações aneurismáticas encontradas em tomografias de abdome total de modo a expandir as possibilidades diagnósticas do médico radiologista diante desse exame. Discussão: É mais frequente em adultos acima de 65 anos de idade e tem etiologia multifatorial – podendo ter causa hereditária, traumática, infecciosa, inflamatória -, mas a maioria está associado à degeneração aterosclerótica da parede vascular. Geralmente são assintomáticos e apresentam como principais complicações a trombose e ruptura, que pode ser fatal. Um aneurisma pode ocorrer em qualquer vaso sanguíneo, mas sua incidência é maior em uma artéria, e não em uma veia. No abdome, os mais frequentes são na aorta, seguida das artérias ilíacas e depois da esplênica. Os aneurismas venosos são entidades pouco comuns, sendo achados no sistema venoso portal em menos de 3%. Com a crescente utilização dos métodos de diagnóstico de imagem, os aneurismas têm sido mais frequentemente identificados, levando ao tratamento precoce.

A artrite reumatoide é um a doença multissistêmica autoimune de etiologia desconhecida, caracterizada por poliartrite periférica, simétrica, que leva à deformidade e à destruição das articulações por erosão do osso e cartilagem. Afeta mulheres duas vezes mais do que os homens e sua incidência aumenta com a idade, tendo importante impacto econômico e social. Em geral acomete grandes e pequenas articulações em associação com manifestações sistêmicas. Seu diagnóstico é feito por meio da associação de dados clínicos, laboratoriais e radiográficos. Exames de imagem têm contribuído de forma significativa para o diagnóstico precoce da AR. Apesar da ressonância magnética e o ultrassom terem se mostrado superiores, a radiografia simples continua sendo a base dos exames de imagem no diagnóstico e acompanhamento da AR.

A calcificação em tecidos moles é caracterizada pela deposição de sais de cálcio em tecidos não mineralizados. Esse tipo de calcificação é um achado frequente em exames de imagem, e a avaliação cuidadosa ajuda a diferenciar um achado inocente de uma manifestação sistêmica. Seu diagnóstico pode ser feito por meio de exames de radiografia e de tomografia computadorizada, porém aquele segue como um tipo de exame barato e de fácil acesso. A classificação das calcificações de tecidos moles se divide em: distrófica, quando calcifica tecidos degenerados; metabólica na deposição do cálcio sérico em tecidos sãos, resultando do seu excesso na circulação sanguínea; e idiopática, quando ocorre em tecidos normais, com níveis sanguíneos habituais de cálcio. Determinar a localização da lesão ajuda a deduzir diagnósticos diferenciais. Dessa forma, faz-se necessário conhecer e distinguir os diferentes tipos de imagens radiográficas de calcificações em tecidos moles.

Introdução: As doenças neurometabólicas hereditárias representam um desafio diagnóstico para os médicos radiologistas. São consideradas um grupo de doenças raras, mas com uma incidência considerável dado o grau de gravidade e algumas com possibilidade terapêutica. O quadro clínico e radiológico podem ser bastante variáveis e superponíveis, a depender da fase do diagnóstico, o conjunto dificultando ainda mais a sua elucidação. Por esses motivos observamos na literatura uma série de tipos de classificação, algumas de aplicação prática difícil, o que motivou os autores a criar uma maneira de avaliação mais rápida, prática e eficiente. Objetivo: Demonstrar o uso da inteligência artificial na avaliação das doenças neurometabólicas hereditárias, tornando sua avaliação mais rápida e prática. Metodologia: Foi utilizado como base um estudo denominado “classificação das doenças neurometabólicas hereditárias baseadas em achados radiológicos”, que divide as mesmas em 11 subgrupos a partir de seus achados exclusivamente radiológicos. Em seguida foram levantados os casos deste tipo de doença no banco de dados interno do nosso serviço, sendo utilizados apenas os casos com diagnóstico definitivo. Os diferentes diagnósticos foram considerados como variáveis dependentes (targets) e os 11 sinais radiológicos foram considerados como "variáveis explicativas" dicotômicas (presença ou ausência). A tabela construída com esses parâmetros foi utilizada como base para a elaboração de árvore de classificação, através do software R, Versão 1.2.5033. Os diagnósticos foram então considerados como os nós terminais da árvore, de acordo com a presença ou ausência dos sinais radiológicos. Considerações finais: Em nossa análise foi possível a utilização da AI na avaliação das doenças neurometabólicas hereditárias, o que contribuiu para o diagnóstico radiológico.

Introdução: Hérnias se caracterizam pela protrusão de conteúdo (visceral ou não) para fora da cavidade que o contém, por meio de um orifício (passagem), congênito ou adquirido, promovendo repercussões clínicas. Este estudo iconográfico pretende ilustrar por meio de imagens de tomografias abdominais e pélvicas sem contraste em diferentes cortes, diversos tipos de hérnias abdominais e lombares. Discussão: As hérnias são patologias de grande relevância e prevalência na população geral (cerca de 20% da população brasileira), de fácil diagnóstico clínico e radiológico, tendo o exame físico como seu principal método de suspeição inicial para a maioria dos casos. Em 2020, foram realizados 139.400 procedimentos de correção das hérnias da parede abdominal no Brasil via SUS. O mais comum tipo de hérnia é a inguinal (representando cerca de 95% das hérnias da parede abdominal) e suas principais complicações são o encarceiramento e estrangulamento. Os principais sintomas incluem dor e protuberância local, que pioram aos esforços em alguns casos. A tomografia computadorizada representa importante método de diagnóstico, principalmente para hérnias internas, diafragmáticas e na definição topográfica precisa dos defeitos por onde emergem.

Histerossalpingografia: Um Estudo Essencial
A histerossalpingografia (HSG) está notadamente indicada na avaliação precoce do casal infértil. A gestação bem-sucedida é resultado de uma adequada migração e fertilização do óvulo no interior de uma tuba uterina patente e posterior implantação numa cavidade endometrial anatomica e funcionalmente normal.
Condições patológicas que possam interferir nesses eventos, como a obstrução tubária e anomalias uterinas congênitas, são avaliadas pela HSG de forma efetiva. O procedimento é ambulatorial e sem necessidade de anestesia.
A HSG é utilizada não somente na avaliação de rotina dos casais inférteis, mas também para indicações mais específicas. Com os avanços continuados da Medicina Reprodutiva, constitui-se em um método que é progressivamente mais solicitado pelos ginecologistas e realizados por radiologistas, daí a crescente necessidade de familiarizar-nos com esta modalidade diagnóstica.
O estudo fornece informações relevantes sobre a anatomia do canal cervical, cavidade endometrial e tubas uterinas. Causas uterinas possíveis para a condição de infertilidade como sinéquias intrauterinas, leiomiomas, pólipos endometriais, malformações uterinas e adenomiose e causas tubárias, tais como obstrução tubária, hidrossalpinge, aderências peritubárias e salpingite ístmica nodosa podem ser prontamente detectadas pelo método.
Pacientes com história de abortamentos de repetição, doença inflamatória pélvica ou endometriose com possível acometimento tubário, ligadura tubária pregressa, e submetidas a procedimentos cirúrgicos ginecológicos são candidatas frequentes a submeterem-se ao estudo radiológico por HSG.
A histeroscopia e a laparoscopia têm o seu papel bem estabelecido na avaliação da condição da cavidade e tubas uterinas e complementam a HSG. Deve-se lembrar, porém, que são procedimentos invasivos, requerem anestesia e têm a sua indicação específica. Devemos enfatizar, portanto, que a HSG é a modalidade ideal para o estudo inicial das causas potenciais de infertilidade. A elevada qualidade técnica na realização da HSG é importante para a minimização de falsas interpretações diagnósticas.
Contraindicações para a realização da HSG incluem a doença inflamatória pélvica ativa caracterizada por dor abdominal ou massa palpável, procedimento cirúrgico uterino ou tubário recente, sangramento uterino ativo e gravidez.

A descarga papilar é a terceira queixa mamária mais comum, ficando atrás apenas de dor e alterações palpáveis. Estima-se que 80% das mulheres irão apresentar ao menos um episódio durante a idade reprodutiva, sendo a maioria relacionada a causas benignas. No entanto, lesões precursoras e carcinomas também podem cursar com este sintoma e, por isto, é necessário diferenciar as descargas papilares entre fisiológica e patológica, suas respectivas características e principais causas, para determinar a conduta adequada.
Define-se como patológica as descargas papilares que se apresentam com aspecto seroso ou sanguinolento, de maneira espontânea, localização unilateral e envolvendo um único ducto. As principais causas de fluxo papilar patológico são os papilomas, seguido de ectasia ductal, infecções benignas e carcinomas. Estes casos configuram indicação formal de prosseguir com investigação diagnóstica através de exames por imagem, com o objetivo principal de excluir malignidade.
A mamografia (MMG) é o exame de escolha para pacientes acima dos 30 anos, mas a ultrassonografia (US) sempre será realizada de maneira complementar em casos de descarga papilar, mesmo que a mamografia já se mostre alterada, pois identifica lesões ocultas à mamografia em 63 a 69% dos casos. Imagens por ressonância magnética ficam reservadas para casos de derrame papilar suspeito com MMG e US normais.
Nos exames de imagem espera-se encontrar lesões retroareolares, pequenas e intraductais. Os papilomas intraductais têm como principais formas de apresentação na US as ectasias ductais anecogênicas ou com debris, nódulos intraductais e intrapapilares. Quando relacionado ao carcinoma ductal in situ (CDIS), podem apresentar-se na MMG como grupamento de microcalcificações amorfas ou lineares finas, de distribuição segmentar. Nas pacientes com derrame papilar suspeito, sem outros achados, mesmo a presença de ectasia ductal focal com conteúdo anecoico deve ser biopsiada, uma vez que este achado pode ser encontrado em metade dos casos de papiloma e em 14% dos casos de CDIS. Casos de fluxo papilar patológico ocasionados por carcinomas invasivos serão descritos na imagem com características tipicamente suspeitas.
Este trabalho tem como objetivo destacar as principais características que devem ser valorizadas diante da queixa de descarga papilar, métodos mais adequados para avaliação e ilustrar através de casos os principais achados de imagem relacionados a descarga papilar patológica.

A cistografia é realizada através da injeção retrógrada do meio de contraste visível ao RX por uma pequena sonda e posteriormente realizado o estudo do funcionamento da bexiga. A bexiga geralmente é mais fácil de ser avaliada quando cheia e, muitas vezes, é difícil identificá-la quando está completamente vazia, sendo assim é importante o estudo com método adequado para auxiliar na elucidação diagnóstica do caso. Os riscos deste exame são muito baixos. O estudo radiológico da bexiga esta indicado em diversos casos como na disfunção miccional, obstrução da saída da bexiga, hematúria, trauma, anomalias congênitas do trato geniturinário e avaliação pós-operatória do trato urinário. Dependendo da etiologia da doença, diferentes abordagens terapêuticas podem ser empregadas para manter a função renal e prevenir infecções recorrentes do trato urinário. Portanto um correto diagnóstico é importante pata um tratamento rápido, diminuição de morbidade e mortalidade além de proporcionar melhor qualidade de vida ao paciente. Este estudo iconográfico visa demonstrar as principais alterações vesicais que podem ser identificadas no exame contrastado. As imagens utilizadas no estudo são do acervo dos próprios autores.

A síndrome da encefalopatia reversível posterior (PRES) é uma consequência rara, mas possível, da infecção pelo Sars-CoV-2, que vendo sendo descrita notadamente em quadros graves com alteração do nível de consciência.
A PRES é uma desordem cerebrovascular de autorregulação, relacionada na maioria dos casos à elevação dos níveis pressóricos; contudo, tem sido relatada também em pacientes COVID-19 com alterações modestas de pressão arterial, durante períodos prolongados de intubação. O quadro clínico é geralmente de alteração do nível de consciência, cefaleia ou convulsões. A fisiopatogenia ainda é incerta, sugere-se que fatores como hipertensão arterial promovam dano endotelial, além de alterações hipóxicas.
Ao exame de tomografia computadorizada (TC) podem não ser identificadas alterações; nesses casos, é de suma importância que, diante da suspeita clínica, prossiga-se a investigação com ressonância magnética (RM). No entanto, quando há alterações visíveis na TC, serão identificados focos hipodensos não confluentes bilaterais com predomínio subcortical e nos lobos parietooccipitais bilaterais (imagem 1).
A RM é o principal método na avaliação da PRES, caracterizando-se lesões de aspecto digitiforme com hiperssinal em T2/FLAIR e predomínio subcortical (imagem 2), relacionadas a edema vasogênico, principalmente em regiões parietocccipitais, podendo estender-se às regiões anteriores do cérebro e aos núcleos da base. Eventualmente a sequência de susceptibilidade magnética (SWI) pode demonstrar focos hipointensos, relacionados a petéquias hemorrágicas. Na maioria dos casos, há resolução parcial ou até mesmo completa das alterações no SNC à terapêutica adequada. Além disso, a difusão (DWI) auxilia na avaliação prognóstica: quando normal, indica edema vasogênico e potencialmente reversível; quanto há restrição à DWI, com mapa de ADC apresentando baixo sinal, infere-se que houve dano estrutural irreversível em decorrência de edema citotóxico.
Concluímos que a possível lesão endotelial decorrente do COVID-19, bem como a possibilidade da quebra da barreira hematoencefálica, podem resultar em alterações graves do SNC; destacamos neste estudo casos de PRES e enfatizamos que, diante da suspeição clínica de acometimento neurológico pelo COVID-19, a RM deva ser considerada, favorecendo terapêutica precoce e evitando sequelas permanentes ou até mesmo o óbito.

As síndromes aórticas agudas (SAA) constituem um conjunto de patologias com apresentação clínica e fatores de risco semelhantes entre si e incluem dissecção, hematoma intramural, úlcera penetrante e aneurisma roto de aorta. Esse grupo de doenças afeta a parede aórtica por diferentes mecanismos fisiopatológicos e os exames de imagem são essenciais para o diagnóstico rápido e acurado destas. Dessa maneira, é fundamental que o radiologista conheça os aspectos radiológicos, a classificação e as possíveis complicações das SAA.
No protocolo de angiotomografia computadorizada para casos suspeitos de SAA, inclui-se uma fase sem contraste, importante na identificação de material hemático espontaneamente denso. Após a infusão do meio de contraste iodado, faz-se uma aquisição da aorta até as artérias ilíacas comuns e a sincronização eletrocardiográfica é útil para minimizar artefatos na aorta ascendente.
Nos casos de dissecção aórtica, ocorre uma ruptura mediointimal, determinando uma separação das camadas da parede aórtica com a criação de um falso lúmen. A falsa luz usualmente é maior que a verdadeira, em função de maior e mais constante pressão intraluminal. Já o hematoma intramural agudo tem a aparência clássica do “crescente hiperatenuante”, secundário a presença de um hematoma decorrente da ruptura da vasa vasorum ou mesmo por dissecção incompleta com trombose da falsa luz em que não se identifica a ruptura mediointimal.
Tanto a dissecção aórtica quanto o hematoma intramural que acometem o segmento ascendente da aorta torácica são classificados como Stanford A e são considerados emergências cirúrgicas devido a sua elevada taxa de complicações e de mortalidade. Em casos de SAA envolvendo a raiz da aorta, pode-se notar extensão do hematoma para os ramos arteriais pulmonares. Isso ocorre em função de uma origem conjunta da adventícia junto à porção proximal da aorta e da artéria pulmonar.
Casos de úlcera penetrante da aorta ocorrem em função de uma erosão progressiva de uma placa aterosclerótica com extensão para as camadas íntima e média. O aneurisma roto de aorta apresenta alta letalidade e usualmente casos com ruptura contida podem ser avaliados através de angiotomografia. Associam-se hematoma mediastinal, hemopericárdio e hemotórax.
No relatório radiológico, deve-se incluir a presença e o tamanho da ruptura mediointimal, se houver, os diâmetros da aorta e do falso lúmen, os segmentos envolvidos e a presença de complicações associadas.

A ureterocele é geralmente definida como uma dilatação cística da porção distal do ureter dentro da base da bexiga. São classificadas como ortotópicas ou intravesicais quando ocorrem na posição normal da junção vesico-uretérica e ectópicas ou extravesicais (classicamente associada com a duplicidade ureteral) quando ocorrem ectopicamente baixo e medial, próximo ao colo da bexiga/uretra. As ortotópicas são consideravelmente menos comuns do que a variedade ectópica e quase sempre confinadas à população adulta além de normalmente estarem associadas a sistema excretor simples e as alteraçóes da função renal serem menos expressivas. A sua etiologia é controversa sendo aventada a hipótese que tem base na estenose do ureter pela reabsorção incompleta da membrana de Chwalla na vida embrionária e na estenose associada à ausência de fibras musculares do ureter terminal. Clinicamente a ureterocele pode se expressar através de infecções urinárias de repetição, hematúria, litíase, dor lombar e disúria. É mais frequente a manifestação em crianças, entretanto quando encontrada em adultos geralmente está associada à unilateralidade. O diagnóstico das ureteroceles podem ter múltiplas variações e apresentações distintas, com anatomia e fisiologia variadas. Em relação ao tratamento a prescrição de antibioticoterapia profilática precoce é um dos poucos pontos de consenso na abordagem terapêutica inicial desta patologia. Uma ampla avaliação, com uma série de exames complementares, fornecerá dados para um planejamento individualizado para cada paciente. O presente estudo visa demonstrar através de exames de imagem selecionadas do acervo dos próprios autores, um estudo iconográfico da ureterocele em diferentes tipos de exames de imagem.

A uretrografia retrógrada é o padrão-ouro para avaliação das lesões uretrais, refere-se ao estudo radiográfico da uretra por meio de contraste iodado injetado pelo canal da urina e geralmente é realizada no sexo masculino. Este exame é mandatório para determinar a topografia e a extensão de uma lesão no canal uretral. Varias são as indicações deste exame como fluxo urinário diminuído, suspeita de estenoses uretrais, divertículos, fístulas, infecções urinárias de repetição, refluxo vesicoureteral, anomalias congênitas dentre outras. A principal causa de queixas urinárias ocorre devido a estenose de um seguimento da uretra que habitualmente resulta de uma cicatriz ou fibrose da mucosa uretral e tecido esponjoso circundante, após um processo traumático ou inflamatório da uretra anterior, ou de um processo obliterativo da uretra posterior após um traumatismo pélvico. O diagnóstico preciso é essencial para o manejo adequado e diminuição da morbidade, podendo a abordagem terapêutica requerer apenas medidas conservadoras ou não. Portanto uma correta avaliação é importante para um tratamento rápido proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente. Este estudo iconográfico visa demonstrar as principais alterações uretrais que podem ser identificadas no exame contrastado. As imagens utilizadas no estudo são do acervo dos próprios autores.

Apesar de geralmente ser um achado desprovido de significado clínico, as anomalias do desenvolvimento venoso (DVA, do inglês) eventualmente podem cursar com algumas complicações infrequentes (por exemplo, obstrução, isquemia, trombose, convulsões). O objetivo desta apresentação é descrever resumidamente as características de imagens da DVA e suas localizações, bem como o papel dos métodos de imagem na avaliação das complicações associadas à DVA, principalmente a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.
Dessa forma, faz-se necessário descrever as características e marcos anatômicos importantes que têm implicações e devem ser incluídas nos relatórios de imagem, bem como os sinais de alarme e eventuais diagnósticos diferenciais nos casos atípicos.

Os períodos de gestação e lactação acarretam diversas alterações na mama feminina, tanto do ponto de vista clínico quanto por imagem. Em relação aos achados ultrassonográficos, evidencia-se um aumento da densidade mamária e da vascularização do tecido fibroglandular, além de uma proeminência ductal. Dessa forma, o tecido torna-se mais hiperecogênico e heterogêneo, tornando o exame tecnicamente mais difícil.
A grande maioria das alterações que ocorrem nesses períodos são benignas, destacando-se: galactocele, adenoma da lactação e alterações inflamatórias/infecciosas, como mastite e abscesso. No entanto, quando trata-se de tumor maligno, tende a ser mais agressivo, sendo essencial seu diagnóstico precoce e tratamento.
Esse trabalho tem o objetivo de elucidar as diversas alterações mamárias decorrentes da gestação e lactação através de casos do nosso serviço, tendo a finalidade de familiarizar os radiologistas e atenta-los para os achados suspeitos que necessitam de prosseguimento da investigação diagnóstica através do estudo anatomopatológico.

A avaliação radiológica de dor no quadrante superior direito do abdômen deve incluir a possibilidade de colecistite, sendo a colelitíase sua principal causa e achado frequente na população adulta. A inflamação aguda da vesícula biliar é uma urgência cirúrgica, e pode se apresentar sob vários espectros, desde formas sutis até quadros extensos de inflamação vesicular e perivesicular, e sua cronificação potencializa o surgimento de complicações. A ultrassonografia é acurada para avaliação da colelitíase e colecistite, porém a tomografia mostra-se mais sensível, específica e acurada nos casos de inflamação extensa ou complicações. O objetivo deste ensaio é descrever e ilustrar achados tomográficos na colecistite complicada, contemplando achados tomográficos das seguintes complicações da colecistite aguda: colecistite enfisematosa, perfuração e abscesso pericolecístico, fístula colecistoentérica e íleo biliar. As características tomográficas da colecistite aguda incluem distensão, espessamento e realce parietal, obliteração dos planos adiposos adjacentes e líquido pericolecístico. A colecistite enfisematosa é causada por uma infecção da vesícula biliar por microrganismos produtores de gás, acometendo principalmente pacientes diabéticos, evidenciada tomograficamente por gás na parede vesicular. Defeito parietal focal na vesícula biliar, contíguo com líquido pericolecístico sugere perfuração da mesma, podendo evoluir com abscesso pericolecístico e/ou intra-hepático, comumente presente nas colecistites gangrenosa e enfisematosa. Episódios recorrentes de colecistite podem levar a aderências entre a vesícula e o intestino, com consequente fístula colecistoentérica (podendo ser avaliada em reconstruções tomográficas multiplanares) e consequente pneumobilia. Se houver passagem de cálculo biliar, pode resultar em obstrução do íleo distal, determinando a Tríade de Rigler: obstrução intestinal, cálculo ectópico e pneumobilia, configurando íleo biliar. No cenário epidemiológico atual, o adiamento de cirurgias eletivas e o isolamento social podem retardar a conduta cirúrgica nos casos de colelitíase e colecistite aguda, e predispor às suas complicações. A avaliação tomográfica traz informações adicionais à ultrassonografia, e tem papel fundamental na avaliação das complicações da colecistite aguda.

Introdução
O exame de Densitometria Óssea (DMO) é o método ouro para avaliação da massa óssea, predizendo o risco de fratura. As medições ósseas mostraram a capacidade de prever o risco de fratura, sendo uma ferramenta fundamental no rastreio de doenças relacionadas à baixa densidade mineral óssea em pacientes. Além do screening diagnóstico, também serve para acompanhamento de pacientes em vigência de tratamento de perda de massa óssea. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os sítios ósseos utilizados no estudo densitométrico são fêmur proximal (colo femoral e fêmur total) e coluna lombar (L1-L4) e antebraço distal (rádio 33%). O rádio 33% é o único sítio ósseo periférico que pode ser utilizado para fins diagnósticos. Este ensaio iconográfico tem como objetivo demonstrar através de imagens as principais indicações de complementação do exame densitométrico com a região de interesse do rádio 33%.
Descrição e discussão
Foram selecionados exames de densitometria óssea no arquivo de imagens de nossos serviços, de pacientes em investigação de redução da densidade mineral óssea, com indicação de realização do sítio rádio 33%.
A complementação do exame com o estudo do rádio distal na DMO permite a obtenção de um resultado acurado não só em situações onde não é possível a avaliação adequada dos corpos lombares ou do fêmur (artefatos metálicos em projeção destes sítios, alterações degenerativas em três ou mais corpos vertebrais lombares, obesidade mórbida), como também em situações com predomínio da desmineralização óssea do osso cortical, como no hiperparatireoidismo. No antebraço, somente o terço distal do rádio deve ser utilizado para diagnóstico. Deve-se dar preferência para estudar o antebraço não dominante do paciente.
A DMO é um exame de fundamental importância para rastreio, diagnóstico e acompanhamento de doenças, como a osteopenia, osteoporose e baixa densidade mineral óssea. A avaliação complementar do antebraço distal é importante para complementar o estudo de DMO em situações específicas, com excelente acurácia.

As doenças neurometabólicas são incomuns na prática médica, apresentando um amplo espectro de diagnósticos diferenciais, com apresentações clínicas que se sobrepõem, tornando-se um desafio diagnóstico. A patogênese depende do acúmulo de metabólitos, muitas vezes tóxicos ao encéfalo, determinando disfunção enzimática. A história do paciente e sua evolução são fundamentais na avaliação inicial, porém nem sempre é possível diferenciá-las apenas com este recurso.
A rápida definição da patologia envolvida é importante devido a gravidade da doença e complicações severas. Desta forma os exames de imagem são fundamentais no reconhecimento de padrões de apresentações radiológicas, afunilando os diagnósticos diferenciais de acordo com as estruturas predominantemente acometidas e suas características de intensidade de sinal na ressonância magnética ou densidade na tomografia.
Devido a esse desafio diagnóstico o presente estudo traz alguns casos de patologias neurometabólicas selecionados do ano de 2019 a 2021.

Introdução
O exame de Densitometria Óssea (DMO) é o método ouro para avaliação da massa óssea, predizendo o risco de fratura. As medições ósseas mostraram a capacidade de prever o risco de fratura, sendo uma ferramenta fundamental no rastreio de doenças relacionadas à baixa densidade mineral óssea em pacientes. Além do screening diagnóstico, também é utilizado para acompanhamento de pacientes em vigência de tratamento de perda de massa óssea. Um dos sítios ósseos de análise é a coluna lombar, com região de interesse de L1-L4. Este sítio é o único que pode servir de aferição em qualquer faixa etária. Na análise da coluna lombar, devem ser respeitadas algumas orientações técnicas para melhorar a acurácia do exame, como a exclusão de corpos vertebrais, quando necessário. Este ensaio iconográfico tem como objetivo apresentar a importância da avaliação criteriosa do sítio coluna lombar na indicação da exclusão de um ou mais corpos vertebrais para o diagnóstico acurado em exames de densitometria óssea.
Descrição e discussão
Foram selecionados exames de densitometria óssea no arquivo de imagens de nossos serviços, de pacientes em investigação de redução da densidade mineral óssea.
As orientações técnicas para a exclusão de corpos vertebrais nos exames de DMO melhoram a acurácia do método, devendo ser observadas para a adequada realização do exame.
A exclusão de uma ou duas vértebras é feita se houver alteração anatômica, manipulação cirúrgica e processos osteodegenerativos que resultem na diferença de mais de um desvio-padrão entre a vértebra em questão e a adjacente. Se apenas uma vértebra lombar for avaliável, depois de excluídas as demais, o diagnóstico deverá basear-se em outro sítio esquelético, como o antebraço distal.
A DMO é um exame de fundamental importância para rastreio, diagnóstico e acompanhamento de doenças relacionadas à baixa densidade mineral óssea. A exclusão de um ou dois corpos vertebrais quando indicados, devem ser realizadas, visando minimizar a incidência de erros diagnósticos e melhorar a acurácia do exame.

As doenças da órbita compreendem um amplo espectro de manifestações clínicas e de padrões de imagem que frequentemente se sobrepõem e se apresentam como um dilema diagnóstico. Algumas doenças neoplásicas e vasculares possuem padrões de imagens característicos, que quando associados à história clínica e exame oftalmológico contribuem para a elucidação diagnóstica.
Este ensaio iconográfico tem o objetivo de demonstrar os padrões de imagens reconhecidos nos exames de imagem de patologias da órbita ,de natureza vascular e neoplásica, do departamento do hospital universitário no período compreendido entre 2017 e 2021, com ênfase na ressonância magnética (RM) e tomografia computadorizada (TC). Tais padrões, quando devidamente interpretados, podem contribuir para o diagnóstico precoce e na conduta clínica.

As encefalites consistem em um processo inflamatório imuno-mediado do parênquima encefálico, geralmente de etiologia infecciosa ou autoimune. A apresentação clínica evolui de maneira rápida e progressiva, cursando com déficits neurológicos focais e alteração de consciência e conduta. A avaliação precoce e diagnóstico assertivo, portanto, faz-se fundamental na definição do tratamento e na obtenção de melhores prognósticos aos pacientes.
O método de imagem com maior sensibilidade para detecção das encefalites é a ressonância magnética (RM), que em muitos casos pode apresenta-se normal ou com alterações não específicas.
A forma autoimune de encefalites exibe múltiplas apresentações, tanto dos sintomas clínicos quanto dos achados de imagem sendo um desafio diagnóstico. Uma das apresentações mais comuns é o acometimento do sistema límbico e núcleos da base, entretanto muitas vezes a ressonância magnética do encéfalo pode ser normal, sendo fundamental a valorização dos dados clínicos e a correlação com o painel de anti-corpos. As encefalites auto-imunes podem ser desencadeadas por tumores, quadros infecciosos virais ou ainda apresentar etiologia criptogênica.
O objetivo deste trabalho é exibir uma série de três casos que demonstra as diversas formas de apresentação das encefalites autoimunes tanto em seus sintomas clínicos quanto de imagem.

A síndrome dolorosa complexa regional (SDCR), também conhecida por distrofia simpático-reflexa ou algoneurodistrofia, é uma condição dolorosa com predileção a acometer as extremidades dos membros superiores e inferiores, acarretando por vezes importante limitação funcional ao paciente. É caraterizada por quadro de dor desproporcional secundária a evento traumático acompanhada por alterações sensoriais, vasomotoras e motoras.
A fisiopatologia da SDCR ainda é pouco compreendida e possivelmente multifatorial. Acredita-se que esteja relacionada ao trauma tecidual que desencadeia uma reação inflamatória desproporcional, envolvendo o sistema nervoso central e periférico, notadamente o simpático. Os eventos desencadeantes podem envolver traumas, cirurgia, infarto do miocárdio, trombose venosa periférica ou mecanismo idiopático.
Os achados de imagem variam conforme as fases temporais da doença, sendo estas inflamatória, distrófica e atrófica. Na maioria das vezes a SDCR pode se apresentar por osteopenia irregular e reabsorção óssea difusa, com predomínio periarticular e preservação do espaço articular. Também é possível se deparar com espessamento da pele, edema de partes moles e da medular óssea, derrame articular, hipertrofia sinovial e, tardiamente, com atrofia muscular. Os diagnósticos diferenciais dependem da fase doença, dentre eles estão a osteopenia por desuso, osteoporose migratória regional, artrites e miosites. Os achados de imagem, quando em conjunto com o quadro clínico podem sugerir a hipótese de SDCR, sendo uma ferramenta importante para afastar diagnósticos alternativos, e assim, poder contribuir no diagnóstico conclusivo da doença.

O principal fator de risco para o câncer de mama é a idade avançada e sua incidência aumenta proporcionalmente a idade até 80 anos. O rastreamento do câncer de mama com mamografia é reconhecido mundialmente, embora a frequência e idade do término do rastreamento permaneçam controversos. Enquanto algumas diretrizes recomendam a triagem até os 69-74 anos, outras consideram continuar, desde que a expectativa de vida seja superior a 5 ou 10 anos.
O prognóstico dos cânceres mais comuns nessa faixa etária tende a ser mais favorável, com menor taxa de proliferação, maior incidência de tumores com receptores hormonais positivos e baixas taxas de expressão de HER2. Os tumores triplo negativos são menos frequentes e tendem a ter um resultados melhores do que em mulheres jovens.
Por outro lado, a maioria das mulheres idosas é diagnosticada em estágios mais avançados e apresenta taxas de mortalidade mais elevadas, o que pode estar associado a atrasos no diagnóstico e ‘subtratamento’ devido à faixa etária. O papel da ressonância magnética de mama na avaliação de mulheres idosas é mais significativo em pacientes com mamas densas, detectando câncer de mama oculto e extensão da doença.
Apesar da perspectiva de crescimento de novos casos em mulheres com mais de 70 anos devido ao aumento da expectativa de vida, faltam diretrizes específicas que subsidiem o rastreamento e o manejo do câncer de mama na população geriátrica. Este é um tema relevante, visto que os principais os determinantes da sobrevida são as características dos tumores e as comorbidades das pacientes, e não a idade biológica em si.
Sendo assim, este trabalho se propõe a discutir o câncer de mama na mulher idosa, através da abordagem das características epidemiológicas, recomendações das principais sociedades sobre o rastreamento, diagnóstico adequado, subtipos histológicos mais frequentes e perspectivas de tratamento, através da correlação com os aspectos imaginológicos ilustrados em casos do nosso serviço.

A dor em fossa ilíaca direita é uma queixa que leva milhares de pacientes ao pronto-socorro todos os anos. Nesse contexto, a apendicite é o principal diagnóstico levado em consideração, principalmente quando o paciente apresenta ao exame físico dor à manobra de descompressão abdominal no ponto de McBurney (sinal de Blumberg). No entanto, o médico radiologista da emergência deve estar familiarizado com os inúmeros diagnósticos diferenciais que podem estar relacionados a esta queixa para auxiliar na elucidação diagnóstica. Neste ensaio iconográfico iremos apresentar os principais diagnósticos diferenciais dos pacientes que foram submetidos a exames de imagem na maior emergência privada da capital do estado do Maranhão, separando os achados nos seguintes grupos: causas intestinais ,como diverticulites e apendagites; causas ginecológicas, como as torções ovarianas; doenças do trato digestivo complicadas, como a doença de Crohn complicada; causas urológicas, como a ureterolitíase; corpo estranho, como espinhas de peixe e apendicites em concomitância a outros achados. Assim, é ,também, intuito deste ensaio mostrar a limitação de cada método selecionado, a fim de melhorar a comunicação do radiologista com o médico emergencista para esclarecer dúvidas sobre qual exame solicitar e diminuir o tempo na pesquisa da causa da dor.

Diversas lesões podem acometer a região selar e suprasselar, podendo ser benignas ou malignas. A anatomia dessa região envolve estruturas como parte óssea de sela túrcica,
glândula hipofisária, o seio cavernoso, cisterna suprasselar, quiasma óptico e artéria carótida
interna. Entender essa anatomia e analisar a extensão das lesões são de grande
importância para prognóstico e programação cirúrgica do paciente.
A sintomatologia de lesões selares e suprasselares é bem diversa, com ou sem alterações hormonais, podendo manifestar sinais e sintomas neurológicos decorrentes da compressão de estruturas anatômicas. Várias lesões podem acometer a região selar e suprasselar, entre elas o micro e macroadenomas hipofisários, cisto da bolsa de Rathke, meningiomas, craniofaringiomas, aneurismas e
neoplasias primárias do esfenoide.
Dentre os métodos de imagem a ressonância magnética (RM) surgiu como a modalidade de
escolha para diagnóstico por imagem padrão das estruturas selares e parasselares, bem como
para a avaliação das doenças da glândula pituitária. As principais vantagens da ressonância
magnética de alta resolução são a capacidade de reconstrução multiplanar e a melhora na
diferenciação dos tecidos moles. Os métodos de imagem permitem sugerir o diagnóstico antes
do ato operatório. Esse conhecimento é importante para determinar as diferentes formas de
abordagem e graus de ressecção.
O objetivo do estudo é demonstrar as principais lesões selares, suprasselares e suas
complicações familiarizando os radiologistas com os principais achados. Além disso também
tem o intuito de sistematizar a avaliação das principais lesões dessa região, formulando etapas
de avaliações das imagens.

Medicina centrada no paciente sempre é foco de debate das especialidades médicas. Na radiologia os exames também são realizados de forma única, direcionadas para a queixa do paciente. Um exame de tomografia tem seus tempos de aquisição e indicação ou não do meio de contraste dependendo do que se quer observar, um achado pode ter relevância ou não se for estável ou novo ou se o paciente já realizou um tratamento ou não. Todas essas são informações que nos auxiliam na realização e interpretação dos exames. Mas geralmente são os achados do exame e não o paciente em si que vemos. É o tumor de cólon e não o senhor João que lidamos diariamente. Uma das poucas oportunidades que temos de lidar com o senhor João é participando de reuniões multidisciplinares ou na hora da realização do exame em si, seja realizando uma ultrassonografia, seja orientando as fases de aquisição do exame axial.
Este trabalho tem por objetivo expor uma coletânea de fotografias de pacientes que receberam atendimento com a realização de ultrassonografias, trazendo o paciente para primeiro plano para levantar o questionamento sobre o lugar que colocamos o paciente na prática diária.
Durante a realização de um breve trabalho voluntário em um barco hospital pelo rio Amazonas foram realizados exames ultrassonográficos em 160 pacientes que após a realização dos exames assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido permitindo o registro de sua fotografia.
É muito provável que a inteligência artificial reconheça os padrões de imagem e consiga chegar em alguns diagnósticos, mas algo que ela nunca irá substituir é a relação médico-paciente.

A realização da mamografia e ultrassonografia das mamas nos programas de rastreamento tem como principal objetivo a identificação do câncer de mama. Porém, com a maior disponibilidade destes exames nos dias atuais, as alterações mamárias secundárias a doenças sistêmicas têm sido cada vez mais reconhecidas e diagnosticadas.
As doenças que eventualmente cursam com manifestações mamárias e alterações nos exames de imagem podem ter origem em quase todos os órgãos, podendo ser benignas ou malignas, sendo as principais a cardiopatia, o diabetes, a insuficiência renal crônica, as parasitoses, as doenças granulomatosas, as colagenoses, o linfoma, a leucemia e as metástases.
Tais doenças podem apresentar os seguintes achados de imagem na mamografia ou na ultrassonografia das mamas: nódulos, assimetrias, espessamento cutâneo, proeminência dos vasos sanguíneos, linfonodomegalias axilares, dentre outros, podendo simular alterações suspeitas de malignidade relacionadas à mama.
Na maioria dos casos as pacientes já possuem o diagnóstico de alguma doença sistêmica, sendo responsabilidade do radiologista a suspeição de que os achados de imagem podem ser explicados pela doença de base. Sendo assim, o diagnóstico envolve a história clínica, o exame físico, os exames de imagem e tratamentos previamente realizados.
Este estudo tem como objetivo mostrar exemplos de exames de mamografia e ultrassonografia nos quais foram identificadas alterações mamárias decorrentes de doenças sistêmicas, permitindo ampliar o diagnóstico diferencial e evitar eventuais procedimentos invasivos.

Dor pélvica aguda geralmente é definida como dor no abdome inferior ou pélvica que dura menos de três meses. Mais de um terço das mulheres em idade reprodutiva sentirão dor pélvica não menstrual em algum momento da vida. A maioria das dores pélvicas agudas estão relacionadas ao sistema genital, urinário e gastrointestinal, mas anormalidades musculoesqueléticas, vasculares e neurológicas também entram como fatores etiológicos mais remotos. Em mulheres em idade reprodutiva, o diagnóstico diferencial é amplo, incluindo alterações fisiológicas, como ovulação, patologias ginecológicas como cisto ovariano hemorrágico, doença inflamatória pélvica e torção de ovário, bem como patologias não-ginecológicas, incluindo, apendicite, litíase urinária e infecções do trato urinário.
Muitas vezes o diagnóstico torna-se desafiador, frente a sinais e sintomas por vezes inespecíficos, demandando uma história clínica detalhada, exame físico, exames laboratoriais e uma boa formulação de hipóteses diagnósticas antes de solicitar exames radiológicos. Excluir o diagnóstico de gestação é um ponto crucial na avaliação, pois os passos seguintes da abordagem serão diferentes entre gestantes e não-gestantes.
A ultrassonografia transvaginal e pélvica transabdominal são as modalidades de imagem de escolha quando as suspeitas são de causas ginecológicas e obstétricas, devido a ampla disponibilidade, ausência de radiação e versatilidade diagnóstica. A tomografia computadorizada (TC) é o método mais acurado nas suspeitas de causas gastrointestinais e urológicas. A ressonância magnética, que não utiliza radiação e tem um excelente contraste entre os tecido moles, é preferível a TC para avaliar a gestante quando for suspeitado de patologias não-ginecológicas, no entanto, torna-se um método mais complexo, mais caro e menos acessível, principalmente nas causas em que demandam urgência quando se trata de pacientes não gestantes.

A ressonância magnética está se tornando um exame cada vez mais disponível e frequente na rotina do radiologista. Lesões ósseas são achados frequentes, por vezes incidentais, durante a avaliação destes exames. Nesse contexto, é necessário realizar a devida caracterização destas lesões, bem como ser capaz de reconhecer características que aumentam a suspeita para malignidade, a fim de auxiliar na conduta e ajudar a conduzir da melhor forma tais casos.
Os objetivos deste trabalho são: discutir o papel da ressonância magnética na avaliação das lesões ósseas; revisar achados de imagem de lesões ósseas específicas e sinais que aumentam a suspeita de malignidade, baseado em uma série de casos ilustrativos de nossa instituição; propor um fluxograma para guiar a análise de lesões ósseas na ressonância magnética, definindo agressividade e necessidade de biópsia; estreitar os diagnósticos diferenciais e, quando possível, determinar o diagnóstico correto, correlacionando achados de imagem com dados clínicos disponíveis.

A ressonância magnética está se tornando um exame cada vez mais disponível e frequente na rotina do radiologista. Lesões de partes moles são achados frequentes, por vezes incidentais, durante a avaliação destes exames. Nesse contexto, é necessário realizar a devida caracterização destas lesões, bem como ser capaz de reconhecer características que aumentam a suspeita para malignidade, a fim de auxiliar na conduta e ajudar a conduzir da melhor forma tais casos.
Os objetivos deste trabalho são: discutir o papel da ressonância magnética na avaliação das lesões de partes moles; revisar achados de imagem de lesões de partes moles específicas e sinais que aumentam a suspeita de malignidade, baseado em uma série de casos ilustrativos de nossa instituição; propor um fluxograma para guiar a análise de lesões de partes moles na ressonância magnética, definindo agressividade e necessidade de biópsia; estreitar os diagnósticos diferenciais e, quando possível, determinar o diagnóstico correto, correlacionando achados de imagem com dados clínicos disponíveis.

A avaliação do correto posicionamento e perviedade de sondas e cateteres abdominais é rotineiramente realizada por exames radiográficos. Em contrapartida, a avaliação de complicações relacionadas a esses dispositivos é mais frequentemente avaliada por tomografia computadorizada (TC). No entanto, na população pediátrica a utilização de radiação ionizante e a necessidade de sedação apresentam-se como principais limitantes para utilização da TC com esse objetivo.
Nesse contexto, o ultrassom (US) vem se consolidando como técnica não invasiva, livre de radiação ionizante, que permite uma avaliação dinâmica e em tempo real do posicionamento desses dispositivos, das suas complicações e de sua relação com os órgãos vizinhos, especialmente no contexto emergencial, em que o diagnóstico rápido e acurado é necessário para conduta terapêutica.
O objetivo desse resumo foi demonstrar, através de casos reais, a importância da avaliação ultrassonográfica de sondas e cateteres digestivos e peritoneais na população pediátrica, bem como possíveis diagnósticos diferenciais.
Realizamos uma revisão de literatura e ilustramos o aspecto ultrassonográfico normal do correto posicionamento de sondas, cateteres digestivos e peritoneais e suas relações com os órgãos vizinhos. Ilustramos com casos da nossa rotina as principais complicações relacionadas a esses dispositivos e os principais diagnósticos diferenciais.
O ultrassom constitui uma ferramenta valiosa, livre de radiação ionizante, para avaliação dos dispositivos intra-abdominais no contexto das emergências pediátricas. É extremamente importante conscientizar o corpo clínico sobre essas possibilidades e sua importância e estimular uma comunicação constante entre a equipe de diagnóstico por imagem e os médicos solicitantes, bem como contar com profissionais qualificados e dedicados que possam aproveitar todo o potencial do método.

O objetivo da cirurgia oncológica da mama consiste em remover a neoplasia inicial, assim como reduzir o risco de recorrência local, regional e de novos tumores primários. A mastectomia está indicada em alguns casos como doença extensa, preferência da paciente ou em casos de alto risco hereditário.
Dentre as técnicas descritas, estão a mastectomia radical, mastectomia poupadora de pele (skin-sparing mastectomy - SSM) ou poupadora de complexo areolopapilar (the nipple–areola complex - NAC). A preservação de pele e complexo areolopapilar facilitam a reconstrução mamária, permitindo melhores resultados estéticos.
A maior parte do tecido mamário é removido durante a cirurgia, porém, a recorrência da doença pode ocorrer em tecido residual, em especial nas cirurgias poupadoras de pele e complexo areolopapilar. Do ponto de vista oncológico, estas técnicas são consideradas seguras, com taxa de recorrência variando entre 0 e 7% [1]. As recorrências são mais frequentes no tecido subcutâneo, seguidos das recidivas em tecidos profundos próximos à musculatura peitoral.
Neste estudo demonstramos a importância da ultrassonografia na detecção de recidiva precoce do carcinoma de mama em leito de mastectomia, nos três casos em menos de dois anos, detectados casualmente nos exames de rotina.
1. Local recurrence risk after skin-sparing and conventional mastectomy: a 6-year follow-up. Kroll SS, Khoo A, Singletary SE, Ames FC, Wang BG, Reece GP, Miller MJ, Evans GR, Robb GL Plast Reconstr Surg. 1999 Aug; 104(2): 421-5
2. American College of Radiology ACR Appropriateness Criteria. Available at: https: //acsearch.acr.org/docs/3155410/Narrative/. Accessed May 6, 2020.

Metástases sistêmicas de carcinoma mama em linfonodos
A progressão do câncer acomete primeiramente os linfonodos e a presença de metástases neste sitio reflete pior prognóstico.
O fluido linfático drena primeiro para o seio subcapsular, então percorre o linfonodo e posteriormente drena para os demais linfonodos mais acima da cadeia linfática através de anastomoses para o ducto torácico antes de entrar na corrente sanguínea. O fluido linfático de tumores primários quase invariavelmente drena para um único linfonodo chamado de Linfonodo Sentinela.
A formação de metástases ocorre quando células tumorais se destacam do tumor primário e migram pelos linfáticos e são transportadas até os linfonodos, onde se depositam nos sinus subcapsular.
Em alguns casos de câncer de mama as micrometástases podem ficar dormente por anos, demonstrando que os linfonodos podem reter, mas não ser um solo fértil, para o desenvolvimento da metástase.
Na ultrassonografia estas alterações progressivas podem ser evidenciadas na imagem, e demonstradas nas alterações morfológicas nos linfonodos
O linfonodo alterado apresenta alterações inicialmente na cortical que aumenta a espessura maior que 0,3cm, progressivamente ocorre a perda do hilo gorduroso, a forma do linfonodo fica arredondada ou irregular e a vascularização ao estudo Doppler apresenta predomínio cortical.
Apresentamos casos de linfonodos suspeitos e alterados por metástases de carcinoma de mama anos após o primeiro tumor, sem lesões concomitantes nas mamas.
Referências:
1)The lymph node pre-metastatic niche. Jonathan P Sleeman J Mol Med (Berl). 2015 Nov;93(11): 1173-84. doi: 10.1007/s00109-015-1351-6.
2) Von Andrian UH, Mempel TR (2003) Homing and cellular traffic in lymph nodes. Nat Rev Immunol 3: 867–878
3) Sleeman JP, Thiele W (2009) Tumor metastasis and the lymphatic vasculature. Int J Cancer 125: 2747–2756

VACINAÇÃO PARA COVID E AVALIAÇÃO DE LINFONODOS AXILARES
A ultrassonografia tem apresentado cada vez mais relevância como método diagnóstico particularmente quando se trata da detecção de lesões de mama, como estudo complementar a mamografia.
As regiões axilares devem ser avaliadas junto a mama, para a análise de linfonodos alterados favorecendo a determinação de quais paciente apresentam linfonodos acometidos por metástases de carcinoma de mama.
A ultrassonografia axilar também pode colaborar na detecção de doenças sistêmicas, principalmente nos casos em que os linfonodos estão alterados bilateralmente e em outras cadeias linfonodais, diagnóstico sugerido somente na realização sistemática do exame.
os linfonodos são órgãos do sistema imunológico que respondem a infecções periféricas através de suas áreas paracorticais, células T dependentes, nas quais células dendríticas apresentadoras de antígeno iniciam os linfócitos T, através de seus folículos germinais corticais contendo célula B, onde linfócitos B produzem anticorpos em resposta ao antígeno
Neste estudo faremos uma revisão da literatura sobre diagnóstico ultrassonográfico axilar de linfonodos atípicos e demonstração de imagens de casos em nosso serviço onde a ultrassonografia axilar demonstrou linfonodos alterados após a vacinação para a Covid e a importância da história clinica do paciente no momento da realização do exame.
Referências:
1)The lymph node pre-metastatic niche. Jonathan P Sleeman J Mol Med (Berl). 2015 Nov;93(11): 1173-84. doi: 10.1007/s00109-015-1351-6.
2) Von Andrian UH, Mempel TR (2003) Homing and cellular traffic in lymph nodes. Nat Rev Immunol 3: 867–878
3) Coronella-Wood JA, Hersh EM (2003) Naturally occurring B-cell responses to breast cancer. Cancer Immunol Immunother CII 52: 715–738
4) Ioachim HL, Medeiros LJ (2008) In: Ioachim HL, Medeiros LJ (eds) Tumor-reactive lymphadenopathy. Ioachim’s Lymph Node Pathology Lippincott Williams & Wilkins, Philadelphia, pp 243– 247 18.

As doenças por depósitos de cristais, são causadas por uma variada gama de desordens metabólicas e cursam com depósito de diferentes tipos de metabólitos nos tecidos. As artrites por depósitos de cristais podem ser divididas em três tipos principais, de acordo com o tipo de matabólito depositado. Dessa forma, podemos citar, a gota em que ocorre depósito de urato monossódico de cálcio, a doença de depósito de cristais de pirofosfato de cálcio e a doença de depósito de cristais de hidroxiapatita.
A gota é uma artrite inflamatória aguda, mais prevalente em homens, e que ocorre habitualmente entre a terceira e a sexta décadas de vida. Caracteristicamente, acomete a primeira articulação metatarso-falangeana. No início do quadro é monoarticular, podendo evoluir para artrite crônica deformante. Radiologicamente, apresenta-se com aumento assimétrico de partes moles, espaço articulares habitualmente preservados, com ou sem cistos, erosões marginais excêntricas para-articulares em saca-bocado, discreta reabsorção óssea periarticular, alterações ósseas proliferativas e calcificação intraóssea.
A doença de depósito de pirofosfato de cálcio trata-se da artropatia cristalina mais comum e causa mais frequente de condrocalcinose. Ocorre especialmente em pacientes de meia idade, e sua prevalência aumenta de acordo com a idade. Radiologicamente, apresenta-se com artropatia, associada a depósito de cristais em partes moles.
A doença de depósito de cristais de hidroxiapatita de cálcio pode estar associada com várias doenças sistêmicas ou ser de natureza idiopática, normalmente é monoarticular e unilateral. É uma causa frequente de tendinite e bursite, na maioria dos casos envolvendo o ombro. O achado clássico é a calcificação periarticular, acarretando tendinopatia cálcica, peritendinite e bursite.
Neste ensaio iconográfico, ilustraremos os aspectos radiológicos das doenças por depósitos de cristais, através de imagens de radiografia obtidas do acervo dos próprios autores.

Cistos intracranianos não neoplásicos são achados comuns em exames de ressonância magnética do crânio, podendo representar um amplo espectro de patologias em exames de imagem. Dessa maneira, a localização topográfica das lesões pode ser muito útil para estabelecer um diagnóstico correto, como por exemplo, no caso de cistos coloides, no aspecto anterossuperior do terceiro ventrículo. Entretanto, muitas das lesões císticas intracranianas não neoplásicas, podem se apresentar em mais de um local, como no caso dos cistos aracnoides ou cistos epidermoides. Os cistos aranóides são os mais comuns de todos os cistos congênitos intracranianos, são bem delimitados, com comportamento semelhante ao líquor e quase sempre solitários, variando de pequenos cistos a grandes massas. Várias outras lesões, de origem congênita, infecciosa e vascular, também podem se apresentar como cistos. Com isso, é importante destacar aspectos radiológicos, como localização, presença ou ausência de calcificações, realce pelo meio de contraste, intensidade de sinal em diferentes sequencias de ressonância magnética e restrição a difusão, enfatizando seus aspectos de imagem mais relevantes. Neste ensaio iconográfico, abordaremos as principais causas de lesões císticas intracranianas não neoplásicas, como maneira de estreitar os diagnósticos diferenciais no contexto de lesões císticas intracranianas não neoplásicas.

Os gânglios da base são núcleos de substância cinzenta localizadas entre a ínsula e a linha média, que participam de diversas funções motoras e não motoras. No sentido anatômico, envolvem os núcleos caudado e o núcleo lentiforme. O putâmen e o globo pálido juntos formam o núcleo lentiforme. Funcionalmente, a substância negra e o núcleo subtalâmico também estão incluídos nos gânglios da base. Além disso, os núcleos talâmicos, amígdala e claustro também são núcleos associados aos gânglios da base. O corpo estriado refere-se ao caudado, putâmen e globo pálido. Os gânglios da base são normalmente isodensos / isointensos ao córtex. Como o globo pálido tem mais conteúdo de mielina em comparação com o putâmen, ele geralmente aparece um pouco mais hipointenso nas imagens T2WI, GRE e SWI. A medida que o indivíduo envelhece, podem ser observadas alterações de sinal nos gânglios da base. A deposição de cálcio relacionada à idade no globo pálido, por exemplo, resulta inicialmente em aumento da intensidade do sinal T1 e, posteriormente em perda do sinal em todas as sequências. O envelhecimento, com a conseqüente deposição de ferro no putâmen, promove uma diminuição gradual da intensidade do sinal T2 / T2 * / SWI no putâmen. Diversas patologias cursam com envolvimento dos gânglios da base, dentre elas doença de Parkinson, doença de Huntington , mielinólise pontina central e microhemorragia cerebral, além de calcificações dos gânglios da base. Neste ensaio iconográfico, abordaremos a anatomia dos gânglios da base e sua topografia, além de ilustrar, as principais patologias envolvidas no acometimento dos gânglios da base.

Introdução
A urografia por ressonância magnética funcional (URMF) é um valioso recurso capaz de oferecer detalhes anatômicos multiplanares de alta resolução do sistema genitourinário, além de fornecer resultados funcionais. Embora existam diversos estudos do seu uso em pediatria (que é beneficiada na pesquisa de malformações de alta complexidade), há poucas publicações na literatura a respeito do método aplicado à população adulta. Esta faixa etária pode ser beneficiada principalmente nos casos de pacientes que tenham contraindicação ao uso do meio de contraste iodado e/ou radiação ionizante. Este trabalho teve como objetivo descrever, através de casos, as principais indicações clínicas da URMF em adultos; demonstrar quem são os principais benificiários dessa técnica na identificação de detalhes anatômicos e funcionais em um único tipo de exame e ilustrar os variados casos de alterações congênitas, morfológicas e funcionais deste método, que ainda é um exame pouco utilizado nesta faixa etária.
Descrição
Foi realizado um levantamento retrospectivo de exames de URMF realizados em dois centros no período de janeiro a julho de 2021. Treze casos foram selecionados para este ensaio iconográfico. Descrevemos as alterações urológicas mais frequentes e ilustraremos como a URMF pode ser utilizada, como: investigação de paciente do sexo masculino de 52 anos que foi submetido à reconstrução ureteral com enxerto de alça ileal, que apresentava obstrução de repetição; mulher de 48 anos em exame pré-operatório para transplante renal intervivos; pacientes com contraindicação absoluta ao meio de contraste iodado; pacientes transplantados com rejeição aguda ao enxerto. Também mostraremos os protocos utilizados em nossos serviços com uso de administração de diurético endovenoso antes da injeção de gadolíneo, nas sequências ponderadas em T2 sem e com supressão de gordura e T1 por 18 minutos (em torno de 50 aquisições contínuas com pausas progressivas). Será incluído os parâmetros técnicos, como: segmentação semiautomática; curvas funcionais; MIP (projeção de intensidade máxima) e mapas de Patlak. Técnica de pós-processamento, incluindo reconstrução morfológica tridimensional, análises morfométricas e funcionais e utilização o software CHOP-fMRU para avaliação das imagens.

Introduction: Craniopharyngiomas are benign neoplasms (WHO grade I), which arise from Rathke's pouch, usually intrasellar and/or suprasellar, and may affect any part of the infundibulum from the floor of the third ventricle to the pituitary. These lesions represent about 1-3% of intracranial tumors and can be histopathologically classified as adamantinomatous or papillary. It is a tumor with an aggressive local behavior that often reappears even after surgical resection. However, malignant transformations are rarely evidenced. In this context, the radiologist must be prepared and have knowledge of the imaging patterns of craniopharyngiomas, being able to recognize possible local complications or signs of malignancy associated with the lesion. Description: The present study aims to demonstrate the radiological presentation of different cases of craniopharyngiomas, with varied patterns of local growth, which can determine compressive effects that progress with prominent clinical manifestations, rapidly evolving and of great impact on the patient, since the effect mass is the main determinant of manifestations such as headache, increased intracranial pressure, visual symptoms, hormonal imbalances and behavioral changes. The main differential diagnoses include intracranial teratoma and pituitary macroadenoma.

Introduction: Craniopharyngiomas are benign neoplasms (WHO grade I), which arise from Rathke's pouch, usually intrasellar and/or suprasellar, and may affect any part of the infundibulum from the floor of the third ventricle to the pituitary. These lesions represent about 1-3% of intracranial tumors and can be histopathologically classified as adamantinomatous or papillary. It is a tumor with an aggressive local behavior that often reappears even after surgical resection. However, malignant transformations are rarely evidenced. In this context, the radiologist must be prepared and have knowledge of the imaging patterns of craniopharyngiomas, being able to recognize possible local complications or signs of malignancy associated with the lesion. Description: The present study aims to demonstrate the radiological presentation of different cases of craniopharyngiomas, with varied patterns of local growth, which can determine compressive effects that progress with prominent clinical manifestations, rapidly evolving and of great impact on the patient, since the effect mass is the main determinant of manifestations such as headache, increased intracranial pressure, visual symptoms, hormonal imbalances and behavioral changes. The main differential diagnoses include intracranial teratoma and pituitary macroadenoma.

A estrongiloidíase pulmonar refere-se a alterações associadas à infecção pulmonar devido ao parasita chamado Strongyloides stercoralis, endêmico principalmente nos países tropicais como o Brasil.
Os casos graves como síndrome de hiperinfecção e estrongiloidíase disseminada podem envolver manifestações pulmonares e o papel do radiologista é fundamental na suspeição clínica da doença.
A patologia pode se manifestar de diversas maneiras como infiltrado pulmonar eosinofílico, aspecto de doença de pequenas vias aéreas, hemorragia alveolar,síndrome do desconforto respiratório agudo, formação de abscesso pulmonar, infiltrações intersticiais/fibrose, dentre outros.
Pensando nisso elaboramos um resumo em formato de ensaio iconográfico visando revisar os principais aspectos radiológicos da estrongiloidíase pulmonar, apresentar alguns casos clínicos exemplificando estes aspectos e auxiliar no raciocínio clínico dos radiologistas em relação aos diagnósticos diferenciais desta patologia.

Introdução
Considerada uma lesão rara, o tumor miofibroblástico inflamatório acomete a região abdominal como segundo local de maior prevalência, sendo o mesentério, omentum e retroperitôneo os locais mais afetados nesta topografia. É uma afecção benigna de difícil diagnóstico, devido a inespecificidade clínica, laboratorial e radiológica, muitas vezes com aspectos semelhantes a entidades malignas. Sendo assim, possui o estudo histológico como principal ferramenta diagnóstica. A ressecção cirúrgica é considerada o tratamento de escolha.
Descrição:
Foram analisados os prontuários de 6 pacientes com faixa etária média de 45 anos e prevalência pelo sexo feminino, no período de 2014 a 2020, com suspeita clínica e radiológica de afecção maligna abdominal ocasionando abdome agudo, sendo confirmado posteriormente com base em aspectos histológicos e imunohistoquímicos, o diagnóstico de tumor miofibroblástico inflamatório.
Palavras chave: neoplasia intestinal; tumor miofibroblástico inflamatório; pseudotumor inflamatório; abdome agudo; tumor benigno.

Introdução e objetivos - O termo “tumores ósseos” se constitui de uma denominação genérica que pode englobar alterações como neoplasias benignas, malignas e pseudotumorais. As características de imagem muitas vezes não são específicas. Entretanto, é possível denotar a presença de agressividade da lesão conforme o aspecto de imagem. Embora seja intuitivo o pensamento de que lesões agressivas sejam malignas e vice-versa, muitas vezes esta relação não é linear. O objetivo do presente estudo é o de demonstrar os principais tipos de tumores ósseos e sua condução propedêutica diagnóstica.
Métodos - Trata-se de uma série de casos ilustrativa com uma breve revisão da literatura. Foram selecionados estudos de radiografias, tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas de casos do arquivo de imagens do nosso serviço.
Discussão - Diante à imagem de um tumor ósseo, embora muitas vezes desafiador, uma propedêutica diagnóstica adequada deve definir a presença de um tumor benigno não agressivo, que não necessita maior investigação (lesões “não toque”) ou tumor com algum potencial impacto na morbimortalidade do paciente, devendo ser tomada alguma conduta ativa.
Foram selecionados casos ilustrativos contemplando os tumores ósseos abaixo citados, sendo sua divisão baseada na sua divisão histológica (benigno ou maligno) juntamente com seu padrão de agressividade nos exames de imagem:
1- Tumores ósseos benignos e não-agressivos (Fibroma não-ossificante, osteocondroma, displasia fibrosa, osteoma osteoide e cisto ósseo unicameral)
2- Tumores ósseos malignos e agressivos (Osteossarcoma, sarcoma de Ewing e condrossarcoma)
3- Tumores ósseos benignos e agressivos (Tumor de células gigantes, cisto ósseo aneurismático, granuloma eosinofílico, condroblastoma e osteomielite)
4- Tumor ósseo maligno e não agressivo (Metástase)
Conclusões - Os tumores ósseos são lesões relativamente comuns e o radiologista deve estar familiarizado com o que deve ser avaliado e realizar a correta interpretação e propedêutica radiológica, impedindo tanto atrasos no diagnóstico de lesões mais agressivas, quanto evitando indicações de procedimentos desnecessários. O presente ensaio iconográfico exemplificou os diversos espectros de avaliação de lesões benignas e malignas com diferentes padrões de agressividade.

Introdução: A mamografia é um exame utilizado para o rastreamento e diagnóstico precoce de neoplasias da mama, as quais muito frequentemente podem se manifestar por agrupamentos suspeitos de microcalcificações. Os diferentes tipos de calcificações, sejam elas benignas ou malignas, resultam da deposição de oxalato de cálcio e fosfato de cálcio no tecido mamário, determinando a formação de estruturas radiopacas que se destacam à mamografia. A morfologia e a distribuição dessas calcificações são as principais características de imagem que determinam sua benignidade ou malignidade, de maneira que se considera agrupamentos de cinco ou mais micropartículas como relevantes para o acompanhamento ou seguimento com análise histopatológica. Em relação à morfologia suspeita, microcalcificações podem assumir característica puntiforme, amorfa, heterogênea, pleomórfica fina, linear fina ou linear fina ramificada, enquanto o padrão de distribuição suspeita pode ser regional, segmentar, linear ou agrupada. A avaliação detalhista do exame mamográfico é essencial para a identificação e caracterização correta dessas alterações, para que o diagnóstico precoce e seguimento correto sejam estabelecidos. A mamografia conta com a possibilidade da realização de incidências adicionais para melhor avaliação das microcalcificações, como a magnificação, que amplia a imagem e permite melhor análise de sua morfologia, assim como facilita a comparação do achado em relação a outros exames realizados em outras datas, de modo a fornecer um parâmetro evolutivo em relação ao aumento do número de partículas ou alteração morfológica, por exemplo. Descrição: O presente estudo objetiva demonstrar a apresentação das microcalcificações suspeitas no exame mamográfico, ressaltando características morfológicas e distributivas cuja identificação, na prática do radiologista, é essencial para a indicação correta de seguimento ou biópsia direcionada, assim como a orientação precoce da terapêutica adequada para uma potencial lesão maligna da mama.

O edema pulmonar é uma das condições mais comuns encontradas na tomografia computadorizada de tórax. Na rotina de pacientes ambulatoriais e hospitalares constitui uma urgência clínica e motivo frequente de internação hospitalar. O edema pulmonar se instala quando o fluxo de líquido dos capilares em direção ao interstício e alvéolo, supera o retorno ao sistema intravascular e sua drenagem pelos vasos linfáticos. Ademais, pode ser classificado em quatro tipos, sendo eles: edema hidrostático, edema por aumento de permeabilidade, com ou sem dano alveolar difuso e edema misto (associação do aumento da pressão hidrostática e da permeabilidade capilar pulmonar). Portanto, o diagnóstico diferencial do edema pulmonar com base nos achados de imagem pode evitar intervenções desnecessárias e condutas incorretas. Este ensaio iconográfico tem como objetivo demonstrar as diversas apresentações tomográficas do edema pulmonar correlacionando-as com suas respectivas etiologias, por meio de casos ilustrativos confirmados.

Todos nós sabemos que a pandemia pelo vírus sars - cov 2 ainda não acabou e que ainda temos muito para aprender sobre o mesmo e sobre suas manifestações. Contudo, sabemos também que o risco de um número elevado de diagnósticos incorretos é existente quando baseados apenas na presença do tão conhecido "vidro fosco" na Tomografia Computadorizada de Tórax. Muitos pacientes ao procurar pelos pronto atendimentos acabam realizando a TC de Tórax como método de screening, antes mesmo da confirmação com testes rápido/sorológico/SWAB para COVID-19 e quando encontradas estas "lesões em vidro fosco", os mesmos são isolados em alas específicas para pacientes com a pneumonia viral. Mas qual o problema disso tudo? O problema se encontra nos erros diagnósticos, uma vez que diversas doenças podem se manifestar com vidro fosco na TC de Tórax e que o diagnóstico incorreto das mesmas acaba fazendo com que estes pacientes sejam realocados para as alas de isolamento de forma inadequada, aumentando o risco de contaminação e até mesmo de piora do quadro clínico destes doentes.
Com isso em mente, elaboramos um amplo resumo prático e de fácil acesso em formato de flashcards com fotos dos principais diagnósticos diferenciais que cursam com vidro fosco na TC de Tórax e suas principais formas de apresentação, de maneira simples e rápida com foco em médicos não radiologistas e radiologistas, mas principalmente nos radiologistas que trabalham nas emergências, facilitando no diagnóstico correto destas patologias e consequentemente no manejo adequado destes pacientes.

INTRODUÇÃO E OBJETIVO: As consolidações pulmonares representam o preenchimento completo dos espaços alveolares, com substituição do ar por um produto patológico qualquer. À radiografia simples e à tomografia computadorizada (TC), manifestam-se como aumento da densidade/atenuação do parênquima pulmonar acometido, que impede a visualização dos vasos e dos contornos externos das paredes brônquicas, com ou sem broncogramas aéreos. O objetivo deste ensaio pictórico é descrever e ilustrar algumas das doenças pulmonares que se manifestam sob a forma de consolidações do espaço aéreo de padrão lobar.
MÉTODO: Foram selecionados casos didáticos e bem documentados do arquivo digital de um centro hospitalar de alta complexidade. Este ensaio pictórico deu ênfase à avaliação das consolidações lobares por tomografia computadorizada (TC), devido à importância deste método na prática clínica.
DISCUSSÃO: As consolidações lobares estão relacionadas à disseminação alveolar de uma doença por meio dos poros de Kohn e canais de Lambert. Representam o preenchimento completo do espaço aéreo por exsudatos, transudatos, sangue, lipoproteína ou células, de modo que podem ser identificadas, por exemplo, no contexto de doenças infecciosas e neoplásicas. A causa mais comum de uma consolidação lobar de natureza infecciosa é infecção pneumocócica, mas não há nenhum aspecto de imagem que permita distinguir, com segurança, os diferentes patógenos. Uma das apresentações possíveis do adenocarcinoma invasivo do subtipo mucinoso sob a forma de consolidação focal com broncogramas aéreos de permeio. O linfoma não Hodgkin primário do pulmão tem como manifestação mais frequente um foco segmentar ou lobar de consolidação, também com broncogramas aéreos. No caso das doenças neoplásicas, o lento crescimento destas alterações reflete um curso indolente, em decorrência do preenchimento progressivo do espaço aéreo. O diagnóstico diferencial das consolidações lobares é variável, mas a interpretação dos achados de imagem à luz dos dados clínicos e laboratoriais pode direcionar o radiologista para um diagnóstico mais assertivo.
CONCLUSÕES: A causa mais comum de consolidação lobar é a infecção pneumocócica. Contudo, é importante que o radiologista geral reconheça que o diagnóstico diferencial radiológico deste achado é amplo e inclui pneumonias por outros patógenos, além de doenças neoplásicas.

INTRODUÇÃO: As complicações no pós-operatório ortopédico com instrumentação metálica, incluindo as cirurgias de artroplastia do quadril, artroplastia do joelho e correção de lesões do manguito rotador e do labrum glenoidal são incomuns, porém trazem morbidade. Os diferentes métodos de imagem (radiografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética) fornecem informações essenciais na avaliação pós-operatória, sendo possível avaliar o posicionamento do material, se há fratura periprotética, osteólise, infecção, massas, osteonecrose, entre outros.
MATERIAIS E MÉTODOS: Foram utilizadas imagens de exames selecionados com achados de complicações pós-operatórias, incluindo soltura e fratura do material protético, fratura periprotética, osteólise, osteonecrose e infecção.
DISCUSSÃO: A utilização dos exames de imagem para avaliação pós-operatória é essencial, devendo o médico radiologista ter conhecimento dos métodos a serem utilizados, bem como os melhores protocolos de aquisição de imagem, para redução de artefatos metálicos e boa resolução da imagem.
Os achados de imagem encontrados podem ser sem significado clínico ou complicações. Osteonecrose pode ser encontrada com relativa frequência e não ter significado clínico. As fraturas periprotéticas podem ocorrer no intra-operatório ou no pós-operatório, nesse último, geralmente associam-se a eventos traumáticos, ocorrendo tipicamente na extremidade da haste metálica. Pode-se esperar uma pequena lucência periprótese até 2 mm, que representa uma membrana fibrótica. Porém, quando essa lucência for mais espessa, relaciona-se a reabsorção, soltura séptica ou asséptica. A infecção pode apresentar-se com coleções, sinais inflamatórios dos tecidos adjacentes ou mesmo por um trajeto fistuloso intraósseo.
CONCLUSÃO: As complicações no pós-operatório de cirurgias ortopédicas não são frequentes, porém quando ocorrem, trazem morbidade com necessidade de intervenção medicamentosa ou cirúrgica. Essas complicações apresentam alguns achados característicos nos exames de imagem, sendo essencial o seu conhecimento pelos radiologistas, bem como os melhores protocolos de aquisição de imagem.

Introdução: Mucopolissacaridoses (MPS) são doenças metabólicas hereditárias caracterizadas por deficiência de enzimas lisossômicas responsáveis pela degradação de mucopolissacarídeos (glicosaminoglicanos), os quais, quando parcialmente degradados, se acumulam no organismo, culminando na degeneração celular crônica e afetando vários órgãos e sistemas, sendo o sistema esquelético um dos principais acometidos. As MPSs podem ser classificadas em 7 diferentes tipos de acordo com a enzima deficiente e a apresentação clínica. Nas estruturas ósseas há uma grande variedade de manifestações, cursando com displasia esquelética progressiva, denominada disostose multiplex, envolvendo o crânio, coluna, arcos costais, clavículas, pelve, joelhos, ossos longos, mãos e pés. Descrição: O desenvolvimento deste trabalho objetiva a elucidação das diversas apresentações da doença, demonstrando as variedades e padrões de alterações que se apresentam na avaliação radiográfica do acometimento do sistema musculoesquelético pela patologia, considerando-se que as mucopolissacaridoses apresentam um grande espectro de manifestações clínicas e radiológicas com base fisiopatológica que abrange aspectos hereditários e metabólicos, devendo-se correlacionar a amplitude dos achados de imagem dos diversos sistemas, visando o diagnóstico e tratamento precoces e, sempre considerando possíveis patologias associadas.

Introdução: As fraturas da porção distal do rádio representam cerca de 17% das fraturas nos departamentos de emergência, sendo a fratura mais comum do antebraço. Por definição, distam em até três centímetros da articulação radiocárpica, apresentando-se de várias formas e graus de complexidade, para as quais existem diversas classificações. No entanto, na prática clínica, seus epônimos são os mais utilizados e reconhecidos para categorização destas lesões. Diante de tamanha incidência e da necessidade de sua caracterização para definição de condutas apropriadas para o reestabelecimento da congruência articular e preservação da qualidade funcional do punho, este trabalho objetiva revisar e sintetizar os aspectos radiográficos de alguns dos principais tipos/epônimos das fraturas radiais distais. Descrição: Fratura de Colles: fratura transversal na metáfise distal do rádio, com angulação e deslocamento dorsal do fragmento distal, assumindo uma deformidade que lembra a curvatura de um garfo, frequentemente associada a fratura do processo estiloide da ulna. É a mais comum do antebraço distal e decorre de quedas com a mão espalmada. Fratura de Smith: fratura extra-articular com deslocamento volar e angulação de seu fragmento. Também é conhecida como fratura de Colles reversa. Seu mecanismo de trauma envolve queda sobre o dorso da mão ou trauma direto em flexão palmar. Fratura de Barton: comprometimento marginal dorsal do rádio que se estende até a articulação radiocarpal, a qual se encontra deslocada, mas mantendo contato com a primeira fileira carpal, uma vez que não há lesões ligamentares associadas. Há ainda, fratura com as mesmas características, porém na face volar do rádio, conhecida como Barton Reversa. Fratura de Hutchinson: também conhecida como fratura do chofer, cuja linha da fratura é oblíqua, estendendo-se da margem radial do processo estilóide do rádio até a articulação radiocarpal. Em um cenário de trauma do punho, um estudo por radiografia será a primeira etapa de avaliação por imagem, devido a sua ampla disponibilidade, facilidade e baixo custo. Assim, é importante que os radiologistas reconheçam os padrões de imagem das principais lesões do rádio distal e seus epônimos, facilitando o diagnóstico, garantindo uma comunicação efetiva e padronizada com a equipe e possibilitando o manejo mais apropriado para cada caso.

Introdução:
Algumas patologias tendem a produzir calcificações enquanto outras, ossificações. O radiologista deve ficar atento aos sinais para diferenciá-las. Assim, reconhecer lesões ossificadas e calcificadas de partes moles é particularmente importante para estreitar o diagnóstico diferencial. Os objetivos desse estudo são diferenciar as calcificações de ossificações através dos métodos de imagem de raio-X, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM); mostrar as localizações mais comuns, as características e principais diferenças das lesões ossificadas e calcificadas em partes moles.
Descrição sucinta do material apresentado:
Trata-se de uma série de casos ilustrativos (ensaio iconográfico) de lesões calcificadas e ossificada de partes moles, associada a breve revisão narrativa da literatura. Foram analisadas imagens de raio-X, TC e RM, disponíveis em nosso serviço, de lesões de partes moles que continham calcificações ou ossificações. Revisados e ilustrados os casos de imagem que continham as seguintes lesões em partes moles:
-Calcificadas: Tendinopatia calcária (depósitos por cristais de hidroxiapatita, pirofosfato de cálcio dihidratado), doenças por depósito de cristais por pirofosfato de cálcio dihidratado e urato monossódico (gota), detritos de artropatia destrutiva (articulação de Charcot, osteoartrite rapidamente destrutiva), condromatose sinovial, injeção de corticoide, calcinose tumoral idiopática, calcinose secundária (insuficiência renal crônica, esclerose sistêmica progressiva), tumores de tecidos moles (lipoma, condroma, bainha de nervo, sarcoma sinovial, outros sarcomas extraósseos), calcificações vasculares (aterosclerose, infecções flebolíticas, linfonodos).
-Ossificadas: entesopatia, fratura óssea avulsiva, osso acessório/sesamoide, sequela de ruptura tendínea, artropatia soronegativa (entesite proliferativa), ossificações heterotópicas (DISH, neuropatia), miossite ossificante.
Reconhecer as características e as principais lesões ossificadas e calcificadas em partes moles é fundamental para o médico radiologista, pois ajuda a estreitar os diagnósticos diferenciais e direcionar para a terapia adequada, por vezes evitando intervenções desnecessárias.

Introdução:
A tomografia computadorizada (TC) é frequentemente utilizada para a caracterização da matriz e localização de lesões musculoesqueléticas em partes moles. No entanto, a ressonância magnética (RM) é o método de escolha para a caracterização destes tipos de lesões, com uma excelente definição dos componentes de partes moles. Os objetivos desse trabalho são: demonstrar a avaliação de lesões de partes moles pela TC; discutir as principais características das lesões musculoesqueléticas de partes moles pela TC e quando devemos prosseguir com outra modalidade de imagem; discutir as indicações e limitações dos achados musculoesqueléticos usando TC e comparar com outras modalidades de imagem (radiografia computadorizada (RC), ultrassom (US) e RM).
Descrição:
Trata-se de uma série de casos ilustrativos (ensaio iconográfico) sobre lesões musculoesqueléticas em partes moles, associado a breve revisão narrativa da literatura sobre o assunto. Foram analisadas imagens de TC em nosso serviço, sendo algumas comparadas com outros métodos de imagem (RC, US e RNM).
Avaliadas imagens de TC com as seguintes lesões musculoesqueléticas em partes moles agrupadas nas seguintes categorias: traumática, degenerativa, inflamatória, tumores não-agressivos e tumores agressivos.
A TC, embora com uma menor acurácia do que a US e a RM para avaliação de lesões de partes moles, possui um importante papel neste tipo de avaliação, especialmente quando estes métodos não estão prontamente disponíveis. O presente estudo ilustrou os principais achados, utilizações e limitações da TC neste tipo de alteração.

Introdução:
O médico radiologista deve reconhecer os principais achados de imagem referente a outras áreas além da sua subespecialidade. O presente estudo identificou as principais lesões musculoesqueléticas encontradas em exames de imagem de abdome que não devem ser perdidas. Os objetivos desse trabalho são: demonstrar achados musculoesqueléticos relevantes em exames abdominais em uma abordagem multimodalidade (radiografia computadorizada (CR), tomografia computadorizada (TC), ultrassom (US) e ressonância magnética (RM)); demonstrar as lesões musculoesqueléticas mais relevantes em exames de imagem abdominal.
Descrição sucinta do material apresentando:
Trata-se de uma série de casos ilustrativos (ensaio iconográfico) associado a breve revisão narrativa da literatura. Foram analisadas imagens de estudo abdominal como a US, RM e TC realizadas em nosso serviço e que continham achados de imagem de lesões musculoesqueléticas associadas.
Analisadas imagens nos seguintes contextos: trauma, tumor, infecção / inflamação, variações anatômicas e alterações metabólicas.
É preciso reconhecer os achados mais relevantes de lesões musculoesqueléticas em exames de imagem abdominal, a fim de se evitar atraso no início do tratamento, tendo o presente estudo demonstrado os principais achados desta modalidade em diferentes contextos.

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