Trabalhos 
Científicos

8 a 12 de outubro
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ENSAIO ICONOGRÁFICO

PEDIATRIA

PE01

PAPEL DA AVALIAÇÃO ULTRASSONOGRÁFICA DE SONDAS E CATETERES ABDOMINAIS NAS EMERGÊNCIAS PEDIÁTRICAS.

GOMES MACIEL, JAMILLY (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ)
MELO-FILHO, ANTÔNIO ALDO (UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ)
ROCHA, EDUARDO LIMA DA (HOSPITAL INFANTIL ALBERT SABIN)
A avaliação do correto posicionamento e perviedade de sondas e cateteres abdominais é rotineiramente realizada por exames radiográficos. Em contrapartida, […]

A avaliação do correto posicionamento e perviedade de sondas e cateteres abdominais é rotineiramente realizada por exames radiográficos. Em contrapartida, a avaliação de complicações relacionadas a esses dispositivos é mais frequentemente avaliada por tomografia computadorizada (TC). No entanto, na população pediátrica a utilização de radiação ionizante e a necessidade de sedação apresentam-se como principais limitantes para utilização da TC com esse objetivo.
Nesse contexto, o ultrassom (US) vem se consolidando como técnica não invasiva, livre de radiação ionizante, que permite uma avaliação dinâmica e em tempo real do posicionamento desses dispositivos, das suas complicações e de sua relação com os órgãos vizinhos, especialmente no contexto emergencial, em que o diagnóstico rápido e acurado é necessário para conduta terapêutica.
O objetivo desse resumo foi demonstrar, através de casos reais, a importância da avaliação ultrassonográfica de sondas e cateteres digestivos e peritoneais na população pediátrica, bem como possíveis diagnósticos diferenciais.
Realizamos uma revisão de literatura e ilustramos o aspecto ultrassonográfico normal do correto posicionamento de sondas, cateteres digestivos e peritoneais e suas relações com os órgãos vizinhos. Ilustramos com casos da nossa rotina as principais complicações relacionadas a esses dispositivos e os principais diagnósticos diferenciais.
O ultrassom constitui uma ferramenta valiosa, livre de radiação ionizante, para avaliação dos dispositivos intra-abdominais no contexto das emergências pediátricas. É extremamente importante conscientizar o corpo clínico sobre essas possibilidades e sua importância e estimular uma comunicação constante entre a equipe de diagnóstico por imagem e os médicos solicitantes, bem como contar com profissionais qualificados e dedicados que possam aproveitar todo o potencial do método.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE02

INTUSSUSCEPÇÃO INTESTINAL POR LINFOMA DE BURKIT- DESCRIÇÃO DE CASO

RODEL, MARIA CRISTINA CUTER (HOSPITAL MIGUEL SOEIRO)
NEVES,GUSTAVO RIBEIRO (HOSPITAL MIGUEL SOEIRO)
MENDOZA,VICTOR ENRIQUE (PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SAO PAULO)
CAMPOS, ALANA TERESA (PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SAO PAULO)
SALES, DANILO MOULIN (HOSPITAL MIGUEL SOEIRO)
BERNARDO, MÔNICA OLIVEIRA (PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SAO PAULO;HOSPITAL MIGUEL SOEIRO)
A intussuscepção ocorre representa a causa mais comum de obstrução intestinal na população pediátrica; e ocorre quando um segmento proximal […]

A intussuscepção ocorre representa a causa mais comum de obstrução intestinal na população pediátrica; e ocorre quando um segmento proximal do intestino invagina no segmento adjacente. Os métodos de imagem são essenciais para a conduta clínica e para a elucidação diagnóstica, incluindo a ultrassonografia e a tomografia computadorizada. A origem desta patología pode ser idiopática ou relacionada a condições pré-existentes como malignidades. Destas, destaca-se como causa incomum o linfoma. Objetivo: Apresentar os principais achados de imagem de um caso de intussuscepção intestinal em paciente com linfoma de Burkitt, sendo feita uma correlação com dados encontrados na literatura.Discutir o seguimento necessário para pacientes com linfoma em maior risco de intussuscepção. Este trabalho propõe realizar uma revisão sistemática da literatura e descrever um relato de um paciente do sexo masculino de 17 anos que procurou o setor de emergência, referindo dor abdominal há 48 horas, associada a vômitos e sangramento intestinal. No exame físico observou-se massa palpável no quadrante inferior direito. O estudo ecográfico evidenciou intussuscepção intestinal ileo jejunal. Numerosos linfonodos mesenteriais em flanco direito e peri umbilicais, medindo cerca de 0,5 cm à 1,4 cm. Realizado estudo tomográfico identificando espessamento focal regular íleo jejunal. Uma laparatomia exploradora foi realizada identificando segmento de jejuno com extensão de 19,0 cm de comprimento e 8,0 cm de circunferência. Linfonodos mesenteriais medindo cerca de 4,0 x 3,0 x 2,0 cm. O exame macroscópico revelou mucosa edemaciada com pregueamento diminuído com lesão vegetante úlcero-vegetante medindo cerca de 5,5 x 3,5 cm, constituída por tecido amolecido, homogêneo e esbranquiçado. Nódulos mesenteriais constituídos por tecido firme e acastanhado. O diagnóstico foi de linfoma Não Hodgkin em parede jejunal; sendo a imuno-histoquímico importante confirmando o diagnóstico de Linfoma de Burkitt. Paciente não apresentou intercorrência pós operatória, sendo encaminhado para quimioterapia adjuvante. Realizado revisão da literatura.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE03

CISTO DO COLÉDOCO - RELATO DE CASO EM RECÉM-NASCIDO NASCIDO DIAGNOSTICADO PELA ULTRASSONOGRAFIA

RODRIGUES, BRUNA SUDA (IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICORDIA DE SANTOS)
SILVA, MAYARA OLIVEIRA ()
DUARTE, MÁRCIO LUÍS ()
DUARTE, ÉLCIO ROBERTO ()
O cisto de colédoco é uma doença rara com uma incidência entre 1: 100.000 a 1: 150.000 nascidos vivos, sendo […]

O cisto de colédoco é uma doença rara com uma incidência entre 1: 100.000 a 1: 150.000 nascidos vivos, sendo o sexo feminino afetado de duas a quatro vezes mais que o sexo masculino. Em sua maioria os casos apresentam-se na infância sendo 60% antes dos dez anos e 25% após os 20 anos. Geralmente em crianças apresentam sinais e sintomas como acolia, icterícia, vômitos, irritabilidade e retardo de crescimento, porém a tríade clássica é dor em quadrante superior direito do abdome, massa abdominal palpável e icterícia. Esta tríade está presente em somente 15-45% dos pacientes. A ultrassonografia do fígado e vias biliares é um método de baixo custo, não invasivo, com sensibilidade de 97%, identificando com relativa precisão as dimensões, contornos, características e topografia da lesão, além de fornecer informações sobre as vias biliares intra e extra-hepáticas. No caso apresentado a colangioressonância magnética apenas confirmou os achados ultrassonográficos. A colangiressonância magnética permite a análise da via biliar proximal e a avaliação de fígado e pâncreas, possibilitando outros diagnósticos diferenciais além de variações anatômicas. É um método não invasivo utilizado para estudo da anatomia das vias biliares, sem a necessidade de injeção de contraste. Normalmente podemos visualizar a vesícula biliar com conteúdo hiperintenso homogêneo em T2 e uma dilatação fusiforme do ducto e do colédoco.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE04

RABDOMIOSARCOMA VESICAL EM LACTENTE COM SÍNDROME DE SCHIMMELPENNING – RELATO DE CASO

RODRIGUES, BRUNA SUDA (IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SANTOS)
SILVA, MAYARA OLIVEIRA DA ()
DUARTE, MÁRCIO LUÍS ()
DUARTE, ÉLCIO ROBERTO ()
Os tumores vesicais ocorrem mais frequentemente entre a quinta e asétima décadas de vida, sendo raros antes dos 40 anos […]

Os tumores vesicais ocorrem mais frequentemente entre a quinta e asétima décadas de vida, sendo raros antes dos 40 anos de idade. O rabdomiossarcoma é um tumor embrionário raro originado do tecido muscular esquelético e quando localizado no trato geniturinário, pode cursar com com hematúria e anúria. Sendo um tumor de origem embrionária, ele é mais comum em crianças e muito raro em adultos: 85% dos rabdomiossarcomas ocorrem em crianças e adolescentes.
O nevo sebáceo de Jadassohn (NSJ) é um hamartoma congênito de estruturas cutâneas, com origem epitelial e anexial presente em aproximadamente 0,3% de recém-nascidos, e pode conter qualquer componente da pele, incluindo glândulas sebáceas e apócrinas ou cabelo. Com maior frequência visualizado na região da cabeça e pescoço e apresenta-se como uma placa alopécica bem demarcada de cor amarelada. No caso do estudo o nevo foi confirmado com biopsia e anatomopatológico da lesão cefálica. A natureza dos tumores secundários que surgem no nevo sebáceo e o risco de neoplasia maligna são questões controversas.
Quando um nevo sebáceo de Jadassohn associada a características sindrômicas, como retardo mental, anormalidades do sistema nervoso central, defeitos cardiovasculares, como a arritmia cardíaca relatada neste caso, anormalidades oculares ou esqueléticas, é chamada de síndrome sebácea de nevo linear, ou síndrome de Schimmelpenning. A etiologia ainda é desconhecida, mas estudos recentes apontam para um possível vínculo com as mães positivas para o vírus do papiloma humano ou mutações no gene patched (PTCH).

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE05

SINDROME INFLAMATÓRIA MULTISSISTEMICA PEDIÁTRICA APÓS COVID-19

HENRIQUE BARACAT CHAIB ACRAS, PEDRO (IRMANDADE DE MISERICORDIA DE CAMPINAS)
ZAMPIERI GIANNINI, BRUNO ()
LUIZ DELLA LIBERA, BRUNO ()
LUCAS MORETTE GIAMPIETRO, JOÃO ()
TROYANO DE CASTROS MENDES, MARÍLIA ()
LUIS BARBOSA FERNANDES, ANDRÉ ()
INTRODUÇÃO: O presente estudo tem como objetivo relatar um caso de Sindrome Inflamatória multissistemica pediátrica, em uma menina de 13 […]

INTRODUÇÃO: O presente estudo tem como objetivo relatar um caso de Sindrome Inflamatória multissistemica pediátrica, em uma menina de 13 anos, devido a sua raridade e importância no desfecho clinico do paciente.


DESCRIÇÃO: Paciente previamente hígida, com história de dor abdominal difusa, iniciada há 2 dias, de caráter constante e com piora após ingestão alimentar e melhora após uso de escopolamina. Refere 1 pico febril isolado no dia 20/02, sem novos episódios, negando vômitos, diarreia, manchas pelo corpo ou outros sintomas associados. Refere contato domiciliar com casos confirmados de COVID 19 (pai e irmão) há cerca de 20 dias . Evolui com piora progressiva da dor abdominal no dia 22/02, associado a episódios de cefaleia e vômitos, o que motivou a procura de nosso serviço. Na admissão, paciente hemodinamicamente estável, com sinais de desidratação. Recebe expansão volêmica associado a analgesia . Realizado USG de abdome, não sendo evidenciados cálculos em vesícula bilar. Optado pela realização de TC de abdome com contraste apresentando grande quantidade de linfonodos mesentéricos associado discreta quantidade de líquido livre na cavidade. Frente ao quadro clínico radiológico, aventado a hipótese de SIMP, sendo optado pela transferência para leito de UTI pediátrica para seguimento clínico.

DISCUSSAO : A pandemia da COVID-19 tem impacto com maior gravidade em adultos acima de 60 anos de idade, particularmente naqueles com comorbidades. No entanto, crianças e adolescentes infectados, apesar de apresentarem casos mais leves, podem desenvolver manifestações clínicas graves. A Sociedade de Pediatria do Reino Unido emitiu um alerta reportando a identificação de uma nova apresentação clínica em crianças e adolescentes, possivelmente associada com a COVID-19. Os pacientes apresentaram uma síndrome inflamatória mulsistêmica, com manifestações clínicas e alterações dos exames complementares similares às observadas em crianças e adolescentes com síndrome de Kawasaki, Kawasaki incompleto e/ou síndrome do choque tóxico. Todas as crianças apresentavam anticorpos detectáveis, reforçando o conceito de que se trata de uma síndrome pós-infecciosa. Mais estudos são necessários para melhor caracterização dessa síndrome.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE06

RELATO DE CASO: TUMOR DE FRANTZ, UM ACHADO RARO E INCIDENTAL EM UMA PACIENTE COM HEMATÊMESE E HIPERTENSÃO PORTAL ESQUERDA.

ALVES, ANDRE LUIZ (HU-UFSC)
ALMEIDA, MEIRE HELLEN ()
SILVA, SIMONE VICENTE DIAS ()
OZELAME, RODRIGO ()
MANARA, LUIZA MAES ()
a) História Clínica: Paciente do sexo feminino, 13 anos, em consulta ambulatorial no serviço de gastropediatria com queixa de hematêmese […]

a) História Clínica:
Paciente do sexo feminino, 13 anos, em consulta ambulatorial no serviço de gastropediatria com queixa de hematêmese associado a quadros de constipação e dor abdominal. Trouxe consigo exames externos evidenciando presença de varizes de médio calibre em fundo gástrico à endoscopia digestiva alta, e esplenomegalia em ultrassonografia de abdome total, sem outros achados relevantes. Solicitada ultrassonografia do abdome com Doppler no qual se identificou nódulo hepático entre os segmentos VII/VIII (sem evidência de compressão ou trombose portal), circulação colateral no hilo esplênico e esplenomegalia.
Tomografia Computadorizada (TC) de abdome evidenciou nódulo exofítico na cauda pancreática sendo aventada possibilidade de tumor de Frantz, nódulo hepático de provável natureza metastática, esplenomegalia e circulação colateral.
b) Discussão e diagnóstico:
Tumor de Frantz ou tumor sólido pseudopapilar do pâncreas é uma neoplasia rara, representando aproximadamente 0,2 a 2,7% dos tumores não-endócrinos. Sua incidência é maior em mulheres jovens e cursam com baixo grau de malignidade e bom prognóstico. Apresenta-se como uma tumoração abdominal de crescimento lento que pode ou não cursar com dor abdominal. Achados como icterícia e sintomas relacionados a efeitos compressivos são infrequentes. A ressecção cirúrgica do tumor é o tratamento de eleição e, geralmente, é curativa.
A paciente do caso apresentou sintomatologia atípica, com quadro inicial de hematêmese e esplenomegalia causados pela compressão direta do tumor na veia esplênica, promovendo hipertensão portal "esquerda" ou "sinistra". A paciente foi submetida a uma pancreatectomia corpocaudal associada a esplenectomia. A biópsia do nódulo hepático mostrou inicialmente tecido hepático normal, porém, RM de abdome superior posterior evidenciou características de implante secundário no nódulo, que aguarda abordagem cirúrgica.
c) Conclusão:
Tumor de Frantz é um tumor raro do pâncreas, de crescimento lento e com poucas manifestações clinicas. Achados como hematêmese e hipertensão portal esquerda são raros e, geralmente, não levam a suspeita de lesão tumoral. A presença de metástase hepática também é infrequente. Diante disso, os exames de imagem são instrumentos fundamentais na elucidação diagnóstica.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE07

COALIZÃO CUBÓIDE-NAVICULAR: UM RELATO DE CASO INCOMUN DE COALIZÃO TARSAL.

ALVES, ANDRE LUIZ (HU-UFSC)
ALMEIDA, MEIRE HELLEN ()
DRUSZCZ, JOSE ARLINDO ()
SILVA, SIMONE VICENTE DIAS ()
PIONER, GABRIEL GAMBA ()
1) História clínica: Paciente masculino, 12 anos, em consulta ambulatorial, relata dor em pé direito há 02 anos que piora […]

1) História clínica:
Paciente masculino, 12 anos, em consulta ambulatorial, relata dor em pé direito há 02 anos que piora durante atividades físicas ou em posição ortostática. Nega traumaS prévios. Ao exame físico apresentou pé plano flexível, sem outros achados relevantes.
Radiografia dos pés evidenciando pé plano, bilateral.
Aventada a hipótese diagnóstica de fadiga secundária ao pé plano. Conduta inicial adotada foi conservadora e solicitado TC dos pés.
Tomografia dos pés demonstrou a presença de coalizão cubóide-navicular. Paciente aguarda retorno ambulatorial para definição de conduta.
2) Discussão e diagnóstico:
Coalizão tarsal é o termo utilizado para se referir a uma anomalia congênita que corresponde a fusão entre dois ou mais ossos do tarso. Sua incidência é em torno de 2% com uma discreta predileção pelo sexo masculino.
Podem ser classificadas em óssea, cartilaginosa ou fibrosa e sua nomenclatura se baseia nos ossos acometidos, sendo as coalizões talocalcânea e calcâneonavicular as mais comuns, representando cerca de 90%. As coalizões cubóide-navicular são raras, acometendo em torno de 1% dos casos.
Acredita-se que a maioria dos paciente que apresentam coalizão cuboide-navicular serão assintomáticos ou apresentarão dor durante a atividade física ou longas caminhadas. Associa-se, ainda, uma maior incidência de entorses do tornozelo nos pacientes acometidos, bem como a associação da dor em pacientes com pé planos.
O diagnóstico se baseia em exames semiológicos e através de métodos de imagem, tendo a tomografia computadorizada um papel de destaque na elucidação diagnóstica, estratificar a extensão da lesão e no controle pós-operatório.
As coalizões tarsais do tipo cubóide-navicular, sintomáticas, podem ser tratadas conservadoramente ou atráves de cirurgias, mais comumente, a ressecção com interposição de enxerto com tecido adiposo.
3) Conclusões
As coliazões tarsais classificadas como cubóide-navicular são acometimentos raros, correspondente a aproximadamente 1% dos casos. Em muitos pacientes, a sintomatologia é pobre ou pode estar associado a outras alterações como pé plano, ocultando o diagnóstico. Nesse contexto, os exames de imagens, em particular a tomografia computadorizada, desempenha um papel fundamental na elucidação diagnóstica.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE08

LIPOBLASTOMA SUPRACLAVICULAR: UM RELATO DE CASO

MARTINEZ DA COSTA, THIAGO (HOSPITAL SANTA ISABEL - BLUMENAU)
ROCHA DE SOUZA, MATHEUS (HOSPITAL SANTA ISABEL - BLUMENAU)
EDUARDO MOURA, NELSON (HOSPITAL SANTA ISABEL - BLUMENAU)
RODACKI, RODRIGO (HOSPITAL SANTA ISABEL - BLUMENAU)
OTAVIO GRETHER, EDUARDO (HOSPITAL SANTA ISABEL - BLUMENAU)
DALPRÁ TAFNER, PATRICIA (HOSPITAL SANTA ISABEL - BLUMENAU)
O Lipoblastoma é um tumor mesenquimal benigno e raro, originado de células de tecido adiposo imaturas, que ocorre primariamente na […]

O Lipoblastoma é um tumor mesenquimal benigno e raro, originado de células de tecido adiposo imaturas, que ocorre primariamente na primeira infância (85% dos casos antes dos 3 anos de idade e 40% antes do primeiro ano). Consistem em massas assintomáticas, indolores, de crescimento progressivo, com ótimo prognóstico, sem sinais agressividade e/ou potencial metastático, localizadas predominantemente em partes moles das extremidades, seguida pelo tronco, pescoço, retroperitônio e mediastino.
Apresentamos um caso de paciente do sexo masculino, um ano e dois meses de idade, com lesão em região supraclavicular direita há 7 meses, de crescimento progressivo. Ao estudo por Ressonância Magnética, observa-se volumosa lesão de partes moles em região supraclavicular direita, bem delimitada, discretamente heterogênea, com hipersinal em sequências ponderadas em T2 e realce pelo meio de contraste paramagnético. Realizada biópsia, com retirada de três fragmentos irregulares de tecido adiposo, amarelados, elásticos e untuosos, compatíveis com Liboplastoma. O seu aspecto de imagem na Ressonância Magnética é heterogêneo devido a sua composição, que pode variar em diferentes proporções de tecido adiposo imaturo, estroma mixoide e tecido fibroso, que tendem a guardar relação com a idade do paciente.
Apesar de não existirem achados radiológicos patognomônicos, com diagnóstico estabelecido por estudo histológico, os exames de imagem são fundamentais para a avaliação das características da lesão, estabelecimento do diagnóstico diferencial, planejamento pré-cirúrgico e seguimento pós-tratamento.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE09

RELATO DE CASO: SÍNDROME DE CIMITARRA E ANOMALIAS ASSOCIADAS

ODILON GOBBO DA SILVA, CAHINÃ (FLEURY)
GUSTAVO YUJI VERRASTRO, CARLOS (FLEURY)
TOMAZ OLIVEIRA, LETÍCIA (FLEURY)
ARANTES DE SOUZA, GUSTAVO (FLEURY)
SEGUNDO BUENO BORGES, ROBERTO (FLEURY)
FALCÃO DE ALBUQUERQUE RAMOS, FERNANDA (FLEURY)
A Síndrome de Cimitarra é uma rara doença congênita, na qual há anomalia parcial da drenagem venosa do pulmão direito […]

A Síndrome de Cimitarra é uma rara doença congênita, na qual há anomalia parcial da drenagem venosa do pulmão direito para a veia cava inferior, podendo estar associada à hipoplasia pulmonar ipsilateral e a outras malformações cardiovasculares.
Apresenta duas formas de manifestação clínica: a infantil e a da criança/adulto. A variante infantil é diagnosticada nos primeiros meses de vida, tendo sintomas mais graves e alta mortalidade.
Relatamos o caso de um recém-nascido, do sexo feminino, quatro dias de vida, apresentando dispneia e ausculta reduzida na base pulmonar direita. Na investigação diagnóstica, a radiografia de tórax evidenciou redução volumétrica do pulmão direito, com dextrocardia. Prosseguiu-se investigação diagnóstica com angiotomografia de tórax, a qual evidenciou comunicação interatrial, sinais de isomerismo brônquico esquerdo, hipoplasia do pulmão direito com suprimento arterial sistêmico para a sua base e drenagem anômala parcial da veia pulmonar inferior direita, confirmando o diagnóstico de Síndrome de Cimitarra.
Palavras chaves: Síndrome de Cimitarra; Angiografia por Tomografia Computadorizada; Diagnóstico; Doença pulmonar (especialidade); Congênito.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE10

ATRESIA BILIAR: ACHADOS ULTRASSONOGRÁFICOS NO MODO DOPPLER E NA ELASTOGRAFIA 2D SHEAR WAVE

PRODIGIOS, JOICE C. DIAS (HC-UFMG)
JR., FRANCISCO R. TEIXEIRA (HC-UFMG)
Lactente, sexo feminino, um mês e vinte um dias de vida, em investigação de icterícia colestática. Pré-natal de risco habitual, […]

Lactente, sexo feminino, um mês e vinte um dias de vida, em investigação de icterícia colestática. Pré-natal de risco habitual, nasceu pequena para a idade gestacional, pesando 2700g.Não houve complicações durante o parto e alta da maternidade ocorreu com 24 horas de vida. No quinto dia, apresentou icterícia e no décimo, acolia fecal e colúria. Ao exame físico, encontrava-se hipocorada e ictérica ( 3+/4+). O fígado era palpável a 3 cm do rebordo costal direito, endurecido, e o baço era papável sob o rebordo costal esquerdo.
Exame laboratoriais relevantes:
VDRL, HIV, hepatite B e C não reagente, toxoplasmose e rubéola imune.
BT: 8,84 (0,2-1,3 mg/dL)
BD: 6,53 (0,0-0,3 mg/dL)
BI: 2,31 (0,0-1,1mg/dL)
TGO: 260 (20-30U/L)
TGP: 150 (5-45 U/L)
GGT: 542 (10-183 U/L)
FA: 465 (55-425U/L)
Realizada ultrassonografia do abdome com transdutores convexo e linear de alta frequência, após jejum de 4h que evidenciou presença de fluxo arterial ao Doppler, na região subcapsular hepática, habitualmente relacionado a vasos telangiectásicos; espessamento ecogênico do cordão fibroso anterior à bifurcação portal estimado em 2,5 mm. Vesícula biliar não foi identificada.
Por meio do estudo de elastografia ( 2D shear wave), foram realizadas 10 medidas válidas no lobo hepático direito, com a paciente em decúbito dorsal horizontal em apneia, sob janela intercostal.
Resultados: valor médio das velocidades: 2,06 m/s. IQR/mediana: 6,2 %. Tais valores sugerem aumento da rigidez hepática que favorece a hipótese de atresia biliar em relação à uma eventual hepatite neonatal.
A paciente foi então encaminhada à cirurgia para confecção de portoenteroanastomose (cirurgia de Kasai). No peroperatório o fígado tinha aspecto nodular, endurado e coloração escurecida;havia presença de cordão fibroso na topografia do leito da vesícula biliar. Foi realizada enteroenteroanastomose em Y de Roux e passagem de alça transmesocólica até porta hepatis com portoenteroanastomose.
A análise histopatológica do material proveniente da cirurgia mostrava parênquima hepático com expansão dos espaços portais, caracterizados pela proliferação de ductos biliares, reação ductular, plugs de bile intraluminais e fibrose. Estrutura de vesícula biliar não foi observada.
Diante dos achados ultrassonográficos, cirúrgicos e histológicos, confirmou-se o diagnóstico de atresia biliar, doença de elevada morbimortalidade na qual o radiologista tem papel fundamental no diagnóstico.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE11

SEQUÊNCIA DE BANDAS AMNIÓTICAS: UM RELATO DE CASO COM O RARO ACOMETIMENTO CIRCUNFERENCIAL TOTAL DO ABDOME.

CESARIO VILLA VERDE, FILIPE (INSTITUTO DE MEDICINA INTEGRAL PROFESSOR FERNANDO FIGUEIRA - IMIP)
JUST DA COSTA E SILVA, EDUARDO (INSTITUTO DE MEDICINA INTEGRAL PROFESSOR FERNANDO FIGUEIRA - IMIP)
CINARA TEIXEIRA ERNESTO, YANNY (INSTITUTO DE MEDICINA INTEGRAL PROFESSOR FERNANDO FIGUEIRA - IMIP)
AUGUSTO SILVESTRE E VÉRAS, FELIPPE (INSTITUTO DE MEDICINA INTEGRAL PROFESSOR FERNANDO FIGUEIRA - IMIP)
ARAÚJO LIMA, AMANDA (INSTITUTO DE MEDICINA INTEGRAL PROFESSOR FERNANDO FIGUEIRA - IMIP)
GONÇALVES DE OLIVEIRA BARRETO, RAYANNA (INSTITUTO DE MEDICINA INTEGRAL PROFESSOR FERNANDO FIGUEIRA - IMIP)
INTRODUÇÃO A sequência de bandas amnióticas (SBA), também conhecida por síndrome da banda amniótica, compreende um amplo espectro de anomalias […]

INTRODUÇÃO
A sequência de bandas amnióticas (SBA), também conhecida por síndrome da banda amniótica, compreende um amplo espectro de anomalias congênitas associadas a bandas amnióticas. Apresentamos aqui a forma rara de banda circunferencial total do abdome.
DESCRIÇÃO
Paciente do sexo feminino, 12 anos, teve parto cesáreo prematuro devido centralização fetal e oligoâmnio severo. Apresentava lesão circunferencial total do abdome em região infraumbilical e agenesia das falanges distais dos pododáctilos (1º e 2º direitos, 2º e 3º esquerdos), sugerindo o diagnóstico de SBA. Uma tomografia computadorizada (TC) de abdome total recente, realizada para investigar anomalias da parede abdominal, mostrou uma constrição circunferencial dos tecidos moles da parede abdominal infraumbilical com perda predominante de tecido subcutâneo e aparente preservação dos tecidos musculares. Adicionalmente, notou-se importante dilatação da pelve renal e dolicomegaureter à direita, secundárias à estenose da junção ureterovesical, evoluindo com exclusão funcional do rim ipsilateral.
DISCUSSÃO
A prevalência da SBA varia de 1: 1200 a 1: 15.000 nascidos vivos e 1: 70 natimortos, sem preferência de sexo. Sua etiologia não está bem definida, mas a teoria mais aceita envolve a ruptura precoce do âmnio durante a gestação, permitindo que partes fetais atravessem para o espaço coriônico. O espectro clínico da SBA é bem variável, sendo os anéis de constrição e amputação de membro os achados mais comuns. Defeitos na parede toracoabdominal podem variar de anel de constrição circunferencial ao redor do tronco à deformidades com herniações de conteúdo abdominal ou torácico. Neste caso, a TC de abdome documentou uma constrição circunferencial total da parede abdominal, manifestação rara da SBA, com cerca de 10 casos descritos na literatura. Raramente as bandas amnióticas são vistas na ultrassonografia pré-natal, com o diagnóstico sendo sugerido pela identificação de achados associados. No pós-natal, há suspeita se houver amputações de membros, defeitos da parede toracoabdominal não medianos ou defeitos craniofaciais em locais incomuns. O prognóstico é bastante variável. A eficácia da lise intraútero das bandas não foi comprovada e não há consenso quanto aos critérios de seleção de candidatos. O tratamento pós-natal inclui intervenções cirúrgicas para melhora de função, reabilitação ou estética.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE12

ASPECTOS RAGIOGRÁFICOS DA DOENÇA DE OLLIER, UM RELATO DE CASO

ALICE, MARILIA SILVA ABREU MOTA (HOSPITAL HELIOPOLIS)
LEDERMAN, HENRIQUE MANOEL (GRAACC)
NISHIMURA, VICTOR DYEGO MENA ROMEIRO (HOSPITAL HELIOPOLIS)
DE OLIVEIRA, FELIPE PERES CALDAS BARONY (HOSPITAL HELIOPOLIS)
DE SOUZA, CAIO HENRIQUE SILVA TEODORO (HOSPITAL HELIOPOLIS)
TOURINHO, IRVIN COSTA (HOSPITAL HELIOPOLIS)
INTRODUÇÃO: A Doença de Ollier ou encondromatose múltipla é uma doença rara caracterizada pela distribuição assimétrica de numerosos encondromas, geralmente […]

INTRODUÇÃO: A Doença de Ollier ou encondromatose múltipla é uma doença rara caracterizada pela distribuição assimétrica de numerosos encondromas, geralmente causando deformidades ósseas severas. Pode ser assintomática ou provocar dor articular dependendo do grau de acometimento e evolução. Pode estar relacionada com síndromes, tanto autossômicas dominantes quanto recessivas. As lesões podem sofrer degeneração maligna para condrossarcomas. Há ainda relatos de associação com lesões malignas extra-esqueléticas, especialmente tumores intracranianos de origem glial. OBJETIVO: Apresentar os aspectos radiográficos de um caso de Doença de Ollier com acometimento do membro inferior esquerdo, promovendo anisomelia em um paciente pediátrico. RELATO DO CASO: Paciente de 4 anos, masculino, admitido com quadro de dor no membro inferior esquerdo há cerca de um ano. Ao exame físico apresentava encurtamento do membro inferior e joelho valgo à esquerda. A análise radiográfica evidenciou múltiplas lesões radioluscentes corticais de aspecto insuflativo, localizadas em osso ilíaco, ísquio, nas regiões meta-epifisárias do fêmur distal, fíbula proximal e distal, bem como em alguns dos ossos metatarso e falanges, promovendo deformidade e anisomelia. O paciente realizou escanometria que demonstrou assimetria de 40,3 mm e está aguardando tratamento ortopédico. DISCUSSÃO: Nas radiografias a Doença de Ollier se apresenta como lesões líticas e insuflativas de origem cortical localizadas nas metáfises de ossos curtos tubulares, por vezes se estendendo para as epífises, podendo também ser encontradas em ossos chatos, distribuição assimétrica e com predomínio nas extremidades. Os diagnósticos diferenciais incluem a síndrome de Mafucci, uma encondromatose múltipla associada a hemangiomas de partes moles adjacentes, a exostose hereditária múltipla e a osteíte fibrosa cística. Ainda não existe tratamento curativo ou preventivo para a Doença de Ollier, as abordagens cirúrgicas são realizadas nos pacientes com assimetria significativa entre os membros, como no caso relatado, deformidade incapacitantes ou complicações associadas, a exemplo da degeneração sarcomatosa.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE13

ENCEFALOMIOPATIA MITOCONDRIAL COM ACIDOSE LÁTICA E EPISÓDIOS “STROKE-LIKE” - RELATO DE CASO

DANTAS, MARCIA OLIVEIRA BARRETO (HOSPITAL DE BASE DO DISTRITO FEDERAL)
RESENDE, GUILHERME PIOLI (HOSPITAL DE BASE DO DISTRITO FEDERAL)
MATOZINHO, HEMILIANNA HADASSA SILVA (HOSPITAL DE BASE DO DISTRITO FEDERAL)
FILHO, LEONARDO CARIBÉ ROCHA (HOSPITAL DE BASE DO DISTRITO FEDERAL)
JOVEM, CASSIO LEMOS (HOSPITAL DE BASE DO DISTRITO FEDERAL; CLÍNICA RADIOLÓGICA VILA RICA)
Introdução: Por ser uma desordem rara, porém com padrão de imagem clássico, o conhecimento dos achados de ressonância magnética da […]

Introdução: Por ser uma desordem rara, porém com padrão de imagem clássico, o conhecimento dos achados de ressonância magnética da síndrome MELAS é fundamental para estreitar o diagnóstico de pacientes com episódios recorrentes de isquemia.
Descrição: Paciente do sexo masculino, 14 anos, com quadro de atraso global do desenvolvimento neuropsicomotor, associado a discinesia e polineuropatia axonal.
Discussão: Em associação com os dados clínicos, os achados de imagem de alteração de sinal no córtex e na substância branca em T2/FLAIR com restrição na sequência difusão, além do pico de lactato demonstrado na espectroscopia, corroboram o diagnóstico de MELAS. Como o nome sugere, a síndrome MELAS é uma desordem hereditária de origem materna causada por mutações pontuais no DNA mitocondrial. Ela acomete, principalmente, crianças e adultos jovens, sendo caracterizada por episódios isquêmicos transitórios, convulsões, acidose lática, encefalopatia, demência, fraqueza muscular e surdez. Os achados da ressonância magnética são típicos, e envolvem edema cerebral com apagamento de sulcos na fase aguda do episódio isquêmico, que evolui para atrofia dos gânglios da base e dos córtex temporal, parietal e occipital na fase crônica, com relativa preservação do córtex entorrinal e do hipocampo. Outros achados clássicos de imagem são o hipersinal na substância branca nas sequências T2/FLAIR, sem focos de hemorragia e com restrição na sequência difusão, além de elevação do lactato na espectroscopia. Na fase aguda do episódio isquêmico, ainda é possível haver realce dos giros na sequência pós-contraste. Tipicamente, a doença desenvolve um curso progressivo, com episódios periódicos de exacerbação, os quais podem acarretar sequelas transitórias ou irreversíveis.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE14

TUMOR TERATOIDE/RABDOIDE MEDIASTINAL NA INFÂNCIA: UM RELATO DE CASO

ALVES SOARES, CÂNDIDA MARIA. (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UFMG)
BECONHA PEREIRA, JOSUÉ (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UFMG)
SILVA, MARCELO HENRIQUE. (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UFMG)
PEREIRA FREITAS MENDES, RAFAEL. (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UFMG)
RIBEIRO TEIXEIRA JR, FRANCISCO. (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UFMG)
LILARGEM SIQUEIRA, GLAUBER. (HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UFMG)
Introdução: Os tumores teratoides/rabdoides (TTR) são raros e em 80% dos casos acometem crianças abaixo dos dois anos. O sítio […]

Introdução: Os tumores teratoides/rabdoides (TTR) são raros e em 80% dos casos acometem crianças abaixo dos dois anos. O sítio mais comum é o renal, seguido pelo sistema nervoso central, chamados de TTR atípicos. Outros sítios extrarrenais são mais raros e foram descritos em locais como o tórax, mediastino, fígado e extremidades. O relato de caso apresentado tem como objetivo reforçar a importância do diagnóstico diferencial precoce das massas mediastinais na infância, que no contexto de tumores agressivos, permite a instituição de terapia direcionada, aumentando o prognóstico dos pacientes.
Descrição: Lactente, feminino, 18 meses, com quadro de dispneia progressiva há 20 dias. Ao exame físico, apresentava sons respiratórios reduzidos no hemitórax direito. Os exames laboratoriais revelaram anemia, leucocitose, plaquetose, alfa-fetoproteína normal e sorologias infecciosas negativas.
A radiografia de tórax evidenciou opacificação completa do hemitórax direito e desvio contralateral das estruturas mediastinais. À imagem por ressonância magnética, foi caracterizada volumosa massa expansiva, centrada no mediastino pré-vascular/visceral, que ocupava todo o hemitórax direito e cruzava a linha média. Apresentava hipossinal na ponderação T1, hipersinal heterogêneo na ponderação T2 e hiporrealce irregular, notadamente periférico, além de restrição à difusão.
O resultado da biópsia confirmou, através da microscopia e imuno-histoquímica, o diagnóstico de tumor teratoide/rabdoide. A paciente não apresentou resposta à quimioterapia e durante a tentativa de ressecção cirúrgica evoluiu para óbito.
Discussão: Embora raros, os TTR devem ser incluídos nos diagnósticos diferenciais das massas mediastinais na infância. Os sintomas geralmente estão relacionados à compressão das estruturas adjacentes.
Os achados de imagem contribuem para o diagnóstico, porém, a confirmação histológica é frequentemente necessária devido à sobreposição das características de imagem. São caracterizados como volumosas massas mediastinais heterogêneas, que dentre os diagnósticos diferenciais, destacam-se os linfomas, em particular o não-Hodgkin de células T linfoblástico, rabdomiossarcoma e o tumor de Askin.
Não foram estabelecidos tratamentos consistentemente eficazes. Esquemas de quimioterapia, radioterapia e a ressecção cirúrgica podem ser empregados. O curso clínico é bastante agressivo e o prognóstico extremamente reservado.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE15

TORÇÃO DE APÊNDICE EPIDIDIMÁRIO: UM DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL A SER CONSIDERADO NO CONTEXTO ULTRASSONOGRÁFICO DE ESCROTO AGUDO NA POPULAÇÃO PEDIÁTRICA.

SANTOS, MARINA RAMOS (HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN)
LIMA, NATALIA TAVARES DE MELO BARROS LIMA (HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN)
SAMESHIMA, YOSHINO TAMAKI (HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN)
GUAL, FABIANA (HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN)
Os apêndices intraescrotais são estruturas remanescentes dos ductos mesonéfricos e paramesonéfricos, são cinco, das quais apenas três são passíveis de […]

Os apêndices intraescrotais são estruturas remanescentes dos ductos mesonéfricos e paramesonéfricos, são cinco, das quais apenas três são passíveis de avaliação ultrassonográfica: o apêndice testicular, o apêndice do epidídimo e o apêndice da cauda do epidídimo. A torção destes apêndices são a causa mais freqüente de escroto agudo na criança. O apêndice testicular é o mais comumente afetado nas torções apendiculares (83,3 %). O objetivo deste trabalho é relatar um caso de torção de apêndice epididimário, que apesar de menos freqüente (20%), deve constar como diagnóstico diferencial ultrassonográfico na faixa pediátrica.
Relatamos o caso de um menino de 10 anos, com queixa de dor escrotal esquerda, subaguda, submetido à ultrassonografia com Doppler da bolsa testicular, caracterizando-se apêndice epididimário aumentado de volume, difusamente heterogêneo e sem fluxo ao estudo Doppler. Outros achados como hidrocele reacional, espessamento cutâneo da bolsa testicular, além de hipervascularização epididimária foram evidenciados. Com o diagnóstico ultrassonográfico de torção do apêndice epididimário o caso foi conduzido de forma conservadora com recomendação de repouso e anti-inflamatórios para controle do quadro álgico.
Cerca de dois meses após o primeiro estudo, o paciente foi submetido à nova ultrassonografia, que evidenciou redução volumétrica significativa do apêndice epididimário torcido, que se encontrava hiperecogênico e sem sinais inflamatórios locais.
A clínica da torção dos apêndices testiculares é relativamente diferente da torção testicular, pois se apresenta de forma mais arrastada, com apresentação subaguda. Essa avaliação é uma tarefa difícil na faixa pediátrica, tendo a ultrassonografia um papel importante no contexto de urgência na diferenciação das patologias escrotais cirúrgicas e não cirúrgicas.
Os achados ultrassonográficos de torção do apêndice epididimário são: presença de nódulo/massa heterogênea sem fluxo ao estudo Doppler, separada do testículo e com um pedículo vascular epididimário torcido. O epidídimo, por sua vez, na maioria dos casos encontra-se de dimensões aumentadas, hipervascularizado e hiperecogênico. Quando presente, a hidrocele é útil na caracterização do apêndice avascular.
O apêndice torcido, epididimário ou mesmo o testicular, podem vir a calcificar, separar-se do epidídimo ou do testículo e serem encontrados como uma calcificação escrotal livre, conhecida como escrotolito.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE16

DOENÇA DE NIEMANN-PICK TIPO A: ACHADOS DE IMAGEM EM DOENÇA DE DEPÓSITO COM APRESENTAÇÃO FULMINANTE EM LACTENTE

FAGUNDES, MARÍLIA (HOSPITAL DE CLÍNICAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ)
TEIXEIRA, BERNARDO (HOSPITAL DE CLÍNICAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ)
A Doença de Niemann-Pick (NPD) corresponde à herança autossômica recessiva, com incidência de 1: 100.000, baseada nas deficiências metabólicas de […]

A Doença de Niemann-Pick (NPD) corresponde à herança autossômica recessiva, com incidência de 1: 100.000, baseada nas deficiências metabólicas de esfingomielinase ácida (ASM) – tipos A e B – e de proteínas para transporte de colesterol – tipos C e D. O déficit de ASM leva ao acúmulo de esfingomielina. Foi classificado em uma forma neuropática grave, ou NPD-A, e não neuropática, ou NPD-B. Por possuir um espectro fenotípico variável, com risco de evolução fatal, imagem correlacionada a dados clínicos-laboratoriais contribuem para melhor manejo.
Paciente masculino, 1 ano, com regressão no desenvolvimento neuropsicomotor e hepatoesplenomegalia, manifestou desconforto respiratório agudo, devido ascite importante, sendo internado para compensação e investigação do quadro. Ressonância magnética (RM) do encéfalo apontou redução volumétrica dos hemisférios cerebrais e do cerebelo, com hipersinal da substância branca em T2. Fundo de olho com mácula “em cereja”. Alteração da função hepática, plaquetopenia e mielograma hipocelular. Aspirado de medula óssea (MO) com histiócitos de citoplasma amplo e vacuolado. Esfingomielinase nos leucócitos de 0,05 nmol/h/mg e quitotriosidase de 933 nmol/h/mL. Dessa forma, foi firmado diagnóstico de NPD-A. Evoluiu a quadro de sepse, com desidratação, taquipneia, febre e piora do hemograma e da função hepática, culminando em óbito após 2 meses de internamento.
A NPD-A apresenta hepatoesplenomegalia que costuma ser aparente nos primeiros 3 meses de vida. Exame neurológico é normal até 10 meses, após ocorre deterioração progressiva. Envolvimento respiratório é comum. Mácula “vermelho-cereja” é vista nos estágios avançados. Na maioria dos casos, a morte ocorre entre 1 e 3 anos de idade.
As células ganglionares da NPD-A geralmente possuem citoplasma pálido e vacuolado. Há gliose e desmielinização. Assim, a RM pode revelar atrofia cerebral e cerebelar, com hiperintensidade da substância branca em T2. O aspirado de MO revela histiócitos espumosos.
O diagnóstico diferencial deve incluir a doença de Gaucher e a NPD-C. Para diagnóstico definitivo, demonstra-se a atividade residual da ASM nos leucócitos do sangue periférico <10% e o aumento da atividade da quitotriosidase. Até o momento, a conduta na deficiência de ASM é sintomática. Transplante de MO não mostrou melhora das alterações neurológicas. Nas últimas décadas, devido o melhor entendimento da NPD, vem-se aprimorando os métodos para diagnosticar e potencialmente tratar esta doença.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE17

ENTEROCOLITE NECROTIZANTE E ESTENOSE SEGMENTAR DO CÓLON: REVISÃO DOS ACHADOS DE IMAGEM E CORRELAÇÃO ENTRE OS DIFERENTES MÉTODOS - RELATO DE CASO

COIMBRA VELEZ DE ANDRADE, ROBERTA (DASA-SP)
PALLÚ DAVAUS GASPARETTO, TAISA (DASA-SP)
STRAUS TAKAHASHI, MARCELO (DASA - SP)
TORRE MOREIRA, MARCIA (DASA - SP)
INTRODUÇÃO.A enterocolite necrotizante constitui importante causa de morbimortalidade neonatal e tem como principal fator de risco a prematuridade. Trata-se de […]

INTRODUÇÃO.A enterocolite necrotizante constitui importante causa de morbimortalidade neonatal e tem como principal fator de risco a prematuridade. Trata-se de um processo inflamatório gastrointestinal grave, no qual as infecções desempenham papel contributivo na patogênese. Os exames de imagem são fundamentais para a investigação e o controle evolutivo da doença, pois o seu diagnóstico precoce e a detecção de complicações têm impacto na redução de potenciais danos.
OBJETIVO.O presente relato tem por objetivo apresentar um caso de enterocolite necrotizante com estenose de segmento cólico, por meio de uma revisão dos principais achados de imagem e da correlação entre os diferentes métodos utilizados.
CASO/DISCUSSÃO. Recém-nascido (RN) do sexo masculino, 27 dias de vida, a termo, com quadro de enterorragia há 1 dia, sem outros sintomas associados. Esteve internado por sintomatologia semelhante, com alta hospitalar há 10 dias. Outros antecedentes pessoais: taquipneia transitória do RN, aleitamento misto desde o nascimento. A radiografia de abdome inicial evidenciou meteorismo intenso e imagem sugestiva de pneumatose intestinal. Já a ultrassonografia do abdome demonstrou também segmento do cólon descendente de paredes espessadas e com pequena quantidade de gás luminal, além de sinais inflamatórios. Observou-se ainda distensão gasosa do segmento cólico a montante e presença de gás nas porções distais. Apesar de não ser habitualmente realizada e de ter indicação controversa, prosseguiu-se a investigação com tomografia computadorizada para avaliar a extensão do acometimento e auxiliar na definição da conduta. Nesse método, as alterações supracitadas foram melhor caracterizadas e houve a exclusão definitiva de pneumoperitônio. Assim, as hipóteses de enterocolite necrotizante não curada ou decorrente de novo processo infeccioso e, menos provavelmente, alergia à proteina do leite foram aventadas. Houve confirmação, durante o internamento, de infecção por rotavírus. Após a conclusão da terapêutica, persistiu o achado de segmento do cólon descendente espessado e de calibre reduzido, sendo confirmada estenose segmentar no enema opaco e, posteriormente, no intra-operatório.
CONCLUSÃO.Diante da gravidade da enterocolite necrotizante, esse relato de caso revisa alguns dos principais achados da doença nos diferentes métodos de de imagem. Desse modo, contribui para uma maior familiarização dos radiologistas com a patologia e, consequentemente, para sua detecção precoce.

ENSAIO ICONOGRÁFICO

PEDIATRIA

PE18

PEQUENAS BARRIGAS, GRANDES TUMORES

NEDEL, BARBARA LIMBERGER (HOSPITAL MOINHOS DE VENTO)
BARROS, MARIANE CIBELLE BARRETO DA SILVA (HOSPITAL MOINHOS DE VENTO)
Volumosas massas abdominais são eventualmente encontradas em crianças, geralmente em menores de 5 anos de idade. A ecografia é o […]

Volumosas massas abdominais são eventualmente encontradas em crianças, geralmente em menores de 5 anos de idade. A ecografia é o exame de imagem inicial realizado por sua ampla disponibilidade e ausência de radiação ionizante. Quando detectadas, lesões neoplásicas requerem prosseguimento da investigação através de tomografia computadorizada ou ressonância magnética, inclusive para descartar disseminação secundária. Devido às pequenas dimensões da cavidade abdominal na população pediátrica, determinar a origem de volumosas lesões pode ser bastante difícil, sendo fundamental a identificação do seu epicentro e o detalhamento das relações anatômicas para elucidação diagnóstica.
Objetivamos apresentar as principais grandes massas tumorais abdominais em crianças e suas características radiológicas: nefroblastoma, neuroblastoma, hepatoblastoma e teratoma.
O neuroblastoma é a neoplasia abdominal mais comum em crianças, com origem no sistema nervoso simpático periférico, principalmente em glândulas adrenais. Apresentam-se como massas heterogêneas retroperitoneais com vascularização interna, calcificações (30-90%), podendo conter áreas centrais de necrose. Costumam deslocar estruturas adjacentes, muitas vezes insinuando-se ao espaço retro-aórtico.
O nefroblastoma, conhecido como tumor de Wilms, é a neoplasia abdominal renal mais comum em crianças. Caracteriza-se por massa heterogênea predominantemente sólida com efeito expansivo, deslocando estruturas adjacentes, muitas vezes determinando o ‘sinal da garra’, podendo ser bilateral em até 5% dos casos.
O hepatoblastoma é a terceira neoplasia abdominal mais comum em crianças, podendo cursar com elevação da alfafetoproteína sérica. Apresentam-se como massas heterogêneas com centro geométrico no fígado, contendo áreas de necrose e hemorragia, sendo calcificações grosseiras observadas em até 40% dos casos.
Os teratomas são os tumores de células germinativas mais comuns da infância, de diferentes origens embrionárias, encontrados principalmente na linha média e nas gônadas. Apresentam características de imagem variadas, por componentes císticos, partes moles, gordura ou calcificações. Raramente podem determinar disseminação secundária.
Por fim, o diagnóstico diferencial de massas neoplásicas abdominais é amplo, e a definição do seu órgão de origem é essencial para o raciocínio, o que muitas vezes não é fácil em lesões volumosas e abdomes tão pequenos. Conhecer as patologias e suas características de imagens é essencial.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE19

SÍNDROME DA ARTÉRIA MESENTÉRICA SUPERIOR E A PANDEMIA DE COVID-19: DIAGNÓSTICO RARO NA EMERGÊNCIA

DE OLIVEIRA CAETANO, THIAGO (HOSPITAL MOINHOS DE VENTO)
VALESCA LEAL, PATRICIA (HOSPITAL MOINHOS DE VENTO)
LIMBERGER NEDEL, BARBARA (HOSPITAL MOINHOS DE VENTO)
BARRETO DA SILVA BARROS, MARIANE CIBELLE (HOSPITAL MOINHOS DE VENTO)
INTRODUÇÃO: A Síndrome da artéria mesentérica superior (SAMS) é causa rara de obstrução intestinal, ocasionada pela compressão da terceira porção […]

INTRODUÇÃO: A Síndrome da artéria mesentérica superior (SAMS) é causa rara de obstrução intestinal, ocasionada pela compressão da terceira porção do duodeno pelo estreitamento do espaço entre artéria mesentérica superior e aorta. Em geral é uma patologia pouco aventada em casos de emergência, e por isso subdiagnosticada.
OBJETIVO: Alertar aos médicos radiologistas sobre essa patologia pouco lembrada e consequentemente subdiagnosticada, através de relato de caso sobre a síndrome da artéria mesentérica superior em adolescente, que procurou a emergência pediátrica, e que nesse contexto estava diretamente relacionada às mudanças sociais devido à pandemia de COVID-19.
RELATO DE CASO: Paciente M.K.C., 15 anos, feminino, chega à emergência com queixa de dor abdominal e náuseas por 5 dias. Previamente com história de vômitos e pirose, sem melhora ao uso de anti-eméticos. Solicitado exames laboratoriais e de imagem para investigação. Na ecografia abdominal havia presença de acentuada distensão líquida do estômago, da primeira e segunda porções duodenais e transição abrupta de calibre de alças intestinais ao nível da terceira porção duodenal, na linha média, junto ao pinçamento aorto-mesentérico, sendo sugerido o diagnóstico de SAMS. Após nova coleta da história, a mãe da paciente relata que durante a pandemia, a paciente estava com humor deprimido e apresentou baixa ingesta e perda de peso (cerca de 5kg). Solicitada angiotomografia computadorizada para aprofundar investigação. No exame, notado grau de obstáculo mecânico ao trânsito intestinal na terceira porção duodenal e redução do ângulo aorto-mesentérico. Optado por tratamento conservador. Realizada passagem de sonda nasogástrica e mantida por 48h até tolerância de dieta via oral. Recebeu alta hospitalar após 4 dias com boa tolerância à dieta, sem novos vômitos e sem dor abdominal.
DISCUSSÃO: Sabe-se que a SAMS tem relação direta com à redução crônica da gordura retroperitoneal. Muitas vezes a perda de peso é subvalorizada pelas famílias, principalmente no período que vivemos de pandemia. A SAMS tem sintomas inespecíficos: distensão abdominal, vômitos biliosos, saciedade precoce e anorexia. Embora incomum, a suspeita do caso em questão já iniciou na emergência após exame de ecografia abdominal. A tomografia computadorizada é o padrão-ouro, com maior sensibilidade e especificidade. O radiologista tem papel fundamental na sugestão desse diagnóstico, pouco lembrado por emergencistas, e muitas vezes subdiagnosticad

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE20

INFARTO OMENTAL NA EMERGÊNCIA PEDIÁTRICA: UM DIAGNÓSTICO A SER LEMBRADO NO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DA APENDICITE AGUDA.

VALESCA LEAL, PATRICIA (HOSPITAL MOINHOS DE VENTO)
DE OLIVEIRA CAETANO, THIAGO (HOSPITAL MOINHOS DE VENTO)
LIMBERGER NEDEL, BARBARA (HOSPITAL MOINHOS DE VENTO)
BARRETO DA SILVA BARROS, MARIANE CIBELLE (HOSPITAL MOINHOS DE VENTO)
INTRODUÇÃO: O infarto omental é uma causa de abdome agudo inflamatório rara, benigna e autolimitada, que acaba sendo subdiagnosticada. Trata-se […]

INTRODUÇÃO: O infarto omental é uma causa de abdome agudo inflamatório rara, benigna e autolimitada, que acaba sendo subdiagnosticada. Trata-se de um adensamento da gordura omental, que pode ser causada por torção primária ou secundária do omento. Pode simular quadro de apendicite aguda por afetar principalmente o lado direito, com dor intensa e contínua, e 50% tem febrícula associada. Percebe-se um crescimento do diagnóstico em pacientes pediátricos devido ao aumento da obesidade, importante fator de risco dessa patologia.
OBJETIVO: Destacar a importância de considerar o infarto omental, como um diagnóstico diferencial nos quadros de abdome agudo inflamatório, devido ao aumento de casos dessa patologia na faixa etária pediátrica, através de um relato de caso em paciente adolescente que procurou a emergência.
RELATO DE CASO: Paciente L.C.L.P, 16 anos, sexo feminino, IMC 25 kg/m², chega à emergência referindo dor em fossa ilíaca direita que piora à descompressão, associada à febrícula e fezes amolecidas, de início há cerca de 24 horas. Suspeitando-se inicialmente de apendicite, foi solicitado ultrassonografia abdominal, observando-se apêndice normal e pequena área hiperecogênica mal delimitada na gordura superficial do omento, sugerindo diagnóstico diferencial entre apendagite epiplóica e infarto omental. Exames laboratoriais demonstravam leucocitose e aumento da proteína C reativa. Apresentou alívio parcial da dor com Tramadol, Cetoprofeno e Dipirona. Optou-se por internação hospitalar. Devido à persistência do quadro álgico, foi solicitado tomografia de abdome, que demonstrou adensamento de área de gordura em situação infra-hepática mensurada de 3,6 x 2,9 cm, relacionado a infarto omental. Durante o período de internação hospitalar, foi mantida analgesia intravenosa e melhora do quadro após 48 horas.
DISCUSSÃO: O infarto omental, caracterizado por uma área de necrose do omento por irrigação vascular insuficiente, pode simular um quadro de apendicite aguda, apresentando dor em fossa ilíaca direita, náusea, vômito e febre. É considerado uma causa importante de apendicectomia branca. A ultrassonografia, método já realizado na emergência, pode demonstrar achados característicos, porém sua contribuição muitas vezes se limita a exclusão de apendicite . A tomografia computadorizada é o método de escolha para o diagnóstico. O tratamento é conservador e o quadro costuma ser autolimitado, raramente levando à formação de abscessos que podem necessitar drenagem.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE21

CLOVERLEAF SKULL ASSOCIADA À SÍNDROME DE APERT

FERREIRA GOMES DA SILVA, MARILIA (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO)
TEIXEIRA DINIZ, LUCAS ()
REGACINI, RODRIGO ()
A síndrome de 'Cloverleaf skull' é uma rara craniossinostose na qual há uma configuração craniofacial complexa trilobulada, devido o fechamento […]

A síndrome de 'Cloverleaf skull' é uma rara craniossinostose na qual há uma configuração craniofacial complexa trilobulada, devido o fechamento prematuro das suturas cranianas, gerando o abaulamento superior da fontanela anterior e lateral dos polos temporais em aspecto de folha de trevo. Desde o seu primeiro relato na literatura em 1973, há poucas ocorrências documentados na literatura. Este relato de caso descreve uma rara associação da síndrome de ‘Cloverleaf skull’ associada à síndrome de Apert.
Paciente do sexo feminino, nascida de parto cesariano com 37 semanas, por apresentação pélvica e alto risco por anomalia fetal, pesando 2425,0 g, com Apgar 6 e 8 nos primeiro e quinto minutos de vida, respectivamente. Necessitou de manobras de reanimação ao nascer, sendo encaminhada à UTI neonatal. Ao exame físico foram observados sinais dismórficos: craniossinostose, hipertelorismo ocular, baixa implantação de orelhas, ponte nasal deprimida, sindactilia em 2,3,4º dedos de ambas as mãos, crânio em aspecto de folha de trevo e fosseta sacral. Foram realizados exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética do crânio que revelaram a malformação craniofacial de aspecto trilobulado típico da síndrome de ‘Cloverleaf skull’, hipoplasia da face média e face em arlequim, com uma fossa cerebelar posterior reduzida, sem outras malformações do sistema nervoso central. A paciente recebeu alta hospitalar após 67 dias de internação, sendo realizadas correções da sindactilia e da craniossinostose em duas abordagens cirúrgicas eletivas entre os anos de 2019 e 2020. Em pesquisa ambulatorial, a paciente foi diagnosticada com síndrome de Apert e atualmente, segue em acompanhamento multiprofissional.
O caso ilustra a síndrome de ‘Cloverleaf skull’ cuja ocorrência dá-se de forma isolada ou associada às síndromes disostóticas como a acondroplasia, disostose craniofacial de Crouzon, síndromes de Apert ou de Pfeiffer. A etiopatogenia da síndrome ainda não foi esclarecida, mas sabe-se que algumas mutações genéticas estão envolvidas nestas síndromes de craniossinostose, destacando-se as dos genes FGFR1, FGFR2, FGFR3, TWIST e MSX2.
A síndrome de Apert ou Acrocefalossindactilia tipo I é uma malformação congênita rara caracterizada por craniossinostose, hipoplasia facial e sindactilia simétrica cutânea e óssea dos membros. A associação clara desta malformação com a síndrome de ‘Cloverleaf skull’, como descrito no caso, ocorre em apenas 4% dos pacientes com Apert.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE22

A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DO EXAME ANTERIOR EM ACHADO INCIDENTAL DE CORPO ESTRANHO

FELIPPE AUGUSTO SILVESTRE E VÉRAS (IMIP)
EDUARDO JUST DA COSTA E SILVA (IMIP)
FILIPE CESARIO VILLA VERDE (IMIP)
IGOR SIQUEIRA CARDOSO (IMIP)
A importância de checar exames anteriores é eventualmente subestimada na prática radiológica. Avaliação do histórico de imagem do paciente pode […]

A importância de checar exames anteriores é eventualmente subestimada na prática radiológica. Avaliação do histórico de imagem do paciente pode evitar a realização de exames adicionais, reduzindo despesas do sistema de saúde e evitando novas exposições à radiação e sedação, especialmente no contexto da radiologia pediátrica. Este relato de caso tem como objetivo reforçar o hábito de avaliar exames anteriores para solução de problemas.
Masculino, 2 anos de idade, com histórico de correção cirúrgica de atresia esofágica vem para realizar estudo contrastado eletivo do TGI alto por queixa de baixo ganho de peso. A radiografia simples do tórax realizada antes da ingestão do contraste oral evidenciou redução volumétrica do lobo superior do pulmão direito e corpo estranho metálico projetado na região para-mediastinal superior direita. A incidência em perfil, entretanto, mostrava uma localização posterior à traqueia e não justificava a redução volumétrica do lobo superior direito, criando dificuldades de interpretação. A análise de uma tomografia computadorizada realizada onze meses antes já revelava sinais de hipoplasia pulmonar congênita com ausência do brônquio lobar superior direito. Concluiu-se que a moeda se localizava no esôfago. O objeto foi retirado posteriormente por via endoscópica.
Atresia esofágica possui várias formas de apresentação, associada a fístula traqueo-esofágica ou não. O diagnóstico por imagem pode ser feito no pré-natal ou no pós-natal. A associação com hipoplasia ou agenesia pulmonar unilateral é conhecida e rara. No caso apresentado, há sinais de hipoplasia do lobo superior direito, com ausência do brônquio correspondente, o que torna inviável a hipótese de impactação neste brônquio. A localização da moeda e a redução volumétrica do pulmão direito poderia simular os achados de obstrução brônquica por corpo estranho, mas mesmo para um olho menos treinado, o diagnóstico correto poderia ser feito com a ajuda do exame anterior.
Em conclusão, averiguar os exames anteriores deve ser uma prática consistente do radiologista e pode evitar armadilhas de imagem, reduzindo a necessidade de investigação adicional.

RELATO DE CASO

PEDIATRIA

PE23

CISTO DO DUCTO BILIAR SOLITÁRIO GIGANTE: UMA FORMA INCOMUM DE APRESENTAÇÃO

FEYO GUIMARAES PEIXOTO, LAURA (UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA)
TITONELI FREITAS, EMANUELA (UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA)
ZIMMERMMANN CHAVES, RAPHAEL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA)
JOSE SIQUERIA BRITO, GEOVANNI (UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA)
BIANCO GOMES DE ALMEIDA, LETICIA (UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA)
BORGES DOS REIS LIMA, VANDRÉ (UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA)
HISTÓRIA CLÍNICA: Paciente feminina, 13 anos, com dor abdominal há 4 anos e aumento progressivo do volume abdominal. Ao exame […]

HISTÓRIA CLÍNICA: Paciente feminina, 13 anos, com dor abdominal há 4 anos e aumento progressivo do volume abdominal. Ao exame físico havia massa endurecida e dor à palpação, sem irritação peritoneal. Exames laboratoriais normais. A TC, USG e RM revelaram volumosa lesão expansiva encapsulada, de comportamento cístico heterogêneo, sem fluxo ao Doppler ou realce pós-contraste e sem invasão de estruturas. O sinal da garra com o lobo hepático esquerdo sugeriu origem hepática.
DISCUSSÃO E DIAGNÓSTICO: Diante de uma lesão hepática predominantemente cística com conteúdo heterogêneo em pacientes infanto-juvenis, incluem-se nos diagnósticos diferenciais lesões císticas, predominantemente císticas e lesões sólidas com degeneração cística. Neste caso cisto do ducto biliar solitário complicado com sangramento foi a principal hipótese. O cisto biliar é a causa mais comum de lesão hepática, e pode ser solitário ou múltiplo, acometendo preferencialmente o sexo feminino. Geralmente é assintomático e pode estar relacionado a febre e dor abdominal quando complicado.
Por imagem os cistos biliares se apresentam como lesão preenchida por líquido com paredes definidas, de tamanhos variados e que pode se localizar na superfície ou interior do parênquima hepático. Se complicado pode demonstrar conteúdo heterogêneo e por vezes septos internos. A não caracterização de fluxo ao Doppler e de realce pós contraste é de grande valia para exclusão de patologias sólidas.
A histologia demonstra uma coleção serosa fluida delimitada por paredes com epitélio cuboide, semelhante ao dos ductos biliares, e fino halo externo de estroma fibroso. Cistos de maiores dimensões podem complicar revelando conteúdo hemático ou necrótico. Geralmente não necessita de tratamento, apenas quando sintomático. A excisão cirúrgica é eficaz na grande maioria dos casos.
CONCLUSÕES: A partir de um aumento do volume abdominal progressivo em uma paciente infanto-juvenil, temos vários diagnósticos possíveis, incluindo má formações vasculares e linfáticas, tumores benignos e malignos, neoplasias hematológicas, doenças infecciosas que cursam com hepatoesplenomegalia, dentre outros. Os exames de imagem tiveram papel fundamental no diagnóstico deste caso, pois sugeriram a benignidade da lesão além de sua possível etiologia, confirmada posteriormente pelo estudo anatomopatológico. Dessa forma, o papel do médico radiologista na interpretação das imagens tem suma importância nos casos em que sua apresentação foge do habitual.

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